O Jogo do Bilionário: Kade
Capítulo 4
Asha se mexeu inquieta na cama, como se estivesse sendo assombrada por pesadelos. Kade tirou a calça e a camisa e deitou-se na cama ao lado dela. No mesmo instante, ela se aproximou e aconchegou-se para absorver o calor. Sorrindo, ele teve que admitir que estava acostumando-se àquele tipo específico de tortura. Agora, se sentiria desapontado se ela não o procurasse enquanto dormia.
Acariciando-lhe os cabelos e passando a mão de forma reconfortante pelas costas dela, ele sussurrou: — Vou descobrir quais são os seus problemas e cuidarei deles. Você nunca mais ficará sozinha.
Asha Paritala merecia muito mais do que o destino obviamente lhe dera.
E Kade estava determinado a mudar o destino dela, querendo ela ou não sua ajuda.
Enquanto Asha dormia, Kade começou a fazer planos, preparativos que estava determinado a colocar em ação no dia seguinte.
E foi o que ele fez.
Duas semanas depois, Asha se viu parada no meio da casa imensa de Kade, aterrorizada demais para tocar em alguma coisa. A mansão era arrumada, mas estéril, uma casa que não parecia um lar. — Você realmente quer que eu pinte suas paredes? — perguntou ela distraída, olhando para a sala de estar gigantesca e balançando a cabeça. — Que cara solteiro tem paredes brancas e carpete branco? — acrescentou ela, percebendo tarde demais que talvez ele não fosse solteiro. Nunca perguntara e a única coisa que ele dissera sobre casamento fora o comentário brincalhão sobre se casar com uma mulher que gostasse de suas camisas. Apesar de ter passado as semanas anteriores com ele em Nashville em recuperação, ela sabia muito pouco sobre a vida pessoal de Kade. Querendo retribuir tudo o que ele fizera por ela, Asha hesitantemente concordara com a oferta para decorar as paredes. Ela lhe devia muito mais do que dinheiro, mas estava determinada a resolver algumas das contas do hospital que ele pagara.
Kade deu de ombros ao parar ao lado dela. — Eu não decorei a casa. Foi uma profissional e dei a ela permissão de fazer o que quisesse. Eu viajava a maior parte do tempo.
Asha queria desesperadamente perguntar por que ele não consultara a esposa, namorada ou coisa parecida, mas ficou em silêncio. Não era de sua conta. Estava lá para trabalhar. Entretanto, esperava muito que ele não fosse casado nem tivesse qualquer envolvimento romântico. Ela começara a se lembrar, aqui e ali, dos primeiros dias de sua recuperação. E tinha quase certeza de que acordara várias vezes deitada sobre Kade, como se ele fosse
um travesseiro, nos primeiros dias da doença e em várias manhãs depois disso. Era como se não conseguisse impedir a si mesma nem ao subconsciente enquanto dormia. Queria estar perto dele e procurava-o. Ele a tratara de forma gentil, mas, ainda assim, era uma intimidade maior do que ela gostaria de ter com o homem de outra mulher. — O que exatamente você tem em mente?
Kade franziu a testa. — Não sei, na verdade. Não passei muito tempo aqui. Só sei que precisa de um pouco de cor ou algo parecido.
Asha revirou os olhos, querendo rir ao ver o olhar irritado de Kade. Ela não achava que ele tivesse alguma ideia do que queria. A casa era linda, mas certamente não refletia a personalidade dele. Para ela, Kade era todo luz e cor, uma estrela brilhante em uma noite escura. Ele só não percebia isso. Cuidara dela nas duas semanas anteriores enquanto ela se recuperava.
Ele a tratara como alguém com quem se importava, o que era algo novo para ela, e fizera com que sorrisse... muito. Depois de oferecer a ela, uma estranha completa, o trabalho em sua casa, alegando que adorara as fotografias das paredes que desenhara, Kade a levara em um jatinho privado para a Flórida.
A viagem até a Flórida fora a primeira vez que ela andara de avião, uma aventura que nunca esqueceria. Mas aquilo também a fizera perceber como era grande o mar entre ela e Kade, como viviam em circunstâncias diferentes. A casa em que ele morava fez com que a distância ficasse ainda maior. Dizer a ela que era rico era uma coisa, mas ver a realidade depois de terem saído do hotel fora algo impressionante.
— Pode me mostrar os outros aposentos? — pediu ela.
Kade a levou de um aposento ao outro, fazendo com que ela se exercitasse só de percorrer a casa imensa. O restante da casa era praticamente igual, preto e branco, sem nada de cores nem nada que refletisse pessoalmente o Kade de quem ela gostava cada vez mais. Ela não poderia dizer que o entendia de verdade. Ele era ágil e inteligente, tão lindo que parecia um pecado, mas raramente falava sobre si mesmo. Na verdade, ele não falava de muita coisa além da carreira no futebol. Asha estava começando a acreditar que Kade realmente achava que a única coisa que sabia fazer era jogar. E que o futebol fora a vida inteira dele. Mas ele era muito mais forte, muito mais especial do que achava. Ela admirava a força que fora necessária para parar de usar os remédios como fuga e enfrentar a
realidade. Muitos homens no lugar dele não teriam tido a força nem a disposição para fazer isso.
Eles pararam ao finalmente chegarem à cozinha. Kade abriu a geladeira, pegou uma garrafa d’água, que entregou a ela, e uma cerveja para si mesmo. Ele fez aquilo de forma casual, como se não fosse nada demais se lembrar da preferência dela, apesar de mal conhecê-la. Kade fazia aquilo com frequência, o que a deixava atônita. Ele se lembrava das pequenas coisas sobre ela.
— Bem, o que acha? — perguntou ele com a voz incerta.
Asha observou quando ele inclinou a cabeça para trás ligeiramente e tomou um gole da cerveja, vendo os músculos do pescoço flexionando-se ao engolir.
Acho que um homem não deveria parecer tão sensual e gostoso como você, parado aí tomando uma cerveja.
— Não importa o que eu acho. Importa o que você acha — respondeu ela, tossindo de leve. Asha abriu a garrafa e tomou um gole para tentar se acalmar. Kade Harrison a deixava tensa de forma desconfortável. E não era culpa dele. Ele só era belo demais e tinha uma consideração tão incomum por ela que Asha não sabia como interpretá-lo. Ele era gentil quando não precisava ser e não tinha nada a ganhar por ser simpático. Pedia muito a opinião dela. E conversava com ela, em vez de falar para ela. Ah, ele era mandão... mas só quando estava preocupado. Kade Harrison era tão diferente de todos os homens que conhecera que ela ainda procurava descobrir quais eram suas motivações. Mas parecia que ele não tinha nenhuma. Kade só estava sendo... Kade.
— Você ainda está doente. Está tossindo de novo — respondeu ele, estendendo a mão larga para tocar no rosto dela.
— Estou bem — retrucou ela, sabendo que a sensação de febre não tinha nada a ver com a doença anterior e sim com ele.
— Estou exigindo demais de você. Desculpe. Podemos falar sobre a casa mais tarde — disse ele.
Asha recuou, pois o toque dele foi desconcertante. Enquanto estava doente, saboreara cada contato. Mas era diferente, agora que estava bem e saudável. E, quando ele a tocava, fazia com que quisesse muito mais do que um contato reconfortante. Agora que estava bem, sabia como era perigoso se sentir assim. — Quero começar a trabalhar. Preciso encontrar um lugar
para ficar e devemos decidir exatamente quanto tempo isso demorará, quantas paredes quer que eu pinte — respondeu ela em um tom que esperava ser profissional, tentando controlar as emoções selvagens.
— Todas elas — respondeu Kade, colocando a cerveja sobre a mesa da cozinha e cruzando os braços em frente ao peito. — Será um longo projeto e você ficará aqui comigo. Tenho espaço mais do que suficiente.
— Ninguém mais mora aqui? — perguntou ela casualmente, apesar de o coração estar acelerado. Ela prendeu a respiração enquanto esperava a resposta.
— Não. Só eu. Sempre morei sozinho. — Ele puxou uma cadeira e acenou para que ela se sentasse. — Você precisa ir devagar. Sente-se e diga-me o que acha que eu deveria fazer com a casa, se estiver determinada a discutir o assunto. Quero sua opinião.
Asha se sentou, olhando para cima para encará-lo. Kade queria sua opinião? Por quê? Ela esperara que ele apenas lhe dissesse o que fazer. — A casa precisa refletir você. Precisa representar o que faz com que você se sinta em casa.
Soltando um suspiro pesado, Kade se sentou na cadeira em frente a ela.
— Eu não sei, de verdade. Passei a maior parte da vida envolvido com a carreira. Viajei, fiquei em muitos quartos de hotel. Não tenho a menor ideia do que é um lar. Vivi e respirei futebol o tempo inteiro.
Ela soltou a respiração que prendera e perguntou: — E para o que vive agora que a carreira terminou? — Como Asha não sabia praticamente nada sobre futebol, Kade tivera que explicar exatamente como era o jogo enquanto ela se recuperara e qual fora a função dele no time. Obviamente, ele fora um atleta muito conhecido e provavelmente a maioria das pessoas o teria reconhecido. Mas ela não era a maioria das pessoas e vivera em um mundo muito pequeno até dois anos antes. Ela conseguia perceber a sensação de perda dele, a saudade na voz sempre que falava sobre o time.
Isso fazia com que tivesse uma vontade louca de abraçá-lo bem apertado e dizer que ele era muito mais do que apenas um jogo.
Os olhos azuis de Kade a encararam com um olhar confuso. Asha sentiu o desespero dele ao responder: — Meus amigos. Meu irmão e minha irmã.
Aprendi que há pouquíssimas coisas que são constantes na vida. Eu era uma estrela arrogante do futebol que tinha tudo e perdi em questão de segundos. Não conto muito com muita coisa. — Afastando o olhar como se tivesse falado demais, Kade tomou outro gole da cerveja.
Asha sentiu um arrepio na espinha, consciente demais de como a felicidade podia ser rara e fugidia. Ela passara a maior parte da vida fazendo o que achara que fossem seus deveres, suas obrigações como mulher indiana. Em conflito, ela afundara quando os fardos começaram a pesar, perguntando-se quem realmente era e o que deveria fazer com sua vida. — Algumas vezes, mesmo as coisas que você acha que são constantes, na verdade não são — murmurou ela pensativa.
Kade virou a cabeça depressa para encará-la novamente, sondando-a com o olhar. — Por quê? Conte-me como foi a sua vida. Posso garantir que minha irmã, Mia, fará uma visita assim que souber que chegamos. Você não pode negar para sempre que provavelmente é parente do marido dela. O
nome de solteira da sua mãe é o mesmo que o da mãe de Max e Maddie e há uma boa chance de que sejam parentes. Eles são pessoas boas, Asha.
Poderia ter pessoas muito piores para chamar de família.
— Não tenho família — gritou Asha em tom doloroso, sentindo as palavras saírem das entranhas feridas.
Kade olhou para ela perplexo. — Você tinha pais adotivos...
— Pais temporários. Fui levada por uma família indiana quando tinha três anos, depois que meus pais biológicos morreram. Recebi alimentos, roupas e criação de indiana. Fui para a escola, mas não tinha permissão de ter amigos norte-americanos. Casei aos dezoito anos, um casamento arranjado, com um indiano que queria imigrar para os Estados Unidos. Ele era primo dos meus pais temporários — terminou ela sem fôlego, mal conseguindo acreditar que estava expondo a alma para Kade. Ele tinha esse efeito nela, fazia com que quisesse contar exatamente como se sentia porque não seria julgada. Era estranho poder realmente conversar com um homem sobre o que sentia.
— Você o amava? — perguntou Kade com voz rouca.
Asha abaixou os olhos, olhando fixamente para a garrafa e brincando nervosamente com o rótulo. — Eu não o conhecia, nem mesmo encontrei com ele antes do casamento.
— Que tipo de arranjo imbecil é esse? — perguntou Kade furioso. —
Você foi vendida?
A vergonha a invadiu ao responder em um sussurro: — Não exatamente.
Meus pais temporários tinham problemas financeiros. Como eu poderia não fazer o que eles queriam? Era o que esperavam de mim. Eles me deram comida e roupas durante quinze anos. Contavam comigo para ajudá-los. A família de Ravi, meu ex-marido, tinha um pouco de dinheiro. Meus pais temporários tinham dívidas. A família de Ravi estava disposta a dar o dinheiro a eles e acabar com a dívida em troca do casamento dele comigo.
— Isso não é diferente de ser vendida — resmungou Kade, derrubando a cadeira ao se levantar e dar a volta na mesa. Ele pegou a mão dela e fez com que se levantasse. — Nenhuma mulher deveria sentir que tem a obrigação de se casar. Você ser apaixonou por ele depois do casamento?
Asha olhou para Kade, incapaz de mentir. — Não — sussurrou ela. —
Ficamos casados por sete anos e não dei nada a ele além de desapontamento.
— O quê? — explodiu Kade. — Como você poderia desapontar um homem?
— Fui um negócio ruim para ele. Ravi queria um filho. E eu nunca consegui engravidar. Ele fez exames e era fértil. Eu... não — respondeu ela, com a agonia patente nas palavras. — Ele era um indiano muito tradicional e não acreditava em divórcio. Mas eu precisava sair do casamento. Não era... bom — sussurrou ela, estremecendo ao acrescentar: — Eu me divorciei dele.
— E ele a deixou sem nada? — perguntou Kade com raiva, mas o toque dele foi gentil ao segurá-la pelos ombros.
— Foi escolha minha. Não pensei no futuro depois de escapar. Eu queria sair. Eu precisava sair. — Asha terminou com um soluço, sentindo como se o coração tivesse sido arrancado do peito. Houvera algum momento na vida em que não se sentira indesejada? Se houvera, não conseguia se lembrar.
Ela fora mais feliz desde o divórcio, viajando de um lugar a outro e conseguindo trabalhos onde era possível, do que jamais fora na vida inteira.
Sim, estivera sozinha, lutando para sobreviver, mas a dor física e emocional desaparecera. E ela sentia quase como se tivesse recuperado a sanidade. —
Meus pais não falam mais comigo. O divórcio não é bem aceito na cultura indiana e eu não cumpri o acordo que o meu pai fez com o meu ex-marido.
Kade a empurrou gentilmente contra o balcão da cozinha com os olhos azuis em chamas. — Você é uma mulher. Uma mulher bela e talentosa. Não
é um objeto para ser vendida. Que merda! Que tipo de homem faz algo assim? Como eles conseguem dormir à noite sem saber se você está segura e feliz?
Asha abaixou a cabeça. — Eu humilhei todos eles. Eles não se importam. — As lágrimas começaram a correr pelo rosto dela quando as emoções explodiram.
Kade segurou o queixo de Asha e forçou-a a levantar a cabeça. A expressão dele era feroz ao responder: — Nenhuma mulher deveria ser vendida e eles não tinham o direito de esperar qualquer coisa de você. Os problemas deles não eram seus. Eles assumiram a responsabilidade de serem pais temporários. E tinham o dinheiro para cuidar de você.
Provavelmente foi por isso que nunca a adotaram. Você mal tinha chegado à idade adulta quando a venderam. Você deveria ter tido a oportunidade de viver, de ter uma educação se quisesse. Mas que merda, você deveria ter tido escolhas!
Asha observou a expressão feroz de Kade, mas não sentiu medo. Ele estava, na verdade, defendendo-a, defendendo seus direitos como mulher.
Infelizmente, ele não entendia a cultura indiana. — Posso ser norte-americana, mas fui criada como indiana, Kade. Somos motivados pelo dever e pela culpa. — Aquilo era algo disfuncional? Sim, mas era difícil se livrar das coisas que lhe foram ensinadas quando era criança e adolescente.
Ela demorara vinte e cinco anos para ter coragem suficiente para se afastar da tradição e fugir de um casamento horroroso e ainda não era fácil. A vergonha e a culpa ainda a assombravam de vez em quando. — Desde o divórcio, tentei me livrar e encontrar o lado norte-americano da minha herança. Mas ainda é difícil às vezes. Eu me desloco muito e é difícil fazer amigos. Ainda estou aprendendo a ser norte-americana.
Kade chegou mais perto dela, com o corpo quente e musculoso pressionado contra o seu. Seus braços a envolveram e ele sussurrou contra a têmpora de Asha: — E foi mesmo uma obrigação? Estar casada foi uma obrigação? Ou seu ex amava você?
Asha estremeceu e, sem se conter, passou os braços em volta do pescoço de Kade enquanto as lágrimas continuavam a cair. — Ele não me amava.
Queria um filho — murmurou ela contra o peito dele. — Não podia se divorciar de mim, mas eu não era o que ele queria. Ele ficou furioso com a
situação e isso tornou o casamento difícil. A imagem era tudo para ele e eu não consegui lhe dar uma família.
Os músculos do maxilar de Kade se contraíram e o corpo ficou tenso quando ele disse: — Por favor, diga que ele não machucou você. Diga que ele nunca colocou um dedo em você nem a culpou.
Asha abaixou a cabeça. — Não posso. Isso seria uma mentira e você fez demais por mim para que eu minta. Você tinha razão. Eu estava fugindo.
Estou fugindo desde que eu o deixei.
— Ele está ameaçando você? Entrou em contato com você? —
perguntou Kade ansioso em tom enfurecido.
— Não acho que ele saiba onde estou e duvido que se importe. Ele entrou em contato com alguns dos meus antigos clientes onde morávamos na Califórnia para me procurar. Portanto, eu me escondi até o fim do divórcio e, depois disso, fugi. Estou viajando desde então — admitiu ela baixinho. — As coisas ficaram piores quando comecei a aceitar trabalhos.
Ele não queria que eu trabalhasse fora.
— E o seu site?
— Ele não sabia — admitiu Asha. — Teria acabado com o site.
Kade recuou a cabeça e ergueu o queixo dela para olhar para seu rosto.
— Diga-me onde ele está — exigiu ele em voz baixa e mortal. — Vou matar esse imbecil.
— Não! — exclamou Asha. — Só o que eu quero é paz. Quero esquecer.
Por favor. — O fato de aquele homem defendê-la fez com que ela sentisse o peito apertado de gratidão, mas não queria Kade envolvido com seu passado. — Acabou. Estou livre. Era tudo o que eu queria.
— Você teve alguma ajuda?
— Passei o tempo aguardando o divórcio em um abrigo para mulheres.
Eles me ajudaram o quanto podiam. Participei do aconselhamento deles, mas acho que ainda estou lutando para me livrar do passado. Aceitei trabalhos fora do estado para fugir, começar de novo.
— Ele era doido? Não percebeu o que tinha? — retrucou Kade ferozmente. — É muito solitário estar com alguém que não se importa, mas não aguento o fato de ele ter ferido você intencionalmente.
Olhando para os olhos azuis, ela disse hesitantemente: — Parece que você sabe como é estar com alguém que não se importa.
— Eu sei. Minha namorada, depois de dez anos, terminou tudo quando eu estava na UTI depois do acidente porque não era isso que ela queria.
Porque eu não era capaz de atender ao ideal dela. Eu sei exatamente como é e é horrível. Mas eu não era indefeso. Eu tinha dinheiro, família e amigos.
O coração de Asha acelerou e ela conseguiu sentir a raiva de Kade, bem como a mesma sensação de traição que ela sentira quando Ravi a afastara e transformara-a no alvo de sua fúria por não conseguir conceber um filho. —
Então ela não merecia você. Se algo tão superficial fez com que lhe desse as costas, então você está melhor sem ela — respondeu Asha em tom firme.
Kade era um homem que valia a pena manter, não importavam as circunstâncias. A ex-namorada dele não entendia que ele era o tipo de homem que a maioria das mulheres queria ter, um homem que era constante e que se importaria, sempre? — Você merece muito mais do que isso —
disse ela com sinceridade, colocando a palma da mão no maxilar dele.
Os olhos de Kade ficaram ardentes e as narinas se dilataram quando ele perguntou em voz rouca: — Como você dorme com alguém cujo único objetivo é engravidá-la e surrá-la?
Asha deu de ombros de forma desconfortável. — Eu era esposa dele —
disse ela. — Era meu dever e, se eu tivesse me recusado, teria sido pior.
Normalmente acabava depressa. — Ela não queria mencionar que não tivera opção. Se Ravi queria fazer sexo, ele fazia sexo. Nas poucas vezes em que ela tentara lutar contra isso, ele quase a deixara inconsciente.
— Não é assim que as coisas devem acontecer, querida. — A mão de Kade se afastou do rosto dela e seus dedos correram sensualmente por seus cabelos. — Você é uma mulher que merece ser saboreada, uma mulher a quem um homem quer dar prazer. Não há nada que me daria mais satisfação do que vê-la gozar. Intensamente.
As palavras dele causaram uma reação diretamente em suas entranhas. O
calor úmido surgiu entre suas coxas ao ver o desejo nos olhos dele. Ela sentiu o rosto quente de constrangimento, mas havia uma paixão bruta percorrendo seu corpo, deixando-a incapaz de afastar os olhos da expressão carnal dele. — Como você vê isso quando está escuro? — perguntou ela, sem conter a curiosidade. — Ele foi o único homem com quem estive e sempre aconteceu muito depressa, com as luzes apagadas.
— Merda! Ele nunca fez você gozar? — Kade colocou a mão no traseiro dela e puxou seu corpo para que sentisse a ereção.
Asha ficou de boca aberta, tanto de necessidade quanto de surpresa. Ele estava rígido e cheio de desejo. O restante do corpo de Kade estava tão ardente quanto seus olhos. — Não — admitiu ela, sentindo-se hipnotizada e sem conseguir se afastar da força desconhecida que a atraía para Kade. —
Estava sempre escuro e terminava em um ou dois minutos.
— Querida, você nunca deveria ser possuída no escuro — respondeu Kade irritado. — Sabe que se parece exatamente como o retrato em seu portfólio? Madura, cheia de desejo e pronta para ser possuída.
Asha sabia exatamente de que retrato ele falava. — Você viu os meus desenhos — acusou ela, sentindo-se nua e exposta. Aquele desenho retratava toda sua necessidade de algo que não existia.
— Alguém? Algum dia? Em algum lugar? — retrucou Kade. — Eu tenho a resposta para todas essas perguntas.
— Eu — sussurrou ele quando seus lábios exploraram a cavidade sensível da orelha de Asha, com o hálito quente fazendo com que ela estremecesse.
— Agora — acrescentou ele, agarrando-lhe os cabelos com os dedos e puxando-a para mais perto contra o pênis rígido.
— E bem aqui — terminou ele com um rosnado, abaixando os lábios para capturar os dela.
A boca ardente de Kade sugou a respiração dela. Asha gemeu contra os lábios dele e abriu-os automaticamente. A necessidade que sentia daquilo, dele, era insaciável. Provavelmente parecia exatamente como o autorretrato, pois o desejo era intenso e indomável. E agora, Kade lhe dava o que queria com cada investida da língua. Ele a beijou como um homem possuído, um homem determinado a conquistar e dominar, e ela respondeu com desejo igual. Ela enterrou os dedos nos cabelos dele e acariciou-lhe a nuca, precisando tocá-lo como ele parecia precisar tocá-la. Asha se sentiu capturada e dominada com o corpo quente e musculoso pressionado contra o seu. Mas ela se deleitou com aquilo, com ele. Kade saboreou sua boca com uma necessidade urgente, mas a língua explorou cada recesso como se precisasse conhecer cada milímetro. Ele vibrou com um gemido quando ela pressionou de volta, tão ansiosa para explorar o beijo como ele, adorando a liberdade de sentir seu gosto. Saber que Kade a queria lhe dava um prazer que a deixou hipnotizada, que encheu um vazio em seu interior que existia desde sempre.
Kade. Kade. Kade.
Ela moveu os quadris para a frente, tentando chegar mais perto do membro rígido, amaldiçoando as camadas de tecido entre eles.
Mais perto. Preciso chegar mais perto.
Asha sabia que estava afogando-se, perdendo o controle, mas entregou-se a Kade sem um pensamento coerente, pois a necessidade do corpo era prioritária. Ela afastou a boca e suplicou: — Por favor, ai, por favor —
gemeu ela, precisando de mais.
Kade a ergueu com facilidade sobre o balcão, o que deixou seus seios diretamente em frente ao rosto dele. Ela arquejou quando ele arrancou os botões da blusa para abri-la. Ela não usava sutiã e o ar frio, ao bater nos mamilos sensíveis e endurecidos, foi um choque.
— Minha camisa — murmurou ela sem fôlego, mais constrangida pela revelação dos seios pequenos do que pela roupa propriamente dita.
— Eu comprei outras para você — disse ele. A boca de Kade procurou e encontrou um dos seios e a mão subiu para acariciar o outro.
Asha segurou a cabeça dele contra o seio, ainda sem fôlego por causa do desejo. — Kade. Por favor. — Os dedos e a boca de Kade acariciaram, beliscaram, deixando-a completamente desesperada. Ela encostou a cabeça no armário logo atrás, sentindo como se o corpo estivesse em chamas enquanto Kade devorava seus seios, passando de um para o outro, como se quisesse tomar posse dos dois.
Ela gemeu, mantendo as mãos nos ombros dele para não cair sobre o balcão.
— Você é tão linda, Asha. Tão doce que eu poderia lamber cada centímetro do seu corpo e ainda querer mais — sussurrou Kade ao provocar o mamilo com a língua.
— Meus seios são muito pequenos — disse ela, incapaz de se concentrar em qualquer coisa além da tortura quente de Kade.
— São perfeitos — insistiu ele, segurando-os com as mãos e acariciando os mamilos com os polegares.
Asha se contorceu sobre o balcão, com o calor e o desejo pulsando entre as coxas de forma insuportável. — Eu preciso... — gemeu ela, sem saber ao certo do que precisava para que o corpo parasse de tremer.
— Eu sei do que você precisa — respondeu Kade em voz baixa e sensual, com o hálito quente contra o pescoço dela. — Você precisa de um
homem que a faça gozar. E esse homem serei eu.
Asha estremeceu ao sentir a mão dele percorrer lentamente o abdômen, acariciando a pele nua enquanto descia. O botão da calça jeans foi aberto, o zíper desceu impacientemente e, subitamente, os dedos de Kade estavam onde ela precisava deles, deslizando facilmente pelas dobras molhadas e parando sobre o clitóris. Cada movimento dos dedos talentosos causavam um gemido. Asha fechou os olhos, com um prazer tão intenso que ela quase desmoronou. — Isso — sussurrou ela. — Toque-me. — Abrindo mais as coxas, ela colocou as pernas em volta da cintura de Kade, empurrando o corpo para a frente cada vez que ele movia os dedos.
— Não sei quanto tempo vou aguentar. — O peito de Asha se movia pesadamente e o corpo inteiro estremeceu com a intensidade do clímax iminente.
Segurando a nuca dela, Kade disse: — Vamos, Asha. Aproveite. Olhe para mim.
Ela abriu os olhos obedientemente, sentindo o corpo inteiro pegar fogo ao encontrar o olhar dele, cujas chamas azuis quase a incineraram.
— Goze para mim, querida. Você está tão molhada, tão gostosa. Tome o que precisa e solte-se.
Kade foi implacável, com os dedos acariciando repetidamente o clitóris, deixando-a repleta de um desejo quente e frenético. Asha conseguia sentir a determinação dele. No fim, ela não teve outra opção a não ser deixar que o orgasmo a invadisse, incapaz de segurar os gemidos. — Kade — gemeu ela quando finalmente fechou os olhos, sem conseguir aguentar o olhar intenso no rosto bonito. — É demais.
Ele continuou acariciando-a enquanto o orgasmo diminuía, estendendo-o. Os lábios dele capturaram os de Asha e ele soltou um gemido antes de prendê-la em um beijo.
Colocando os braços em volta do pescoço dele, Asha o beijou como se sua vida dependesse disso, saboreando seu gosto, desejando poder entrar nele e nunca mais sair.
Terminando o abraço apaixonado, Kade puxou o corpo trêmulo de Asha contra o peito e segurou sua cabeça sobre o peito ofegante. Ele passou os braços em volta dela como se fossem tiras de aço, segurando-a bem perto como se fosse alguém muito precioso. E, por alguns momentos, Asha se deu ao luxo de sentir o corpo dele, de saborear a sensação de pertencer a
ele. Tentando desligar o cérebro que lhe dizia que o que acabara de acontecer não era certo, Asha deixou, pela primeira vez na vida, que o coração tomasse a liderança. Ela passou os braços em volta do corpo forte de Kade, deixando que ele a abraçasse. Talvez fosse uma falsa sensação de proteção, mas era tão boa que ela não queria que terminasse.
— Melhor coisa do mundo — disse Kade em um sussurro.
— O quê? — perguntou ela confusa.
— É assim que se vê uma mulher gozar, querida — respondeu Kade em tom arrogante. — E é algo fantástico.
Sabendo que provavelmente deveria se sentir mortificada por ter acabado de deixar um homem que mal conhecia fazê-la gozar no meio do dia sobre um balcão, Asha abriu a boca para repreendê-lo pela arrogância.
Mas, logo em seguida, fechou-a novamente sem dizer nada. Sinceramente, ela não podia responder. Ele tinha razão. Fora melhor do que bom. Kade mudara seu mundo e algo lhe dizia que ela nunca mais seria a mesma.
Finalmente, ela só disse: — Obrigada.
— Pelo quê? — perguntou Kade.
Asha não sabia se conseguiria explicar, não sabia exatamente como expressar o que sentia. — Por fazer com que eu me sentisse como uma mulher que pode ser desejada — respondeu ela com simplicidade. Por quanto tempo ela se sentira defeituosa porque os órgãos femininos eram incapazes de conceber um filho? — Não me sinto mais tão deficiente.
Os braços de Kade a apertaram um pouco mais por reflexo. — Se você acha que é deficiente, deveria ver a minha perna — resmungou ele.
— Você deveria ver as minhas partes íntimas — retrucou ela em tom leve, tentando fazer uma brincadeira consigo mesma para tirar a mente de Kade da perna ferida. Ela nunca vira as próprias partes deficientes. Só sabia que tinha falhas internas.
— Se isso é um convite, terei o maior prazer em vê-las — disse a voz esperançosa e sensual de Kade. — Elas pareceram perfeitas para mim, mas eu adoraria examiná-las mais de perto.
Percebendo exatamente o que dissera para distraí-lo, Asha soltou uma risada alegre, começando a sentir um poder feminino que nunca tivera antes. A risada acabou em um acesso de tosse, um efeito residual da doença.
— Droga, esqueci que você ainda está doente — disse Kade como se estivesse irritado consigo mesmo.