O Jogo do Bilionário: Kade

J. S. Scott · Capítulo 11 de 21

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O Jogo do Bilionário: Kade

Capítulo 10

Se fosse honesta consigo mesma, Asha teria presumido que provavelmente tinha pouca importância para o pai por ser mulher e que ele era igual aos outros indianos em sua vida.

O pai dela tomara como missão ver as mulheres serem bem tratadas, até mesmo de forma igual, e tivera valores liberais. Ele, um indiano, ajudara mulheres com dificuldades para que elas pudessem seguir seus sonhos. Ela

balançou a cabeça contra o peito de Kade. — Não assim. Nunca imaginei que ele fosse tão bom.

Enquanto Kara, Simon, Sam, Travis e Mia assistiam, Asha encostou a cabeça no peito de Kade e chorou.

 

Asha dobrou a última camisa que comprara e colocou-a no topo da mala nova com um suspiro. Ela não colocara na mala as roupas que Maddie e Mia tinham comprado, pois as resolveria com elas mais tarde. Eram extravagantes demais e ela uma mulher bem casual. Calças, sandálias e camisetas eram o que normalmente usava. Ela era pintora e aquelas não eram roupas que usava no dia a dia. Se conseguisse fazer com que Maddie as devolvesse, a irmã poderia ser reembolsada. Exceto pela camiseta vermelha, ela não vestira nenhuma outra.

As paredes de Kade estavam prontas e ela não podia mais se enganar sobre partir. Não havia mais nenhuma parede que pudesse pintar na casa dele sem fazer com que ficasse decorada em excesso. Desde o dia de Ação de Graças, duas semanas antes, ela aproveitara cada momento que passaram juntos, mas chegara a hora de ir embora. Ele nunca mencionava nada além do momento em que estavam juntos, nada sobre o futuro, e ela ainda tinha problemas. Kade merecia coisa melhor, precisava de mais do que ela podia lhe dar.

Ela se consultara com a colega de Davi, a dra. Miller, uma vez por semana nas duas semanas anteriores e visitara Devi e a família dela informalmente como amiga várias vezes. Lentamente, ela percebia como sofrera uma lavagem cerebral durante a criação e o casamento. Mesmo depois de sair do lar temporário e do casamento com Ravi, aquela programação não deixara seu cérebro. Era preciso um esforço consciente todos os dias para reprogramar os pensamentos, para perceber que era uma

mulher forte que merecia muito mais. Isso não aconteceria da noite para o dia, mas Asha gostava de pensar que fizera um pouco de progresso.

Depois de atualizar o site da internet e publicar o novo número de telefone, ela recebera muitos telefonemas de novos trabalhos, a grande maioria da Flórida. Sem dúvida, tinha algo a ver com a notícia de ser irmã de Max e Maddie, mas seu calendário estava cheio, pois aceitara todos os trabalhos na Flórida. Agora que tinha dinheiro, queria um lugar onde plantar os pés, juntar coisas e parar de fugir.

Sua alma estava completamente despedaçada e afastar-se de Kade seria a coisa mais difícil que já fizera, provavelmente a mais difícil que algum dia teria que fazer, mas sabia que precisava. Talvez algum dia conseguisse lentamente reconstruir a alma e tornar-se inteira novamente. No momento, os pedaços eram tão pequenos que ela não conseguia enxergá-los. Havia apenas um vazio escuro que já a assombrava e ela nem saíra ainda da casa de Kade.

— O que está fazendo? — perguntou uma voz suave da porta.

Asha se virou, com o coração pulando para a garganta ao ver Kade. Ele estava com o quadril apoiado na porta, os braços cruzados e um olhar confuso. Vestia apenas uma calça jeans de cintura baixa, deixando a parte superior do corpo à vista. Parecia ter acabado de sair do banho, pois os cabelos estavam úmidos. — Nada... só estava juntando as minhas coisas. Acabei com a sua casa. Não há mais parede sobrando para pintar. — Ela desviou o olhar, sem conseguir observá-lo atravessando o quarto sem ter vontade de se jogar em seus braços.

— Então só está planejando ir embora. Por quê? — perguntou ele, parando atrás dela e envolvendo-lhe a cintura com os braços.

Porque eu amo tanto você que não aguento.

Porque tenho medo de que, se não for embora agora, perderei completamente o resto de dignidade que sobrou depois do meu passado.

Porque preciso que me ame de volta.

Asha se afastou dele, andando na direção da porta. — Eu ia preparar o café da manhã — disse casualmente, ignorando a pergunta dele.

Kade a segurou quando ela chegou à porta. Empurrando-a contra a parede, ele a prendeu lá com o corpo. — Por quê? — perguntou ele bravo.

— É sobre essa coisa de infertilidade? Droga... fale comigo. Vou lhe contar um segredo: eu nunca tive certeza de que queria um filho. Meu pai era um

louco e meus genes são uma porcaria. Eu poderia muito bem adotar. Ter um filho com o meu DNA não é tão importante para mim. Na verdade, nunca pensei seriamente em ter um filho. Duvido que eu fosse um pai decente.

Asha ficou imóvel, atônita. Ela olhou para a expressão feroz de Kade, para os olhos azuis em chamas. Aquilo não mudava nada, mas a veemência dele a deixou chocada. Ela sabia que ele estava falando sério, que não precisava de um filho com o próprio DNA, mas isso ainda a deixou surpresa. — Kade... não estou mais desamparada. E não estou quebrada.

Posso me virar.

Ele entrelaçou os dedos nos dela e ergueu as mãos sobre a cabeça de Asha, pressionando o corpo contra o seu. Asha sentiu o pênis rígido sob o tecido da calça ao encostar em seus quadris. A ideia de dê-lo dentro de si fez com que ela engolisse um gemido. Kade a manteve cativa enquanto descia a língua quente pela pele sensível do pescoço e mordia de leve o lóbulo da orelha. — Não quero que você esteja quebrada nem desamparada

— disse ele com voz rouca. O hálito quente soprou em sua orelha, fazendo com que ela estremecesse de desejo. — Só quero que seja minha.

O corpo inteiro de Asha derreteu contra o de Kade porque ela queria ser dele. Ela não tinha defesa alguma em se tratando daquele homem. Ele fazia com que seu corpo sentisse prazeres incríveis que nunca sentira e ela queria mais. Ela encostou a cabeça na parede, dando a ele acesso livre ao que quisesse. — Kade — gemeu ela, sem conseguir pensar, sem conseguir fazer nada além de sentir.

— Isso mesmo, querida. Diga meu nome. Lembre-se de qual é a sensação de se abrir para mim — disse Kade em tom ardente. Ele soltou as mãos para tirar a camiseta dela e abrir sua calça. — Que merda, você não vai me deixar. Nunca. Está tentando me matar, Asha? Porque você vai me matar se for embora. Ficarei tão vazio que não ligarei para mais nada.

Asha gemeu quando Kade tirou a calça jeans e a calcinha por suas pernas e rapidamente tirou a própria roupa, libertando o pênis rígido. —

Trepe comigo, Kade. Preciso de você. — Asha precisava senti-lo dentro de si naquele instante.

Só mais uma vez. Eu preciso dele.

Ele colocou a mão entre as pernas dela, abrindo suas dobras com os dedos ásperos, e a carne úmida se abriu com facilidade. — Diga-me que não irá embora — insistiu ele, beliscando o clitóris com força suficiente

para lançar ondas de prazer pelo corpo inteiro. — Diga que precisa de mim tanto quanto preciso de você.

— Não posso. Eu preciso ir embora. Isso é tão bom, mas precisamos ter mais do que só isso. É confuso — disse Asha ofegante, colocando os braços em volta do pescoço de Kade para que ficassem o mais perto possível um do outro. Saber que nunca mais estaria com ele fez com que o desejo fosse ainda mais urgente. Os mamilos encostaram no peito dele, aumentando a necessidade que sentia.

Kade acariciou a pele sensível com mais força e sem a delicadeza normal. Asha nunca o vira tão primitivo e intenso. Normalmente, ele fazia as coisas com calma, abanando as chamas da paixão até que ela perdesse o controle. Mas, agora, ela já não raciocinava e agia por puro instinto, reagindo à necessidade de Kade. Desesperada, ela passou as pernas em volta da cintura dele, mas isso só fez com que ele a torturasse mais facilmente. Ela estava aberta para ele, que tirou vantagem da situação, penetrando-a com os dedos enquanto acariciava o clitóris.

— Diga — insistiu ele.

A força que ele usava lançava o desejo dela a novas alturas. Kade sempre fora muito masculino, mas agora era como um macho alfa completamente descontrolado. Ele nunca a machucaria, mas aquilo era algo carnal e erótico, uma nova dimensão do ato sexual que a deixou querendo ainda mais.

— Não — gritou ela, desafiando-o deliberadamente, apesar de saber que ainda não poderia dizer que ficaria com ele.

— Aqui vai um aviso, querida. Às vezes, gosto de ser bruto e você está me provocando. — A voz dele tinha um tom gutural de advertência.

— Ótimo — respondeu ela, enterrando as unhas nas costas dele e flexionando os quadris contra a mão entre as pernas. — Não tenho medo de você. Pode ser bruto. Quero que seja.

— Diga que ficará comigo. — Ele beliscou o clitóris, variando a pressão. — Você foi minha desde o minuto em que a vi pela primeira vez.

Torne isso oficial. Diga que precisa de mim tanto quanto preciso de você.

— Ai, meu Deus — gemeu Asha, encostando a boca no ombro de Kade e mordendo a pele, tentando incentivá-lo a fazê-la gozar. — Sim — sussurrou ela de forma agonizante. Era um murmúrio de prazer e não uma resposta afirmativa à exigência de Kade.

— Serve — respondeu Kade abruptamente, dando a ela o prazer que queria, as carícias brutas que a levaram ao clímax.

Ele tomou a boca de Asha na sua quando ela gozou, devorando seus gritos de êxtase, conquistando-a enquanto estremecia nos braços dele.

Kade colocou as mãos sobre o traseiro dela, posicionando-a para penetrá-la profundamente. Afastando os lábios, ele comandou: — Segure-se em mim, Asha.

Ela estava contra a parede e ele a penetrou repetidamente com investidas rápidas. Asha se agarrou nos cabelos dele, sentindo as ondas de prazer que lhe invadiam o corpo, mal conseguindo respirar. Era um ato sexual primitivo, uma união feroz dos dois corpos que a deixou trêmula com uma necessidade desesperada. — Sim, sim, sim — disse ela com cada investida do pênis rígido, sentindo-se totalmente possuída. Era o que queria, era daquilo que precisava. Estranhamente, com aquela posse selvagem, ele a libertava. O desejo intenso que ele sentia por ela fazia com que se sentisse querida, necessária, um afrodisíaco muito potente.

Kade a penetrou com força, gemendo enquanto Asha se contraía em volta dele. De forma implacável, ele continuava investindo, levando o prazer a um crescente violento.

— Puta merda! — Kade recuou, deixando-se cair na cama com Asha sobre ele. Eles recuperaram o fôlego em silêncio. Por vários minutos, apenas o som da respiração ofegante dos dois encheu o quarto. Ele ergueu a cabeça e encarou-a nos olhos. — Diga-me que não pertencemos um ao outro. Quero ouvi-la dizer isso, se é no que acredita.

Asha quase se afogou nos olhos azuis, sem conseguir mentir. — Não posso dizer isso. — Sinceramente, ela não sabia se pertencia ou não a Kade, mas estava insegura sobre os sentimentos dele e confusa sobre os próprios sentimentos. Era o sexo incrível que fazia com que acreditasse que realmente o amava? E talvez o sexo o levasse a acreditar que precisava dela. Seria somente um amor louco que nascera do desejo? Ela nunca conhecera o amor e, se o amor que sentia por Kade era real, não era correspondido. Ela estaria destinada a ser destruída quando o brilho do sexo intenso desaparecesse.

— Então como pode sequer pensar em me deixar? — perguntou Kade em tom gutural.

Afastando-se de Kade, Asha deitou ao lado dele. — Você nunca me pediu para ficar — murmurou ela baixinho. E nunca disse por quanto tempo queria que eu ficasse nem que me amava.

Kade chutou a calça para fora dos pés, prendendo Asha sob ele. —

Então estou pedindo, neste momento. Fique agora porque quer, não porque tem que ficar. Eu sei que você tem dinheiro para ir embora, mas fique mesmo assim porque é o que quer.

Asha olhou para o rosto bonito acima do seu. Ele parecia um pouco selvagem, mas também vulnerável. Asha sentiu o coração apertado ao perceber que ele achava que ela o deixaria agora porque tinha dinheiro. Ele achava mesmo que aquele era o único motivo pelo qual ficara com ele, que somente o usara?

— Mas que merda, Asha! Será que ainda não percebeu que é mais do que apenas uma hóspede? — resmungou Kade.

— Então o que eu sou? — perguntou ela curiosa, estudando o rosto dele atentamente.

Sua amiga?

Sua amante?

Namorada? Asha sabia que era um exagero, mas Kade não era uma pessoa que falava muito sobre o futuro nem sobre as emoções.

— Você é a minha sanidade — disse Kade. — Você é o motivo pelo qual eu parei de usar os remédios para dor como fuga.

Asha soltou a respiração devagar, olhando para Kade surpresa. — Achei que tivesse parado antes de me conhecer.

— Parei. Assim que comecei a procurar você. Não podia deixar que meus sentidos ficassem prejudicados. Eu precisava estar com o pé no chão.

Você era inteligente. Você me desafiou, apesar de eu não saber na época que estava fugindo porque estava com medo.

— Mas o desafio acabou — respondeu Asha confusa.

— Claro que não — disse Kade em tom seco. — Você me desafia todos os dias. Observar a mulher que você é, toda a energia e alegria que coloca em cada projeto que faz e que dá a cada pessoa que conhece, faz com que eu queira ser um homem melhor.

Colocando a palma da mão no rosto dele e acariciando o maxilar com a barba por fazer, ela disse em tom firme: — Você já é bom. — Kade começava a encontrar um propósito na vida sem ela e estava errado ao

achar que Asha tinha alguma coisa a ver com a decência inerente dele. Era apenas... ele. E ela não tinha dúvidas de que tivera muito pouca relação com a volta de Kade à realidade. Ele era forte, teimoso e determinado. Talvez tivesse usado remédios como uma fuga temporária, mas teria se libertado deles no momento certo.

— Acho que acabamos de encontrar outra coisa em que sou bom na vertical — disse Kade em tom rouco e com um sorriso malicioso. —

Machuquei você? — perguntou ele ansioso.

Kade estava tendo alguns problemas emocionais no momento, mas Asha não conseguiu evitar um sorriso. — Não. Foi incrível.

— Então, você gosta das coisas um pouco safadas de vez em quando.

Quem diria? — comentou Kade, fingindo estar chocado. Rolando o corpo para ficar deitado de costas, ele a deixou novamente por cima, segurando-lhe as nádegas para que não caísse.

Asha suspirou. A sensação de pele contra pele fez com que tivesse vontade de ronronar como uma gata feliz. — Um pouco? — questionou ela.

— Querida, há muito mais do que o que acabamos de fazer — respondeu Kade sério.

— É mesmo? — A voz de Asha tinha um toque de empolgação. —

Talvez seja melhor eu conseguir alguns livros ou DVDs de instruções. Acho que perdi boa parte da minha educação sexual. Nunca nem vi o Kama Sutra

— brincou ela.

Kade apertou suas nádegas, puxando-a completamente sobre o próprio corpo. — Não é preciso. Eu li. E terei o maior prazer em corromper e instruir você, srta. Paritala. Você tem sido boazinha demais.

No mesmo tom divertido, ela respondeu: — Tenho que ser boazinha, senão o Papai Noel me trará um pedaço de carvão de presente.

— Ele já fez isso antes? — perguntou Kade pensativo.

— Nunca ganhei nada de Natal — respondeu Asha com sinceridade. —

Na verdade, nunca celebrei o Natal. E essa foi a primeira vez que comemorei o dia de Ação de Graças. Só reconhecíamos os feriados indianos e eu não participava das festas da minha família temporária.

— Não, é claro que não — resmungou Kade furioso. — Você era uma empregada para eles.

Asha não podia negar aquilo. Só estava grata pela liberdade. Sua vida estava mudando e era o suficiente. — Vou começar do zero este ano.

Montarei uma árvore de Natal e pendurarei uma meia na lareira. — O Natal podia ser uma festa religiosa e ela não tinha certeza ainda que religião gostaria de seguir, mas poderia celebrar só pela alegria.

Kade se sentou abruptamente e puxou-a para o colo. — Serei o seu Papai Noel. Sente-se no meu colo nua assim e diga ao Papai Kade tudo o que quer. Garanto que ganhará tudo o que pedir e um pouco mais.

Asha riu, contente com a súbita mudança no humor dele. — Eu gostaria que me ensinasse os pontos mais detalhados de ser safada.

Os olhos de Kade estavam em chamas quando ele olhou para ela. — O

Papai Kade recompensa a safadeza — disse ele com voz rouca. — Pode se comportar mal.

Asha o encarou. — Não é assim que funciona. Posso não ter comemorado o Natal antes, mas eu moro nos Estados Unidos. — Kade era adorável quando ficava brincalhão e Asha não conseguiu resistir à tentação de implicar com ele. Não teria muito mais tempo com ele e queria se lembrar daquele dia com carinho. Podia pelo menos dar aquilo a si mesma.

Sabia que precisava ir embora por causa de Kade e de si mesma. Os dois precisavam de tempo e distância para entender o que sentiam. E ela precisava se tornar uma pessoa completa.

— Minhas regras. Meu Natal. — Ele abriu um sorriso malicioso.

— Está bem, Papai Kade. Vamos começar a acumular alguns pontos de recompensa — retrucou ela em um sussurro sensual.

Kade rosnou ao cair de costas na cama e rolar o corpo para que ela ficasse por baixo. — Não é legal ficar provocando — avisou ele com voz grave.

Asha sentiu o corpo quente quando Kade a segurou indefesa sobre a cama, parecendo que queria devorá-la inteira. — Não estou provocando.

Quero que me ensine — respondeu ela, com o corpo ansiando pelo dele.

Quero viver tudo isso hoje... com você.

— Talvez demore um pouco — avisou ele, abaixando a cabeça para beijá-la. — Você ainda é muito inocente.