O Jogo do Bilionário: Kade
Capítulo 12
A dor foi intensa, mas a agonia de perder Asha era ainda mais aguda, uma dor ardente no peito que ameaçava consumi-lo.
Mancando até a cama, ele se sentou, olhando para o desenho que Asha pintara na parede. Era uma praia, com as ondas batendo na praia e um céu que parecia se estender até o infinito. Naquele momento, Kade desejou entrar no desenho, deixar que ele o devorasse.
Você não pode deixar que isso o destrua.
Ele procurou dentro de si mesmo uma última reserva de força ou resistência, mas não encontrou. Não havia mais nada.
Kade dormiu na cama de Asha naquela noite, com o perfume leve de jasmim torturando-o até que desaparecesse, levando consigo o último vestígio de felicidade.
As primeiras seis semanas de liberdade total de Asha acabaram sendo os momentos mais difíceis de sua vida. Não falar com Kade, não ver o rosto bonito todos os dias era uma agonia. O desejo de telefonar para ele era quase irresistível. Ela pegava o telefone novo várias vezes por dia, mas jogava-o de volta dentro da bolsa com um suspiro. Aquela ligação fora quebrada e a probabilidade era de que não receberia uma reação positiva dele. Ela derrubara aquela ponte em um esforço de dar a Kade a chance de procurar uma parceira melhor e precisava ficar fora da vida dele.
Finalmente, ela admitiu para si mesma que não estivera realmente confusa sobre o que sentia por ele. Ela o amava. Provavelmente sempre o amaria. A maioria dos medos surgira da incerteza de como ele se sentia a seu respeito e da certeza de que ele merecia uma mulher muito melhor.
O Natal chegou e passou e ela teve que montar uma árvore, mas decidiu não pendurar a meia. Ela terminaria tão vazia quanto a vida dela na manhã de Natal.
Ela continuou a terapia com a dra. Miller, tentando se libertar das correntes invisíveis que a deixaram imobilizada durante a vida inteira.
Trabalhava praticamente todos os dias e comprou um carro compacto usado. Dirigir era um desafio. Apesar de ter carteira de habilitação, ela dirigira muito pouco. Ela xingava os outros motoristas com frequência, mas receava que, na realidade, não dirigia tão bem assim.
No entanto, a cada dia ela ficava mais confiante em tudo de novo que fazia e começou a perder o medo de viver. Algumas vezes, tentar se livrar
da culpa e da vergonha que a assolavam parecia uma batalha inútil, mas ela continuava dando pequenos passos à frente. Em algum momento, chegaria lá.
— Tenho uma confissão a fazer — disse Tate Colter, seu vizinho, ao servir outra xícara de café.
A voz dele interrompeu seus devaneios. Tate fora um raio de luz para Asha. Ela o conhecera uma semana depois de se mudar para o apartamento.
Ele morava do outro lado do corredor e, no dia em que se mudara, os dois literalmente tropeçaram um no outro. Ela entrava no elevador enquanto Tate saía. Ele usava muletas por causa da perna quebrada, mas ela não vira, pois estava com pressa. Ela literalmente o jogara no chão, deixando o pobre rapaz caído no elevador. Mortificada, ela o ajudara a se levantar e seguira-o até o apartamento, querendo garantir que não machucara a perna dele. Tate assegurara que estava bem. Depois, ele se convidara para tomar um café no apartamento dela.
— Não sou gay de verdade — admitiu ele com um pouco de culpa na voz. Asha sorriu ao tomar um gole do café na cozinha de Tate. Quando ela hesitara no primeiro dia em convidá-lo, ele garantira que não era uma ameaça, pois não estava interessado em mulheres, exceto como amigas. —
É mesmo? — perguntou ela em tom pseudo inocente, pois já imaginara a verdade algum tempo antes.
— Você parecia nervosa e eu não quis assustá-la. Então, foi a melhor coisa em que consegui pensar naquele momento — disse Tate com remorso.
— Você me perdoa?
Asha olhou para ele e para o sorriso quase irresistível em seu rosto. Tate era incrivelmente atraente. Com os olhos cinzentos, os cabelos loiros curtos e uma pequena covinha no lado da boca sorridente, Asha tinha certeza de que não havia uma mulher no mundo que não se derreteria ao olhar para ele. Ela suspirou, desejando conseguir sentir um pouco de atração por Tate, o que não acontecia. Ela adorava a companhia dele, mas estava começando a achar que ninguém que não fosse Kade serviria. — Eu já perdoei.
Semanas atrás.
— Você sabia? O que me denunciou? — perguntou Tate curioso.
— Hmm... acho que a primeira dica foi a morena atraente que entra e sai do seu apartamento. Ela sempre tem uma expressão adoradora no rosto
sempre que a vejo chegando no seu apartamento ou indo embora.
Tate deu de ombros. — Não é nada sério.
Asha lhe lançou um olhar recriminador. — Acho que ela pensa que é.
— Não, ela sabe como é — respondeu ele em tom um pouco frio. — Ela também não quer nada sério. Ela se divorciou recentemente e só está procurando algo casual.
Asha discordava, mas não era de sua conta e resolveu não comentar. — Preciso voltar ao trabalho. — Tate era seu cliente mais recente e ela precisava terminar a parede do apartamento dele. — Você sabe que terá que repintar o apartamento quando se mudar, não é?
— Sim. Mas vale o esforço para ver o seu trabalho incrível todos os dias.
Já parece incrível. Está ficando tarde. Você pode trabalhar nele amanhã.
Parece cansada.
Asha estava cansada e não faltava muito para terminar o projeto de Tate.
Ela estava trabalhando em uma cena com um caminhão antigo do corpo de bombeiros que estava ficando muito bonita. Tate lhe dera as fotos e ela criava a cena com a ajuda delas. Ele lhe dissera que colecionava coisas antigas e tinha uma fascinação por caminhões e equipamentos antigos de bombeiros.
— Está bem — concordou ela, terminando de tomar o café. — Preciso fazer uma coisa amanhã de manhã. Posso vir à tarde para terminar? — Ela se levantou e pegou sua chave, que estava sobre a mesa.
— Sim, sem problemas — concordou ele, seguindo-a até a porta.
— Asha?
— Sim? — Ela se virou para olhar para Tate.
— Desculpe por ter mentido para você. Gosto muito de você e não deveria ter feito isso. Sinto-me culpado, pois você teve bastante trabalho para cuidar de mim enquanto eu estava com o gesso. — Ele se aproximou e deu-lhe um beijo leve na testa em um gesto de desculpas.
Tate parecia tão sincero que Asha sorriu. — Não faço mais nada que eu não queira fazer. Você não deveria ter mentido, mas entendo por que mentiu. Não sei se eu teria ficado sua amiga na época se não tivesse dito que era gay.
— Teve um relacionamento ruim? — perguntou ele com preocupação na voz.
— Há alguns anos, sim. Minha confiança nos homens não é muito grande.
— Nem todos os homens são idiotas — respondeu Tate com um sorriso.
— Eu sei. Conheci alguns homens bons depois disso — disse Asha ao abrir a porta.
— Estou incluído nesse grupo? — perguntou Tate esperançoso.
— O tempo dirá — respondeu ela. — Acho que depende se você continuará ou não com aquela morena e se partirá o coração dela.
Asha ouviu um rosnado exagerado de Tate ao fechar a porta e voltar ao próprio apartamento com um sorriso divertido no rosto.
Asha tentou controlar o nervosismo ao parar o carro em frente ao portão da casa de Maddie, pedindo ao guarda que avisasse a irmã que estava lá. Ela quisera visitar Maddie tantas vezes, mas não conseguira se convencer a ir até lá.
O guarda abriu o portão e Maddie a recebeu nos degraus da casa. A irmã mais velha não disse nada quando Asha se aproximou. Maddie simplesmente puxou Asha para seus braços e apertou-a com força, de forma reconfortante. Elas ficaram assim por alguns momentos. Asha retribuiu o abraço, saboreando o conforto dos braços da irmã.
Finalmente, Maddie disse com voz trêmula: — Eu estava com medo de nunca mais ver você de novo.
— Desculpe, Maddie. Eu deveria ter entrado em contato com você. Só que... não pude. — Ouvindo a voz preocupada da irmã, Asha percebeu que deveria pelo menos ter telefonado para ela. Mas não estava acostumada a ter alguém que se preocupasse em saber se estava bem ou não.
— Aconteceu alguma coisa com Kade. — Era uma declaração de Maddie, não uma pergunta.
Asha se afastou lentamente dos braços de Maddie e deixou que a levasse até a cozinha. — Não foi ele. Fui eu. Eu me apaixonei por ele. E tive que ir embora.
Maddie parou ao lado da cafeteira e serviu duas xícaras de café. Em seguida, virou-se para Asha e ergueu a sobrancelha interrogativamente. —
Você teve que deixá-lo porque o ama? — Acenando com a cabeça para as xícaras de café, ela disse: — Desculpe, é descafeinado. Não posso tomar cafeína até que os bebês nasçam.
As mulheres se sentaram, cada uma com uma xícara. Asha colocou açúcar e creme na sua. — Eu bebo muito chá de ervas, portanto, também não tomo muita cafeína.
— Eu tinha tanto medo de que não fosse entrar em contato comigo. Saiu o resultado do exame de DNA. Foi positivo, como eu sabia que seria.
Somos irmãs, Asha. Oficialmente — disse Maddie com voz emocionada.
As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela ao olhar para Asha.
Asha abaixou a cabeça. — Eu sei. Acho que sempre soube. Eu só estava com medo, Maddie. Desculpe. — Ver a irmã chorar quase fez com que ela perdesse o controle. Maddie estava chateada. Por causa dela. Estava mais do que claro que a irmã mais velha se importava com ela, o que fez com que Asha sentisse uma dor no peito. — Eu precisava de algum tempo.
Nunca estive por conta própria, nunca tomei nenhuma decisão. Eu tenho problemas sérios, Maddie. Preciso acertar minha cabeça, aprender a tomar minhas próprias decisões e ser independente. Eu não tinha intenção alguma de magoar você. Não estou acostumada a ter alguém que se importe comigo.
A expressão de Maddie suavizou. — Ai, Asha. É claro que as pessoas se importam. Max e eu amamos você. E você tem amigos. Acho que terá que se acostumar com pessoas que se importam com você. — Ela hesitou e acrescentou: — Kade também ama você. Ele está arrasado desde que você foi embora. Não fala muito no assunto, mas não está bem. Disse a Max que você não quis ficar com ele.
— Ele não está bem? O que há de errado com ele? — perguntou Asha ansiosa, preocupada que houvesse algum problema com Kade. E a suposição de que ela não queria ficar com ele não podia estar mais longe da realidade.
— Max o vê mais do que eu. Disse que Kade anda como se fosse um zumbi, como se não se importasse com nada.
Asha tomou um gole do café, com a mente acelerada. — Ele ainda está trabalhando com Travis na Harrison todos os dias?
Maddie assentiu. — Sim. Mas até mesmo Travis está preocupado com ele. E Travis raramente fala ou mostra que está preocupado, mesmo se
estiver.
A aflição de Asha quase fez com que ela se levantasse e corresse até Kade para ver se ele estava bem. Mas Kade desejaria vê-la? Naquele momento, ela não sabia. Ele realmente estava tão arrasado por tê-la perdido? Ela achava que ele se recuperaria bem depressa depois que fosse embora. Ela não se achava nenhum prêmio. Eles tiveram sexo fenomenal e a bondade de Kade fez com que se sentisse protetor em relação a ela. Mas seria possível que tivesse sentido a falta dela tanto quanto ela sentira falta dele? — Qual você acha que é o problema?
— Acho que ele está com o coração partido. Primeiro Amy o deixou, e agora você. A recuperação do acidente foi longa e dolorosa. Acho que ele está no fundo do poço. Não acho que Amy tenha afetado nada, exceto o orgulho dele. Mas ele ficou muito arrasado com a sua partida.
— Não sei o que fazer. — Asha enterrou o rosto nas mãos, sem saber que ação tomar. A última coisa que queria era ver Kade sofrer, mas não sabia se vê-lo melhoraria a situação em algum aspecto.
Maddie estendeu a mão sobre a mesa e apertou a mão de Asha. — Você precisa cuidar de si mesma primeiro, Asha. Tire o tempo que for necessário para se curar. Você sofreu demais. Você disse que o seu casamento foi ruim, mas o seu ex-marido era abusivo, não era?
— Muito — respondeu ela. As comportas se abriram e ela começou a contar a Maddie toda a verdade sobre sua criação e o casamento, sem conseguir parar até terminar a história. Ela não queria mais colocar distância entre si mesma e os irmãos e queria que Maddie soubesse da verdade. Não era um segredo sujo que precisasse esconder. Pela primeira vez, ela começava a perceber que não tivera culpa.
— Ai, meu Deus. Eu sinto tanto — disse Maddie em tom triste depois que Asha contara todas as provações que sofrera durante o casamento.
— Não sinta — respondeu Asha. — Não foi culpa sua. E eu tive sorte de conseguir sair. Acho que é difícil entender como a cultura indiana é tão motivada pela vergonha e pela culpa. Saber quem era meu pai e como ele era, eu queria ter me rebelado e não ter me casado. Queria ter lidado com tudo de forma diferente. Nunca me ocorreu fazer nada diferente até perceber que eu não queria morrer.
— Não é a única cultura em que as mulheres sofrem maus tratos, Asha.
Pode ser muito mais frequente e aceitável na cultura indiana, mas mulheres
norte-americanas ficam em relacionamentos abusivos, ficam presas nesse ciclo. Quando você entra nele, é difícil sair. Fico feliz por você estar escapando. Saiba que eu e Max vamos ajudar você. Estamos aqui para dar o apoio de que precisar. Está consultando alguém?
— Sim, uma das colegas de Devi. Mas sei que tenho que me responsabilizar pelas mudanças. A dra. Miller abre meus olhos para a realidade e eu faço o possível para mudar. — Asha fez uma pausa e acrescentou: — Tenho um apartamento pequeno e meus negócios estão indo muito bem. Eu estou conseguindo, Maddie.
— Mas sente falta de Kade? — perguntou Maddie em tom suave.
— Tanto que chega a doer — admitiu Asha para a irmã. — Estou apaixonada por ele. No começo, eu me perguntei se estava confundindo amor com desejo. O sexo foi incrível. Mas sinto falta de tudo que diz respeito a ele. Acho que percebi que o sexo foi incrível porque eu o amo.
— E porque ele o ama? — questionou Maddie.
— Os homens são diferentes — retrucou Asha, pensando nas circunstâncias de Tate com a morena. — Acho que conseguem ter excelente sexo sem deixar que os sentimentos sejam envolvidos.
Maddie riu. — É verdade. Mas não é tão excelente assim.
Asha olhou para Maddie, com o coração espelhado nos olhos. — O que eu deveria fazer?
— Isso é uma decisão sua. Agora é você quem toma suas próprias decisões — disse Maddie ternamente.
— É, acho que sim — respondeu Asha com um sorriso leve. — É difícil me acostumar com isso.
— Você conseguirá se acostumar. Estou tão orgulhosa de você, Asha. É
preciso ser uma mulher muito forte para sobreviver ao que sofreu e depois assumir o controle da própria vida. — Maddie olhou para ela com uma expressão amorosa.
O coração de Asha flutuou. Ninguém nunca sentira orgulho dela. —
Obrigada. Ainda sou um trabalho em andamento.
— Todos nós somos. — Maddie tomou um gole do café e colocou a xícara sobre a mesa. — Todos nós temos problemas. Mas admitir que eles existem e querer mudar as coisas é o maior passo.
— Obrigada pelo apoio — disse Asha com sinceridade. — Fico muito feliz por ter uma mulher tão incrível como irmã.
— Obrigada por deixar que eu a apoie — respondeu Maddie rapidamente. — Max também lhe dará todo o apoio.
— Obrigada, Maddie. — Asha se levantou e foi até a irmã para abraçá-la, percebendo como ajudara saber que tinha o apoio dela. — Preciso ir embora. Tenho um trabalho hoje à tarde.
Maddie se levantou e passou o braço em volta de Asha. — Estou de folga hoje. Sam está ansioso demais e não gosto de vê-lo estressado. Só estou trabalhando meio expediente até que os bebês nasçam. Talvez possamos passar algum tempo juntas. Por favor, não me exclua. Quero ajudar, mesmo que seja só para escutar.
Asha fez planos de visitar Maddie alguns dias depois, desejando ter ido vê-la antes. A verdade era que fora um ato egoísta de sua parte. Maddie queria apoiar sua independência, mas Asha sabia que seria doloroso toda vez que visse alguém que a lembrasse de Kade.
Comece a perceber que as pessoas se importam e cultive essa afeição.
Em outras palavras, ela precisava se acostumar com aquilo e aceitar como verdade. Agora, havia pessoas que se importavam com ela e precisava cuidar com os sentimentos delas. Antes, as ações dela nunca tinham afetado ninguém. Agora elas afetavam e Asha tinha a capacidade de magoar pessoas que gostavam dela.
Ela saiu da casa de Maddie e pensou naquela verdade quase inacreditável até chegar em casa.