O Jogo do Bilionário: Kade
Capítulo 5
— Estou bem — retrucou ela em tom firme.
Kade a ergueu gentilmente do balcão, deixando que deslizasse contra seu corpo até chegar ao chão. — Você descansará antes do jantar — respondeu ele ansioso, ajeitando as roupas dela. Em seguida, pegou sua mão e puxou-a gentilmente para levá-la para fora da cozinha.
Asha mal teve tempo para pegar a bolsa e a mochila antes de segui-lo.
—Posso encontrar um lugar para ficar, Kade. Você não precisa me aguentar enquanto eu trabalho — disse Asha nervosamente.
Os cabelos da nuca de Kade se arrepiaram. A ideia de Asha andando por Tampa, procurando um lugar para ficar antes de se recuperar totalmente da pneumonia, fez com que ele tivesse vontade de jogá-la sobre o ombro e colocá-la em sua cama para que pudesse cuidar dela. Não havia a menor chance de deixá-la sair de sua casa. Descobrir que ela sofrera abusos do idiota do ex-marido quase o deixara fora de controle. — Você vai ficar —
respondeu ele. — E você não é uma funcionária. É uma hóspede.
Kade passou a contragosto pelo próprio quarto, levando-a ao quarto em frente ao seu e abrindo a porta. Era o único quarto que ele evitara ao mostrar a casa. Ele sorriu ao entrarem, percebendo imediatamente que Mia e Maddie tinham estado lá. Era o único quarto na casa inteira que tinha cores. — Seu quarto — disse ele a Asha, inteiramente certo de que ficaria de pau duro todas as noites sabendo que ela estava do outro lado do corredor. Ele se acostumara a ter o corpo doce de Asha sobre o seu, buscando-o durante o sono. Que merda, ele sentiria falta daquilo. Mas precisava parar de pressioná-la, precisava deixá-la se acostumar com ele e com seu mundo. Teimosamente, queria que ela viesse até ele, que o desejasse. Tê-la ali seria o céu e o inferno. Mas, depois que descobrira do abuso que sofrera, precisava sufocar os instintos de homem das cavernas.
Ela ficou de boca aberta ao avançar lentamente, percorrendo o quarto com os olhos. — É lindo — disse ela, passando a mão sobre a coberta
colorida que cobria a cama imensa.
Mia e Maddie tinham se superado. Desenhos e pinturas vibrantes decoravam as paredes e a coberta que ela acariciava tinha todas as cores do arco-íris. Kade abriu o armário, já sabendo o que encontraria. Ele pedira a Mia e a Maddie que preparassem o quarto de hóspede, deixando-o o mais alegre e colorido possível. Dando a elas o tamanho de Asha pelas roupas dela, também pedira que comprassem algumas roupas novas. A julgar pelo armário repleto, elas tinham levado o pedido muito a sério. — Mia e Maddie compraram algumas roupas para você.
Asha se virou e olhou para o armário, parando ao lado dele para tocar nas roupas. — Quais delas? — perguntou ela cautelosa.
— São todas suas. Deixei que minha irmã e Maddie as escolhessem. Só disse a elas que você gosta de coisas coloridas.
— Por que elas fariam isso? — perguntou Asha, sentindo-se desconfortável e segurando a blusa sem botões fechada com a mão.
— Eu os vi. Brinquei com eles. Coloquei a boca neles, o que foi um dos momentos mais incríveis da minha vida. Você não precisa esconder os seios de mim — disse ele em tom divertido.
O rosto de Asha ficou vermelho com o comentário, mas ela não cedeu.
— Não posso aceitar essas roupas. Todas elas têm etiquetas famosas. Meu guarda-roupa inteiro, da vida toda, não vale o que uma camisa desta coleção vale — disse Asha em tom firme, olhando para ele com a testa franzida. —
Por que alguém que eu não conheço compraria roupas para mim?
A testa dela ficava com rugas quando ela estava chateada, fazendo com que Kade quisesse removê-las com os dedos e os lábios. — Porque eu pedi a elas que fizessem isso e elas queriam fazê-lo. Não gostou das roupas?
— Elas são lindas, mas não posso aceitar. Você já fez demais por mim. E
já me deu presentes.
— Sim, pode. Elas são um presente de sua irmã. E não há um limite para dar presentes. — Aquela mulher teimosa precisava de roupas e ficaria com elas.
— Não tenho uma irmã — respondeu Asha.
— Você tem uma irmã e um irmão. E são apenas roupas. Não é nada demais. Se faz com que você se sinta melhor, Maddie se casou com um dos homens mais ricos do mundo, Sam Hudson. Ela quis fazer isso por você. —
Kade sabia que Asha já conhecia os detalhes sobre os possíveis irmãos, mas
obviamente não estava pronta para aceitar a realidade. Ele não tinha dúvida alguma de que ela era parente de Max e Maddie. A mãe dela tinha o mesmo nome de solteira e Asha lhe mostrara uma fotografia da mãe com o pai biológico. A fotografia mostrava uma versão mais velha, mas muito parecida, da fotografia que Max tinha da mãe biológica, Alice. — Por que é tão difícil aceitar que Max e Maddie são seus irmãos? Eu sei que é um choque. Maddie ficou surpresa ao encontrar Max, mas ficou feliz.
Os olhos de Asha se encheram de lágrimas e ela deu as costas para ele, sentando-se na cama. — Eu nunca tive família. Meus pais temporários me alimentaram e deram-me roupas, mas eu nunca fui um deles. Eles me acolheram antes de terem dois filhos. Nunca fui parte da família e sentia a distância. É difícil explicar sem fazer parecer que sinto pena de mim mesma. Sou grata a eles. Mas nunca fui realmente parte da família. — As lágrimas escorreram pelo rosto e os olhos permaneceram baixos. — Tenho medo de acreditar em algo que pode não ser verdade. E se eu amar os dois e eles não me amarem de volta? E se eu não for realmente irmã deles?
Kade sentiu o peito apertado ao olhar para Asha, pequena vulnerável, mas forte o suficiente para sair de um relacionamento sem nada para salvar a própria sanidade. Alguém algum dia se importara com ela incondicionalmente só porque era uma mulher incrível? — Você é irmã deles. E eles amarão você, sim. Como poderiam não amar? Confie em mim
— pediu ele, sabendo que provavelmente ela teria dificuldade em confiar, mas queria desesperadamente que isso acontecesse. Na verdade, ele começava a perceber que nunca quisera tanto alguma outra coisa na vida.
Asha cruzou as pernas sobre a cama, com os pés descalços aparecendo sob as pernas. Ela olhou para ele ansiosa. — Mesmo se formos parentes, somos muito diferentes. Eles são incrivelmente ricos e estou acostumada a ser pobre. Eles são norte-americanos e eu sou indiana...
— Você também é norte-americana — rosnou Kade, irritado por Asha se vir como inferior em comparação aos irmãos. — E, mesmo se não fosse, não importaria.
— Fomos criados em culturas diferentes. E os dois são parecidos com a nossa mãe — respondeu Asha baixinho.
— Maddie foi uma criança adotiva, passou de família em família, e nenhuma delas deu a mínima para ela. Ela trabalhou incessantemente para terminar a faculdade de medicina e também não tinha família quando Max a
encontrou. — Kade se sentou na cama e puxou Asha para o colo. — Ela está muito feliz por ter uma irmã. E Max também.
— Coitada de Maddie — sussurrou Asha. — Ela está realmente feliz agora? Max está feliz?
Os lábios de Kade se curvaram em um sorriso leve ao olhar para a expressão perturbada de Asha, emocionado ao ver como Asha podia rapidamente sentir remorso pelas circunstâncias anteriores de Maddie. Ela tinha um coração grande, como o de Maddie. Era mais parecida com a irmã do que imaginava. Ele contara a ela tudo sobre a vida de Max e Mia, incluindo a tortura que Max sofrera quando Mia desaparecera por dois anos, sendo considerada morta. Ele vira a mesma preocupação doce quando contara a ela sobre aquela época terrível da vida deles.
— Os dois são extremamente felizes — garantiu Kade, afastando os cabelos sedosos do rosto de Asha. — Os dois encontraram sua alma gêmea e estão casados. Mas nenhum dos dois teve uma vida fácil. E eles não são muito diferentes de você. As dificuldades foram diferentes. Eles também nunca tiveram família, Asha. Dê uma chance a eles.
Dê uma chance a mim também.
Kade sabia que estava longe de ser emocionalmente saudável, mas sentia como se estar com Asha curasse algumas das feridas emocionais do passado.
Ela é minha.
— Você acredita em almas gêmeas, relacionamentos como Maddie e Max têm com Mia e Sam? Acredita que há uma pessoa feita especialmente para você? — perguntou Asha baixinho.
Algumas semanas antes, Kade teria respondido com um não bem grande.
Sempre fora o primeiro a implicar com Max e Sam por serem tão envolvidos com as esposas. Agora, ele não sabia mais. Fora misteriosamente atraído por Asha antes mesmo de conhecê-la, durante aquele jogo de gato e rato, e depois pelos desenhos dela. Ela era como um bálsamo para sua alma machucada, um remédio para sua solidão. Ele nunca se sentira assim com relação a outra mulher e isso o deixava confuso. —
Sim, acho que sim — respondeu ele ao encará-la, perdendo-se no castanho hipnotizador de seus olhos. Cada célula de seu corpo gritava para que ele a tomasse como sua. Ele precisou cerrar os punhos atrás dela para se impedir de tirar as roupas de Asha e mostrar a ela o que era ser realmente desejada
por um homem de forma tão desesperada. Ele queria mostrar a ela como era ser respeitada e adorada.
Ele não se importava se ela era ou não parente de Maddie e Max.
E não se importava nem um pouco com o fato de ela não poder ter filhos.
Ele só a queria. E queria deixar sua marca nela tão desesperadamente que o corpo grande estremeceu de desejo.
— Eu também acredito. Mas o que acontece se você nunca encontra essa pessoa? — perguntou ela pensativa.
Você a encontrou. Não precisa mais procurar. Você é minha.
— Acho que só acontece — respondeu ele em voz alta. — Se estão destinadas a ficarem juntas, elas acabam se encontrando.
— Minha mãe sempre me disse que eu era muito distraída. Meus desenhos, minha leitura, minha mente sempre estavam longe das coisas práticas da vida — disse Asha com um suspiro. — Acho que, de alguma forma, eu não me conformei completamente em ser a indiana prática que eles queriam.
— Você não precisa se conformar. Vem de uma herança indiana e pode ter orgulho disso. Muitos indianos são pessoas gentis. Mas você também é norte-americana. E a maioria das norte-americanas não aceita um monte de merda. — Ele deitou na cama e estendeu as pernas, com a panturrilha direita começando a doer. Segurando-a pela cintura, ele a puxou para baixo, fazendo com que deitasse a cabeça em seu peito.
Ela ergueu a cabeça e olhou para ele empolgada. — Você já esteve na Índia?
Ele assentiu. — Várias vezes. A Corporação Harrison tem negócios lá.
— Como é lá? — perguntou ela. — Não é estranho eu ter sido criada na cultura indiana, mas nunca ter ido lá?
— Eu levarei você lá um dia. Pelo menos, é provável que fale o idioma
— respondeu ele em tom de brincadeira.
— Só se formos para Andhra Pradesh ou para uma área que fale telugu
— respondeu ela. — Meus pais temporários e meu ex-marido eram de lá e falavam telugu. Não aprendi muito hindi.
— Sempre achei incrível que dois indianos não necessariamente conversam entre si porque há muitos dialetos na Índia — comentou Kade.
Asha deitou novamente a cabeça no peito de Kade e começou a brincar com os botões da camisa vermelha dele, decorada com bananas dançantes.
— Eu sei que as mulheres apanham lá também — disse ela hesitante. —
Leio muito sobre a Índia quando tenho a oportunidade. A violência doméstica lá é bem grande. É quase como se fosse aceitável. A maioria das mulheres é tratada mal lá?
— Bater em uma mulher nunca é aceitável, por motivo algum —
resmungou Kade. — Homens que batem em mulheres, sejam norte-americanos ou indianos, são covardes idiotas que têm medo de arrumar uma briga com alguém que possa vencer. — Ele suspirou e continuou: — Eu queria poder lhe dizer que as coisas são ótimas, mas a taxa de violência doméstica na Índia é alta. Eu estive lá a negócios e nunca me envolvi totalmente na cultura. Mas ainda é uma sociedade patriarcal e há uma grande porcentagem de homens que não valorizam as mulheres como deveriam. E certamente não há oportunidades iguais, apesar de haver agora leis que protegem as mulheres, mas que não são usadas. A geração mais nova está tentando fazer com que as mudanças aconteçam, mas é uma batalha longa.
— E o divórcio ainda é um tabu — acrescentou ela.
Kade não podia mentir. — Em sua grande maioria... sim. Ele não é amplamente aceito. Mas você não está na Índia, Asha. — Tentando mudar de assunto, ele perguntou curioso: — Você nunca me contou por que ainda usa o sobrenome do seu pai. Se foi casada, não usou o sobrenome dele?
— Meu nome de casada era Kota, mas passei a usar novamente o sobrenome do meu pai quando me divorciei de Ravi. Acho que foi uma forma de assumir novamente o controle da minha identidade.
Kade gostou da ideia de ela passar a usar novamente o sobrenome do pai e não ter mais o sobrenome de um idiota. — A borboleta algum dia sairá do casulo? — perguntou ele distraído, brincando com os cachos sedosos dos cabelos dela.
Ela ergueu a cabeça e abriu um sorriso tímido. — É um processo longo.
Sempre que acho que estou progredindo, tiro mais um pouco das asas.
Kade sentiu o coração saltar ao ver o sorriso dela. Decidiu que queria ver aquela expressão feliz constantemente no rosto de Asha, em todas as horas e a cada minuto de cada dia. Ela passara por dor e conflito suficientes nos vinte e sete anos de vida. Asha nascera para brilhar e Kade queria deixar
tudo mais fácil para ela depois do que sofrera. — Quando acha que isso acontecerá?
O sorriso dela aumentou. — Depois da experiência no balcão da cozinha, acho que preciso tirar mais um pedacinho da asa de dentro do casulo.
Kade gemeu internamente, sentindo o pênis inchado estremecer de desejo. O sorriso dela fez com que seu coração flutuasse e o fato de ela se sentir confortável o suficiente para mencionar aquela experiência íntima sem hesitação fez com que ele sentisse que estavam presos em um mundo só deles.
O lugar dela é ao meu lado.
Kade não conseguiu impedir a necessidade possessiva e animal de conquistá-la, de segurá-la tão perto que ela nunca iria embora. Se fosse, a luz que ligara dentro dele morreria. Alguma coisa estava acontecendo com ele, algo incrível. E ele não queria que aquela sensação incrível terminasse.
Pouco a pouco, a escuridão dentro dele era espantada pela presença brilhante de Asha.
Com um rosnado, ele a virou, prendendo-lhe o corpo sob o seu, o que lhe causou uma sensação fantástica. Mantendo os braços dela presos sobre a cabeça, ele sentiu a satisfação carnal de tê-la exatamente onde a queria. —
Eu ficaria mais do que feliz em fazer a borboleta emergir completamente.
— De fato, ele tinha quase certeza de que enlouqueceria se não entrasse nela muito em breve. Ele queria que a borboleta abrisse as asas e voasse.
Kade a sentiu estremecer com uma expressão que era parte desejo e parte hesitação. Ele sabia que a estava pressionando demais, depressa demais, mas não conseguia controlar a vontade de possuí-la. Observá-la e sentir o clímax sobre os dedos fora algo incrível, mas ele queria lhe dar mais, mostrar a ela que o prazer de uma mulher podia ser muito maior. E, de forma egoísta, queria que ela o desejasse.
Rangendo os dentes com a dor de querer trepar com ela até que gritasse seu nome, ele estudou o rosto de Asha, procurando um sinal, qualquer sinal, de que ela queria o mesmo. De que sentia o mesmo que ele.
— Estou aqui para fazer um trabalho — disse ela tristemente. — Não posso fazer isso.
— Foda-se o trabalho. É sobre você e eu. Não tinha nada a ver com o trabalho. Você é incrivelmente talentosa e quero que faça sua mágica em
todas as paredes desta casa, mas não era por isso que eu a queria aqui —
admitiu ele frustrado.
— Você me trouxe aqui por causa de sua irmã e de Max? — perguntou ela com voz resignada.
— Eu trouxe você aqui porque não podia deixá-la ir embora. É muito simples. Eu só quero você — disse ele com voz rouca, sabendo que estava dando a ela corda suficiente para que o enforcasse, mas não se importou.
Pela primeira vez, controlar as emoções não queria dizer nada. — Eu quero respirar seu perfume e juro que, deste dia em diante, o cheiro de jasmim sempre me deixará de pau duro. Quero sentir o gosto do seu orgasmo na minha língua, quero fazer você gozar até que não consiga pensar em nada além de mim. E preciso estar dentro de você, trepar com você até que não saiba mais o seu nome. — Kade engoliu em seco e acrescentou: — Depois, quero que durma comigo e quero mantê-la tão perto de mim que você nunca mais terá um momento em que se perguntará se alguém a quer. Porque eu a quero, Asha. Quero você o suficiente para compensar todas as pessoas na sua vida que não a quiseram.
Ela o encarou de boca aberta, com expressão estupefata. — Não sou ninguém especial. Não estou entendendo.
Kade encostou a cabeça no ombro dela com um gemido, percebendo que soara como um idiota completo. — Você é especial. É isso que estou tentando lhe dizer.
Ela puxou os pulsos e Kade a soltou com relutância. A mente e o corpo gritavam para mantê-la, mas ela obviamente não entendia como ele se sentia. Ora, nem mesmo ele entendia. Os sentimentos por ela estavam totalmente fora de controle, mas ele não conseguia evitar. As emoções eram mais fortes do que o bom senso.
Esperando que ela o empurrasse para longe, Kade estremeceu ao sentir as mãos dela deslizarem sob a camisa até as costas, explorando a pele nua.
Colocando os lábios perto de seu ouvido, ela sussurrou: — Não tenho casa e mal sobrevivo. Meus seios são muito pequenos e não sou sedutora. Só estive com um homem em toda minha vida e sexo nunca foi algo que eu quisesse ou achasse que precisava. Mas estou começando a precisar de você e isso me assusta. Não sei por que você me quer, mas posso garantir que quero você mais. Eu sei que não deveria estar lhe dizendo como me sinto,
mas não posso deixar que pense que não o quero. Porque eu quero. Quero tanto que chega a doer.
Kade ergueu a cabeça com impressão incrédula ao mergulhar nos olhos de chocolate de Asha. As palavras dela o deixaram completamente atônito, mas ele precisava que ela entendesse que queria mais do que apenas uma trepada. — Não me importa de onde você veio nem quanto dinheiro tem ou não tem. Só quero estar com você por ser quem é. Você é corajosa, talentosa, inteligente, sexy e completamente louca de querer um idiota como eu. Mas estou feliz por querer — respondeu ele com voz baixa e trêmula, com as emoções totalmente fora de controle. Asha encontrara o poço emocional dele, que se sentia enredado em uma teia de desejo tão apertada que não conseguia sair. E ele não tinha certeza de que queria escapar.
— Pare com isso. — Asha enterrou as mãos nos cabelos dele e puxou seu rosto para perto. — Você é o homem mais gentil que já conheci, é incrivelmente bonito e sexy e não me importo nem um pouco se não pode mais jogar futebol. E acho que a sua ex-namorada era louca ou inacreditavelmente superficial se não conseguiu ver o que tinha. Eu também quero você por ser quem é. Nem entendo de futebol, é só um jogo bobo.
— Ei, ei! Espere um pouco. Não chame o futebol de jogo bobo —
repreendeu ele em voz implicante, encostando a testa na dela. — Foi a minha vida inteira por anos.
— Talvez esteja na hora de fazer uma vida nova — sugeriu Asha hesitante. — Você tem muito mais a oferecer ao mundo do que apenas um jogo. Eu sei o quanto ele significou para você. Seria como tirar de mim a capacidade de fazer arte. Mas você é mais do que uma coisa só, Kade.
Ele engoliu em seco, emocionado pela fé dela. Sim. Talvez estivesse na hora de começar um novo capítulo em sua vida, como Asha tentava fazer com a dela. E ele não conseguia pensar em nada melhor do que começá-lo com a mulher sob ele. Poderia mergulhar no perfume sedutor dela, enterrar-se nela até não se importar com mais nada além dela. E ele assumiria contente a tarefa de fazê-la feliz e mantê-la assim. — Talvez esteja na hora de fazer alguma outra coisa — concordou ele com voz rouca, movendo-se os poucos centímetros necessários para cobrir os lábios tentadores com os seus.
A resposta instantânea dela só alimentou as chamas que já o consumiam.
A língua dela encontrou a sua e ela se contorceu para desabotoar a camisa
dele. Finalmente, ele sentiu os botões saltarem e a camisa se abriu, deixando que os corpos nus finalmente se encontrassem. E Kade perdeu completamente o controle. A sensação dos seios nus, que Kade achava serem do tamanho perfeito, deslizando contra seu peito foi algo tão erótico que ele ficou desesperado para que ela ficasse nua para sentir a pele dela contra o corpo inteiro.
— Toque em mim — pediu ele ao afastar a boca. Ele queria sentir as mãos dela em sua pele quente antes que perdesse totalmente a sanidade. Os dedos dela tinham acabado de começar a exploração tímida, estavam quase na cintura da calça, quando Kade ouviu um barulho no andar inferior.
— Kade? Você está em casa? — A voz vinha da cozinha e era de uma mulher.
— Merda! — A irmã dele escolhera uma péssima hora. E ele deveria ter sabido que não precisaria avisar que estava em casa. Sem dúvida, Mia passara em frente à sua casa diariamente, esperando. Kade quis trancar a porta do quarto e ignorá-la, mas sabia que não podia, apesar de ter certeza de que os testículos estavam quase azuis.
Asha congelou sob ele com expressão assustada. — Quem é?
Kade cerrou a mandíbula e forçou-se a sair do paraíso doce entre as coxas de Asha. — É Mia, sua nova cunhada irritante. — Kade amava a irmã, mas, considerando o que ela interrompera, só queria que desaparecesse por pelo menos uma semana. Talvez duas. — Sem dúvida, Maddie está com ela. E provavelmente Max.
Kade se ergueu e Asha se levantou rapidamente, segurando a camisa sem botões no peito. — Ai, meu Deus. Não estou pronta para isso —
resmungou ela.
Ele abriu um sorriso malicioso. — Acho melhor pegar uma blusa.
Observando-a correr pelo quarto, abrindo gavetas freneticamente, ele sorriu ainda mais. Ela parecia muito adorável quando estava nervosa.
Vasculhando a mochila, ela pegou um sutiã, vestiu-o e prendeu o fecho na parte da frente. Kade fez uma careta, achando uma pena.
— Pode pegar uma camisa para mim? — pediu ela nervosa, olhando-se no espelho e fazendo uma careta para o reflexo. — Parece que acabei de sair da cama — disse ela com voz trêmula.
— Foi o que aconteceu — respondeu ele, soando contente consigo mesmo. Saber que ela estava nervosa por sua culpa fez com que ele
quisesse levá-la de volta para a cama para terminar o assunto.
— Não quero que eles saibam disso — sibilou ela, pegando uma escova de cabelos da bolsa e penteando-se furiosamente.
— Kade? — A voz de Mia soou novamente, desta vez mais perto.
Ele correu até a porta do quarto e gritou: — Desceremos em um minuto!
— A última coisa que ele queria era ser confrontado por Mia, Max e Maddie no quarto de Asha. A aparência deles levaria a perguntas que ele não poderia ou não gostaria de responder. Ele achou que deveria pegar outra camisa para si mesmo, mas foi até o armário e observou a seleção que Mia escolhera para Asha. Encontrando uma camisa de seda vermelha com um desenho preto, ele a tirou do cabide e andou até onde Asha estava. Ele segurou a camisa aberta enquanto ela colocava os braços dentro das mangas e abotoava-a apressadamente. Ele pegou a escova da mão dela e colocou-a sobre a cômoda. — Pare de torturar seus cabelos. Você está linda — disse ele, pegando sua mão e levando-a para o outro lado do corredor.
Ele pegou uma camisa do armário de seu quarto e vestiu-a. Em seguida, pegou a mão dela novamente. — Pronta?
— Não. Sou uma covarde. Não quero ir lá para baixo — disse ela com sinceridade. Ele sentiu o pânico em sua voz.
— Então não vá — respondeu ele. — Eu descerei e inventarei uma desculpa. Se não está pronta para conhecê-los, eles podem esperar.
Asha suspirou. — Não posso fazer isso com eles. Foram gentis o suficiente para vir aqui me conhecer. Não posso ser rude. Não quero ferir os sentimentos deles.
Kade deu de ombros. — Claro que pode. Se não está pronta, eles podem esperar. — A preocupação principal dele era se Asha estava ou não confortável. Maddie, Mia e Max estavam lá porque não conseguiam conter a curiosidade. Asha estava totalmente aterrorizada.