O Jogo do Bilionário: Kade
Capítulo 13
Asha visitou Max na manhã seguinte, esperando que ele não estivesse trabalhando, pois era sábado. Ela estacionou o carro na frente da casa dele e aproximou-se hesitante do guarda no portão, tirando a carteira de habilitação da bolsa.
— Pode entrar — disse o segurança quando ela lhe entregou a identificação. — Fomos instruídos pelo sr. e pela sra. Hamilton a deixá-la entrar imediatamente sempre que visitar. Você é da família. Todos nós reconheceremos seu rosto em algum momento — continuou ele, abrindo um sorriso tímido quando ela passou pelo portão.
Sou da família. Tenho mesmo um irmão e uma irmã.
Asha sorriu de volta para o homem, ainda tentando aceitar o comentário dele. Algum dia ela se acostumaria com o fato de ser parente de Maddie e Max?
— Parece que o pneu do seu carro está quase vazio, srta. Paritala —
gritou o guarda enquanto ela andava até a casa.
Acenando para indicar que o ouvira, ela fez uma anotação mental para perguntar a Max se havia alguém que pudesse ajudá-la a trocar o pneu. Ela sabia que o carro precisava de pneus novos, mas ainda não os comprara. O
preço do carro compacto fora adequado, mesmo precisando de pneus novos.
Max morava em frente à praia e ela sentiu as ondas e o cheiro da água salgada invadirem seus sentidos. Ela nunca estivera dentro da casa dele, mas passara pela área antes com Kade, que lhe mostrara onde ficava a casa de Max. Era difícil acreditar que um membro de sua família morava em uma residência tão opulenta.
Talvez visitar Max e Maddie em um intervalo tão curto fosse uma péssima ideia. Ver como os irmãos eram tão bem-sucedidos em dois dias seguidos era intimidador. Mas ela realmente precisava falar com Max.
Depois de ver como Maddie ficara chateada por não ter entrado em contato com ela, Asha queria encontrar com Max também.
Asha apertou a campainha com um suspiro, tentando separar os pensamentos, tentando pensar em Max como irmão, não como bilionário.
Era estranho, mas ela nunca se sentira intimidada por Kade ser bilionário.
Provavelmente porque eu estava ocupada demais admirando as outras coisas dele!
Kade era um homem incrível e a fortuna dele nunca fora algo com que ela se preocupara. Além do mais, ele a mantivera estonteada de prazer e desejo para pensar em dinheiro ou status.
— Asha — disse Mia com voz surpresa e alegre ao abrir a porta. Uma expressão rápida de preocupação cruzou seu rosto antes de se transformar em um sorriso genuíno. Ela puxou Asha para um abraço entusiasmado, segurando-a firmemente ao dizer: — Estávamos preocupados com você.
Asha retribuiu o abraço, adorando a sensação de conforto. — Desculpe.
Eu consegui um lugar para mim, um apartamento pequeno — disse ela, tentando fazer com que soasse que estava bem.
Mia se afastou e sorriu para ela. — Eu sei. Max acompanha você.
Sabíamos que estava em segurança.
— Vocês sabiam onde eu estava? — perguntou ela, entrando na casa enquanto Mia segurava a porta aberta.
— É claro. Não achou que Max deixaria a irmã desaparecer sem saber onde ela estava morando, achou? Mas fico feliz por ter vindo. Ele estava preocupado com você.
— Como ele descobriu onde eu morava? — O poder e os recursos do irmão eram um pouco assustadores.
Mia ergueu a sobrancelha. — Ele a encontrou quando não sabia nada sobre você. Desta vez, foi mais fácil.
Asha achou que deveria ficar chateada por saber que o irmão a espionara, mas ele estivera cuidando dela, preocupado. E ela não entrara em contato com ele. Não podia recriminá-lo por se importar. — Eu ia entrar em
contato com vocês. Eu queria fazer isso. Só precisava de um pouco de tempo.
— Maddie me telefonou ontem à noite. Eu entendo — disse Mia em tom reconfortante. — Você está bem?
Ela assentiu lentamente. — Sim. Estou bem. Estou muito ocupada com o trabalho e fiz inscrição em algumas aulas de arte.
Asha parou na porta do aposento para onde Mia a levava, ouvindo vozes que soaram familiares. — Vocês têm companhia? — perguntou ela a Mia, preocupada por ter interrompido outra visita.
Ela ouviu a voz furiosa de Max, mas não conseguiu entender o que ele dizia.
— Asha... seus pais temporários estão aqui — respondeu Mia, soando tensa e frustrada.
Fora por isso que o tom das vozes soara familiar. — P-por quê? —
gaguejou ela. — Por que eles viriam aqui?
— Estão procurando você — respondeu Mia em tom seco. — De alguma forma, eles ouviram dizer na Califórnia que você é irmã de Max e Maddie. Queriam falar com você. Acho que Max está dando uma bela bronca neles neste momento.
O mundo de Asha balançou por um momento até se estabilizar novamente. Por alguns instantes, ela era novamente uma adolescente, com medo de desagradar os pais temporários e de perder o único lar que tinha.
— Meu ex-marido está com eles?
— Não. Se estivesse, certamente não estaria falando. Max já o teria matado — respondeu Mia ferozmente. — Max deixou seus pais temporários entrarem para que pudesse dizer a eles o que achava da forma como a trataram. Eles serão dispensados em breve.
Asha passou os braços em volta do corpo, cambaleando um pouco por causa da aflição. — Não sei o que eles querem de mim — retrucou ela com a voz repleta de vulnerabilidade.
— Nada de bom — respondeu Mia, acenando para que Asha entrasse.
Asha sabia que aquele era um momento crucial, um curto período em que poderia escolher o caminho mais fácil de evitar os pais temporários ou confrontar seus demônios. Ela poderia fugir e esconder-se... ou lidar com eles pessoalmente. Não era mais uma criança. Na verdade, não era algo com que Max tivesse que lidar. E ele não precisava fazer isso.
— Eu falarei com eles — disse ela a Mia, olhando para o rosto preocupado da cunhada com uma expressão determinada. — Não preciso mais ter medo deles nem ser obediente. Quero que eles saiam da sua casa imediatamente e não quero que incomodem você e Max de novo.
Ela se virou e seguiu as vozes, o que não foi difícil, pois Max gritava a plenos pulmões. — Estão falando sério? Não foi Asha quem fez a reclamação, fui eu. Nenhum de vocês é adequado para ser pai nem mãe temporários e nunca mais abrigarão outra criança.
Asha parou na entrada da sala de estar atônita. Max registrara uma reclamação? Em nome dela?
Mia a deteve colocando a mão em seu ombro e sussurrou perto de seu ouvido: — Não foi só você, Asha. Depois que foi embora, eles receberam outra criança com cerca de dez anos. Estão preparando tudo para casá-la com outro parente deles na Índia, por um preço muito alto. E acabaram de se candidatar para mais uma criança. Outra menina. Max bloqueou a inscrição deles com uma reclamação. Talvez isso se torne desagradável.
— Eles fizeram isso de novo? — perguntou Asha incrédula, sentindo a raiva invadi-la, raiva pela garota que estava prestes a se casar com um homem com quem provavelmente não queria se casar. — Precisamos impedir o casamento, a não ser que ela queira.
— Max já impediu. Ela não queria, mas estava na mesma situação em que você esteve na época. Ela quer ir para a faculdade e ser professora. Max já a colocou lá e instalou-a no alojamento. Estamos ajudando a garota, não se preocupe. E Max garantirá que nunca mais recebam outra criança adotiva.
Lágrimas de raiva e alívio encheram os olhos de Asha. — Obrigada —
sussurrou ela. — Vocês não têm ideia de como isso mudará a vida dela. —
Apesar de a adolescente provavelmente ter crescido mergulhada nos mesmos sentimentos de culpa e vergonha que Asha, a vida da garota mudara por causa de Mia e Max.
Mia apertou a mão dela e Asha se virou para enfrentar os pais temporários, que ainda discutiam com Max. Soltando a mão de Mia, ela ergueu o queixo e entrou na sala. A conversa parou enquanto ela se aproximava dos pais. Todos os olhares se voltaram para ela.
— Saiam da casa do meu irmão e nunca mais cheguem perto de ninguém da minha família — disse Asha aos pais temporários de forma
abrupta, com a fúria ainda fervendo dentro de si.
A mãe adotiva deu um passo à frente, com as pulseiras de ouro fazendo barulho. Ela não mudara muito, mas estava diferente para Asha, agora que ela a via pelos olhos de adulta. Ela olhou para a roupa de seda fina que a mãe usava e para o ouro e as pedras preciosas que adornavam seu corpo.
Por que ela acreditara um dia que os pais temporários tinham problemas financeiros? A mãe temporária usava ouro suficiente para sustentá-la até o fim da vida.
Eu era uma empregada e fui vendida, exatamente como Kade me disse.
Não havia dificuldades financeiras, nenhum motivo para o que fizeram, exceto lucro.
— O quê? Você não fala mais telugu? — recriminou a mãe.
— Sou norte-americana e moro nos Estados Unidos. Eu falo inglês. Meu irmão e a esposa dele falam inglês. Eu não seria grosseira a ponto de falar em um idioma que eles não entendem — respondeu ela furiosa.
— Como ousa? Nós a alimentamos, nós a criamos e você fala desse jeito com a minha esposa? — perguntou o pai furioso.
— Vocês me receberam e depois me venderam. Enquanto isso, fui uma empregada sem pagamento para vocês. Até mesmo as coisas do meu pai foram vendidas por vocês — respondeu Asha, avançando para se aproximar do pai. — Como ousa? — Respirando fundo, ela continuou: — Vocês sabiam que Ravi me batia? Sabiam do que ele fazia comigo?
— Ele estava tentando disciplinar você. E ficou desapontado por você nunca ter lhe dado um filho — respondeu a mãe, como se fosse natural que aquilo acontecesse.
Asha soltou um suspiro longo, recebendo a resposta que esperara, mas que torcera para não receber. Eles sabiam e deixaram que acontecesse. —
Vocês dois são pessoas horríveis. Meu pai trabalhou para proteger os direitos das mulheres e vocês as vendem como se fossem bichos. Não tem nada a ver com cultura, e sim com vocês dois serem indivíduos egoístas e cruéis. Mas precisam abrir os olhos e ver que as indianas estão cansadas dos maus tratos, cansadas de serem surradas e sujeitadas à vontade dos homens.
Eu não consegui ter um filho, mas isso não significa que eu merecia ser surrada por algo que não era culpa minha.
— Seu pai, seu pai... — O pai temporário levantou a mão e soltou uma exclamação de desgosto. — Ele era um sonhador que morreu pobre por
causa dos ideais idiotas que tinha.
— O carma dele era rico — retrucou Asha.
— Você precisa voltar para o seu marido — disse a mãe em tom firme.
— Agora, pode ajudá-lo financeiramente.
— Só porque meus parentes são ricos, acha que parte do dinheiro deles deveria ir para Ravi? — Asha estava furiosa por realmente acreditarem que ela devia alguma coisa a um homem que quase a matara em várias ocasiões.
Provavelmente achavam que os parentes ricos dela deveriam dividir o dinheiro com eles. — Eu pago as minhas dívidas. Não me aproveito dos outros nem vendo pessoas para ganhar dinheiro. E eu preferiria morrer antes de voltar novamente para a prisão de um homem violento.
— Ele é o seu marido — retrucou o pai.
— Ele não é nada meu. Nós nos divorciamos. E, se e quando me casar de novo, será com o homem que eu escolher.
— Vagabunda! — O pai ergueu o braço para bater nela. Asha se moveu rapidamente, abaixando-se e recuando, quando um corpo grande se colocou entre ela e o pai. Uma mão grande desceu rapidamente para segurar o pulso do homem. Asha perdeu o equilíbrio e caiu sentada no carpete.
— Ela está desonrando o marido. É uma vagabunda — disse a mãe.
Max deu um passo à frente e olhou para a mulher com expressão desgostosa. Em seguida, agarrou o pulso dela. — Vocês vão embora. E não diga mais nenhuma palavra. Nunca bati em uma mulher na vida, mas, senhora, você é a primeira que me faz desejar poder fazer isso.
Asha olhou para cima, um pouco tonta, primeiro para Max, que segurava sua mãe temporária. E, em seguida, para o pai, que era segurado por alguém que deixou seu coração acelerado e fez com que prendesse a respiração.
Kade!
Os dois homens estavam virados de lado, mas ela conseguiu ver a fúria no rosto de Kade, as veias pulsando em seu pescoço. A respiração dele estava pesada e o olhar que ele lançava ao pai dela era de pura ira. Ele parecia uma serpente um momento antes de atacar com intenção mortal.
— Nós iremos embora. Você está morta para nós — disse a mãe, fungando.
Para Asha, aquilo não era novidade. Ela sempre estivera morta para eles e, se Ravi a tivesse realmente matado, os dois não o teriam culpado.
Os guardas de Max entraram na sala, tirando a mulher das mãos de Max e levando-a em direção à porta.
— Kade. Não. Nenhum deles vale a pena — disse Asha suavemente, tentando evitar que Kade perdesse o controle. Ela viu a determinação dele, o que a deixou assustada. Não queria que ele se envolvesse em seus problemas.
Asha se levantou rapidamente e colocou a mão no ombro de Kade. —
Por favor — sussurrou ela.
— Ele ia bater em você — retrucou Kade, com a respiração entrando e saindo dos pulmões rapidamente como se ele estivesse prestes a perder o controle.
— Mas não bateu. Você me salvou. Deixe-o ir embora.
O pai temporário dela estava em silêncio, tentando passar por Kade, mas sem conseguir se soltar.
— Está bem. Ele pode ir. Logo depois disto. — Kade recuou o braço musculoso e enterrou o punho no rosto do homem mais velho. A força foi suficiente para deixar o homem de joelhos.
— Você quebrou o meu nariz — choramingou o homem mais velho, colocando a mão sobre o nariz que sangrava.
Os guardas passaram por Kade e levantaram o pai de Asha.
Olhando para ele friamente, Kade disse: — Não espere que eu busque um lenço. Você é um covarde e, se ficássemos sozinhos por cinco minutos, eu quebraria mais do que só o seu nariz. Se algum dia chegar perto dela de novo, terá que lidar comigo.
— Achei que você fosse um herói do futebol — disse o pai dela com desgosto.
— No momento, sou só um homem muito furioso. Tirem-no de perto de mim — disse Kade para os guardas que seguravam o homem.
Max estava com os braços em volta de Mia e a sala ficou vazia, exceto por eles, Kade e Asha.
— Você está bem? — perguntou Kade, subindo e descendo as mãos nos braços dela e estudando seu rosto. — Merda! Eu queria matar aquele imbecil, mas você já testemunhou violência suficiente na vida.
— Eu não vi você chegar — comentou ela baixinho, ainda tentando acalmar a situação.
— Eu entrei alguns minutos antes que aquele idiota erguesse a mão para você.
— Você ainda é rápido — disse Max, olhando para Kade com gratidão.
— Eu não teria conseguido ser rápido o suficiente. — Ele saiu de perto de Mia para abraçar Asha, sussurrando: — Estou muito orgulhoso de você. Sei que não foi fácil enfrentá-los. Você foi incrível.
Estranhamente, não fora tão difícil, mas ela corou com o elogio de Max.
Talvez estivesse desenvolvendo alguma iniciativa ou talvez conseguisse finalmente definir a linha entre o certo e o errado. — Já estava na hora.
Obrigada por ajudar a garota que eles pretendiam casar. Eu gostaria de lhe dar um pouco de dinheiro para ajudá-la.
Max recuou e balançou a cabeça negativamente. — Nem pensar. Ela é uma garota doce e será uma excelente professora. Estou feliz por poder ajudá-la. Já lhe dei tudo de que precisa para os estudos e as despesas. Ela está bem, Asha.
— Então eu quero criar uma organização. Para ajudar a libertar outras mulheres que sofrem maus tratos. Era algo sobre o qual eu queria conversar com você. Você é um excelente investidor. Pode me ajudar a investir o dinheiro que o meu pai me deu para que eu continue o trabalho dele? —
perguntou ela a Max.
— Isso já foi feito. Inclusive, a fundação recebeu o nome do seu pai. —
Foi Kade quem falou desta vez. — E está bem suprida no momento.
— Mas eu quero fazer alguma coisa — objetou Asha. — Quero dar alguma coisa.
— A Harrison fundou a organização, que é financiada por vários bilionários. Mas, se quiser, pode ser voluntária — disse Max.
— Você fez isso? — perguntou Asha a Kade, com o coração batendo forte ao olhar para ele. Kade parecia cansado, com olheiras fundas e linhas de tensão no rosto.
Kade deu de ombros. — Todos nós fizemos. Max, Travis, Sam, Simon e eu somos os principais doadores.
— Isso é incrível. Não sei como agradecer a todos vocês. — Ela olhou de Mia e Max para Kade, com lágrimas de gratidão nos olhos. — Mas e o meu dinheiro? Não vai ajudar?
Max sorriu para ela. — Temos outros doadores na fila. Acho que você precisa investir no seu futuro.
— Eu vou ajudar você — disse Kade.
Max assentiu. — Você é bom. Talvez melhor do que eu — concordou Max um pouco ressentido.
— Quero aprender a fazer isso por minha conta — comentou Asha em tom teimoso.
— Eu ensinarei você — disse Kade. — Vou só aconselhá-la enquanto aprende.
Asha assentiu. — Obrigada.
A tensão entre ela e Kade era quase palpável e, apesar de querer encontrá-lo, era difícil ficar perto dele. — Preciso ir embora. Tenho certeza de que veio visitar Max. — Ela abraçou Mia e deu um beijo no rosto de Max. — Obrigada. Por tudo.
— Somos família. Sei que não está acostumada a ter família, mas acostume-se. Nós nos meteremos na sua vida o tempo inteiro — respondeu Max com a arrogância e a confiança de um homem que planejara ser seu protetor para o resto da vida.
Mia deu uma cotovelada nas costelas de Max. — Mas de uma forma boa
— acrescentou ela.
Asha riu. A alegria de ter pessoas que realmente se importavam com ela era difícil de segurar. — Vou me acostumar — concordou ela. — Ah, eu me esqueci. Você tem alguém que pode me ajudar a trocar o pneu do meu carro? Acho que está furado. Tenho estepe, mas não sei se tenho as ferramentas para trocá-lo.