O Beijo

Danielle Steel · Capítulo 3 de 17 · parte 3/4

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O Beijo

Capítulo Três

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

— O que aconteceu? — perguntou Jane, ensonada, entrando no quarto. Era pequena, loira e tinha um aspecto atraente. Cindy era assim quando tinha a m esm a idade. Acabara o prim eiro ano na Universidade de Nova Iorque e ia fazer dezenove anos. Ouvira as vozes da m ãe e da irm ã e, pela cara desta, via-se que estava zangada com a m ãe. — O que estão discutindo a esta hora? — Cindy e a filha m ais velha costum avam ter discussões por tudo e por nada. Jane era a apaziguadora. Bocej ou e m eteu-se na cam a da m ãe.

— O papai teve um acidente — com unicou Olivia à irm ã m ais nova, que ficou com cara de espanto. Entretanto, a m ãe telefonava para as com panhias de aviação.

— Ele está bem ? — Jane não conseguia im aginar que o pai não se encontrasse de perfeita saúde. Olivia era m uito m ais em otiva do que ela e podia estar exagerando. Não tinha certeza.

— O estado de saúde dele é m uito grave — disse Olivia, não conseguindo suster um soluço. Sentou-se então na cam a, abraçou Jane e desatou a chorar. — Fraturou o pescoço e apresenta um a série de lesões na coluna. A m am ãe diz que não sabem se poderá voltar a andar. Acabou de ser operado. O carro dele foi abalroado por um ônibus.

— Oh, m erda! — exclam ou Jane, abraçando-se ainda m ais à irm ã, que sem pre a confortara, não sendo habitual acontecer o contrário. Jane fora sem pre a m ais calm a das duas. Tinha capacidade para cuidar de si onde quer que fosse ou de qualquer outra pessoa que precisasse de aj uda. Herdara a frieza da m ãe, m as desta vez estava em pânico.

— A m am ãe vai para Londres e eu tam bém vou racturodeclarou Olivia, por entre lágrim as.

— Tam bém vou — acrescentou Jane, dando um pulo da cam a para contar à m ãe quais os seus planos. Colocou-se então diante da m ãe, enquanto esta tratava da m arcação do vôo.

— Vam os as duas com você — disse, num tom perem ptório, Cindy fez-lhe sinal para se afastar. Mal conseguia ouvir o que lhe diziam ao telefone. Pôs a m ão no bocal e disse então a Jane:

— É m elhor vocês ficarem . Telefono-vos se achar que devem ir.

— Ou vam os com você ou vam os sozinhas — decretou Jane. Cindy sabia, por experiência, que não valia a pena contrariá-la. Ao contrário de Olivia, que era relativam ente fácil de dissuadir, Jane tinha a flexibilidade de um a rocha quando encasquetava um a idéia na cabeça. — A que horas partim os.

— Há um voo às onze e quarenta — respondeu Cindy, pegando no telefone e fazendo m ais duas reservas. Depois de desligar, inform ou as filhas de que tinham de sair de casa às nove. Havia duas horas para se vestirem e fazerem as m alas. Nem sequer dava tem po para que o avião de Bill as viesse buscar em Nova Iorque.

— Vou fazer o café da m anhã — prontificou-se Jane, enquanto Olivia chorava, sentada na cam a. — Vai fazer as m alas, ordenou à irm ã m ais velha. Depois olhou para a m ãe, que abria o roupeiro e tirava um a m ala de um a prateleira. — Acha que o papai vai conseguir aguentar-se, m am ãe — perguntou, esforçando-se por se m anter calm a. A m ãe voltou-se e olhou-a com um ar perturbado.

— Não sei, querida. Acho que ainda é m uito cedo para dizer. Mas está aguentando. Sobreviveu à operação. — Não lhe contou que a funcionária da Unidade de Cuidados Intensivos lhe dissera que ele estivera por duas vezes às portas da m orte e que haviam levado duas horas para tirá-lo do carro. — É saudável e forte, e está em grande form a.

— Com o ocorreu o acidente? — perguntou Jane.

— Não sei. A única coisa que sei foi que a lim usine dele foi abalroada por um ônibus. Deve ter sido um acidente terrível, onze m ortos. Dem os graças a Deus pelo seu pai não estar entre eles.

Jane foi então fazer as m alas.

Enquanto atirava calças, T-shirts e cam isolas para dentro de um a m ala, Cindy só pensava nas im plicações que o acidente acarretava para Bill. Estava absolutam ente convencida de que ele preferiria m orrer a ver-se seriam ente dim inuído fisicam ente. Quanto a ela, não sabia ainda o que lhe desej ava. Dependia da gravidade das lesões. Mas não queria falar no assunto às filhas. Nem sequer sabia m uito bem o que sentia por ele. Estava casada com ele há m ais da m etade da sua própria vida e j á não o am ava, nem sequer se podia dizer que fossem am igos. Era o pai das suas filhas e fora seu m arido durante trinta anos. Tivera outros hom ens na sua vida, e há m uito que aquele casam ento perdera todo o sentido. Chegara a pensar em divorciar-se um a ou duas vezes, quando andara envolvida com outros hom ens. Mas nunca lhe ocorrera ao longo de todos esses anos que Bill pudesse m orrer. Encarar essa hipótese agora alterava tudo.

De repente, deu consigo pensando em com o Bill era na adolescência, na paixão que tivera por ele, na felicidade que haviam sido os prim eiros tem pos de casam ento. Era com o estar vendo passar trinta anos de história diante dos olhos. No chuveiro, ao pensar na eventualidade de Bill nunca m ais poder andar, não conseguiu evitar o choro.

Partiram para o aeroporto pouco depois das nove. Cindy, ao volante, as filhas, no banco traseiro. Não articulou qualquer palavra durante toda a viagem . Jane e Olivia olhavam pelo vidro, perdidas em pensam entos. Iam am bas de calças de ganga e tênis Nike. Traziam pouca bagagem . Cindy deduziu que, provavelm ente, pretendiam passar a m aior parte do tem po no hospital e pouco lhes im portava o aspecto. Mal haviam tido tem po de se pentearem . E quando Jane fez o desj ej um , ninguém com eu o que quer que fosse. A única coisa em que pensavam era em Bill no hospital, a lutar contra a m orte. No m om ento em que descolaram , Gordon Forrester encontrava-se tam bém num avião que partira do Aeroporto Charles de Gaulle e cuj a chegada a Heathrow estava prevista para daí a m enos de um a hora.

No hospital, m antinha-se tudo na m esm a. Isabelle e Bill haviam sido colocados em quartos separados, na Unidade de Cuidados Intensivos. Encontravam -se ligados a vários m onitores, tinham as suas próprias equipes e o seu estado inspirava tais cuidados que haviam sido isolados dos outros doentes. Isabelle estava com febre alta desde as três horas da tarde. O coração batia a um a cadência irregular, o fígado fora seriam ente afetado, os rins am eaçavam deixar de funcionar e, devido ao traum atism o e à operação, o cérebro estava ligeiram ente inchado. No entanto, o eletroencefalogram a indicara que o cérebro continuava funcionando. Os m édicos estavam esperançosos de que Isabelle não ficasse com quaisquer sequelas a nível cerebral, caso sobrevivesse. Ainda não haviam conseguido determ inar qual das m uitas lesões é que lhe estava provocando a febre alta. Continuava em com a profundo, não só devido ao traum atism o craniano que sofrera, m as tam bém por causa da anestesia e das drogas que lhe haviam m inistrado. Do ponto de vista clínico, era difícil acreditar que conseguisse sobreviver.

Quanto a Bill, pouco m elhor se encontrava que Isabelle. Tinha o pescoço e as costas im obilizados por aparelhos em ferro e aço que m ais pareciam instrum entos de tortura. O corpo fora colocado em cim a de um a prancha que perm itia que o m ovessem , para qualquer eventualidade. Tam bém continuava em com a.

— A fam ília dele chega dos Estados Unidos por volta da m eia-noite — disse um a das enferm eiras, às seis da tarde, quando da m udança de turno. — A m ulher telefonou do avião.

A outra enferm eira assentiu com a cabeça e aj ustou um dos m onitores. Pelo m enos, os sinais vitais estavam bons, m elhores do que os de Isabelle, que não saía da fronteira entre a vida e a m orte. A sua sobrevivência parecia m ais incerta do que a dele. Um a das enferm eiras perguntou se tam bém vinha alguém ver Isabelle.

— Não sei. Julgo que telefonaram para Paris esta m anhã e falaram com o m arido, m as ele não disse quando é que vinham . A Katerinne achou-o m uito frio. Devia estar em estado de choque.

— Pobre hom em . Este é um daqueles telefonem as que se têm nos pesadelos — com entou um a das enferm eiras de Bill. Será que ela tem filhos. — Não conheciam a história m édica ou porm enores pessoais de cada um dos dois, apenas as nacionalidades, os nom es dos parentes m ais próxim os e o que acontecera no acidente. Nem sequer sabiam qual era a relação entre os dois, se eram sócios, parentes ou apenas am igos. E nem valia a pena porem -se a adivinhar. Nesse preciso instante, não passavam de dois pacientes internados na Unidade de Cuidados Intensivos a debater-se contra a m orte. Falavam na eventualidade de Isabelle ser novam ente operada, para aliviar a pressão do cérebro. O cirurgião devia tom ar a decisão a qualquer m om ento. Quando apareceu j á passava das seis e resolveu não a operar de m om ento. Achava que ela não sobreviveria a um a nova cirurgia.

Eram sete e pouco e j á o m édico saíra, quando Gordon chegou. Entrou na Unidade de Cuidados Intensivos, dirigiu-se à recepção e disse ao funcionário quem era. Este levantou os olhos e pediu a um a enferm eira que o conduzisse até ao quarto de Isabelle. Sem dizer palavra, Gordon seguiu-a, de sem blante carregado. Tivera o dia todo para se preparar para aquele m om ento. Ao entrar no quarto, esperava encontrá-la bastante ferida. Mas nada do que im aginara o preparara para aquilo que os seus olhos viram . Estava irreconhecível, parecia um naco de carne. Havia ataduras, fios, tubos e m onitores por todo o lado, a cabeça estava coberta de gaze e até o braço que tinha o problem a na artéria se encontrava envolto em ataduras. A única coisa fam iliar nela era o rosto pálido com o a m orte a espreitar por entre a gaze. Era a única parte do corpo que parecia não ter sido atingida.

Havia três pessoas j unto de Isabelle quando Gordon entrou. Um a m udava o saco de soro, outra passava os olhos pelos m onitores e um a terceira verificava as pupilas, com o faziam constantem ente. Ao deparar com aquele cenário, apesar de j á não sentir nada pela esposa, Gordon foi acom etido pelo horror. Era com o se j á não fosse o corpo dela que se encontrava ali. Aquilo que restava de Isabelle não significava nada para si. Não passava de um corpo cheio de fraturas. Manteve-se em silêncio, sem se aproxim ar.

— Mister Forrester? — perguntou um a das enferm eiras, baixinho.

Gordon fez um gesto afirm ativo com a cabeça e ficou sem saber o que dizer. Em baraçava-o o fato de ter de a ver com a presença de várias pessoas de olhos postos nele. Não sabia o que esperavam de si. Talvez que se atirasse de j oelhos aos pés da cam a, que a beij asse nos dedos ou que lhe tocasse nos lábios. Mas não conseguia aproxim ar-se m ais. Olhar para Isabelle era com o olhar para o anj o da m orte, e isso assustava-o.

— Com o ela está, — perguntou, num a voz rouca

— Está com febre. O m édico acabou de sair. Estãoponderando a hipótese de nova cirurgia, para aliviar a pressão no cérebro, m as o cirurgião acha que neste m om ento ela não está em condições de aguentar a operação. Quer esperar m ais um pouco. Voltará aqui às dez horas. E se não a operarem . O cérebro poderá ficar afetado.

Não conseguia im aginar nada pior do que ela sobreviver e ficar praticam ente sem nenhum a função cerebral ou com um a deficiência grave, e queria dizer isso m esm o ao cirurgião. Se Isabelle não podia voltar a ser com o era, achava que os esforços dos m édicos para a salvar não faziam sentido. Fora um a m ulher bonita, inteligente e talentosa, e, apesar das suas diferenças, um a boa esposa e um a boa m ãe para os filhos. Salvarem -na para perm anecer num a cam a em um estado vegetativo era um a coisa horrenda para ele, que estava preparado para envidar todos os esforços para que isso não acontecesse. Não queria que os filhos se lem brassem da m ãe assim . Nem ele queria viver com ela nesse estado.

— Nesta altura, é im possível fazer qualquer prognóstico, Mister Forrester. No entanto, os resultados do eletroencefalogram a foram encoraj adores. Ainda é m uito cedo para se saber o que quer que sej a. — Era im possível dizer se Isabelle ficaria horas ou m eses no estado em que se encontrava.

— Há algum m édico com quem possa falar, — perguntou Gordon a um a das enferm eiras, sem qualquer sinal visível de em oção. A enferm eira pensou que ele se assem elhava m ais a alguém conhecido ou a um parente afastado que viera ao hospital por um a questão de dever. Gordon guardava as em oções para si próprio.

— Vou dizer ao cirurgião de plantão que o senhor está aqui — disse a enferm eira, ao passar por Gordon. Este provocara-lhe um a sensação de algum desconforto. Ver Isabelle naquele estado deixava-a de coração destroçado. Um a m ulher tão bonita e tão j ovem . Mas o hom em que voara de Paris para ver a esposa parecia não sentir nada. Nunca conhecera ninguém tão frio.

Gordon saiu do quarto e foi pelo corredor afora, à espera que alguém viesse falar com ele. Só ao fim de dez m inutos é que apareceu um j ovem cirurgião. Confirm ou-lhe o que m ais ou m enos j á sabia: Isabelle encontrava-se entre a vida e a m orte. Disse ainda que estavam ponderando a possibilidade de operá-la de novo, m as tentavam evitar nova operação. Só lhes restava esperar para ver com o o organism o reagiria ao traum atism o. Pela sua estim ativa, ia ser um a longa espera até terem boas notícias. Mas considerava que o fato de ela ter resistido até esse instante, j á era um sinal de esperança. Porém , ainda m uito tênue.

— Lam ento, Mister Forrester. Dada a natureza do acidente, é um m ilagre eles terem sobrevivido.

Gordon fez um gesto de concordância com a cabeça. Concentrou então a atenção em algo que o j ovem m édico dissera, em conflito direto com o que ouvira ao princípio do dia.

— Pensei que o m otorista tivesse m orrido.

— E m orreu, tal com o o m otorista do ônibus e nove passageiros.

— Pareceu-m e ouvi-lo dizer que “eles” tinham sobrevivido.

— E disse. Havia outro passageiro com ela. Tam bém sobreviveu, em bora não estej a tão m al com o a sua esposa. Os ferim entos são diferentes, m as igualm ente graves. Tam bém se encontra em estado crítico.

Gordon ficou com um ar som brio ao ouvir o que o m édico lhe dizia. Não conseguia im aginar o que Isabelle fazia num a lim usine com outro hom em , especialm ente àquela hora da noite. Sabia que ela viera a Londres ver um a exposição na Tate Gallery e visitar outros m useus e galerias, e não vira qualquer problem a nisso, m as agora tudo lhe parecia m uito estranho.

— Quem é ele? — indagou, m antendo o m esm o sem blante.

— Sabem os o nom e e pouco m ais. Cham a-se William Robinson e é am ericano. Julgo que a fam ília j á vem a cam inho. Devem chegar hoj e à noite.

Gordon fez um aceno de cabeça, com o se se tratasse de velhos am igos, e pensou alguns instantes no nom e; de súbito a sua m em ória avivou-se e pôs-se a im aginar se seria a m esm a pessoa. Havia um William Robinson que conhecera vários anos antes, um a figura im portante do m undo da política. E sabia que Robinson e o em baixador am ericano em Paris eram velhos am igos. Mas não conseguia im aginar o que estaria fazendo com Isabelle. Nem sequer tinha certeza se j á se conheciam . Não se lem brava se ela estivera com ele quando foram apresentados na em baixada. Ela saía tão raram ente. Era um com pleto m istério o fato de Isabelle se encontrar com William Robinson.

— Ele ficará bom ? — indagou, com um ar preocupado, o que dissim ulava as questões em aberto nos seus pensam entos.

— Não sabem os. Fraturou o pescoço e tem um grave traum atism o na parte superior da coluna. Há tam bém algum as lesões internas, m as nenhum a tão grave com o as da sua esposa.

— Poderá ficar paralisado?

— Ainda é m uito cedo para se saber. Continua inconsciente. Não recuperou a consciência depois da operação. Pode ser sim plesm ente um a reação ao traum a do acidente, ou algo m ais com plicado resultante da fratura do pescoço. Tam bém perm anece em estado crítico.

Gordon lem brou-se então de que poderiam m orrer os dois sem chegarem a explicar o que haviam faziam nessa noite. Teria sido coincidência?, perguntou-se. Isabelle poderia ter ido visitar velhos amigos dos tempos de juventude que ele não conhecia e talvez Robinson lhe tivesse dado carona. Mas o que ela estava fazendo àquela hora? De onde vinham? Para onde iam? Onde tinham estado? Por que razão estavam juntos. Conhecer-se-iam um ao outro? Ou teriam acabado de se conhecer? Havia um sem núm ero de possibilidades e perguntas fervilhando na sua cabeça. E não havia form a de descobrir as respostas para qualquer um a delas, a não ser que Robinson e Isabelle sobrevivessem . Tinha certeza de que conhecia bem a m ulher. Sabia que esta não era o gênero de pessoa que tivesse um caso com outro hom em ou sequer encontros secretos. Mas o que era fato era que estivera com um , num a lim usine, às duas da m anhã e, fosse por que razão fosse, não havia m aneira de descobrir isso agora.

— Quer passar a noite aqui no hospital com a sua esposa? — perguntou o j ovem m édico, m as Gordon abanou de im ediato a cabeça. Tinha pavor a hospitais e a pessoas doentes. Faziam -lhe lem brar a m ãe.

— Um a vez que não está consciente, não vej o m otivo para a m inha presença aqui. Fico no Claridge’s. Telefone-m e se houver algum a alteração no seu estado de saúde. Agradeço o tem po e os esforços que têm envidado para salvar a m inha m ulher — proferiu, algo em baraçado. Era óbvio que não se sentia bem no hospital e não tinha o m ínim o desej o de voltar para o quarto de Isabelle. — Vou passar pelo quarto antes de ir em bora. Agradeceu novam ente ao m édico e dirigiu-se ao quarto. Quando chegou à porta, havia cinco elem entos da equipe m édica à volta de Isabelle, que continuava não darndo sinais de si. Não fez m enção de entrar no quarto. Deteve-se breves instantes à porta, depois virou-se e foi em bora, sem dizer qualquer palavra. Mal saiu do hospital e soltou um profundo suspiro de alívio.

Detestava hospitais e pessoas doentes. Era por isso que nunca aceitara bem Teddy. No táxi que o levaria ao hotel, soltou novo suspiro de alívio. Apesar de sentir pena de Isabelle, não fora capaz de entrar no quarto e de lhe fazer um a festa na m ão. Ainda bem que estava inconsciente. Preferia vê-la m orta a viva com lesões cerebrais. Era um destino que não desej ava para Isabelle. Porém , por m ais pena que tivesse, não conseguia sentir o que quer que fosse por ela. Nem desespero, nem m edo de a perder. Para si, Isabelle não passava de um a estranha, prostrada na cam a do hospital, com fraturas por todo o corpo e sem se m exer. Parecia um a boneca sem vida. Custava-lhe aceitar que a m ulher que acabara de ver era a j ovem com quem se casara vinte anos antes. Quando o táxi parou diante do Claridge’s, a única coisa que Gordon queria saber era o que Isabelle estava fazendo na lim usine com W. Robinson. Mas não havia ninguém que pudesse responder a essa pergunta a não ser ela. Só Isabelle sabia a resposta para o m istério, além de Bill, naturalm ente. Mas tam bém este não conseguia responder no m om ento.

O porteiro tirou a bolsa de viagem da m ão de Gordon. Trouxera pouca roupa: algum as cam isas e peças de roupa íntim a.

Não pretendia ficar m uito tem po. Viera apenas avaliar a situação e planej ava voltar para Paris dentro de um ou dois dias. E só regressaria a Londres em caso de força m aior. Tanto poderia m orrer a qualquer m om ento com o continuar assim por tem po indefinido. O j ovem cirurgião dissera-lhe nessa noite que Isabelle poderia ficar em com a durante sem anas ou até m eses. De qualquer m odo, tam bém não poderia perm anecer em Londres durante m uito m ais tem po. Tinha de tratar dos negócios, de Teddy, que estava agora a seu cargo, e da gestão do banco. Quando m uito, viria a Londres de tantos em tantos dias E se esse estado de coisas se prolongasse, não via outra solução se não telefonar para Sophie e pedir-lhe que regressasse para casa. Poderia tom ar conta do irm ão. Não queria de m odo nenhum chegar a esse ponto, m as, depois do que vira, com eçava a achar que era o que tinha a fazer. Além disso, precisava de a preparar para a eventualidade de Isabelle m orrer. Parou na recepção e pediu a chave do quarto dela. O subgerente apareceu de im ediato.

— Deve ter sido um acidente horroroso. Todos nós lam entam os o sucedido. Um a coisa terrível.. Um a pessoa m aravilhosa... Só soubem os quando a polícia telefonou. — Continuou durante vários m inutos, enquanto Gordon se lim itava a dizer que sim com a cabeça e a concordar com tudo o que ele dizia. — Com o está ela?

— Não m uito bem . — Resolveu então auscultar o que o subgerente poderia saber. — — Mister Robinson tam bém se encontra em estado grave. — Perscrutou-lhe o olhar à procura de algo que pudesse estar escondendo , m as não vislum brou nada de estranho. Apenas sim patia e um infindável esfregar de m ãos.

Era de esperar. E foi tudo o que o j ovem disse. Seria em baraçoso perguntar-lhe apenas se sabia por que razão se encontravam j untos num a lim usine. Com o tal, Gordon tentou arranj ar form a de puxar o assunto. Mas não era tarefa fácil.

— Foi azar estarem os dois no m esm o carro — disse, evasivo. — Ele é um velho am igo m eu. Devem ter-se encontrado aqui.

— Sim , suponho que sim — afirm ou o subgerente, fazendo um gesto de concordância com a cabeça. — Julgo que os vi a tom ar chá j untos ontem à tarde.

— Sabe onde é que poderão ter ido ontem à noite? — indagou Gordon, com o se estivesse investigando o acidente, m as o j ovem abanou a cabeça.

— Posso perguntar ao porteiro se fez algum a reserva para eles em algum lugar. — Dirigiu-se então ao porteiro. Este inform ou que Mr. Robinson fazia sem pre as suas próprias reservas quando estava na cidade e raram ente pedia o que quer que fosse, à exceção do aluguel de um carro, com o acontecera desta vez. Mas tinha a im pressão de que o outro porteiro lhe fizera um a reserva no Mark’s Club. — Ele está de folga hoj e. Posso perguntar-lhe quando voltar. Ou posso telefonar para o restaurante, se desej ar. Infelizm ente, o m otorista m orreu, com o deve saber. Um dos nossos m elhores hom ens. Irlandês, casado e com quatro filhos. Um a tragédia horrível.

Gordon agradeceu-lhe, pegou na chave, encam inhou-se para o elevador e subiu. O fato de Bill e Isabelle terem tom ado chá j untos na tarde anterior não lhe saía da cabeça. Tinha curiosidade em saber se eles haviam se encontrado por acaso, em qualquer m useu, ou se Bill estava paquerando Isabelle. Esta era suficientem ente inocente e ingênua para se deixar enganar. Se tom ar chá com um hom em no hotel era um ato relativam ente inofensivo, j á o fato de estar às duas da m anhã, num a lim usine, com esse hom em , não o era. Continuava não conseguindo im aginar o que Bill Robinson estaria fazendo com Isabelle. Havia algo naquela história toda que não lhe soava bem . No entanto, se fosse outra pessoa que não ela, seria óbvio, m as no caso de Isabelle, não acreditava que houvesse qualquer ponta de m aldade naquilo que ela fizera. Quando entrou no quarto, continuava intrigado.

De repente, teve o pressentim ento de que Isabelle m orrera. No banheiro, em cim a da m esa ao lado do lavatório, encontravam -se os produtos de m aquiagem espalhados. Num cabide atrás da porta, a cam isola. Dentro de um arm ário, as roupas cuidadosam ente penduradas. Em cim a de um a escrivaninha, um a série de brochuras de m useus e galerias de arte. Reparou então que ao lado destes se encontrava um a carteira de fósforos do Bar Harry ’s e Isabelle não fum ava.

Que raio teria ido ela fazer em um localcom o o Harry ’s, ou o Mark’s Club? E ainda havia um a carteira de fósforos do Annabel’s. Ao ver isto, sentiu um frêm ito de raiva percorrer-lhe o corpo. Talvez a noite passada na com panhia de Bill não tivesse sido assim tão inocente com o pensava. Gostariaa de saber se ela fora a esses lugares com Bill. Observou então à sua volta à procura de m ais provas, m as não havia qualquer sinal de roupa de hom em , nem cartas, nem notas, nem flores com cartões. Talvez ele lhe tivesse m esm o feito a corte e ela não lhe tivesse resistido. Porém , fosse o que fosse que tivesse acontecido entre eles nessa noite, ou antes, tinham pago um preço bastante elevado por isso. No entanto, não conseguiu deixar de perguntar-se qual era o laço que existia entre os dois, se é que havia algum . Meteu as carteiras de fósforos no bolso, sentou-se, olhou em volta e m andou vir um a bebida forte.

Quando Cindy Robinson e as filhas saíram do avião eram onze e m eia. Am bas as garotas haviam dorm ido durante a viagem Mas Cindy passara a m aior parte do voo perdida em pensam entos, de olhos colados na j anela. Todo o im pato do que acontecera a Bill com eçava a atingi-la. Estava ansiosa por vê-lo. Esperava que j á não se encontrasse em com a quando chegassem ao hospital e que os fortes traum atism os no pescoço e na coluna não tivessem efeitos a longo prazo.

Levaram m eia hora na alfândega. O Claridge’s deixara um carro aguardando-as. Foram direto para o hospital, onde chegaram à um a da m anhã. Ainda havia grande m ovim ento na Unidade de Cuidados Intensivos àquela hora. Pouco antes de Cindy e das filhas chegarem , tinham entrado quatro novos pacientes. Para ela, não havia qualquer problem a em apresentar-se às enferm eiras ou em descobrir um m édico com quem falar sobre Bill. Era perita em coisas desse gênero Ao ponto de conseguir interceptar um m édico que se dirigia ao quarto de Bill.

O m esm o j ovem cirurgião que falara com Gordon sentou-se com Cindy no corredor e colocou-a a par de tudo o que se passava, enquanto Jane e Olivia escutavam que Bill continuava em com a e não havia qualquer sinal de recuperação. A zona espinal com eçara a inchar, o que estava exercendo pressão sobre os nervos afetados. Além disso, as fraturas na zona do pescoço eram de extrem a gravidade. Quando acabou de descrever o estado clínico de Bill, a sensação com que Cindy ficou foi a de que as perspectivas de recuperação eram m uito som brias. Mesm o assim , nunca esperou vê-lo naquele estado. Encontrava-se preso pelo pescoço a um aparelho de aspecto hediondo, com um a espécie de braçadeira que lhe im obilizava todo o corpo, o qual se encontrava coberto de costuras, cortes, pequenas lacerações e hem atom as. As enferm eiras não tiravam os olhos dos m onitores, cuj os sinais não paravam de se fazer ouvir. Bill estava com um ar tão cadavérico que as filhas desataram a chorar m al olharam para ele. Cindy não conseguiu descolar os olhos do m arido. De repente, todas as em oções a que resistira desde que lhe haviam dado a notícia vieram a tona. Os olhos inundaram -se de lágrim as e Bill deixou de ser um am ontoado de sintom as e fraturas para passar a ser o rapaz por quem se apaixonara na faculdade. Apelou então a todas as suas forças para conseguir dar algum apoio às filhas.

Jane e Olivia estavam a um canto da sala, abraçadas um a à outra, chorando em silêncio, enquanto um a das enferm eiras aj ustava o respirador e Cindy se aproxim ava devagarinho da cam a. Tocou na m ão do m arido, m as estava num pranto tal que não conseguiu dobrar-se e beij á-lo. Havia um horrível cheiro de éter no quarto. Bill tinha o peito nu e havia m onitores ligados a ele por todo o lado.

— Olá, querido — m urm urou, colocando-se j unto dele. — Sou eu, a Cindy. — Tinha vontade de ser novam ente j ovem . Ao olhar para Bill, passaram -lhe m il im agens pela cabeça; o dia em que se conheceram , o dia do casam ento, o dia em que lhe dissera que estava grávida. Tantas recordações, tantos m om entos, e agora ali estava ele, as vidas alteradas para sem pre. Nem sequer conseguia im aginar com o é que as suas existências poderiam voltar à norm alidade. Mas um a coisa sabia. Não queria que Bill m orresse, m esm o se ficasse debilitado. Independentem ente das sequelas daquele terrível acidente não queria perdê-lo. E, pela prim eira vez em vários anos, sentiu que ainda o am ava.

— Am o-te. — repetiu várias vezes — Quero que você abra os olhos agora! As m eninas estão aqui. Querem falar com você, querido

— Ele não consegue ouvi-la, — Mistress Robinson disse um a das enferm eiras

— Isso é um a coisa que a senhora não sabe — retorquiu Cindy, com firm eza. Era um a m ulher que não adm itia discussões E nesse m om ento particular, não queria escutar o que a enferm eira lhe dizia. Além disso, há anos que sabia de histórias de pessoas em com a que ouviam o que as outras ao pé delas diziam .

Continuou falando com Bill. Durante duas horas ficou com as filhas j unto do m arido. Apareceu então um m édico que o observou e sugeriu que elas fossem descansar e que voltassem de m anhã. Não registrou qualquer alteração no estado de Bill.

— Acha que devo ficar aqui com ele? — perguntou Cindy. Viera do Connecticut para estar com o m arido, não para esperar sentada no Claridge’s. Além disso, ainda não sabia m uito bem se deveria ou não confiar nas enferm eiras. Queria ver com o tratavam Bill. No entanto, por enquanto, sentia-se im pressionada com os cuidados que estavam prestando-lhe.

— Acho que devia ir para o hotel. Telefonam os-lhe logo que haj a um a alteração no seu estado — declarou o m édico, num tom firm e, vendo que ela era um a m ulher com quem se tinha de ser direto e de quem não se podia esconder fatos queria saber tudo e não abandonaria o m arido por nada deste m undo. — Prom eto que lhe telefonam os. — Só ao fim de m eia hora é que a convenceu a ir-se em bora. O m otorista aguardava-as à porta do hospital. Eram quase quatro da m anhã quando saíram . Cindy e as filhas estavam esgotadas.

Reservara um quarto no Claridge’s para Olivia e Jane. Pretendia ficar no quarto de Bill. Ao abrir a porta do quarto, teve a m esm a sensação estranha que Gordon tivera ao entrar no quarto de Isabelle. Sentia-se um a intrusa. Lá estava a pasta, papéis espalhados por um a série de m esas e um m onte de brochuras de galerias de arte e m useus, o que lhe pareceu estranho. Quando é que ele tinha tem po para visitar m useus. Tam bém havia m eia dúzia de recibos do cartão American Express. Reparou que um era do Bar Harry ’s e outro do Annabel’s. Mas tam bém sabia que ele costum ava lá ir com am igos e conhecidos dos negócios, sem pre que vinha a Londres. Não achou isso nada de anorm al. Voltou a chorar quando vestiu o pij am a de Bill. Estava aterrorizada perante a eventualidade de o perder e quando telefonou às filhas para ver com o estavam , encontravam -se am bas lavadas em lágrim as. Fora um dia carregado de em oções para todas e deparar com o pai naquele estado assustara-as ainda m ais do que à m ãe. Depois de terem visto o seu corpo tão m altratado, praticam ente m orto, era difícil alim entar qualquer esperança.

Cindy não conseguiu tirar da cabeça o som das filhas chorarndo. Vestiu o roupão de banho de Bill e foi até o quarto delas. Só queria abraçá-las e sossegá-las. Acabou por passar m eia hora com elas. Eram quase cinco da m anhã quando finalm ente as deixou e voltou para o quarto. Atirou-se em cim a da cam a e desatou a chorar com a cabeça enfiada na alm ofada, que ainda tinha o cheiro dele. Eram seis da m anhã quando adorm eceu.

Quando acordou ao fim da m anhã, telefonou para o hospital e inform aram -na de que o estado de Bill não se alterara durante a noite. Os sinais vitais encontravam -se um pouco m ais estáveis, m as continuava em com a profundo. Eram onze da m anhã e Cindy sentia o corpo todo dolorido, com o se tivessem lhe batido com canos de chum bo durante toda a noite. Foi ver com o estavam as filhas, entrando de m ansinho no quarto. Encontravam -se ainda a dorm ir. Voltou para o seu quarto, lavou-se e vestiu-se, e pouco antes do m eio-dia j á estava pronta para voltar para o hospital. Detestava ter de acordar as filhas. Então, deixou-lhes um bilhete dizendo que depois lhes telefonava do hospital para falar com o estava o pai. Dirigiu-se então para o carro que a aguardava e deu a direção ao m otorista, com o qual falou sobre o acidente durante a viagem . O m otorista que m orrera era um dos m elhores am igos dele.

Quando chegou ao hospital, encontrou as coisas na m esm a. Depois de falar com Bill durante alguns instantes, instalou-se na sala de estar. Esperava ver um dos m édicos. Enquanto aguardava, viu passar um hom em que lhe despertou a atenção. Era alto, envergava um casaco de fino corte e exibia um ar aristocrático. Parou na recepção e perguntou qualquer coisa às enferm eiras, que abanaram a cabeça com um ar de desalento. Encam inhou-se então na direção dos quartos da Unidade de Cuidados Intensivos.

Ficou curiosa por saber o que o trouxera ali. Pouco depois, viu-o sair de um quarto em frente ao de Bill e falar com um dos m édicos. Depois foi-se em bora. Ficou com a im pressão de que ele estava na m esm a angústia que ela, à espera de notícias anim adoras de alguém gravem ente doente. Não sabia porquê, m as achava que havia algo de estranho nele. Parecia preocupado, m as ao m esm o tem po irritado, com o se o contrariasse o fato de estar ali. Com entou isso m esm o com um a das enferm eiras quando voltou para o quarto onde Bill se encontrava.

O que Cindy não sabia era que o estado de Isabelle piorara, e haviam acabado de dizer a Gordon que as chances de sobrevivência tinham dim inuído consideravelm ente. As inúm eras lesões estavam debilitando-a cada vez m ais, não a deixando sair do com a profundo em que se encontrava. Haviam decidido não voltar a operá-la. Estavam certos de que não conseguiria resistir. Gordon voltou para o hotel, para telefonar para o banco, ficando a aguardar notícias de Isabelle. Disse à secretária que ia passar o fim -de-sem ana em Londres, sem dizer qual o m otivo. Depois, telefonou à enferm eira de Teddy para saber com o é que ele estava, não fazendo qualquer referência ao estado da m ulher. De repente, via-se com a sobrecarga da responsabilidade do filho. Nunca tivera de se preocupar com tal coisa e não estava nada satisfeito com o fato de essa responsabilidade ter lhe caído sobre os om bros.

Com unicou ao filho que fora passar o fim -de-sem ana dm Londres com a m ãe.

— A m am ãe disse que vinha para casa ontem — observou Teddy, algo desapontado. — Por que razão ela vai ficar aí m ais tem po?

— Porque tem coisas para fazer, só por isso — retorquiu Gordon, com voz áspera, o que não surpreendia Teddy. O pai nunca m ostrara qualquer interesse por ele.

— A m am ãe não m e telefonou. Pode dizer-lhe que m e ligue — pediu Teddy, num tom de voz queixoso, o que irritou Gordon.

— Ela acabará por te telefonar. Tem os coisas para fazer — insistiu, m entindo, m as não tinha alternativa. Teddy estava dem asiado debilitado para ouvir a verdade, especialm ente àquela distância. Se acabasse por ter de lhe contar, pretendia fazê-lo pessoalm ente, na presença do m édico assistente. Tam bém não telefonara a Sophie. Queria ver com o é que as coisas evoluíam . Não havia razão para os assustar. Se Isabelle ia m orrer sem recuperar a consciência, achava que a filha não devia vê-la. Tom ara essa decisão de m anhã.

— Diga à m am ãe que a adoro! — exclam ou Teddy, enquanto o pai lhe pedia insistentem ente para desligar, desej ando pôr fim à conversa. Não gostava de m entir para o filho, nem queria contar-lhe o que acontecera.

Pouco depois, Gordon voltou ao hospital. Quando chegou, instalou-se no quarto, no canto m ais afastado da cam a, com ar angustiado, e ficou observando um a série de coisas que estavam fazendo à m ulher. Ao contrário do que Cindy Robinson fizera com o m arido, Gordon nunca se aproxim ou de Isabelle, nem lhe falou ou tocou. Detestava situações daquele gênero.

— Quer ficar a sós com a sua esposa? — perguntou um a das enferm eiras, com enorm e pena dele por vê-lo tão desalentado.

Mas Gordon não hesitou quando respondeu.

— Não, obrigado. De qualquer form a, ela não consegue ouvir-m e. Vou lá para fora. Se houver algum a alteração, cham e-m e, por favor. — Saiu, apressado, para a sala de espera, onde j á se encontravam Olivia e Jane. Pouco depois, apareceu Cindy. Não fazia a m ínim a idéia de quem eram e isso tam bém pouco lhe im portava. E ficou surpreendido quando Cindy lhe sorriu.

Continuar: parte 4 de 4