O Beijo

Danielle Steel · Capítulo 3 de 17 · parte 4/4

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O Beijo

Capítulo Três

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

— Lam ento o que aconteceu com a sua esposa— disse Cindy. Ouvira as enferm eiras falarem de Isabelle e só sabia que se encontrava num a situação ainda m ais crítica do que Bill.

— Obrigado — proferiu Gordon. Não tinha o m enor desej o de fazer am izades na sala de espera da Unidade de Cuidados Intensivos. Mas tam bém não queria ficar sentado no horror do quarto de Isabelle. Não tinha outro lugar à exceção do Claridge’s, para onde estava pensando em ir quando Cindy lhe dirigiu a palavra. Então, para sua surpresa, esta estendeu a m ão e apresentou-se.

— Cham o-m e Cindy Robinson — disse, enquanto um a das filhas cochilava e a outra lia um a revista. Nenhum a delas parecia dar atenção a Cindy ou a Gordon Mas os olhos deste esbugalharam -se de espanto ao ouvir o nom e dela, fato que Cindy reparou. — Estou aqui com o m eu m arido. Teve um acidente há dois dias. Chegam os ontem à noite.

Gordon perguntou-se então se ela saberia toda a verdade e a gravidade de que a situação se revestia. A ser esse o caso, não se m ostrava m uito afetada com o fato. A única coisa que parecia interessar-lhe era o estado clínico do m arido. Ele estava m uito m ais preocupado com as razões que tinham levado Bill e Isabelle até Londres e resolveu ser franco com ela.

— Presum o que está a par do fato de que a m inha m ulher se encontrava no carro com o seu m arido quando o ônibus os atingiu.

Ao ouvir isto, Cindy deu a im pressão de ter sido ela a atingida pelo ônibus. Gordon com preendeu de im ediato que ninguém ainda a inform ara desse fato. Cindy ficou sem palavras.

— Que quer dizer com isso? — perguntou, ainda m ais pálida do que estava.

— Exatam ente aquilo que acabei de dizer. Estavam j untos na lim usine. Não faço a m enor idéia de porquê, nem com o se conheceram . Estive com o seu m arido há vários anos, em Paris, m as não m e lem bro se a m inha m ulher se encontrava com igo. Ao que parece, tom aram chá j untos na quarta-feira e ela estava na lim usine com o seu m arido. Encontra-se agora em estado crítico, em com a profundo, e talvez nunca venham os a saber a razão por que estavam j untos. Presum o que o seu m arido tam bém não estej a em condições de dar qualquer tipo de explicação.

Cindy sentou-se então num a cadeira, diante de Gordon, com a sensação de ter levado um a bofetada.

— Não m e disseram nada. Pensei que ele estivesse sozinho com o m otorista. Mostrava-se perplexa.

— Tudo indica que não. A m inha m ulher veio de Paris para visitar algum as exposições e m useus. É um a apaixonada pela arte. E não faço idéia do que m ais fez aqui em Londres.

Cindy lem brou-se das brochuras de galerias e m useus que encontrara no quarto de Bill. O seu m arido falou-lhe algum a vez de Isabelle Forrester?

Ele sentia-se algo em baraçado, m as havia perguntas para as quais queria encontrar as respostas. E aquela m ulher era, pelo m enos de m om ento, a única form a de as obter. Cindy fez que não com a cabeça. Sabia ainda m enos do que ele.

— Nunca ouvi tal nom e. Nem sequer sabia que ele se encontrava em Londres. A últim a vez que falei com ele estava em Nova Iorque. Contatam os m uito pouco um com o outro.

— Estão divorciados? — perguntou Gordon, intrigado. Cindy sentiu-se irritada com a pergunta.

— Não, m as ele viaj a m uito e é m uito independente. — Não queria dizer-lhe que o casam ento deles se deteriorara ao longo dos anos.

— A m inha m ulher, não. Tem os um filho deficiente de que ela cuida há catorze anos e raram ente sai de casa. Esta viagem é a prim eira que faz desde há vários anos e considerei-a perfeitam ente inocente. Talvez tenha conhecido o seu m arido no Claridge’s. Acho que não devem os tirar conclusões precipitadas. Mas parece-m e estranho estarem os dois num carro às duas da m anhã.

— Sim , é estranho — concordou Cindy, com ar pensativo. Tinha fortes razões para pensar que se tratava de m ais um a aventura de Bill. Tivera várias nos últim os anos. Além disso, há bastante tem po que não existia qualquer envolvim ento físico de um com o outro. Mas a m ulher que Gordon Forrester descrevera não parecia ser um a provável candidata a um fim -de-sem ana rom ântico em outra cidade. Não conseguia sequer im aginar com o haviam se conhecido. Nem gostava da idéia deles estarem j untos. Enquanto falava com Gordon, percebeu que as filhas haviam seguido a conversa com interesse. — É pena não poderm os perguntar-lhes.

As brochuras das galerias de arte e dos m useus não lhe saiam da cabeça. Lem brou-se então dos recibos do Annabel’s e do Harry ’s. Talvez aquela m ulher fosse m enos inocente do que o m arido pensava, apesar do filho deficiente e do fato de ser casada.

— Se eles m orrerem , nunca saberem os a resposta.

— Se eles não tivessem tido o acidente, provavelm ente nunca iríam os saber. Talvez tenham os de aceitar esse fato.

Não sabia m uito bem se queria conhecer a resposta. Havia perguntas que nunca quereria que ele lhe fizesse e outras que ela nunca lhe teria feito. Existiam recantos obscuros das suas vidas que não desej ava esclarecer. Gordon não era da m esm a opinião.

— Não creio que outra pessoa que não eles nos venha a contar um dia.

— Se forem espertos, e o que é fato é que, de algum a form a, andavam envolvidos um com o outro, esperem os que m ais ninguém saiba — declarou Cindy, pragm ática.

— Esperem os que não. O m otorista talvez nos tivesse podido dizer algum a coisa.

— Talvez o que tenham os a fazer sej a pôr tudo de lado e esquecer as respostas. Estão am bos lutarndo contra a m orte e, se sobreviverem , talvez sej a m elhor deixarm os as coisas tal com o estão. O que aconteceu antes não são contas do nosso rosário.

— É m uita generosidade da sua parte — ripostou Gordon, pouco satisfeito com a sugestão de Cindy. Se Isabelle andava enganando-o, queria saber. Estava m uito m enos convencido da sua inocência do que j á estivera.

— O m eu m arido é um hom em m uito discreto. O que quer que tenha acontecido nunca virá à luz do dia. Nunca se com portaria de form a pouco digna nem provocaria um escândalo.

— Não vej o a m inha m ulher envolvida com outro hom em — com entou Gordon, m ais em defesa do orgulho do que da reputação, e Cindy sentiu isso m esm o. — Não creio que ela tivesse um caso com o seu m arido. Deve haver um a explicação plausível.

— Espero que sim . — Fixou Gordon nos olhos. Decidira esclarecer a sua posição perante os fatos. — Quero que saiba que não pretendo perguntar o que quer que sej a ao m eu m arido.

— Mas eu pretendo perguntar à m inha m ulher, caso saia do com a. Acho que eles nos devem um a explicação.

— Porquê? Que diferença faria? — contrapôs Cindy, para grande pasm o das filhas. — O que é que isso iria m udar? E se m orrerem não precisam os saber de nada.

— Mas eu preciso. Se ela, de algum a form a, foi desonesta com igo, acho que m ereço saber, tal com o a senhora. Caso contrário, seria m elhor concederm os-lhes a absolvição.

— Não tenho nada a ver com a absolvição do m eu m arido. Já é um hom em adulto. É evidente que não gostaria de saber que ele andava envolvido com a sua m ulher, m as há coisas na vida de que é m elhor não tom arm os conhecim ento.

— Não partilho o seu ponto de vista, Mistress Robinson. — Não conseguiu deixar de se perguntar que tipo de casam ento é que eles tinham . Aliás, pouco diferente do seu, m as nunca teria adm itido a ninguém que o seu casam ento com Isabelle era um fingim ento j á há vários anos. E não seria nada de extraordinário se ela tivesse um caso com outro hom em . Era j ovem , bonita e hum ana. Gordon sabia m elhor do que ninguém a vida de solidão que Isabelle levava, graças a ele. Era por isso que estava curioso em saber o que ela andara fazendo, se o traíra com um estranho por pura ingenuidade. Mas, fossem quais fossem as circunstâncias, não considerava digno de um a m ulher decente andar na rua a um a hora tão tardia. Nem sequer conseguia im aginar onde teriam estado ou o que estavam fazendo. Se fosse m ais cedo, poder-se-ia pensar que haviam visitado um a exposição ou um m useu, m as não às duas da m anhã.

Cindy foi então até ao quarto de Bill, enquanto as filhas ficavam de olhos colados em Gordon. Poucos m inutos depois, este foi até à recepção e inform ou que iria voltar para o Claridge’s e que poderiam lhe telefonar se houvesse qualquer alteração no estado de saúde de Isabelle. Já não suportava ficar m ais tem po na sala de espera; além disso, não gostava de Cindy Robinson, nem das suas atitudes liberais em relação ao m arido. Provavelm ente este enganava-a com regularidade e ela tam bém devia traí-lo. Porém , j unto à cam a onde Bill j azia, de olhos postos nele, e sabendo o que Gordon Forrester lhe contara, Cindy estava com o coração destroçado. Gordon podia dizer que os encontros dos dois eram perfeitam ente inocentes, m as ela não acreditava. Com lágrim as a correndo-lhe pelas faces, questionava-se se, ao cabo de todo aquele tem po, o perdera finalm ente. Tinha consciência de que, durante anos, o tratara com indiferença, por vezes até com algum a agressividade, que se m ostrara fria e distante, e que sem pre fora extrem am ente crítica perante a vida que ele levava. Há m uitos anos que optara por não fazer parte dela. E agora que estava na im inência de o perder para sem pre, a única coisa que queria era dizer-lhe que ainda o am ava. Não sabia se voltaria a ter oportunidade de o fazer, m as só queria dizer-lhe, um a últim a vez, o quanto o am ava. Só na noite anterior é que percebera isso e fazia questão de que ele soubesse. No entanto, não conseguia deixar de se interrogar sobre o que significaria Isabelle Forrester para Bill e se ele estaria realm ente apaixonado por ela. Sabia que, se o tivesse realm ente perdido, por causa da sua própria estupidez, m erecia-o. Não tinha a m enor dúvida a esse respeito. De repente, com preendeu, perante a eventualidade de o perder, com o fora estúpida durante tantos anos.

CAPÍTULO CINCO

 

Gordon passou a noite de sexta-feira no Claridge’s lendo um livro que com prara no cam inho de regresso ao hotel. Não tinha m ais nada para fazer. Podia ter telefonado a am igos que m oravam em Londres, m as não se sentia preparado para contar às pessoas o que sucedera. Prim eiro, queria ver o que aconteceria a Isabelle. Já haviam passado quarenta e oito horas depois do acidente e ela continuava entre a vida e a m orte. Não registrara qualquer m elhora. Ainda se lem brou de ir até ao hospital, m as não suportava a idéia de a ver naquele estado. Não teria adm itido esse fato a ninguém , m as a visão dela assustava-o. Detestava hospitais, pessoas doentes, m édicos, enferm eiras, os sons, os cheiros.

Quando Gordon telefonou, Cindy continuava sentada j unto a Bill. As filhas haviam voltado para o Claridge’s à hora do j antar, m as a m ãe resolvera ficar. Ia, de quando em quando, até à sala das enferm eiras beber um a xícara de chá. Tinha m uito em que pensar. Enquanto assistia à luta de Bill contra a m orte, perguntava-se se teria oportunidade de lhe dizer as coisas que queria. Tinha m uitas explicações e desculpas a dar. Sabia que, em bora ele nunca houvesse lhe dito, devia ter tido conhecim ento de todos os seus casos am orosos. Alguns, evidentes, outros, m ais discretos.

Ao fim de algum tem po, logo que desistira do casam ento, deixou de se preocupar com o fato de Gordon saber ou não. E continuava sem saber por que m otivo o abandonara com tanta determ inação. Talvez por ciúm es da vida absorvente que ele levava e das pessoas que conhecia. Nunca gostara de estar dependente dele e interrogava-se agora se não o abandonara para lhe provar que não precisava dele. Sem pre a irritara o fato de, com o esposa de um político, ter de com portar-se com o um apêndice do m arido. Bill viaj ava tanto e estava sem pre tão ocupado que, por vezes, se sentia rej eitada. Detestava a im agem de ser um a m ãe suburbana com duas filhas. Ansiava por um a vida m ais m undana e m ais excitante. Percebia agora que o tentara fazer da pior form a. Mas o seu grande receio era ter chegado a essa conclusão dem asiado tarde.

À m eia-noite ainda pensava no assunto, sentada num a cadeira, a um canto do quarto. Por um a fração de segundo ainda pensou ouvi-lo m exer-se.

— Bill? — Levantou-se e olhou-o m ais de perto. As enferm eiras haviam acabado de sair do quarto. Teve a im pressão de o ver m exer as pálpebras, com o se estivesse sonhando. Cindy estava de pé, j unto dele, quando as enferm eiras voltaram . Olharam de im ediato para os m onitores, m as não havia qualquer problem a.

— Está tudo bem , Mistress Robinson? — perguntou um a das enferm eiras, enquanto m udava o saco de soro e alisava os cobertores sobre as pernas do doente.

— Acho que sim ... não tenho a certeza... por instantes, pensei... pode parecer ridículo... m as pensei que algum a coisa se m exeu.

Olharam m ais de perto, m as não havia qualquer sinal de recuperação. O estado de Bill m antinha-se estacionário. Já haviam passado-se quase quarenta e oito horas desde o acidente e Cindy encontrava-se ali há vinte e quatro. Parecia-lhe um a eternidade.

A enferm eira de plantão aj ustava o m onitor do coração e dessa vez percebeu um m ovim ento m uito tênue num a das m ãos de Bill. Observou-o cuidadosam ente, depois exam inou-lhe os olhos. Fez incidir um pequeno feixe de luz neles, e dessa vez não houve qualquer dúvida: Bill articulou um pequeno som abafado, que m ais parecia um gem ido de dor. Era o prim eiro som que em itia e os olhos de Cindy inundaram -se de lágrim as.

— Oh, m eu Deus — m urm urou, ao m esm o tem po que Bill fazia novam ente o m esm o ruído. Era um som quase anim alesco e as pálpebras dele trem eram quando Cindy lhe tocou nos dedos. A enferm eira cham ou o m édico de plantão de im ediato, que chegou à porta do quarto num ápice.

— O que se passa? — perguntou à enferm eira, enquanto entrava, em passos largos. Já estava de plantão há horas e exibia um ar tão cansado com o o de Cindy. — Algum a alteração?

— Gem eu duas vezes — respondeu a enferm eira.

— E pareceu-m e que m exeu a m ão há um m inuto — acrescentou Cindy, enquanto o m édico fazia incidir de novo o feixe de luz nos olhos de Bill. E, dessa vez, este reagiu à luz, gem endo de novo. O m édico levantou os olhos para a enferm eira. Havia um a pergunta no seu olhar e ela assentiu com a cabeça. Não queriam dizer nada prem aturam ente à esposa, m as tudo levava a crer que Bill com eçava a sair do estado de inconsciência. Era o prim eiro sinal anim ador que tinham em dois dias.

— Bill, consegue ouvir-m e? Sou eu, estou aqui... Am o-te, querido. Consegue abrir os olhos? Quero falar com você. Tenho estado à espera que acorde. Bill— soltou novo gem ido, desta vez m ais audível, provavelm ente de dor.

— Mister Robinson, vou tocar-lhe na m ão. Se m e está ouvindo, quero que m e aperte o dedo com a m áxim a força que puder proferiu o m édico ao ouvido de Bill, pondo-lhe um dedo na m ão e esperando qualquer reação da parte dele. Não se verificou de im ediato, m as, lentam ente, os dedos de Bill enrolaram -se à volta do dedo que o m édico pressionava contra a sua palm a da m ão. Não houve m ais nenhum sinal visível, m as Bill ouvira claram ente a voz do m édico e com preendera o que este lhe dissera.

— Oh, m eu Deus, ele ouviu — disse Cindy, com as lágrim as correrendo-lhe pelo rosto. — Consegues ouvir-m e, querido? Estou aqui... abre os olhos, por favor... — Mas não se vislum brou qualquer reação no rosto. Então, m uito lentam ente, franziu o sobrolho e abriu ligeiram ente a boca, passando a língua pelos lábios ressequidos. Cindy tinha a sensação de estar assistindo a um m ilagre.

— Ótim o, Mister Robinson — observou o m édico ao ouvido de Bill. Quero que volte a apertar-m e o dedo.

Bill soltou um gem ido de protesto, com o se estivessem irritando-o, m as acabou por apertar o dedo, desta vez com a outra m ão. As duas enferm eiras e o m édico trocaram olhares vitoriosos. Estava voltando à vida. Era im possível determ inar os seus níveis de audição ou de com preensão, m as com eçava a responder aos estím ulos. Cindy não cabia em si de satisfação e só tinha vontade de os afastar e de se atirar ao pescoço de Bill. Mas não se m exeu do lugar onde se encontrava. Receava m agoá-lo.

— Acha que consegue abrir os olhos, Mister Robinson? Agradecia-lhe m uito que tentasse. — O m édico continuou a incentivá-lo. Bill ficou então sem dar qualquer sinal de vida durante um longo instante e Cindy receou que ele tivesse entrado em com a de novo. Dava a sensação que adorm ecera. O m édico tocou-lhe nas pálpebras, com o que para o recordar do pedido que lhe fizera. Bill deixou escapar um pequeno suspiro. Então, abriu am bos os olhos e olhou para o m édico.

— Olá — saudou o j ovem m édico, com um sorriso nos lábios. — Prazer em vê-lo.

Bill deixou escapar um pequeno “hum m m ...” e depois fechou os olhos; ainda conseguira ficar um ou dois segundos de olhos postos no m édico. Era o m elhor que conseguira de m om ento.

— Im porta-se de tentar outra vez? — Nessa altura ouviu-se um gem ido agudo que significava claram ente “não”, m as, ao fim de um m inuto, acabou por abrir os olhos. — Estam os ansiosos por vê-lo — insistiu o m édico, com um sorriso.

Bill varreu a sala com o olhar. Deparou então com Cindy ao fundo da cam a e pareceu confuso.

— Olá, querido, estou aqui. Am o-te. Vai correr tudo bem .

Bill fechou os olhos, dando a im pressão de que não queria ver ninguém . Pouco depois, adorm eceu de novo. Quando Cindy acom panhou o m édico até o corredor, exibiam todos radiosos sorrisos nos lábios.

— Oh, m eu Deus, o que significa aquilo? — perguntou Cindy, trem endo da cabeça aos pés. Nunca nada na vida a abalara tanto, e o m édico ficou feliz por ela.

— Significa que saiu do com a, em bora ainda não estej a totalm ente livre de perigo. Mas é um enorm e sinal de esperança.

— Consegue falar?

— Estou certo que sim . O traum atism o craniano não foi assim tão forte para ter lhe afetado a fala. O pescoço e a coluna vertebral eram os m aiores problem as. O cérebro precisa de se adaptar àquilo que lhe aconteceu. Estou certo de que ele falará quando acordar. O organism o sofreu um choque trem endo. Não estou preocupado com a fala. Estava m ais apreensivo com todo o resto. — O problem a a longo prazo ia ser a coluna e as pernas. Mas o fato de Bill m exer as m ãos era um bom sinal. Encontrava-se obviam ente m uito debilitado, m as conseguiria m exer as m ãos e os braços, especialm ente logo que o pescoço sarasse. — Agora deve dorm ir várias horas. Am anhã verem os se realiza outros m ovim entos. Pode voltar para o hotel e dorm ir um pouco, Mistress Robinson. Am anhã será outro dia m uito longo.

Cindy sentia-se m uito agitada e não tinha vontade de ir em bora.

— Acha que não voltará a acordar? Se isso acontecer quero estar aqui.

— Julgo que é m uito m ais provável que ele estej a cansado do esforço que acabou de fazer. Para ele, deve ter sido com o escalar o Evereste. Acabou de instalar a prim eira base e tem ainda m uito que subir nas próxim as sem anas. — Possivelm ente nos próxim os anos, m as não queria dizer isso a Cindy. Aquilo era apenas o princípio e tinham um longo cam inho a percorrer, m as toda a equipe m édica estava anim ada com aquilo a que haviam acabado de assistir.

— Está bem . Talvez volte para o hotel. — Há horas que não via as filhas. Prom etera telefonar-lhes logo que chegasse ao quarto. Estava ansiosa por lhes contar o que acontecera. Quando o fez, Olivia soltou um grito de alegria e Jane sim ulou um a pequena dança.

— Meu Deus, m am ãe, é a m elhor notícia que podia dar-nos! O papai disse algum a coisa?

— Não, só abriu os olhos um as duas vezes e gem eu. Apertou o dedo do m édico tam bém por duas vezes e olhou para m im . Mas depois adorm eceu. O m édico acha que talvez fale am anhã.

No dia seguinte, quando Cindy chegou ao hospital, Bill estava de olhos abertos e olhava à sua volta, com o se não soubesse onde se encontrava. Parecia m eio adorm ecido, dando a sensação de ter acordado há pouco tem po, o que de fato acontecera.

— Olá, dorm inhoco! — cum prim entou Cindy, com voz m eiga, ao chegar j unto dele. — Há um a eternidade que estam os à espera que você acorde.

Bill piscou os olhos, com o que querendo dizer “sim ”, m as o ar era triste, dando a im pressão de ter ficado desapontado por vê-la e esperasse encontrar outra pessoa. Cindy teve a sensação de que ele teria assentido com a cabeça, se pudesse m exer o pescoço

— Sente-se m elhor?

Bill piscou novam ente os olhos. Cindy fez-lhe então um a carícia no rosto.

— Am o-te, Bill. Lam ento m uito o que aconteceu, m as você vai ficar bom .

Bill não desviou os olhos dos dela. Então, um edeceu os lábios, tal com o fizera na noite anterior, e fechou os olhos. Cindy teve vontade de lhe dar qualquer coisa para beber, m as não se atreveu. As enferm eiras haviam deixado-os sozinhos durante alguns m inutos. Os m onitores alertá-las-iam se houvesse um a situação de em ergência.

— Quer que te traga algum a coisa? — sussurrou Cindy, quando Bill abriu os olhos e olhou para ela. Parecia preocupado com algo e ela aproxim ou-se m ais para o caso de ele querer dizer-lhe algum a coisa. Abriu a boca, m as não conseguiu articular qualquer som .

— O que quer, querido? Consegue falar? — Dirigia-se a ele com o se o fizesse com um a criança. Havia um ar de frustração no rosto dele, perante a dificuldade que estava sentindo em fazer-se entender. Ficou em silêncio durante um longo instante e tentou de novo, com o se tivesse estado reunindo forças. — As m eninas estão aqui. Vieram com igo.

Bill piscou os olhos, depois fez um a careta, com o se estivesse tentando abrir o m axilar. Cindy ainda pensou que fosse o colar ortopédico que estivesse m achucando o seu pescoço. Não devia ser confortável, m as não parecia estar com qualquer dor aguda.

— Onde... — m urm urou Bill finalm ente, enquanto Cindy se esforçava por ouvir as palavras seguintes, que pareciam nunca m ais sair... — está Isss...aaa..bell? — Fora um esforço titânico. Cindy duvidava que ele a tivesse reconhecido.

Toda a sua atenção parecia estar centrada na m ulher que se encontrava com ele no carro. Tam bém desconfiava que ele queria saber se Isabelle estava viva. Sentiu aquelas palavras, articuladas com tanto custo, com o um soco no estôm ago. Perguntar por Isabelle tinham sido as suas prim eiras palavras para Cindy, o que vinha corroborar as suas suspeitas.

— Está viva — respondeu Cindy. — Vou perguntar à enferm eira com o é que ela está.

Bill piscou os olhos por duas vezes, com o que em agradecim ento; em seguida, tornou a fechá-los. Pouco depois, Cindy saiu do quarto e as filhas precipitaram -se para ela de im ediato. Mas não lhes contou o que o pai acabara de dizer.

— Com o é que ele está? Disse algum a coisa?

— Acho que está m elhor. Já tenta falar. Inform ei-o de que vocês estavam aqui. Cindy ficara chocada com aquilo que Bill lhe perguntara. As suas prim eiras palavras haviam sido para Isabelle e não conseguiu deixar de pensar no quanto esta significava para ele. E não fora certam ente por um a m era questão de cavalheirism o que perguntara pela sua acom panhante na noite fatídica.

— O que disse ele? — Olivia e Jane estavam em um estado de perfeita euforia.

— Piscou os olhos por duas vezes — respondeu Cindy, tentando dissim ular a sua dor.

— Consegue falar? — perguntou Jane, que era a perfeita im agem da m ãe. Olivia era m ais parecida com o pai.

— Pronunciou duas ou três palavras, m as ainda é um grande esforço para ele. Julgo que está descansando agora. — Cindy exibia um ar estranham ente abatido, quando disse às m eninas que voltaria em breve, encam inhando-se de im ediato para a recepção. — Com o está Mistress Forrester? — perguntou. Quanto m ais não fosse, podia dizer a Bill o que este queria saber. Estava no seu pleno direito de se preocupar com Isabelle, m esm o que fossem sim ples am igos. Haviam feito a viagem de ida e volta até o inferno j untos. O m ínim o que podia fazer por ele era dar-lhe a inform ação sobre Isabelle, j á que fizera um esforço enorm e para perguntar por ela.

— Não está m uito bem . O seu estado continua estacionário. Voltou a ter febre ontem à noite. O m arido está j unto dela.

— Já recuperou a consciência?

— Não, m as não é de estranhar devido às lesões e à operação.

Cindy agradeceu-lhe a inform ação e voltou para o quarto. Bill ressonava ligeiram ente. Então, com o se a pressentisse a seu lado, estrem eceu e abriu os olhos. Voltara a sonhar com Isabelle. Há dois dias que isso acontecia.

— Perguntei pela Isabelle. Continua na m esm a. Ainda não saiu do com a, m as espero que isso venha a acontecer.

Bill piscou novam ente os olhos, em j eito de concordância. Ao fim de algum tem po, com eçou a tentar articular novo conj unto de palavras.

— Obrri...gaadooo, Cinnn... pensei... que... você fosse... ela... — proferiu, fechando os olhos e voltando a sonhar com Isabelle. Não tinha qualquer desej o de ver a esposa ou de falar com ela.

— Quer ver as m eninas? — perguntou Cindy, interrom pendo-lhe novam ente o sonho. Desta vez, Bill piscou os olhos por três vezes. — Vou buscá-las. Estão ao fundo do corredor.

Pouco depois, Olivia e Jane encontravam -se no quarto, a tagarelar com Bill, que chegou a esboçar um sorriso. Quando tentou falar com as filhas, j á conseguiu fazê-lo com m enos esforço. A capacidade de falar com eçava a voltar, se bem que m uito lentam ente, m as era evidente que o espírito estava um pouco m ais lúcido.

— Am o... Vos... filhas...

— Tam bém te am am os m uito, papai — afirm ou Olivia, enquanto Jane beij ava a m ão ao pai, que continuava com soro, entubado e ligado a um a série de m onitores. A felicidade de terem o pai vivo era indescritível.

— Grrrandes... m oççças — disse Bill para Cindy, quando as filhas saíram .

— Você é que foi um grande hom em — com entou Cindy, perante o olhar surpreso de Bill. Pregaste-nos um valente susto. Lem bras-te do que aconteceu?

— Não. — Não se lem brava de nada, a não ser da noite que passara com Isabelle antes do acidente.

— A sua lim usine foi abalroada por um ônibus. Levaram um as horas para te libertar.

— Tive... m edo... que... ela... tivesse... m orrido... — articulou Bill, a m uito custo, e Cindy não conseguiu deixar de pensar no quanto era estranho ele estar falando de Isabelle à própria m ulher, m as não parecia im portar-se. Os olhos de Bill estavam inundados de lágrim as quando olhou para ela.

— Creio que esteve m esm o às portas da m orte. — Não lhe disse que Isabelle ainda corria risco de vida. — O m arido está com ela. — Estas palavras eram com o que um aviso para ele voltar à vida real. Isabelle tinha m arido. Ele, duas filhas e um a m ulher. Bill sabia que, por m uito que am asse Isabelle, tinha um a grande responsabilidade para com elas. Porém , há dias que sonhava com Isabelle.

As enferm eiras voltaram então para o quarto. Tinham coisas para fazer a Bill e Cindy aproveitou para ir encontrar com as filhas. Precisava digerir o que acabara de acontecer com ele. Já não havia a m ínim a dúvida na sua cabeça. Isabelle Forrester era im portante para ele. Não era nenhum a estranha, com o o m arido esperara, ou até um a am iga fortuita. A sua prim eira pergunta fora em relação a Isabelle. E o olhar estava carregado de angústia e preocupação por ela. Até confundira Cindy com Isabelle.

Sentada na sala, à espera que as enferm eiras acabassem o que estavam fazendo com Bill, pegou num exem plar do Herald Tribune. Reparou então num artigo sobre o acidente de ônibus. E qual não foi o seu espanto ao deparar com um a fotografia de Bill acom panhado de um a m ulher, ao lado de um a fotografia dos destroços do ônibus. O artigo referia que o acidente tivera onze vítim as m ortais entre os passageiros do ônibus e o conhecido político William Robinson encontrava-se na lim usine atingida. A legenda da fotografia dizia que fora tirada pouco antes do acidente. Acrescentava ainda que o político e a m ulher não identificada haviam estado no Annabel’s, que o autom óvel foi atingido uns quarteirões m ais à frente e que o m otorista m orrera. Mas não fazia qualquer alusão ao nom e de Isabelle, nem referia se ela fora ou não ferida no acidente. Mas Cindy sabia que só podia ser ela. Tratava-se de um a m ulher atraente e j ovem , de longos cabelos escuros, e estava com ar espantado olhando para a obj etiva do fotógrafo. Bill sorria e tinha o braço por cim a dela. Ficou sem um a gota de sangue. Estavam am bos com ar feliz e descontraído, e Bill dava a sensação de estar contendo o riso. Perguntou-se então se Gordon Forrester tam bém vira a fotografia.

Olivia e Jane olharam um a para a outra quando viram a m ãe lendo o artigo. Não disseram nada, m as tam bém j á o tinham visto. Porém , agora não podiam ficar zangadas com o pai, tivesse ele feito o que quer que fosse. O que acontecera fora de tal m odo grave que lhe perdoavam praticam ente tudo. Cindy ia pelo m esm o cam inho. O que a preocupava não era o que lhe fizera, m as a hipótese de gostar de Isabelle. O brilho no olhar, quando lhe perguntara por ela, fora dem onstrativo de que não se tratava de um a m era aventura. Custava-lhe a acreditar que fossem apenas bons am igos. Cindy e Gordon teriam ficado ainda m ais espantados se soubessem que eles eram confidentes há m ais de quatro anos.

Um a das enferm eiras veio então buscá-las e conduziu-as até o quarto de Bill. Pouco antes de fechar a porta, Cindy viu Gordon Forrester sair do quarto de Isabelle. Não se atrevia a fazê-lo, m as teve vontade de perguntar se vira o artigo no Herald Tribune. Mas Gordon parecia ter outros planos em m ente.

Isabelle continuava a não dar sinais de m elhoras e, em bora o m édico dissesse que ela podia continuar em com a durante m uito tem po, Gordon estava cada vez m ais preocupado com a eventualidade de ficar com lesões cerebrais se sobrevivesse. Além disso, haviam -lhe dito que o ritm o cardíaco era irregular e estava aparecendo líquido nos pulm ões. Havia um crescente risco de pneum onia e sabia que, se isso acontecesse, ela m orreria. O seu estado parecia piorar. Estivera um a hora no quarto falando com os m édicos sobre um a possível nova operação e ia para o hotel quando Cindy o viu.

Só ao fim da tarde, depois de ela e das filhas saírem , é que Bill perguntou por Isabelle. Recuperara a fala ao longo do dia. Olivia e Jane não pararam de fazer perguntas ao pai, que era forçado a responder. Desta vez, Bill perguntou a um a enferm eira com o estava Isabelle. A resposta foi cuidadosa.

— Está na m esm a. Continua em com a e as lesões são m ais internas do que as suas. — Bill fraturara m ais ossos, m as todos os órgãos internos de Isabelle haviam sido atingidos. Era im possível dizer qual estava pior. No entanto, ele sobrevivera, enquanto a vida dela continuava periclitante. A única coisa que sabia era que não queria que Isabelle m orresse e que daria a vida por ela.

— Posso vê-la?

— Não creio que sej a possível — respondeu a enferm eira. Sabia m uito bem que o cirurgião não autorizaria. Tinha de se m anter o m ais im óvel possível. Não havia qualquer chance de o tirar da cam a com as lesões que tinha na coluna e no pescoço. Além disso, Isabelle não daria pela sua visita.

Nessa noite, Bill fez a m esm a pergunta ao m édico.

— Só um m inuto. Só quero vê-la, para saber com o está.

— Não m uito bem — respondeu o m édico. — Tem traum atism os por todo o corpo. Expliquei isso ao m arido hoj e. Quer transferi-la para Paris. Disse-lhe que é im possível. No estado delicado em que se encontra, seria m atá-la. — Sentiu as palavras do m édico com o um a faca a trespassar-lhe o peito. Não queria que a levassem para lado nenhum , pelo m enos até ele a ver. E certam ente não o iriam fazer, dado que a poriam em m aior risco. Forrester era louco em pensar transferi-la para Paris tão cedo. — Acho que não é boa idéia vê-la, Bill. — Tratavam -se pelo prim eiro nom e e o m édico estava encantado com a sim patia dem onstrada por ele. Gostava de Bill. O m esm o não acontecia relativam ente a Gordon Forrester, que era um hom em parco em palavras e arrogante, e fora ofensivo com todas as pessoas. Com eçara o dia pedindo para transferirem Isabelle para Paris. Ninguém lhe deu ouvidos. E só quando o diretor da Unidade de Cuidados Intensivos lhe disse que ele devia estar louco para pedir tal coisa e que Isabelle não resistiria à viagem é que Gordon desistiu da idéia. Mas toda a equipe ficou convencida de que ele voltaria à carga. Era dem asiado teim oso para desistir.

— Não pode m e levar na cam a até o quarto dela, quando ninguém lá estiver? — suplicou Bill, de novo na posse de todas as suas capacidades vocais. Quero vê-la com os m eus olhos.

O m édico ficou pensativo durante um longo instante. Não sabia da relação entre os dois e não queria questioná-lo a esse respeito, m as era evidente que ver Isabelle tinha um grande significado para Bill. Além disso, não faria m al a nenhum dos dois. Só não queria que Gordon Forrester ficasse zangado se viesse a saber.

— Acha que podem m e lá levar esta noite? Por pouco tem po que sej a

— Porque não esperam os m ais um pouco e vem os com o é que você e ela estarão am anhã. Nenhum dos dois vai em bora.

Bill sentia-se enlouquecer só de saber que Isabelle estava ali tão perto e que não podia vê-la. Se pudesse, j á teria ido lá, m as estava inteiram ente dependente de terceiros. Tinha o corpo com pletam ente im obilizado. Não conseguia sequer levantar a cabeça, e os braços estavam extrem am ente fracos. Não possuía qualquer sensibilidade da cintura para baixo E, de m om ento, ninguém sabia se recuperaria-se da paralisia. Estava indefeso com o um bebê num berço, m as tinha um a m aneira calm a, porém vigorosa, de convencer o m édico de que era boa idéia.

— Estou vendo que não vou conseguir tirar-lhe essa idéia da cabeça — observou o m édico, finalm ente, com um sorriso nos lábios. Já passava da m eia-noite e não havia visitas nos corredores. Foi então à procura da enferm eira de Bill. Quando esta entrou no quarto, vinha seguida por dois hom ens. Bill ficou ansioso por instantes, preocupado com aquilo que iriam fazer-lhe. Sem dizerem palavra, os hom ens tom aram posição à cabeceira e aos pés da cam a e fizeram -na deslizar lentam ente na direção da porta.

— Aonde é que vam os, — indagou Bill, preocupado. A enferm eira sorriu, e ele percebeu, de im ediato, o que se passava. O m édico aguardava-os no corridor.

— Se contar um a palavra disto a alguém , volto a pô-lo em com a — sussurrou. Bill riu-se. Era um a grave irregularidade. Mas sabia que lhe faria bem , e era pouco provável que fizesse m al a Isabelle. Esta nunca perceberia que Bill estava ao pé de si.

Após algum as m anobras, os dois hom ens conseguiram que as duas cam as ficassem lado a lado. Bill revirou os olhos o m ais que pôde e a única coisa que conseguiu ver pelo canto do olho foi a cabeça de Isabelle envolta em ataduras. Se m exesse o braço esquerdo, conseguiria tocar-lhe nos dedos. As duas enferm eiras que zelavam por ela observavam o que estava se passando. O m édico dera-lhes instruções para fecharem os olhos. Era óbvio para todos o m otivo por que Bill se encontrava ali. Durante alguns m inutos, segurou os dedos de Isabelle na sua m ão, depois falou-lhe, com pletam ente alheio às outras pessoas presentes no quarto.