O Livro de Cesário Verde
Noites Gelidas
Com seu rostinho estreito, friorento,
Caminha agora para o seu ensaio.
E aos outros eu admiro os dorsos, os costados Como lajões. Os bons trabalhadores!
Os filhos das lezirias, dos montados;
Os das planicies, altos, aprumados;
Os das montanhas, baixos, trepadores!
Mas fina de feições, o queixo hostil, distincto, Furtiva a tiritar em suas pelles,
Espanta-me a actrizita que hoje pinto,
N'este dezembro energico, succinto,
E n'estes sitios suburbanos, reles!
Como animaes communs, que uma picada esquente, Elles, bovinos, masculos, ossudos,
Encaram-n'a sanguinea, brutamente:
E ella vacilla, hesita impaciente
Sobre as botinhas de tacões agudos.
Porém, desempenhando o seu papel na peça, Sem que inda o publico a passagem abra, O demonico arrisca-se, atravessa
Covas, entulhos, lamaçaes, depressa,
Com seus pésinhos rapidos, de cabra!
NOITES GELIDAS