O Livro de Cesário Verde

Cesário Verde · Capítulo 11 de 29

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O Livro de Cesário Verde

Noites Gelidas

Com seu rostinho estreito, friorento,

Caminha agora para o seu ensaio.

E aos outros eu admiro os dorsos, os costados Como lajões. Os bons trabalhadores!

Os filhos das lezirias, dos montados;

Os das planicies, altos, aprumados;

Os das montanhas, baixos, trepadores!

Mas fina de feições, o queixo hostil, distincto, Furtiva a tiritar em suas pelles,

Espanta-me a actrizita que hoje pinto,

N'este dezembro energico, succinto,

E n'estes sitios suburbanos, reles!

Como animaes communs, que uma picada esquente, Elles, bovinos, masculos, ossudos,

Encaram-n'a sanguinea, brutamente:

E ella vacilla, hesita impaciente

Sobre as botinhas de tacões agudos.

Porém, desempenhando o seu papel na peça, Sem que inda o publico a passagem abra, O demonico arrisca-se, atravessa

Covas, entulhos, lamaçaes, depressa,

Com seus pésinhos rapidos, de cabra!

 

NOITES GELIDAS