O Livro de Cesário Verde
Nós
Scismatico, doente, azedo, apoquentado, Eu agourava o crime, as facas, a enxovia, Assim que um besuntão dos taes se apercebia Da minha blusa azul e branca, de riscado.
Minaveis, ao serão, a cabecita loira,
Com contos de provincia, ingenuas creaditas: Quadrilhas assaltando as quintas mais bonitas, E pondo a gente fina, em postas, de salmoira!
Na noite velha, a mim, como tições ardendo, Fitavam-me os olhões pesados das ciganas; Deitavam-n'os o fogo aos predios e arribanas; Cercava-me um incendio ensanguentado, horrendo.
E eu que era um cavallão, eu que fazia pinos, Eu que jogava a pedra, eu que corria tanto; Sonhava que os ladrões—homens de quem m'espanto Roubavam para azeite a carne dos meninos!
E protegia-te eu, n'aquelle outomno brando, Mal tu sentias, entre as serras esmoitadas, Gritos de maioraes, mugidos de boiadas, Branca de susto, meiga e miope, estacando!
NÓS
A A. de S. V.