O Jogo do Bilionário: Kade

J. S. Scott · Capítulo 15 de 21

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O Jogo do Bilionário: Kade

Capítulo 14

— Aquele carro velho na frente da casa com o pneu furado é seu? —

perguntou Kade irritado.

— Sim — admitiu ela.

— Eu ajudarei você. Vamos. — Ele pegou a mão dela abruptamente e saiu da casa, obrigando-a a correr para acompanhá-lo.

Asha suspirou, sabendo que teria o segundo confronto crucial do dia.

Exceto que aquele não iria ferir apenas os seus sentimentos. Iria partir seu coração.

 

Asha parou abruptamente, batendo no corpo enorme de Kade quando eles chegaram do lado de fora. A porta se fechou silenciosamente atrás deles.

Ele parara inesperadamente e prendera-a contra a parede. Ele se aproximou dela, com o peito ofegante, apoiando na parede uma mão de cada lado do corpo dela, deixando-a presa.

— Eu jurei que não faria isto — disse ele com voz rouca e desesperada, com os olhos mergulhados nos dela. A testa dele estava molhada de suor. —

Jurei que não reagiria quando a visse novamente. Por que diabos eu deveria me importar com uma mulher que não dá a mínima para mim? — Uma das mãos se fechou e bateu contra a madeira em um gesto de frustração.

Asha olhou para ele, com o coração apertado ao ver a exaustão e o tormento no rosto de Kade. — Eu me importo, Kade.

— Mentira. Você foi embora. Nem mesmo disse adeus. Nunca telefonou para me dizer como estava, se estava bem. Eu não era nem mesmo um ponto em seu radar — explodiu ele com ressentimento.

— Não houve um dia, nem mesmo uma hora, em que eu não tenha pensado em você. — Nem um momento, na verdade. Kade a assombrava constantemente. — Senti sua falta.

O tempo parou enquanto Kade estudava seu rosto, como se tentasse descobrir exatamente o que ela estava pensando. — Deu para perceber —

respondeu ele sarcasticamente. — Você tentou muito manter contato...

— Eu não podia, está bem? — gritou ela. — Tudo em você me deixa confusa. Você entrou na minha vida, extremamente gentil, gostoso e sexy.

— Ela respirou fundo e acenou com a mão na direção dele. — Depois, você me cobriu de cuidados, encheu-me de comida e fez com que eu gozasse até achar que estava perdendo o juízo. — Ela bateu com o dedo no peito dele.

— Você me transformou em nada além de hormônios femininos sempre dispostos a saltar sobre a sua... a sua... testosterona — terminou ela. — Eu não conseguia pensar em nada além de você e ainda não consigo. Então, não diga que não senti a sua falta. Perdi a conta de quantas vezes por hora eu disco metade do seu número e desligo o telefone.

— Talvez devesse ter discado a outra metade também — disse Kade com voz rouca.

Asha revirou os olhos. — Eu não podia. Eu sabia que, se fizesse isso, ia querer encontrar você, mesmo que não quisesse me ver. — Ela empurrou o peito dele, tentando fugir da prisão de seus braços.

— Então me encontre, Asha. Por favor. Porque eu quero ver você — argumentou Kade em tom persistente, sem deixar que ela escapasse.

— E depois? Acabaríamos simplesmente fazendo sexo incrível —

acusou ela ansiosa.

Kade torceu a boca ao olhar para ela. — E por que exatamente isso é uma coisa ruim?

— Porque eu não consigo pensar quando isso acontece. É preciso haver mais do que apenas sexo bom — respondeu ela, ainda tentando desesperadamente fazer com que Kade entendesse.

— Nunca foi só sexo bom — retrucou Kade com raiva. — O sexo é bom porque há mais do que isso entre nós.

Asha estremeceu ao se lembrar de ter relações com o ex-marido e da falta de emoção, da forma como se desprendia do ato. Ela sabia que Kade tinha razão. O problema era que não podia dizer a ele o quanto o amava. E

sua preocupação era com o que ele sentia por ela. — É diferente para você?

Quero dizer... conosco?

— Se está perguntando se alguma vez eu trepei e senti o que sinto com você, a resposta é não — respondeu ele. — Você me abala tanto quanto eu a abalo. A diferença é que não tenho medo disso. Merda, eu quero me sentir assim. É inebriante e empolgante, e faz com que eu me sinta mais vivo do que me senti em um longo tempo... talvez do que nunca me senti. E com certeza não quero fugir disso.

— Então talvez eu seja apenas covarde. — Asha afastou os olhos do rosto dele e baixou a cabeça. — Talvez eu não consiga lidar com isso.

— Mentira. Não foi uma covarde que acabou de mandar os pais temporários para o inferno. É preciso muita coragem para fazer algumas das coisas que você fez. E fica mais corajosa o tempo todo. Na verdade, acho que você está desenvolvendo um temperamento forte. — Kade colocou a mão sobre o queixo dela, ergueu seu rosto e sorriu. — Você realmente me acusou de tentar controlá-la com o meu corpo sexy?

— É verdade — disse ela teimosamente. — Não que você possa controlar, mas é uma distração muito grande.

Kade assentiu. — Ótimo. Quero ser uma distração para você porque me deixa totalmente maluco. — Ele baixou a cabeça e beijou o pescoço dela, acariciando sua orelha com os lábios ao sussurrar: — Só o seu cheiro já me deixa de pau duro. E basta ouvir sua voz ou ver seu rosto para perder o controle. Deixe-me encontrar com você, Asha. Deixe-me mostrar como pode ser bom estarmos juntos. Fugir não resolverá isso para nenhum de nós.

Não vai desaparecer.

Asha estremeceu ao sentir o hálito quente no lado do rosto, os lábios dele acariciando-lhe gentilmente a pele. Ela sabia que ele tinha razão e teria que viver aquilo com Kade ou continuar fugindo. E ela não queria mais fugir, especialmente de Kade. Queria correr na direção dele, jogar-se em seus braços onde tudo parecia certo e continuar a amá-lo com todas as forças como já acontecia. Estar com Kade também fazia com que se sentisse viva, exceto que ele lhe dera vida pela primeira vez. — Sim —

sussurrou ela baixinho, colocando os braços em volta do pescoço dele. —

Se quer me ver... então me veja.

Kade segurou o rosto dela com as mãos grandes ao responder com convicção apaixonada: — Eu já vejo você, querida. Sempre vi.

Asha suspirou feliz quando ele capturou seus lábios, abrindo a boca para sentir o gosto dele. Kade tinha gosto de café e pecado, e ela o saboreou. Um beijo longo levou a outro até que ele finalmente puxou a cabeça de Asha contra o peito e abraçou-a com tanta força que ela quase gritou.

– Graças a Deus — resmungou ele ferozmente, acariciando-lhe as costas. — Eu sei pelo que você passou e sei que a pressionei demais, mas a sua partida quase me matou. Eu queria procurar você, mas não conseguia aceitar o fato de que não me queria.

— Eu queria você — murmurou Asha contra o peito dele. — Como poderia me procurar se não sabia onde eu estava?

Kade se afastou, colocando um braço possessivo em volta da cintura dela e conduzindo-a pela escada da casa de Max. — Eu sabia exatamente onde você estava.

Asha fez um gesto de revolta. — Há alguém que não sabe onde eu moro?

Kade abriu um sorriso. — Não dentre as pessoas que se importam com você. E elas têm algumas influências e conexões bem assustadoras.

— Eu notei — resmungou ela baixinho. — Meu carro...

— Precisa ir para o lixo — interrompeu Kade irritado. — Os pneus estão carecas e sabe-se lá que outros problemas mecânicos ele tem. Não podia ter comprado alguma coisa mais nova?

— Não estava no meu orçamento. Estou economizando. E não há nada de errado com ele. Só precisa de pneus novos — retrucou Asha na defensiva. — Meu vizinho deu uma olhada. Ele disse que o carro está bom, exceto pelos pneus.

— Ele estava olhando para o carro ou para você quando disse isso? —

resmungou Kade. — É um garoto?

— Tate tem mais ou menos a sua idade. E conhece carros.

— Ele é um idiota — murmurou Kade, levando Asha até a motocicleta que estava estacionada. — Vou levar você em casa e depois mando colocar pneus novos no seu carro. E vou levá-lo a um mecânico, apesar de o seu vizinho especialista já ter dito que ele é seguro.

Asha abriu a boca para discutir, mas Kade levantou a mão e interrompeu-a. — Nem comece. Pode me dar isso. Deixe-me saber que você está em segurança.

Ela soltou a respiração e sorriu. Sim... podia. Ele estava tentando ajudá-la e ela aceitou de bom grado. Olhando para a motocicleta, que parecia um veículo de alta tecnologia, ela admitiu: — Nunca andei em uma destas. —

E, sinceramente, nunca quisera.

— Então você não viveu de verdade. — Ele abriu a bolsa da motocicleta, tirou um capacete e pegou o outro que estava sobre o banco.

— Ela parece... chique. É rápida?

Kade tirou um casaco de couro da bolsa e fechou-a. — É uma motocicleta BWM. Não é tão rápida quanto a minha de corrida, mas é

rápida o suficiente — respondeu ele com um sorriso infantil. — Vista isto.

— Ele segurou o casaco para que ela colocasse os braços.

— Está quente hoje — argumentou Asha, sem gostar muito da ideia de colocar um casaco de couro enquanto Kade usava uma camiseta marrom de mangas curtas, calça jeans e botas pretas. Ela vestia algo semelhante, mas usava tênis em vez de botas.

— O casaco é leve e não é para esquentar. É como proteção — disse ele em tom firme.

Ela suspirou e colocou os braços nas mangas do casaco, deixando que ele engolisse metade de seu corpo. Obviamente o casaco era de Kade. —

Ele tem o seu cheiro — disse ela em tom sonhador.

— Querida, se eu ouvir você dizer mais alguma coisa nesse tom de

“trepe comigo”, serei obrigado a fazê-la gozar bem aqui na entrada da casa de Max — ameaçou Kade.

As entranhas de Asha se contraíram em reação àquilo e ela sentiu um pulso de eletricidade descendo da barriga para o sexo. A calcinha ficou molhada quando ela puxou o colarinho do casaco até o rosto e cheirou sem dizer nada.

— Mulher, você está me provocando — avisou Kade com voz baixa e vibrante ao enrolar as mangas do casaco e fechar o zíper.

O casaco era imenso e chegava até o meio das coxas. Estava quente demais, mas ela não reclamou. Asha adorou a forma como Kade a protegia e cuidava dela. — Então, o que faço agora? — perguntou ela, ligeiramente intimidada pela motocicleta enorme.

— Espere — disse Kade brincando, mas deu a ela as instruções básicas.

Quando estavam sobre a motocicleta, Asha passou os braços em volta de Kade e encostou-se nele.

— Com mais força — comandou ele. — E não solte.

Os capacetes tinham Bluetooth e Kade já explicara, mas o som da voz dele em seus ouvidos ainda a assustou.

Quando a motocicleta começou a se mover, Kade não precisou lhe dizer para se segurar firmemente. Ela o agarrou com força, mas tentou relaxar e ficar neutra na posição como ele lhe pedira. A maior parte do medo desapareceu quando ela viu como Kade era competente na direção. Os movimentos dele eram suaves e fluidos, e ele pilotava com a confiança de um homem que fazia isso havia muito tempo.

— Você está bem? — perguntou Kade baixinho.

— Sim. Isso é incrível. Podemos ir mais depressa? — Asha confiava em Kade e a sensação de liberdade que teve ao andar ao ar livre foi incrível.

Ela ouviu Kade rir. — Não, não podemos, sua apressadinha. Estou no limite da velocidade. E estou carregando uma carga preciosa. — Ele hesitou por um momento. — Podemos ir para a estrada. Conheço um lugar onde podemos ir mais depressa com segurança.

— Sim — concordou ela prontamente. — Vamos.

A velocidade na estrada era maior e Asha se agarrou a Kade, desfrutando do passeio com abandono irrestrito.

— Vou pegar a próxima saída — avisou ele depois de terem saído da cidade, avisando-a que reduziria a velocidade e pararia.

— Onde estamos? — perguntou ela curiosa.

— Você verá — respondeu ele misteriosamente.

Depois de pilotar por cerca de cinco minutos, eles chegaram ao que parecia ser uma arena grande. Kade parou nos portões e digitou um código em um painel, esperando que eles se abrissem o suficiente para que passassem. Eles desceram uma passagem estreita que se abria para uma pista de corrida.

— Você sabe quem é o dono deste lugar? — perguntou ela com a voz empolgada.

— Sim, conheço bem. Ele é o meu irmão. Esta é a pista de Travis. Ele pilota carros de corrida como hobby. É um excelente piloto.

— Ele não parece ser o tipo de pessoa que gosta de fazer esse tipo de coisa — respondeu Asha, atônita ao saber que um homem tão conservador como Travis tinha um hobby perigoso.

— Uma das peculiaridades dele — respondeu Kade em tom de brincadeira. — Está pronta? Não vamos fazer nenhuma loucura. E, se ficar com medo, basta me dizer. — Ele posicionou a motocicleta na pista e começou a acelerar.

— Está bem — concordou Asha, com o coração acelerando no mesmo ritmo da motocicleta. A pista tinha longas retas, onde Kade acelerava, e curvas em que reduzia a velocidade. Mesmo assim, Asha riu de puro prazer, pois ele a fez sentir como se estivesse voando.

— Está com medo? — perguntou Kade ao desacelerar em uma curva.

— Não, eu confio em você — admitiu ela.

— Puta merda! Você não sabe há quanto tempo eu queria que dissesse isso — respondeu Kade em voz séria.

— Podemos ir mais depressa? — pediu Asha.

— Não. Nós não estamos com roupas adequadas e esta motocicleta não foi feita para corridas, mulher destemida. Acho que você precisa de uma viagem para a Disneyworld. Você adoraria — comentou Kade ao reduzir a velocidade até parar na lateral da pista.

— Nunca fui a um parque de diversões — confirmou Asha, tentando ajeitar com os dedos os cabelos sob o capacete.

— Por que será que não fico surpreso com isso? — resmungou Kade em tom infeliz.

Asha desceu primeiro e Kade segurou a motocicleta firmemente enquanto ela desmontava. Ele tirou o próprio capacete e o dela, guardando tudo, inclusive o casaco de couro, nas bolsas do veículo. — Podemos beber alguma coisa. Travis mantém a geladeira estocada.

— Kade?

Ele pegou a mão dela e levou-a em direção do que pareciam ser garagens. — Sim?

— Obrigada por isso. Foi maravilhoso — disse ela em tom genuíno. —

Foi uma das melhores coisas que já fiz. Uma das poucas coisas.

— Eu ia gostar de saber das outras? — perguntou Kade, parando em frente à porta do prédio.

— Só consigo pensar em uma coisa que foi mais incrível. — Asha sorriu para ele. — E também foi com você.

— É mesmo? — perguntou ele perigosamente, prendendo-a contra a porta com o corpo.

Asha passou os braços em volta do pescoço dele, precisando desesperadamente sentir a pele de Kade contra a sua. — Sim. — Ela olhou para os olhos azuis ardentes e seu coração deu um salto. Ele parecia tenso e as olheiras estavam mais pronunciadas. Ela queria confortá-lo, fazer com que ele se perdesse em algo que não fossem as emoções negativas que sentira nos meses anteriores. Naquele momento, ela odiou o que precisara fazer para se recompor. Era óbvio que Kade se importava com ela. Podia não amá-la, mas certamente se preocupava com ela. E ela lhe causara dor.

— Lamento tanto ter magoado você — disse ela suavemente, acariciando as manchas sob seus olhos e as linhas de tensão em seu rosto.

— Eu não queria fazer isso. — A mão dela desceu pelo peito de Kade, passou sobre o abdômen e finalmente parou sobre a calça jeans, acariciando a ereção que tentava sair pelas costuras. — Você está tão duro.

— Caralho! — Kade agarrou a mão dela e entrou na garagem, puxando-a atrás de si. — Preciso daquela bebida para esfriar. Não comece algo que eu não possa terminar — resmungou ele em tom ameaçador.

Eles passaram por vários veículos até chegar a um escritório que Asha supôs pertencer a Travis. — Eu terminarei — disse ela baixinho, sentindo-se constrangida por ser sexualmente agressiva. Mas ela queria ser, queria fazer coisas com Kade que nunca quisera com nenhum outro homem.

Apesar de adorar a sexualidade apaixonada de macho alfa de Kade, ela queria lhe dar prazer.

E estava mais do que pronta para abrir um pouco mais as asas e tentar.