O Jogo do Bilionário: Kade
Capítulo 16
Asha revirou os olhos, achando divertido o fato de Kade pensar que todos os homens a olhariam com desejo nos olhos, como ele fazia.
Sinceramente, nenhum outro homem a olhava como Kade olhava. — Você será um excelente professor — disse ela, sabendo que também seria um excelente pai. Ele era um macho alfa protetor, mas também tinha muita paciência e gentileza.
— Obrigado — respondeu Kade, encostando a testa na dela. — Tem tanta confiança assim nas minhas habilidades?
— Sim — respondeu ela depressa e com firmeza. Ela não achava que houvesse algo que ele não conseguiria fazer se quisesse. Tinha uma tenacidade teimosa que sempre fazia com que tivesse sucesso.
— Eu já lhe disse hoje como acho que é maravilhosa? — perguntou Kade com voz rouca.
O coração de Asha deu um salto. A voz dele era sincera e ele obviamente achava, por algum motivo desconhecido, que ela era excepcional. Isso fazia com que Asha se sentisse mais leve. — Não, não disse.
— Então vou dizer agora. Asha... você é uma mulher incrível. Minha mulher incrível. — Ele baixou a cabeça e beijou-a, um beijo lento e langoroso, que a fez se sentir valorizada e querida. Foi sensual, mas era um abraço que não se destinava a deixá-la excitada. Era um compartilhamento de emoções, um beijo de comunicação e intimidade.
Aquilo a deixou sorridente, com os pés fora do chão por um longo tempo depois de abrir a porta do apartamento e entrar sozinha.
—Parece incrível — disse Tate Colter para Asha ao observar a parede terminada do apartamento. — Parece ainda melhor do que achei que ficaria.
Eu queria... — Ele se interrompeu, deixando o comentário inacabado.
Asha olhou para Tate com curiosidade, imaginando o que ele pretendia dizer. Ela terminara a parede dele naquele dia, depois de fazer os toques finais na cena. — Queria o quê?
Tate balançou a cabeça. — Nada. Esqueci o que eu ia dizer.
Asha sabia que ele estava mentindo, mas não insistiu. Ela e Tate tinham se tornado bons amigos em um período curto, mas não se sentiria confortável o suficiente para perguntar. — Eu gostei de pintar esta parede.
— Ela inclinou a cabeça, examinando o antigo carro de bombeiros e os outros equipamentos que colocara na pintura. — Como você se interessou por equipamentos antigos dos bombeiros? — perguntou curiosa.
— Fui bombeiro voluntário por algum tempo no Colorado e comecei a me interessar pelos equipamentos antigos — respondeu Tate, virando-se de costas para ela e andando para a cozinha. — Quer ficar para o jantar?
Tate tirara o gesso e Asha apreciou o traseiro firme e o corpo sólido e musculoso dele. Tate era incrivelmente bonito e ela o admirava de uma forma estética. Os cabelos eram ligeiramente mais claros que os de Kade e os olhos cinzentos pareciam olhar dentro da alma das pessoas. Mas, apesar de ser lindo, Tate não tinha o menor impacto nela. Era como se seu corpo reagisse e criasse vida apenas para um homem. — Não posso, tenho um
encontro para o jantar. Kade vai me levar a um restaurante de fondue hoje à noite.
— Comida fresca — disse Tate brincando. — Eu ia fazer uns bifes.
— Fui eu que escolhi — disse Asha indignada. — Uma das mulheres no meu curso de artes falou nele e eu quis experimentar.
Asha começara as aulas naquela semana e eram muito básicas, mas ela gostava de cada momento. Finalmente conseguiu colocar nome em suas técnicas e a professora era uma artista incrível. Asha sabia que poderia aprender muitas coisas novas e estava ansiosa para absorver conhecimento.
Kade a mimara muito desde o momento em que o encontrara novamente durante aquele confronto horrível com os pais temporários três semanas antes. Eles foram à Disneyworld e ela gritara de alegria em cada atividade.
De fato, ele provavelmente a levara a todas as atrações turísticas na Flórida e sempre parecia inventar algo novo sempre que o via. Normalmente, não se passava um dia sem que o encontrasse. E eles enviavam mensagens de texto um para o outro como adolescentes, mensagens sedutoras como duas pessoas... completamente apaixonadas.
Asha suspirou e pegou a bolsa, pronta para voltar ao seu apartamento e preparar-se para sair com Kade para jantar.
— Você vai sair com aquele cara que usa as camisas horríveis? —
perguntou Tate ao entrar na sala de estar. — Eu o vi saindo do elevador ontem. Um cara que se veste daquele jeito deve ter algum problema.
— Acontece que eu adoro as camisas dele — respondeu Asha em tom defensivo e com sinceridade. — Elas são coloridas, vibrantes e maravilhosas. — Como ele!
— Elas são horrorosas — resmungou Tate, balançando a cabeça.
Asha foi até a porta, mas virou-se e olhou novamente para Tate. — Você gosta de futebol. Não o reconhece?
— Sim. Kade Harrison — respondeu Tate imediatamente. — Ele era um excelente jogador, mas precisa trabalhar no estilo pessoal.
Asha sabia que Tate estava implicando com ela. Ele não era esnobe nem se vestia de forma muito elaborada. — Acho que ele é muito bonito. Ontem foi a camiseta com pimentas. E ele certamente parecia... gostoso.
Tate rosnou quando ela abriu a porta. — Ele precisa trabalhar isso.
Asha olhou para ele e disse com firmeza: — Ele não precisa de nada. É
perfeito do jeito que é.
— Está apaixonada por ele, não está? — perguntou Tate ao parar ao lado de Asha. — Somente uma mulher apaixonada poderia pensar isso de um homem com camisas horríveis.
Divertindo-se com a discussão, ela respondeu: — Pelo menos, Kade sabe como tratar uma mulher, diferentemente de alguns homens que conheço. — Ela ergueu a sobrancelha, referindo-se à morena que saía sorrindo do apartamento dele todos os dias e que Tate insistia que não era nada sério. — Não a vejo tem algumas semanas. Você terminou com ela?
Tate deu de ombros, parecendo desconfortável. — É, terminamos.
— Você está triste? — perguntou Asha curiosa, sentindo-se mal por ter sido dura com ele.
— Não, era para acontecer. Ela voltou para o ex-marido. Eu lhe disse que não era nada sério.
Asha olhou para Tate, mas ele evitou seu olhar.
— Lamento. — E ela lamentava. Se a mulher terminara com ele, mesmo se Tate não tivesse se apegado tanto a ela, provavelmente ficara magoado.
— Não lamente — disse ele apressado. — Talvez eu possa dar ao seu jogador de futebol alguma concorrência. Estou livre — disse ele brincando.
— Eu não — respondeu ela, sabendo que Tate estava interessado nela de verdade. Pegando a chave da bolsa, ela atravessou o corredor até o seu apartamento.
— Não estou vendo nenhum anel. Você ainda não é dele — gritou Tate.
Asha destrancou e abriu a porta. Ela fez uma pausa por um momento e encarou Tate de onde estava. — Ele tem o meu coração — declarou ela com simplicidade, fechando a porta com um sorriso leve.
Olhando para o relógio de parede do apartamento, Asha percebeu que teria que se apressar para o encontro com Kade. Uma onda de adrenalina a invadiu quando ela correu para o banheiro para tomar um banho. Não que Kade fosse se importar se ela se atrasasse. Ele esperaria pacientemente, entendendo que Asha tivera que terminar um trabalho, agindo como se estivesse perfeitamente feliz por estar no mesmo espaço que ela. Apesar de ser um bilionário que comandava uma das empresas mais prestigiadas do mundo, ele nunca tratava as obrigações dela como se fossem menos importantes que as dele. Era uma das muitas coisas que ela amava nele.
Kade a fazia se sentir como se fosse importante, que o que ela valorizava também era significativo para ele. Na maior parte do tempo, ele colocava as
necessidades dela à frente das suas e as coisas ficavam cada vez menos confusas para ela. Kade se importava com ela e protegia as pessoas de quem gostava, tratando-as com consideração. Antes, isso fora estranho para ela, mas começava a se acostumar a ser tratada como uma mulher de valor, não só por Kade, como por outros como Maddie, Max, Devi e pessoas que conhecera e aos poucos se tornavam amigas. Ainda era incrível para Asha que, à medida que as pessoas a valorizavam, ela começara a desenvolver a autoestima.
Ela suspirou ao sair do banho e enrolar-se em uma toalha. Asha foi até o armário, vasculhou as roupas e escolheu um vestido leve da coleção que Maddie e Mia tinham comprado para ela quando chegara à Flórida. Depois de incontáveis discussões sobre as roupas, Maddie aparecera em sua porta uma semana antes com um homem enorme para levar todas as roupas para que fossem penduradas no armário do quarto. Maddie dera a Asha um olhar de não-discuta-com-a-grávidae ela não dissera nada. A irmã podia ser doce, mas era muito teimosa quando queria algo. E ela quisera que Asha aceitasse o presente. O sorriso brilhante e feliz de Maddie quando Asha concordara valera o fato de ter engolido o orgulho. Ela deixara Maddie genuinamente feliz por finalmente ter aceitado as roupas. Era uma coisa quase simbólica, como se Asha finalmente a tivesse aceito como irmã. Se Asha tivesse percebido que isso significaria tanto para Maddie, teria aceitado antes. Mas não fora tão perspicaz. Agora... estava começando a entender Maddie, a vê-la pelos olhos adoradores de irmã. A última coisa de que Maddie precisava no momento era conflito. Ela esperava gêmeos e o estresse da gravidez era suficiente. Asha também queria dar todo o apoio a Maddie.
No mesmo dia em que Maddie levara as roupas, acabara de descobrir que ela e Sam teriam um casal de filhos. O coração de Asha ficou apertado primeiro de alegria por Maddie quando a irmã contou a novidade e depois por si mesma, pois seria tia de um casal em poucos meses. Ela e Maddie tinham chorado lágrimas de alegria juntas e fora naquele momento profundo que finalmente Asha compreendeu que realmente tinha uma família. Não importava mais o que Max e Maddie tinham nem o quanto eram bem-sucedidos. Eles estavam todos irrevogavelmente ligados e o status significava muito pouco perto da afeição que sentia pelos dois. Com ou sem dinheiro, Asha não poderia ter pedido irmãos melhores e sentia-se grata todos os dias por tê-los. Ela conversava com Maddie e Max
praticamente todos os dias e passava algum tempo com eles sempre que podia, lentamente conhecendo os irmãos.
O almoço com Maddie, Mia e Kara se tornara um evento semanal e Asha ainda se sentia um pouco maravilhada com as três mulheres e o relacionamento que tinham com três homens alfa e muito poderosos. Elas eram independentes e fortes, mas adoravam os maridos possessivos, protetores e mandões, pois eles as queriam seguras e felizes. Não se tratava de controle, apenas de um amor tão grande que não conseguiam evitar.
— É verdade, só se trata de amor — sussurrou Asha para si mesma ao alisar o vestido sobre as curvas do corpo. Ela não adorava o fato de Kade ser superprotetor e possessivo? E não sabia que era só porque ele se importava com ela? Maddie dissera que havia uma grande diferença entre ser alfa e ser um idiota e Asha entendia exatamente o que a irmã quisera dizer. O fator de distinção era o que motivava o comportamento.
Olhando-se no espelho, Asha aplicou uma maquiagem leve e começou a trançar os cabelos. Ela sorriu, sabendo que Kade os soltaria mais tarde. Aquilo quase se tornava um ritual sensual para eles e ela estremeceu ao trançá-los, sabendo que seriam os dedos de Kade que deixariam os cachos livres novamente.
Ao terminar, ela deu uma última olhada em si mesma, notando como o vestido de seda verde acariciava suas curvas. A saia terminava logo acima dos joelhos, mas uma fenda pequena revelava partes das coxas quando ela andava. Kade gostaria do vestido, mas resmungaria sobre como as pernas estavam expostas e encararia friamente qualquer homem que olhasse para elas. Sorrindo, ela pegou as sandálias de tiras e a bolsa, feliz por não precisar usar meia-calça. Apesar de ter sangue misturado, a pele era escura suficiente para que fosse totalmente desnecessário usá-las.
Asha se forçou a ignorar a voz da mãe temporária em sua cabeça dizendo-lhe para cobrir o corpo, que estava expondo pele demais. Criada para ser incrivelmente modesta, o vestido estava um pouco fora de sua zona de conforto sobre o que vestir em público. Sacudindo-se mentalmente, ela lembrou a si mesma que ele era bem comportado para os padrões norte-americanos. Ainda assim, era difícil se livrar da criação e da ideia de que expor a pele a tornava uma “garota ruim” que pedia para ser atacada ou abusada por um homem.
Ela colocou um par de brincos e as pulseiras de ouro, declarando-se pronta. Em seguida, foi para a sala de estar.
Sete horas.
Kade deveria chegar a qualquer momento. Ele dissera que chegaria às sete e meia, mas normalmente chegava cedo.
Asha estava prestes a se abaixar para prender as sandálias quando um braço gordo envolveu seu pescoço, fazendo com que soltasse um grito de pânico.
— Cale a boca. Você está vestida como uma vagabunda, Asha — disse veementemente uma voz masculina com sotaque forte.
Asha soubera que era Ravi desde o momento em que o braço forte a prendera pelo pescoço. Ela estivera na mesma posição muitas vezes antes e reconheceu o aperto doloroso e o cheiro de suor do corpo grande. — C-como você entrou aqui? Como me encontrou?
Ele apertou ainda mais e Asha começou a ver estrelas. — Você é minha esposa, uma mulher indiana casada. Ainda assim, sai com outro homem, um norte-americano — respondeu Ravi furioso em telugu. — Não foi difícil encontrar você. Só precisei segui-lo até aqui. Você me desonra.
Antes, ela teria estremecido de medo, esperando o primeiro golpe, que teria sido o primeiro de muitos, deixando-a ferida e chorando no chão.
Agora, a fúria começou a se acumular, a raiva do homem que quase a matara. — Não sou mais sua esposa. E sou uma mulher norte-americana com sangue indiano. Solte-me ou farei com que seja preso.
Lute! Lute! Lute!
Pela primeira vez, Asha sentiu o instinto de lutar pela própria vida, por sua sanidade. Anteriormente, ela só se preocupava em não deixar Ravi mais furioso, o que estenderia a surra. Agora, ela queria se libertar, sem conseguir ignorar os sentimentos de ódio e fúria que tinha pelo homem que a mantinha prisioneira.
Ele riu amargamente antes de anunciar: — A polícia já está tentando me prender. Seus amigos e sua família decidiram meter o nariz nos meus negócios, inclusive nos pessoais. Não irei para uma prisão norte-americana.
Eu morrerei. Mas você morrerá comigo, minha esposa. Você decidiu o seu destino. — A voz de Ravi era furiosa e desesperada, e o hálito cheirava a álcool.
O estômago de Asha se contorceu, tentando entender o que Ravi dizia. A família dela o perseguira? Havia um mandado para a prisão dele? Por quê?
Seu cérebro se encheu de perguntas, mas o instinto de sobrevivência era mais forte. — Não sou mais sua esposa. Solte-me — disse Asha desesperada. Ela puxou o braço que pressionava sua traqueia, pois não conseguia falar nem respirar direito.
— Você morre comigo — respondeu Ravi em tom maníaco. — Somos casados até o fim da vida. Você me traiu.
Empurrando o braço para trás, Asha enfiou o cotovelo no corpo dele com a maior força que conseguiu, torcendo para machucar Ravi o suficiente para que afrouxasse o aperto. Em seguida, bateu com o calcanhar no pé dele, mas já sabia que não causaria muito dano sem os sapatos.
— Você ousa tentar me atingir? — gritou Ravi, abaixando o braço para prender os ombros e os braços dela.
Lute! Lute! Lute!
Asha respirou fundo várias vezes, grata por ele ter tirado o braço de sua garganta... até sentir a ponta afiada de uma faca espetar a pele do pescoço.
Todos os anos de luta, de pobreza, tentando obter a liberdade, fora tudo em vão? Era assim que tudo terminaria? No fim das contas, ela morreria nas mãos do ex-marido?
Primeiro, voltando aos antigos hábitos, ela fechou os olhos em resignação silenciosa, esperando o corte fatal.
Mas quase imediatamente, ela decidiu que a própria vida e as pessoas que passara a amar valiam pelo menos que morresse lutando. Em um flash, ela viu Kade, Max, Maddie e todas as outras pessoas que a ajudavam a encontrar valor em si mesma.
Ela lutou por eles.
E batalhou pela própria vida.
Porque finalmente sentiu que tinha valor.
Ela não merecia morrer.
Infelizmente, não tinha certeza de que sua determinação seria suficiente.
— O que diabos quer dizer? Ele desapareceu? Onde? — gritou Kade para Travis enquanto dirigia, erguendo a voz frustrado ao falar com o irmão pelo telefone do carro.
— Não sabemos — respondeu Travis em tom grave. — A polícia foi buscá-lo com um mandado de prisão e ele tinha desaparecido. Ninguém o vê há dias. Obviamente, ele ficou sabendo que seria preso e fugiu.
Removemos as duas mulheres que ele estuprou e surrou, que estavam na propriedade dele, para ajudá-las. Isso provavelmente foi uma dica para ele.
— Merda! — Kade bateu com a mão no volante. — Precisamos encontrar esse imbecil. Ele precisa ir para a cadeia.
— Ele pode ter voado de volta para Índia. Nós o estamos procurando.
Mas ele pode ter ido embora há algum tempo — respondeu Travis em tom infeliz.
— Asha e aquelas mulheres merecem que a justiça seja feita —
respondeu Kade furioso. — O mundo seria um lugar melhor sem ele.
— Você precisa ficar de cabeça fria até que ele seja encontrado —
avisou Travis. — Vai contar a Asha?
Kade segurou o volante com força, com o ódio pelo homem que machucara Asha totalmente fora de controle. — O quê? Que o ex-marido dela estuprou e surrou duas de suas funcionárias? Ou que está solto por aí depois de fazer isso? — Ele respirou fundo, tentando acalmar o desejo de violência. — Sim. Não vou mentir para ela. Contarei a verdade. Eu a conheço e sei que o fato de ele ter machucado outras mulheres a assombrará, mas ela merece saber.
— Isso não mudará nada — comentou Travis racionalmente.
— Não — concordou Kade. — Mas não vou manter segredos entre nós dois. E ela provavelmente se envolverá no caso. Talvez seja testemunha.
— O cara é louco. Se souber que a polícia está atrás dele, provavelmente saberá que a investigação original foi nossa — disse Travis em tom distraído.
O corpo de Kade ficou tenso quando a mente subitamente se fixou em um cenário de pesadelo. — Acha que ele iria atrás de Asha? — Ele mal conseguiu dizer aquilo em voz alta.
— Duvido — respondeu Travis imediatamente. — Ele está fugindo. Mas acho que você deveria ficar de olho nela até que ele seja encontrado.
— Estou quase lá. Vou levá-la para casa comigo. O lugar dela é ao meu lado — disse Kade, pressionando o pé no acelerador do Lamborghini para chegar ao apartamento de Asha o mais depressa possível. Alguma coisa naquela situação toda não parecia certa e um instinto primitivo lhe dizia para encontrar Asha.
— Kade, eu sei que você gosta dessa mulher, mas...
— Eu não gosto dela. Eu a amo — interrompeu Kade furiosamente. —
Eu a amo tanto que não consigo pensar direito. Quero matar qualquer um que a machuque e não consigo aguentar a ideia de que ela tenha um só momento de infelicidade depois de tudo pelo que passou. Penso nela o dia inteiro e sonho com ela à noite. Não há mais esperança, Trav. Ela é minha.
Ela é minha vida agora. Estou bem ao lado de Simon, Sam e Max. — Era um lugar em que nunca sonhara que estaria, mas não se arrependia.
Travis suspirou. — Merda — resmungou ele irritado. — Então serei o único sobrevivente, o único cara são em nosso grupo?
— Não sei bem se ser são é tão bom assim — retrucou Kade. — É
solitário e sombrio. Prefiro ser maluco e ter Asha na minha vida.
— Não espere que eu visite o sanatório depois que ela terminar com você. Ainda não encontrei uma mulher que valha a pena perder meu bom senso — disse Travis em tom sombrio.
Kade sabia que Travis estava mascarando as emoções que se escondiam por trás do cinismo. Ele deu a Travis a resposta comum. — Você é um idiota.
— Eu sei — concordou Travis.
Kade fez uma curva fechada, com a mente concentrada em Asha. —
Estou quase lá. Telefono para você mais tarde — disse ele a Travis impacientemente.
— Alguma coisa está acontecendo. Consigo sentir. Tenha cuidado —
disse Travis em tom sério.
Kade não questionou a intuição de Travis. Eles eram gêmeos e algumas vezes conseguiam sentir as emoções um do outro. E, apesar de Travis nunca admitir, tinha uma capacidade assustadora de ver e sentir eventos futuros.
Somente Travis sabia se era apenas uma intuição incrível ou algo mais. Ele se recusava a falar muito no assunto.
— Até mais tarde — respondeu Kade, pressionando o botão para desligar quando entrou no estacionamento do prédio de Asha. Ele saltou do
carro no momento em que desligou o motor.
Os sons de sirene, como se estivessem indo naquela direção, deixaram o corpo de Kade tenso enquanto ele corria para o prédio, sabendo que não relaxaria até que visse com os próprios olhos que Asha estava segura.
— Merda! Ela vai comigo para casa hoje à noite e ficará lá para sempre
— sussurrou Kade para si mesmo ao chegar o elevador, apertando o botão impacientemente.