O Jogo do Bilionário: Kade
Capítulo 9
Kade deu um tapa brincalhão no traseiro dela. — Você está ficando muito mandona e metida. Agora está realmente ferindo meu ego. Preciso melhorar?
Ela ergueu a cabeça e olhou para ele. — Não. O que acabou de acontecer foi a coisa mais maravilhosa que senti na vida. Foi perfeito — disse ela com sinceridade.
Sem qualquer traço de humor, ele respondeu: — Concordo, querida. —
Ele afastou os cabelos do rosto dela e beijou-a de forma doce e lenta, como se tivesse todo o tempo do mundo e aquela fosse a coisa mais importante que tinha a fazer.
Asha retribuiu o beijo, sabendo que sua vida tinha acabado de mudar radicalmente e que nunca mais seria a mesma.
Mais tarde, naquela noite, ela refez a tatuagem de henna. Dessa vez, a borboleta emergira um pouco mais.
—Quero que vocês me ajudem a encontrar o ex-marido de Asha e os pais temporários dela — disse Kade com uma calma mortal, olhando de um homem para os outros sentados na sala de estar de sua casa no dia de Ação de Graças. As mulheres tinham expulsado os homens da cozinha e dado a eles a tarefa de limpeza. Max, Sam, Simon e Travis o olharam perplexos.
— Por quê? — perguntou Max curioso, tomando um gole da cerveja que tinha na mão e olhando para Kade com expressão confusa. — Achei que ela não tivesse mais nada a ver com eles.
Kade estremeceu. As emoções que ele tentava conter o atacavam para chegarem à superfície. Brevemente, ele tentou explicar parte dos abusos de que Asha fora vítima enquanto os homens à sua volta ouviam atentamente.
Kade tomou um longo gole de cerveja antes de terminar: — Eu vi as cicatrizes no corpo dela e lembro quando o médico disse que vira no raio-X
do peito, quando ela teve pneumonia, o que pareciam antigas fraturas nas costelas. Não pensei nada demais naquele momento, achando que talvez ela tivesse sofrido algum acidente. Mas agora, acho que não foram causadas por um acidente. — Só de pensar no ex-marido de Asha batendo nela com força suficiente para quebrar suas costelas e deixar algumas das cicatrizes que vira naquele corpo maravilhoso fez com que ele apertasse ainda mais a garrafa de cerveja que tinha na mão. Por um segundo, achou que quebraria a garrafa.
— Eu ajudarei você — respondeu Max em tom perigoso. — E nem vou perguntar como você viu as cicatrizes no corpo dela.
— Mate o imbecil — resmungou Simon.
— Pode contar comigo — disse Sam em voz baixa e ameaçadora.
— Não vai acontecer — discordou Travis casualmente.
Quatro pares de olhares furiosos viraram na direção dele.
— Mas que diabos? Eu teria achado que você seria o último a ter qualquer problema com isto! — Kade bateu a garrafa vazia na mesinha, sem se importar se deixaria alguma marca.
Travis deu de ombros, parecendo relaxado e em total controle de si mesmo. — Não tenho. Ele merece morrer pelo que fez com Asha. Mas você não está fazendo isso por Asha, está fazendo por si mesmo. Admito, não a conheço bem, mas ela não parece ser o tipo de mulher que deseja que o irmão, o cunhado e os amigos parem na cadeia por assassinato. — Travis soltou um suspiro longo. — Ele pode ser destruído de outras formas, pagar pelo que fez com ela.
Matar. Matar. Matar. Kade não sabia se alguma outra coisa aplacaria sua loucura protetora além da morte do homem que batera em Asha até quase matá-la... mais de uma vez. Enterrando a cabeça nas mãos, ele disse: —
Não acho que eu vá ficar satisfeito com qualquer outra coisa. Só o fato de ele ter batido nela o suficiente para provavelmente deixá-la perto da morte me deixa louco.
— Nem eu — resmungou Max.
— Ele precisa desaparecer da face da Terra — comentou Simon.
— Concordo — ecoou Sam em tom firme.
— Pelo amor de Deus... Estou rodeado por alguns dos homens mais brilhantes e ricos dos Estados Unidos e vocês agem como idiotas. Deixem as emoções de lado e pensem com a cabeça — disse Travis em tom duro. —
Vocês têm muito a perder para fazer qualquer outra coisa. Vocês têm filhos, nascidos ou ainda a caminho, mulheres que amam.
— Não posso deixar por isso mesmo — respondeu Kade em voz hostil.
— Sim, estou pensando em Asha, mas talvez ele mate a próxima mulher com quem se envolver.
Um murmúrio de concordância ecoou pela sala.
— Não estou sugerindo que deixe por isso mesmo. Estou sugerindo que deixe as emoções de lado e use a cabeça — retrucou Travis. — A última coisa de que Asha precisa é mais caos e culpa na vida dela.
A consciência de Kade sentiu uma ponta de remorso. Ele sabia que Travis tinha razão, mas não conseguia controlar a necessidade de buscar justiça para Asha, uma que envolvesse dor e sofrimento intensos para o ex-marido dela.
Fazia apenas alguns dias desde que Asha lhe dera o corpo pela primeira vez e transformara seu mundo, mas eles compensavam o tempo perdido tocando um no outro sempre que podiam. Ele não conseguia não tocá-la quando ela estava por perto. Na verdade, a vontade de se levantar naquele momento e ir até a cozinha só para vê-la, ter certeza de que estava bem, foi quase irresistível.
— Imagino que tenha um plano — disse Max lentamente, olhando friamente para Travis.
Travis lançou um olhar superior a Max. — Geralmente tenho —
respondeu ele arrogantemente. — Acontece que uso a cabeça de cima quando se trata de mulheres, diferentemente de vocês.
— Nem sempre — relembrou Kade. — Não quando se trata de Mia. —
Além de Travis, só Max entenderia aquilo. Ele era o único que sabia que Travis sempre estaria mais do que disposto a matar para garantir a segurança de Mia.
— Foi um acidente infeliz — respondeu Travis. — E a segurança de Mia estava ameaçada.
Simon e Sam o encararam confusos, mas não fizeram comentários.
Acidente infeliz, que nada. Kade não tinha dúvidas de que Travis soubera exatamente o que estava fazendo quando o homem que perseguia Mia sofrera um “acidente infeliz” que resultara, de forma conveniente, na morte dele, sem que pudesse nunca mais incomodar a irmã. — Estou ouvindo. Mas não garanto que não vou matar o imbecil — disse Kade. Suas entranhas lhe diziam que precisava machucar o homem que machucara Asha.
Max cruzou os braços e olhou para Travis com uma expressão teimosa.
— Vamos ouvir seu plano.
Sam e Simon rosnaram, mas concordaram em ouvir Travis.
Com um sorriso satisfeito, Travis começou a falar.
Asha colocou o telefone da equipe de segurança de volta no suporte ao lado da porta e abraçou Ginny, a bebê, um pouco mais forte. Ginny Helen Hudson dormia pacificamente em seus braços. Ela adorava o cheiro da garota, a confiança que o minúsculo ser depositara nela ao pegar no sono enquanto Asha a balançava. Asha achava que Ginny, que recebera o nome das duas avós, era a criança mais adorável que já vira.
— Por que alguém iria querer falar comigo? — murmurou ela para a menina adormecida, como se a bebê fosse respondê-la. — Não conheço ninguém aqui.
Afastando-se da porta, ela foi até a sala de estar, onde as mulheres conversavam enquanto os rapazes faziam a limpeza depois de terem comido gananciosamente o jantar de Ação de Graças. Lutando contra o instinto de ir para a cozinha e ajudar, pois ela ainda não se sentia confortável com a ideia de homens na cozinha, ela relutantemente entregou Ginny para Kara, franzindo a testa. — Uma mulher quer falar comigo. Uma médica. O agente de segurança de Kade disse que verificou a identidade dela e que é legítima.
Pelo jeito, ela conhecia o meu pai e quer me dar algo que pertenceu a ele.
— O que você vai fazer? — perguntou Mia preocupada.
Asha deu de ombros nervosamente. — Eu disse a ele que a deixasse vir até aqui. Ela está sozinha. Não posso deixá-la ir embora se ela alega ter conhecido meu pai biológico. Sei muito pouco sobre ele. Se ela o conheceu, pode me dar algumas informações, contar um pouco sobre ele e, talvez, sobre a minha mãe.
— Ela pode ser uma repórter disfarçada — comentou Maddie, soando um pouco desgostosa.
— Ou apenas curiosa. Houve uma grande cobertura nos tabloides sobre a sua descoberta — murmurou Kara ao reposicionar Ginny no colo.
A campainha tocou e Asha se encolheu ligeiramente, sentindo-se nervosa. A mulher realmente conhecera seu pai biológico? E, se conhecera, provavelmente conhecera também sua mãe. Por que, depois desses anos todos, ela apareceria ali?
— Eu atendo — disse Mia apressada, saltando do sofá e correndo até a porta.
Asha sabia que poderia ter atendido a porta, mas a confusão manteve seus pés plantados no carpete. As outras três mulheres a olharam ansiosamente.
Mia voltou alguns momentos depois, seguida de uma indiana mais velha.
A mulher estava vestida com elegância casual, em tons de outono, e tinha os cabelos presos em um coque frouxo no topo da cabeça. Era difícil julgar a idade dela, mas Asha viu alguns cabelos grisalhos entre os fios pretos.
Ela parou em frente a Asha com um sorriso acolhedor e reconfortante.
— Namastê — cumprimentou Asha suavemente em hindi, o idioma nacional da Índia. Ela não sabia ao certo o que dizer à mulher nem se ela sabia falar telugu.
Sorrindo ainda mais, a mulher respondeu: — Namastê. — Ela fez uma pausa breve e continuou em inglês: — Você parece muito com Navin e é tão bonita quando Alice. — Ela colocou a mão no rosto de Asha e acrescentou:
— Desde que era bebê, eu sabia que você cresceria para ser uma linda mulher. Roubava o coração de todos.
— Nós nos conhecemos? — perguntou Asha curiosa.
— Sim. Mas você não se lembraria de mim. Ainda era uma criança. —
O inglês da mulher era perfeito, apesar do sotaque leve.
— Então você realmente conheceu meu pai — disse Asha em tom suave, oferecendo uma cadeira à mulher e sentando-se à frente dela.
— Sim. Posso falar na frente de suas amigas? — A mulher olhou em volta para Maddie, Kara e Mia.
Asha assentiu e apresentou a irmã, a cunhada e Kara, explicando que o marido de Mia, Max, e Maddie também eram filhos de Alice.
— É maravilhoso conhecer vocês. Sou Devi Robinson. — Olhando para Maddie, ela acrescentou: — Ouvi falar de você, dra. Hudson, e do trabalho incrível que faz em sua clínica.
Maddie acenou com a cabeça em agradecimento e respondeu: —
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Também ouvi falar de você. É psiquiatra, e muito boa. Li muitos dos seus artigos e estudos de caso.
— Sou doutora em psiquiatria, um sonho que nunca teria se tornado realidade se não fosse pelo pai de Asha — reconheceu ela com voz terna.
— O quanto você sabe do trabalho do seu pai para ajudar mulheres estudantes indianas, Asha?
Atônita, Asha a encarou. — Ele era engenheiro — respondeu ela, chocada pelas palavras da mulher.
Devi assentiu. — Ele era. Mas também era ativista pelos direitos das mulheres indianas. E sua mãe o apoiava na causa. Eles nunca formaram
uma organização oficial, mas ele ajudou muitas alunas aqui nos Estados Unidos, incluindo eu mesma. Navin Paritala foi um dos melhores homens que já conheci. Ele ajudava muito as indianas aqui em várias circunstâncias ruins. O único pedido era que todas nós, algum dia, déssemos o dinheiro de volta para a filha dele quando chegasse o momento da educação dela. — A mulher vasculhou a bolsa, tirando um envelope. — Nenhuma de nós conseguiu localizar você. Foi levada para uma família adotiva muito depressa depois da morte dos seus pais e não tínhamos permissão de saber onde estava. Nós a procuramos durante anos, mas nunca conseguimos encontrá-la. Quando vi o artigo dizendo que era meia-irmã da dra. Hudson e do sr. Hamilton, eu tinha que encontrá-la. Nós lhe devemos isso. — Devi entregou o envelope a Asha com um sorriso. — Éramos dez e sempre mantivemos contato umas com as outras. Acabou sendo uma soma substancial.
Asha olhou para o envelope e abriu-o com os dedos trêmulos. O cheque do banco era de mais de duzentos mil dólares. A cabeça dela começou a girar e o coração bateu mais forte. — Isto não é meu — negou ela, tentando devolver o cheque a Devi.
A mulher empurrou a mão de Asha, recusando-se a receber o cheque de volta. — Pertencia ao seu pai e à sua mãe. Ele nos ajudou financeiramente quando estávamos com dificuldades. O dinheiro agora pertence a você.
Sinceramente, estamos todas aliviadas por finalmente podermos pagar essa dívida. Seu pai nos deu liberdade. E isso era muito mais valioso do que o dinheiro. Quando terminamos a faculdade, colocamos o dinheiro em uma conta para você. Ele ficou lá por muitos anos. Nenhuma de nós precisa do dinheiro, Asha. E ele é seu.
— O que o pai de Asha e a minha mãe fizeram para ajudar você, dra.
Robinson, se não se importa que eu pergunte? — questionou Maddie baixinho.
— Eu não me importo nem um pouco — respondeu Devi, abrindo um sorriso. — Eu me apaixonei por um homem norte-americano e meus pais descobriram. Eles ameaçaram me tirar da escola aqui e levar-me de volta para a Índia para me casar com alguém de nossa casta, um homem mais velho e conhecidamente cruel. Navin e Alice pagaram a faculdade para mim e ajudaram-me a ficar aqui. Dennis e eu nos casamos e temos dois
filhos maravilhosos, um casal. Eles são uma mistura de sangue norte-americano e indiano, como Asha. Dennis é arquiteto.
— Essa mistura, é difícil para os seus filhos? — perguntou Asha curiosa sobre outros como ela.
— Não — respondeu Devi. — Eu ensino a eles as coisas boas sobre o meu país, mas eles são, no fim das contas, norte-americanos muito progressistas. Os dois pretendem seguir a carreira médica — concluiu ela com orgulho. — Conte-me o que aconteceu com você depois que perdemos seu rastro, Asha. Você foi para a universidade? O que faz?
Os olhos de Asha se encheram de lágrimas ao olhar para Devi, sabendo agora que seu pai não ficaria muito orgulhoso dela. Ela tentou falar, mas não conseguiu.
Maddie, Mia e Kara contaram a Devi sobre a vida de Asha e o casamento arranjado.
— Ai, Asha — exclamou Devi com os olhos cheios d’água. — Eu lamento tanto. Não é o que o seu pai e a sua mãe teriam desejado. Parece tão injusto que você tenha sido tratada assim depois que o seu pai nos deu a liberdade. — A voz de Devi estava triste e ela se ajoelhou ao lado de Asha, prendendo-a em um abraço. — Graças a Deus que você ainda é jovem e rompeu os laços. Pode seguir seu próprio caminho com o dinheiro que conseguimos pagar de volta.
Asha retribuiu o abraço da mulher com cautela, perguntando baixinho:
— O que acha que meu pai teria desejado para mim?
Devi lentamente soltou Asha e voltou à cadeira ao dizer em tom firme:
— Ele teria desejado que você buscasse o sonho de seu coração, qualquer que fosse. Ele queria sua felicidade. — Ela olhou para Maddie, acrescentando: — Ele sabia que sua mãe tinha dois outros filhos do primeiro casamento e que tivera que desistir deles. Navin e Alice procuraram você e o sr. Hamilton, mas nunca conseguiram descobrir onde vocês estavam. Não acho que queriam tirá-los de seus pais adotivos, mas queriam saber se estavam bem. Nunca conseguiram encontrar seus registros nem qualquer informação sobre vocês.
— Nós sobrevivemos. E finalmente nos encontramos — respondeu Maddie com um sorriso, parecendo não ter mais nada a dizer à mulher mais velha. — Então, nossa mãe finalmente encontrou uma vida feliz com o pai de Asha?
Devi assentiu. — Durante o tempo que tiveram juntos... sim. Navin e Alice se amavam muito. Acho que amar Navin mudou sua mãe de forma bem profunda. Eu me lembro de Alice dizendo que não gostava da mulher que fora antes. Navin foi o terceiro casamento dela. Não acho que ela queria ter desistido de você e de Max, mas achou que teriam uma vida melhor sem ela. Alice disse que não tinha dinheiro nem para comprar comida para vocês dois. Espero que consiga perdoá-la, dra. Hudson. No final, ela era uma mulher boa que ajudou o marido a lutar pelas mulheres com dificuldades. O amor de um homem bom pode mudar uma mulher e acho que, no caso da sua mãe, foi exatamente isso que aconteceu.
— Não acho que ela fosse realmente ruim — disse Maddie em tom triste. — Só oprimida. Ela e o meu pai eram pobres e acho que ela fez o que era necessário para sobreviver quando ele morreu. Não sei muito sobre o segundo casamento dela, mas suponho que também não tenha sido bom.
Fico feliz por ela ter tido sorte na terceira vez e por isso ter resultado em uma irmã — disse Maddie, sorrindo para Asha.
— Meus pais não teriam orgulho de mim — sussurrou Asha para si mesma. Descobrir que o pai fora tão progressivo, tão enfático sobre o tratamento igual para as mulheres, fez com que ela ficasse arrasada ao perceber que o teria desapontado. O que ele teria pensado de seu passado, dos abusos que sofreu nas mãos de Ravi, do tratamento que aguentara dos pais temporários e do ex-marido por achar que merecia? Ele teria ficado muito desapontado.
— Ele teria ficado muito orgulhoso — respondeu Devi em tom sério, pois ouvira o comentário de Asha. — Você sobreviveu, mesmo nas piores circunstâncias. Sei que Navin teria ficado triste por não poder ajudá-la, mas teria ficado orgulhoso por ter escapado e sobrevivido.
— Não tenho certeza de quem eu sou — respondeu Asha, encarando Devi diretamente nos olhos. — Fui criada como indiana de forma muito convencional, mas nasci nos Estados Unidos. Minha mãe era norte-americana e meu pai, um indiano progressista. Sou norte-americana, mas não me sinto assim.
— Você encontrará o seu caminho. Eu a ajudarei — disse Devi suavemente, tirando um cartão da bolsa e entregando-o a Asha. — Se não conseguir falar comigo sobre isso, pode falar com a minha colega. Ela é mais jovem, mas tem a mesma mistura de sangue que você. Talvez seja
mais fácil conversar com alguém que não conheceu o seu pai. — Devi se levantou. — Lamento por ter interrompido seu dia de Ação de Graças, mas eu não podia esperar mais para vê-la e pagar essa dívida. Preciso voltar para casa. Meu marido está preparando o nosso jantar.
— Mais um homem na cozinha — murmurou Asha.
Devi riu. — Sim. E meu filho está ajudando.
Asha balançou a cabeça. — Como você se acostumou com isso? Foi criada na Índia.
— Um pouco de cada vez — respondeu Devi. — É muito fácil se acostumar quando você tem a chance de ser uma parceira igual, mas leva tempo para se sentir assim. Dê tempo a si mesma, Asha.
Asha se levantou, percebendo que, em algum momento, os homens tinham se juntado a elas. Depois que todos se apresentaram rapidamente, Max e Maddie levaram Devi até a porta, fazendo mais algumas perguntas sobre a mãe deles. Asha começou a segui-los, mas foi puxada por Kade, que colocou o braço firmemente em volta de sua cintura.
— Você está bem? — perguntou ele sério.
Ela estava bem? Demoraria um pouco para que processasse tudo o que acabara de descobrir. Ela levantou o cheque que recebera de Devi. — Eu tenho dinheiro — respondeu ela, sem conseguir acreditar completamente que o dinheiro realmente era dela.
— Ouvi dizer. Nós tentamos lhe dar um pouco de privacidade, mas ouvimos a campainha tocar da cozinha e bisbilhotamos sem a menor vergonha — disse Kade.
— Meus pais me amavam, Kade. Eles se importavam — comentou ela emocionada. Minha nossa, aquela fora a coisa mais incrível de toda a tarde.
— Meu pai era progressista. Ele ajudava mulheres indianas com problemas.
Era um homem bom.
— Eu sei, querida. Você já não sabia que ele era um homem bom? —
perguntou Kade, puxando Asha contra o peito e abraçando-a com força.