O Jogo do Bilionário: Kade

J. S. Scott · Capítulo 12 de 21

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O Jogo do Bilionário: Kade

Capítulo 11

O beijo de Kade a deixou sem fôlego, mas Asha não reclamou.

Descobrir exatamente o quanto Kade podia ser safado valeu cada respiração ofegante que saiu de sua boca enquanto Kade a levava ao paraíso.

 

Asha partiu no dia seguinte. Enquanto Kade estava no trabalho, ela reuniu o restante de suas coisas e saiu pela porta. Foi uma das coisas mais difíceis que já fizera, mas ela se forçou a sair com a pequena mala, passar pela segurança de Kade e entrar no táxi que a aguardava. As lágrimas desceram pelo seu rosto quando o táxi se afastou, mas ela sabia que estava fazendo a coisa certa. As emoções estavam à flor da pele e a confusão era enorme.

O sexo entre eles era incrível e ela estava grata a Kade, mas não sabia se o que sentiam era amor ou apenas desejo. Os dois estavam em posições vulneráveis e o desejo mútuo não seria suficiente para nenhum deles.

Asha já alugara um apartamento minúsculo no outro lado da cidade.

Apesar de ter dinheiro, queria ser cuidadosa. Ainda precisava comprar um carro e mobílias para o apartamento e tinha que ter cuidado com o dinheiro.

Depois de algum tempo, ela entraria em contato com Maddie e Max. Mas não ainda, não enquanto as emoções ainda estavam tão frágeis e não antes de aprender a sobreviver sozinha.

Isso deixará Kade magoado.

As lágrimas escorreram mais depressa e ela as limpou com dedos impacientes. Uma mágoa curta e temporária era melhor do que machucá-lo mais no futuro.

Ainda tenho problemas.

Estou confusa.

Não estou pronta e não mereço um homem como Kade.

Ah, mas ela queria estar e queria que isso acontecesse imediatamente. A última coisa que queria era deixá-lo, mas se importava demais com ele para que deixasse que ficasse preso a uma mulher pela metade... uma mulher que não sabia quem era nem o que queria.

Vou começar essa jornada de descoberta hoje mesmo!

E havia uma coisa que Asha queria e que nunca tivera.

Depois de pedir que o motorista do táxi desse uma parada rápida, ela saltou do táxi e entrou em uma joalheria. O preço do ouro era alto, mas ela comprou o conjunto de pulseiras mesmo assim, abrindo um pequeno buraco em suas economias.

Voltando ao táxi, ela mexeu as pulseiras, adorando o som dos círculos finos. Mulheres indianas adoravam aquelas pulseiras e ela não era diferente.

Quando era mais jovem, quisera muito um par de pulseiras, mesmo que baratas, mas nunca as tivera. Os pais temporários mal a alimentavam e o ex-marido nunca achara que ela merecera tê-las porque não conseguia engravidar e, por isso, não era uma mulher de verdade.

A dra. Miller e Devi tinham recomendado que ela adotasse as coisas de que gostava e que queria da herança indiana e que se livrasse das coisas ruins. Afinal, ela era norte-americana. E uma coisa que sempre quisera foram as pulseiras. Talvez isso estivesse embutido em seu DNA, mas sempre as quisera. Fora-lhe negado o direito de usá-las, apesar de ter sido criada como indiana. Agora, ela podia decidir o que queria para si mesma.

Aquela ideia a deixou tranquila e aterrorizada. Ela passara de uma família temporária exigente e controladora para um marido abusivo. E, mesmo nos dois anos anteriores, as decisões eram apenas para sobreviver.

Quem sou eu?

O que eu quero?

Seus pensamentos foram interrompidos quando o táxi chegou ao prédio do apartamento. Depois de pagar rapidamente o motorista, ela saiu do táxi e andou em direção ao prédio, sentindo-se nervosa e apreensiva, mas mais forte do que nunca.

Eu queria poder dizer a Kade como me sinto.

Repreendendo-se pelo pensamento, ela percebeu que levaria muito tempo para que deixasse de sentir falta de Kade. Além de ser um amante incrível, ele se tornara seu primeiro amigo de verdade, o único homem que a tratara com respeito e gentileza. Ele era especial e, bem no fundo, Asha

 

sabia disso. Mas ele era mais do que um amigo. E ficar na vida dele teria tornado tudo mais confuso. Talvez o fato de sair da casa dele fora parcialmente para proteger a si mesma. Ela acreditava que Kade merecia mais do que uma mulher confusa e cheia de problemas, mas ela estava lutando contra emoções com as quais não podia lidar no momento. Kade era demais e ela não era forte o suficiente ainda para lidar com aqueles sentimentos intensos.

Entrando no apartamento, ela fechou a porta e trancou-a atrás de si.

— Lar, doce lar — disse ela para si mesma, olhando em volta para o apartamento com pouca mobília. Ela tinha um sofá e uma cama, além de alguns outros itens básicos, mas precisava comprar o restante do que precisaria. Ela alugara o apartamento alguns dias antes e a família de Devi a ajudara a levar para lá as poucas coisas que comprara. Agora, estava na hora de criar um lar para si mesma.

Ela apoiou a mala no sofá e observou as paredes brancas nuas. Uma das primeiras coisas de que precisava era pintar. Ela era indiana e precisava de cores. Cobriria as decorações antes de sair do apartamento algum dia para não irritar o proprietário, mas as paredes eram deprimentes.

Tenho trabalhos que começam depois de amanhã. Hora de botar a mão na massa.

Ela levou a mala para o quarto. Ao abri-la, viu bem em cima o computador que Kade lhe dera. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela sentiu ondas imensas de solidão que ameaçavam esmagá-la.

Faça isso por ele. Não deixe que a bondade dele tenha sido em vão.

Sucesso! Sucesso! Sucesso!

Naquele momento, Asha encontrou um novo mantra que estava determinada a manter.

— Você fez um trabalho incrível com Holderman — comentou Travis casualmente ao se sentar na cadeira em frente à mesa de Kade no escritório da Harrison. — Muito melhor do que eu teria conseguido.

Kade deu de ombros. — Ele é um idiota, mas queríamos a aquisição.

— Não sei se eu teria continuado. A empresa teria perdido dinheiro porque eu não tenho paciência para lidar com ele — retrucou Travis, endireitando a gravata. Obviamente, ele queria dizer alguma coisa, mas parecia relutante ou incapaz de abrir a boca.

— Então você precisava de mim — disse Kade, brincando. Em tom mais sério, acrescentou: — Não foi nada demais. Tive que lidar com muitos idiotas na vida. Aprendi a não deixar que me atinjam. Vencer o jogo é mais importante.

— Fico feliz por estar aqui, Kade. Só queria que soubesse disso —

resmungou Travis, parecendo um pouco desconfortável. — Você tem pontos fortes que eu não tenho. Nós nos complementamos.

Kade olhou surpreso para o irmão gêmeo. — Quem é você e o que fez com o meu irmão? — O comentário era tão incomum vindo de Travis que Kade ficou em dúvida se tinha ouvido direito. O irmão gêmeo nunca admitia ter pontos fracos.

— Só estou declarando um fato. A Harrison está melhor com a sua presença aqui. — Travis mudou de posição na cadeira, endireitando a gravata já perfeita. — Só queria que você repensasse as camisas e as gravatas.

Kade deu uma risada. Aquele comentário era típico de Travis, mas ele ficou emocionado ao saber que o irmão o queria lá. — Achei que você tinha tudo sob controle. Nunca achei que precisasse de mim.

— Não preciso — retrucou Travis na defensiva. — Se quer fazer outra coisa na vida, pode deixar a Harrison comigo.

Kade estudou Travis, tentando entendê-lo, mas isso era quase impossível. Por sorte, eles eram gêmeos e Kade sentia certas coisas sobre o irmão. No momento, Travis estava tentando libertá-lo para fazer o que quisesse, pois o irmão mais velho sempre assumira todas as responsabilidades na Harrison, deixando que os outros irmãos perseguissem seus sonhos. Kade nunca pensara nos sacrifícios que Travis fizera pela família, mas perguntou: — Você gosta de estar aqui? Gosta de administrar a Harrison? Se tivesse continuado, teria sido um excelente piloto de corrida.

Mas não podia fazer isso, não é? Só sobrou você para cuidar da empresa. —

As entranhas de Kade se contorceram de culpa. — Você foi o único que nunca foi livre para fazer o que queria. Ficou preso aqui porque Mia se envolveu com a arte e eu estava jogando futebol. — Kade nunca pensara na

injustiça daquilo até aquele momento. Sempre presumira que Travis estava exatamente onde queria.

— Foi justo — disse Travis. — Eu não fui reprimido. Fiz exatamente o que eu queria. Gosto de correr, mas é um hobby. Nunca senti a vontade de fazer isso profissionalmente. Eu queria estar aqui. Portanto, não tente fazer com que eu pareça um herói. Adoro esta empresa e a forma como ela me desafia. Você gosta da forma como ela ocupa todo o seu tempo, como o ajuda a esquecer. Kade sabia que Travis se enterrara no trabalho. Mas estava aliviado por não ter tido um desejo ardente de fazer alguma outra coisa. —

Eu quero estar aqui, Travis. Só achei que não precisava de mim porque cuidava de tudo, porque estava tudo certo.

— E está — respondeu Travis em tom arrogante. — Mas não me importaria em ter sua ajuda.

Kade reprimiu uma risada, sabendo que ele não conseguiria nada além daquela admissão de Travis. Mas era o suficiente para ele. Kade realmente se sentia necessário ali. Lentamente, as obrigações que atingiam os pontos fracos de Travis eram passadas para ele, que descobriu que conseguia ser muito bom em coisas que o irmão não era. Os funcionários começavam a procurá-lo em busca de orientação naquelas áreas e ele passara a se sentir como o capitão do próprio time de futebol. — Estou aqui e não vou a lugar algum.

— Ótimo — respondeu Travis em tom frio, levantando-se e alisando rugas imaginárias na roupa.

— Mas não vou mudar a forma como me visto, a não ser que seja para uma função necessária que exija que eu seja entediante — avisou Kade, tentando conter uma risada.

— Concordo — disse Travis relutante. Parando com a mão na maçaneta e de costas para Kade, ele fez uma pausa. — Sabe, algumas vezes, eu morro de medo, mas estou começando a gostar de ver suas camisas com coelhos fofinhos e gravatas com bananas dançantes todos os dias.

— Ora, ora — disse Kade baixinho. — Acho que ele sentiu a minha falta. — O comentário do irmão fora o mais próximo que ele ouvira de uma confissão de que Travis queria se aproximar mais de Kade, vê-lo com mais frequência.

Travis se moveu para sair, mas virou-se novamente. — Por falar nisso, descobrimos algumas práticas comerciais não muito legais do ex-marido de Asha. Ele emprega estudantes indianos ilegalmente e faz com que trabalhem como cães. Paga quase nada a eles, que estão tão desesperados que aceitam. Como não deveriam trabalhar aqui com um visto de estudante, eles ficam de boca fechada. Dizem que as mulheres são os piores casos, mas não podem denunciá-lo quando ele as trata mal ou as ataca porque têm medo de ficarem encrencadas por trabalharem ilegalmente.

— Filho da puta — disse Kade com desgosto.

— Ele terá o que merece, Kade. Seja paciente. Isso ajudará mais pessoas do que apenas Asha — disse Travis com cautela, observando Kade intensamente.

Kade balançou a cabeça, tentando reprimir a raiva que sentia sempre que imaginava alguém machucando Asha. Mas agora que sabia que o idiota estava ferindo outras pessoas, sabia que precisava achar uma forma de se controlar. Afinal de contas, Asha estava segura. — Eu esperarei —

respondeu ele com voz dura.

O telefone de Travis começou a tocar uma música alta. Ele tirou o telefone do bolso, encarando-o como se fosse seu pior inimigo. — Mas que merda! Como ela conseguiu o número do meu telefone dessa vez?

— A srta. Caldwell? — perguntou Kade, sorrindo para Travis.

— Ela é um saco. Desta vez, será demitida. — Travis saiu do escritório, batendo a porta atrás de si.

Kade riu, olhando para a porta fechada, nem um pouco receoso por Ally.

Travis ameaçava demiti-la pelo menos uma vez por dia e ela ainda estava lá. O irmão podia bufar e ficar furioso o quanto quisesse... nunca se livraria de Ally. Precisava demais dela. Sinceramente, Kade não sabia o que Travis faria sem ela. Podia deixá-lo extremamente irritado, mas ela o mantinha equilibrado.

Olhando para o relógio, ele decidiu que estava na hora de ir para casa.

Ao sair do escritório, ele sorriu para a secretária, Karen, que sorriu de volta. Os dois ouviram a troca acirrada de palavras entre Ally e Travis no outro escritório. Kade duvidava que alguém levasse aquilo a sério, pois acontecia diariamente.

— Tenha uma boa noite, sr. Harrison — disse Karen.

— Você também — disse ele com um aceno.

Todas as noites eram boas, agora que ele tinha Asha. Não esperava que aquela fosse diferente.

Ele dirigiu para casa mais depressa do que deveria, ansioso para chegar e ver o rosto sorridente de Asha, perguntando-se como se tornara tão dependente dela em tão pouco tempo. Mas isso acontecera e tê-la em sua vida mudara a forma como olhava para tudo. O futuro não era mais vazio e ele seguira a vida. Finalmente, começava a pensar cada vez menos na carreira de jogador de futebol que perdera e mais sobre o que o futuro lhe reservava. Ele estacionou na frente da casa com um sorriso no rosto.

Kade foi invadido pela sensação de vazio no momento em que entrou em casa.

Asha não está aqui.

Era estranho, mas ele sempre conseguia sentir a presença dela. Havia uma sensação de leveza e alegria na casa sempre que Asha estava presente.

Quando não estava, o lugar ficava vazio e opressivamente solitário.

— Asha? — Ele chamou o nome dela ansioso ao verificar a cozinha, encontrando-a vazia. Em seguida, subiu a escada correndo, tirando o casaco no caminho.

Ele notou imediatamente dois desenhos grandes sobre a cama e chegou mais perto para estudá-los.

Ele reconheceu o primeiro desenho. Era o autorretrato que vira quando pegara as coisas de Asha pela primeira vez, o desenho do desejo dela por um homem e o rosto masculino nas sombras. Olhando para o outro, ele se reconheceu imediatamente e identificou Asha como a mulher com a cabeça deitada em seu ombro. Uma mulher que parecia incrivelmente feliz e satisfeita.

Dois desenhos.

Os dois da mesma pessoa.

Mas as emoções eram completamente diferentes.

Segurando-os, Kade os estudou lado a lado. Ele entendeu a mensagem dela imediatamente. Teria que ser um completo idiota para não compreender que ela lhe dizia que ele satisfazia suas necessidades. Ele recolocou os desenhos sobre a cama, sentindo o coração bater mais forte e incrivelmente feliz por Asha lhe dizer que a fazia feliz. Porque, na verdade, era tudo o que ele queria.

Havia um bilhete ao lado dos desenhos, que ele pegou e abriu. O bilhete tinha apenas um parágrafo:

Querido Kade,

Eu queria dizer adeus pessoalmente, mas acho que sou muito covarde.

Talvez seja uma das muitas coisas que preciso trabalhar em mim mesma.

Não podia partir sem agradecer por tudo o que fez por mim. Você salvou a minha vida, mas não posso ficar. Não sou forte o suficiente para isso no momento e estou confusa. Preciso de tempo e espaço para trabalhar nos meus problemas. Você não merece uma mulher tão cheia de problemas como eu sou no momento. Por favor, perdoe-me por não lhe dizer isso pessoalmente, mas acho que é melhor assim. Telefonei para o hospital em Nashville para saber o valor total da conta. Meu trabalho não cobre este valor e deixei um cheque do restante sobre sua cômoda. Você nunca saberá o quanto adorei nosso tempo juntos. E eu nunca me esquecerei de tudo o que fez por mim.

Seja feliz,

Asha

Kade andou até a cômoda em uma névoa, incapaz de processar o que Asha escrevera. Ele pegou o cheque, notando de forma ausente que ela precisava cobrar mais pelo seu trabalho. Era quase o valor total da conta do hospital. Ao lado do cheque, estava o telefone que ele lhe dera e o motivo por tê-lo deixado lá era óbvio.

Ela quer ter certeza de que não possa encontrá-la.

— Ela não pode ter ido embora de verdade — garantiu ele para si mesmo em um tom incrédulo.

Ele foi até o quarto no outro lado do corredor, encontrando as roupas que Maddie e Mia tinham comprado para ela. O quarto parecia o mesmo, mas a sensação era diferente. O computador que ele lhe dera de presente não estava sobre a mesa. As gavetas da cômoda onde ela guardava as roupas que usava estavam vazias e a mala desaparecera.

— Não — negou ele enfaticamente, balançando a cabeça ao lançar um olhar vazio para a gaveta que acabara de abrir. — Ela não iria me deixar.

Ela disse que não faria isso.

No final, a realidade caiu sobre ele, deixando-o imóvel no meio do quarto com o corpo inteiro trêmulo.

A incredulidade se transformou em frustração e desapontamento... e, finalmente, desolação. — Por quê? Por que ela iria embora? — perguntou ele, já sabendo a resposta. Ela simplesmente não queria ficar com ele.

Ele bateu com o punho na cômoda com força suficiente para deixar uma marca. — Mas que merda! Achei mesmo que ela seria feliz comigo? —

gritou ele, com o desespero devorando a alma. — Sou um imbecil sem nada a oferecer além de dinheiro e ela não precisa mais de dinheiro. — Completamente destruído, ele deu um chute na cômoda com a perna ferida.