O Livro de Cesário Verde

Cesário Verde · Capítulo 18 de 29

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O Livro de Cesário Verde

Capítulo II

E apinham-se n'um bairro aonde miam gatas, E o peixe pôdre géra os focos de infecção!

 

II

NOITE FECHADA

Toca-se as grades, nas cadeias. Som

Que mortifica e deixa umas loucuras mansas! O aljube, em que hoje estão velhinhas e creanças, Bem raramente encerra uma mulher de «dom»!

E eu desconfio, até, de um aneurisma

Tão morbido me sinto, ao accender das luzes; Á vista das prisões, da velha sé, das cruzes, Chora-me o coração que se enche e que se abysma.

A espaços, illuminam-se os andares,

E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos Alastram em lençol os seus reflexos brancos; E a lua lembra o circo e os jogos malabares.

Duas egrejas, n'um saudoso largo,

Lançam a nodoa negra e funebre do clero: N'ellas esfumo um ermo inquisidor severo, Assim que pela Historia eu me aventuro e alargo.

Na parte que abateu no terremoto,

Muram-se as construcções rectas, eguaes, crescidas; Affrontam-me, no resto, as ingremes subidas, E os sinos d'um tanger monastico e devoto.