O Poder dos Quietos
Conclusão
O País das Maravilhas
Nossa cultura tornou uma virtude viver apenas como
extrovertidos. Desencorajamos a jornada interior, a busca
por um centro. Então perdemos nosso centro e temos que
encontrá-lo novamente.
— Anaïs Nin
Quer você seja um introvertido, quer um extrovertido que ama ou trabalha com um, espero que se beneficie pessoalmente das ideias deste livro. Aqui está um plano para levar com você:
O amor é essencial; a sociabilidade é opcional. Valorize aqueles mais próximos e queridos
para você. Trabalhe com colegas de quem goste e a quem respeite. Procure entre seus novos conhecidos aqueles que podem cair na primeira categoria ou de cuja companhia você goste por si mesma. E não se preocupe em socializar com todos os outros. Relacionamentos deixam todos mais felizes, inclusive introvertidos, mas pense mais na qualidade do que na quantidade.
O segredo da vida é colocar a si mesmo sob a luz certa. Para alguns são os holofotes da
Broadway; para outros, uma escrivaninha iluminada. Use seus poderes naturais — a persistência, a concentração, o discernimento e a sensibilidade — para fazer um trabalho que você ama e com o qual se importa. Resolva problemas, faça arte, pense profundamente.
Descubra qual deve ser a sua contribuição para o mundo e assegure-se de contribuir. Se para
isso for necessário falar em público, fazer contatos ou desempenhar outras atividades que o deixam desconfortável, faça assim mesmo. Mas aceite que são atividades difíceis, treine o necessário para facilitá-las e recompense a si mesmo quando terminar.
Deixe seu emprego de âncora na TV e forme-se em biblioteconomia. Mas se ser um âncora
de TV for a sua paixão, então crie uma persona extrovertida para enfrentar o dia. Aqui está a regra para eventos de networking: uma nova relação realmente boa e honesta vale uma dezena de cartões de visita. Corra para casa depois e caia no sofá. Crie seus nichos restauradores.
Respeite a necessidade de socialização de seus entes queridos, e a sua própria de solidão (e
vice-versa, se você for um extrovertido).
Passe seu tempo livre como quiser, não da maneira que acha que deve. Fique em casa no
ano-novo se é o que o deixa feliz. Falte a uma reunião de comitê. Atravesse a rua para evitar conversar banalidades com conhecidos aleatórios. Leia. Cozinhe. Corra. Escreva uma história. Faça um acordo consigo mesmo de que irá a um certo número de eventos sociais em troca de não se sentir culpado quando resolver faltar.
Se seus filhos são quietos, ajude-os a fazer as pazes com novas situações e novas pessoas, mas também os deixe serem eles mesmos. Deleite-se com a originalidade de suas mentes. Orgulhe-se da força de suas consciências e da lealdade de suas amizades. Não espere que eles apenas sigam a correnteza. Encoraje-os, em vez disso, a seguir suas paixões. Festeje quando eles contarem os frutos dessas paixões, seja no banco do baterista, seja no campo de softbol, seja na página escrita.
Se você for professor, desfrute de seus alunos gregários e participativos. Mas não se esqueça
de valorizar os tímidos, gentis, autônomos, aqueles que se entusiasmam com kits de química, taxonomia de papagaios ou arte do século XIX. Eles são os artistas, engenheiros e pensadores de amanhã.
Se você for um gerente, lembre-se de que entre um terço e metade da sua mão de obra
provavelmente é introvertida, quer pareça, quer não. Pense duas vezes na maneira como você dispõe os escritórios da sua empresa. Não espere que introvertidos fiquem empolgados com escritórios abertos, festas de aniversário na hora do almoço ou viagens de construção de equipes. Aproveite ao máximo os pontos fortes dos introvertidos — estas são as pessoas que podem ajudá-lo a pensar profundamente, criar estratégias, resolver problemas complexos e encontrar agulhas no palheiro.
Lembre-se também dos perigos do Novo Pensamento de Grupo. Se é de criatividade que
você precisa, peça a seus funcionários para resolverem problemas sozinhos antes de compartilhar suas ideias. Se você quiser a sabedoria da multidão, reúna-a virtualmente ou por escrito e assegure-se de que as pessoas não vejam as ideias umas das outras até que todas tenham tido uma chance de contribuir. O contato cara a cara é importante, pois constrói confiança, mas a dinâmica de grupo contém obstáculos inevitáveis para o pensamento criativo. Planeje para que as pessoas interajam uma a uma ou em pequenos grupos casuais. Não confunda assertividade ou eloquência com boas ideias. Se você tiver uma mão de obra proativa (e eu espero que você tenha), lembre-se de que ela pode ter uma melhor performance sob o comando de um líder introvertido do que sob o comando de um extrovertido ou carismático.
Quem quer que você seja, tenha em mente que as aparências enganam. Algumas pessoas
agem como extrovertidos, mas o esforço custa-lhes a energia, a autenticidade e até a saúde física. Outros parecem distantes e reclusos, mas suas paisagens interiores são ricas e cheias de atividades. Então da próxima vez que vir uma pessoa com o rosto plácido e uma voz suave, lembre-se de que em sua mente ela pode estar resolvendo uma equação, compondo um soneto, criando o design de um chapéu. Ou seja, ela pode estar empregando os poderes da quietude.
Sabemos pelos mitos e contos de fadas que há muitos tipos de poderes diferentes no mundo.
Uma criança recebe um sabre de luz; outra, a educação de um mago. O truque não é ter todos os tipos de poder disponíveis, mas usar bem o que você recebeu. Aos introvertidos é oferecida a chave para jardins privados cheios de riquezas. Possuir essa chave é cair como Alice no buraco do coelho. Ela não escolheu ir para o País das Maravilhas — mas transformou isso numa aventura que era nova, fantástica e pessoal.
Aliás, Lewis Carroll também era um introvertido. Sem ele, não haveria Alice no País das
Maravilhas . E agora isso não deve nos surpreender.