O Livro de Cesário Verde
Capítulo II
Vem ao trabalho, ao sustento,
Com fouces, sachos, enchadas!
Ai o palheiro das servas
Se o feitor lhe tira as chaves!
Ellas chegam ás catervas,
Quando acasalam as aves
E se fecundam as hervas!…
II
Ao meio dia na cama,
Branca fidalga o que julga
Das pequenas da su'ama?!
Vivem minadas da pulga
Negras do tempo e da lama.
Não é caso que a commova
Ver suas irmans de leite,
Quer faça frio, quer chova,
Sem uma mamã que as deite
Na tepidez d'um alcova?!
Nota: Incompleta esta poesia. Foram os ultimos versos do poeta.
NOTAS
Cesario Verde (José Joaquim Cesario Verde) nasceu em Lisboa, freguesia da Magdalena, em 25 de fevereiro de 1855 e falleceu no Paço do Lumiar em 19 de julho de 1886. Era filho do sr. José Anastacio Verde, negociante, e da srª. D. Maria da Piedade dos Santos Verde.
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A estreia do poeta nos dominios da publicidade data de 1873. Foi o auctor d'estas notas e editor d'este livro quem fez publicar no Diario da Tarde do Porto, em folhetim, os primeiros versos de Cesario Verde, precedendo-os de uma carta de apresentação a Manoel d'Arriaga. Esses versos não se reproduzem no livro de Cesario Verde, porque o poeta os considerou muito inferiores aos que hoje se reproduzem. Realmente o eram—pela hesitação do neophyto.
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Outros versos foram condemnados pelo auctor e a condemnação foi hoje respeitada: entre elles citaremos a Satyra ao Diario Illustrado, as poesias Vaidosa, Subindo, Desastre, e algumas outras composições de menos folego.
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No Prefacio registra-se a promessa de um estudo critico sobre a Obra de Cesario Verde. Essa obra, dispersa nas columnas do Diario da tarde, do Porto, da Renascença, da Revista de Coimbra, da Tribuna, da Illustração, etc., não será discutida pelo auctor d'estas linhas. Não é hoje discutida, nem o será jamais. Sobeja-lhe, ao auctor da promessa, em enternecimento e amargura quanto lhe falta em serenidade; —ficam auctorizados a dizer: quanto lhe falta em competencia.
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