O Livro de Cesário Verde
De Tarde
E n'estes nebulosos corredores
Nauseam-me, surgindo, os ventres das tabernas; Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas, Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.
Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distancia, os dubios caminhantes; E sujos, sem ladrar, osseos, febris, errantes, Amarelladamente, os cães parecem lobos.
E os guardas, que revistam as escadas, Caminham de lanterna e servem de chaveiros; Por cima, as immoraes, nos seus roupões ligeiros, Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.
E, enorme, n'esta massa irregular
De predios sepulchraes, com dimensões de montes, A Dôr humana busca os amplos horisontes, E tem marés, de fel, como um sinistro mar!
DE TARDE
N'aquelle «pic-nic» de burguezas,
Houve uma cousa simplesmente bella,
E que, sem ter historia nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarella.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas, A um granzoal azul de grão de bico