O Livro de Cesário Verde

Cesário Verde · Capítulo 21 de 29

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O Livro de Cesário Verde

De Tarde

E n'estes nebulosos corredores

Nauseam-me, surgindo, os ventres das tabernas; Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas, Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.

Eu não receio, todavia, os roubos;

Afastam-se, a distancia, os dubios caminhantes; E sujos, sem ladrar, osseos, febris, errantes, Amarelladamente, os cães parecem lobos.

E os guardas, que revistam as escadas, Caminham de lanterna e servem de chaveiros; Por cima, as immoraes, nos seus roupões ligeiros, Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.

E, enorme, n'esta massa irregular

De predios sepulchraes, com dimensões de montes, A Dôr humana busca os amplos horisontes, E tem marés, de fel, como um sinistro mar!

 

DE TARDE

N'aquelle «pic-nic» de burguezas,

Houve uma cousa simplesmente bella,

E que, sem ter historia nem grandezas,

Em todo o caso dava uma aguarella.

Foi quando tu, descendo do burrico,

Foste colher, sem imposturas tolas, A um granzoal azul de grão de bico