O Ponto de Equilíbrio

Christine Carter · Capítulo 12 de 21

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O Ponto de Equilíbrio

Capítulo 6

Com o m orrer feliz, generoso e am ado “Mas quem poderia prever que ele

m orreria um hom em feliz, generoso e am ado? Apenas aqueles que

com preendem que a felicidade é apenas a carroça; o am or é o cavalo.”

– George E. Vaillant Se levarm os em conta os últim os dois séculos de

pesquisas nas áreas de sociologia e psicologia, a descoberta m ais

significativa sobre o bem -estar é que nossa saúde, felicidade e longevidade

podem ser estim adas com base na extensão e profundidade dos nossos

vínculos sociais positivos – as am izades, os relacionam entos fam iliares, a

intim idade com vizinhos e com aqueles que fazem parte do nosso dia a dia.

As pessoas com m uitos vínculos sociais são m enos propensas a vivenciar

tristeza, solidão, baixa autoestim a e problem as com alim entação e sono, e

são m ais propensas a levar a vida positivam ente.

Isso significa que construir um a ligação m ais forte com quem j á conhecem os, assim com o criar vínculos novos e positivos, pode nos levar a um a vida m ais feliz, saudável, bem -sucedida e tranquila. Contatos sociais nos aj udam a viver e trabalhar a partir de nossos pontos ideais, trazendo m ais força e tranquilidade à nossa vida. Por quê? Bem , as em oções positivas não são todas iguais. O am or e os sentim entos sim ilares que experim entam os quando nos conectam os socialm ente – afeição, carinho, ternura e com paixão – são m ais poderosos do que os outros.

Barbara Fredrickson diz que “o am or é a em oção suprem a. Sua presença ou ausência influencia tudo o que sentim os, pensam os, fazem os e nos tornam os. É um estado recorrente que vincula você – corpo e m ente – ao contexto social, aos corpos e m entes daqueles ao seu redor. Quando vivenciam os o am or nos tornam os m ais cientes da tram a m aior da vida e seguim os por um cam inho que leva a m ais saúde, felicidade e sabedoria”.

O estudo m ais antigo acerca do desenvolvim ento hum ano, o Harvard Grant Study, m apeou a saúde física e em ocional de m ais de 200 alunos de Harvard desde 1938 (isso quer dizer que m uitos dos participantes estão perto dos 100 anos – ou j á m orreram ). O Grant Study com prova que “a influência m ais im portante sobre um a vida prospera é, de longe, o am or”, com o um dos pesquisadores por trás do estudo, George Vaillant, explica em Triumphs of Experience (Triunfos da experiência).

As pessoas com diversos vínculos sociais são m ais felizes e têm m ais sucesso no trabalho e na escola. Quando um universitário se sente incluído, suas notas aum entam . Em certa pesquisa, estudantes am ericanos negros foram convidados a ler um a pequena declaração de estudantes m ais velhos sobre com o estes tinham se preocupado em ser aceitos e com o, no fim , as coisas tinham term inado bem . Em seguida, os estudantes gravaram um pequeno depoim ento sobre as próprias experiências de aceitação. Esta sim ples intervenção “levou a um a m elhoria na m édia acadêm ica em quase todos os sem estres”, escreve o neurocientista da UCLA, Matthew Lieberm an.

Além do sentim ento de pertencim ento, a “capacidade de construir relacionam entos” pode determ inar o sucesso no trabalho. Esta habilidade social se revelou m ais im portante do que “o foco em resultados” ao definir se um gestor entra na lista dos m elhores líderes em um a em presa. Da m esm a form a, as habilidades sociais de um indivíduo (fortem ente relacionadas a extensão e profundidade de seus vínculos sociais) são duas vezes m ais im portantes do que a inteligência para prever se os gestores, quando designados para um proj eto em grupo, se transform arão ou não em líderes.

E m uitas outras pesquisas m ostram que interações sociais positivas aj udam a saúde. De acordo com Barbara Fredrickson, a ausência de vínculos é m ais danosa à nossa saúde do que fum ar, consum ir álcool em excesso ou estar obeso. Esses estudos revelam que as pessoas que vivenciam laços m ais calorosos e afetivos têm m enos resfriados e problem as de pressão, assim com o estão m enos propensos a sofrer doenças cardíacas, m al de Alzheim er, derram e, diabetes e alguns tipos de câncer.

Matthew Lieberm an, autor de Social, diz: “Aum entar os vínculos sociais em nossa vida é, provavelm ente, a form a m ais fácil de aprim orar nosso bem -estar.” O que nos torna hum anos é a nossa sociabilidade.

Muitos estudos econôm icos buscaram determ inar um valor para nossa vida social, estim ando quanto dinheiro precisaríam os ganhar para aum entar nossa sensação de bem -estar. Mas doar nosso tem po, ou aj udar financeiram ente causas nobres, tem o m esm o efeito que dobrar o nosso salário, no que diz respeito à felicidade. E encontrar um am igo ou parente próxim o quase todos os dias tem o m esm o efeito sobre o seu bem -estar que ganhar 100 m il dólares a m ais por ano. Ser casado tam bém “vale” um a m édia de 100 m il dólares anuais a m ais.

(Surpreso por ver coisas tão intangíveis de form a quantificada? Os econom istas usam bancos de dados im ensos e m étodos estatísticos sofisticados para definir tais coisas. O processo envolve determ inar um a am ostra aleatória de indivíduos, registrar seus níveis de felicidade em diferentes m om entos da vida e então usar equações para calcular o “preço oculto” de diferentes com portam entos, em oções e relacionam entos.) Quando nossos relacionam entos prosperam , nós tam bém prosperam os. A razão pela qual nossas em oções sociais são tão poderosas pode ser encontrada no sistem a cerebral responsável por pensam ento social, o córtex pré-frontal dorsom edial, que se ativa mesmo que não estejamos engajados em uma tarefa cognitiva ou não social. É a parte do cérebro que usam os para analisar com o outra pessoa está se sentindo ou no que está pensando, e ela nos aj uda a criar ligações e a harm onizar nossas ações com as de outros indivíduos. Este sistem a passa tanto tem po ativado, na m aioria de nós, que os neurocientistas o denom inaram de “rede em m odo default” (antes de descobrirem sua função). Eles viram que o sistem a se m antinha sem pre ativo quando os participantes da pesquisa não estavam resolvendo um problem a e perceberam que este é o m odo padrão de funcionam ento do cérebro hum ano. O pensam ento social é o estado preferencial do cérebro.

Talvez sej a por isso que, ao aprenderm os algo com nossos laços sociais em m ente – com o quando adquirim os algum conhecim ento com a intenção de ensiná-lo a alguém –, o cérebro retenha m uito m elhor as inform ações do que quando estam os só tentando m em orizar. Os pesquisadores cham am isso de “vantagem na codificação social”. Por exem plo, m eus filhos aprendem conceitos com plexos com m ais facilidade quando pedim os que eles ensinem aquele conteúdo para a fam ília inteira, durante o j antar. O ser hum ano é program ado para m anter o vínculo com o clã. E é recom pensado com m aior sucesso, felicidade e saúde quando o faz.

O AMPLIFICADOR DE EMOÇÕES POSITIVAS

As redes sociais introduziram m uita confusão no que diz respeito à força de nossa constituição social e dos vínculos que com partilham os. Atualm ente estam os m ais conectados do que em qualquer outra época? Ou será que a “conexão” por m eio de dispositivos eletrônicos é diferente da conexão real, cara a cara?

Nossa suspeita de que as conexões on-line sej am qualitativam ente distintas das interações pessoais está correta. Com unicar-se com am igos e fam ília por m eio de m ensagens de texto, e-m ail e redes sociais é diferente de passar tem po com eles, conversando pessoalm ente. Com preendem os, de m odo intuitivo, que algo diferente acontece conosco quando estam os no m esm o am biente que alguém .

Esta diferença é algo que Barbara Fredrickson cham a de “ressonância positiva”, nada m enos do que um a em oção positiva am plificada em algo m aior do que seria se estivéssem os sozinhos. A ressonância positiva ocorre em pequenos m om entos em otivos fugazes, na form a de três eventos m uito bem entrelaçados:

 

Com partilham os um a ou m ais em oções positivas com outra pessoa. Nossa bioquím ica e linguagem corporal estão em sincronia com as do outro.

Dam os valor e m ostram os disposição de investir no bem -estar um do outro.

Se lhe ofereço um sorriso caloroso, você pode com partilhar a m inha em oção positiva. Parte do seu cérebro vai ligar, e é com o se fosse você sorrindo. Num instante, os nossos cérebros sincronizam . Da m esm a form a, se estou contando um a história e você ouve com atenção, sua atividade cerebral vai espelhar a m inha de form a chocante. Muito foi falado acerca de neurônios-espelho, m as pesquisas recentes m ostram que existe m uito m ais ocorrendo do que apenas alguns neurônios-espelho isolados atuando num a única área do cérebro. Na verdade, toda a sua atividade cerebral será quase igual à m inha – algo que neurocientistas cham am de “casam ento neuronal”. O casam ento neuronal ocorre entre quaisquer pessoas, não apenas com indivíduos em relacionam entos j á estabelecidos.

Nós com preendem os as em oções daqueles com quem estam os por m eio dessa sincronia. Quando sorrio, você entende o que m eu sorriso significa, pois os seus m úsculos faciais se ativam de form a im perceptível, im itando m inha expressão e estim ulando a em oção em seu próprio cérebro. Então, se rio de form a irônica, você sabe “intuitivam ente” que o riso é m aldoso porque vivencia essa em oção. E se m inha risada for um a expressão de alegria genuína, de felicidade real, você tam bém sentirá isso. Com preender as em oções dos outros “não é abstrato e conceitual, é algo físico e incorporado”, explica Fredrickson.

As em oções com partilhadas levam a um a fisiologia com partilhada. Nosso ritm o cardíaco e respiração entram em sincronia. Esta atividade interna conduz a m udanças com portam entais externas. As pessoas que vivenciam um vínculo positivo – um a ressonância positiva – com eçam , de form a inconsciente, a im itar as linguagens corporais um as das outras. E estudos m ostram que em oções positivas literalm ente abrem nosso coração: elas expandem a parte da caixa torácica que acom oda o coração, erguendo e expandindo a cavidade do peito. Segundo Fredrickson, esse gesto inconsciente nos torna m ais atraentes aos olhos de quem está à nossa volta e m ais abertos às interações. Quando duas pessoas se conectam de verdade, o observador pode identificar quatro indícios não verbais específicos:

 

Elas sorriem um a para a outra com frequência (aquele sorriso autêntico, de enrugar os olhos, que os pesquisadores cham am de sorriso Duchenne).

Elas fazem gestos abertos e am igáveis com as m ãos (com o estender as palm as).

Elas ficam m ais perto (aproxim ando, literalm ente, seus corações). Elas acenam a cabeça com frequência, sinalizando que concordam e se aceitam .

Aqueles que vivenciam um a “ressonância positiva” estão, de fato, fazendo um a dança sincronizada. Eles se tornam um a unidade, em vez de dois indivíduos isolados. Esta ressonância positiva é diferente do am or, afeição ou com paixão que sentim os quando estam os sozinhos, ou m esm o quando recebem os um a m ensagem de texto adorável de am igos ou am antes. Quando em oções positivas ressoam entre duas pessoas, elas são amplificadas. Ficam m aiores do que seriam se estivéssem os sozinhos.

Deveríam os falar com estranhos?

Novos estudos dem onstram que a ressonância positiva com estranhos tem o

poder de nos fazer m ais felizes. Pesquisadores escolheram ao acaso

voluntários para conversarem com desconhecidos que se sentassem a seu lado no m etrô, toda m anhã. Quase ninguém pensou que iria gostar de abrir m ão da privacidade m atinal para ter conversas breves com alguém que não

conhecia, e que provavelm ente nunca veria novam ente. Mas adivinhe! Os voluntários que bateram papo gostaram m ais de suas m anhãs no m etrô do

que os participantes que puderam ler seus livros ou term inar as palavras cruzadas em silêncio. Além disso, nenhum dos participantes do estudo foi esnobado. Outras pesquisas indicam que estranhos abordados em espaços

públicos tam bém pensavam que não queriam conversar, m as depois

acabaram gostando da experiência.

Em outro estudo, os pesquisadores avaliaram a interação dos voluntários

com seus entes queridos e com pessoas que eles conheciam pouco. E

observaram que interagir com desconhecidos e com entes queridos deixou

os participantes, tanto os introvertidos quanto os extrovertidos, m ais

contentes.

Por fim , as pesquisas m ostram que reconhecer a presença de outros por

m eio de um a troca de olhares ou um sorriso aj uda as pessoas a se sentirem m ais conectadas. Então, falar com desconhecidos, estranham ente, nos deixa

m ais felizes.

Aprender que este tipo de ligação com outras pessoas poderia m e aj udar a ter um dia m ais fácil m e levou a desej ar ainda m ais conexões com quem estava à m inha volta. Vivo cum prim entando e sorrindo para aqueles por quem eu norm alm ente passaria direto. Com o sei que o contato visual é im portante para criar vínculos, hoj e faço m ais esforço para olhar todos nos olhos. Com o sei que a m elhor form a de com unicar afeto é por m eio do toque, então é provável que eu segure seu braço enquanto conversam os ou que apoie m inha m ão em seu om bro ao nos despedirm os. Antes de ler essas pesquisas, eu resistia ao im pulso de abraçar quando pensava que seria m ais socialm ente adequado apertar a m ão – m as hoj e assum o m inha natureza abraçadora.

O que a ciência nos ensina é que a ressonância positiva que tem os com desconhecidos é bastante sim ilar àquela que sentim os nos relacionam entos m ais íntim os. De um ponto de vista biológico, o contato com estranhos gera praticam ente a m esm a reação e os m esm os benefícios que o contato com nosso m elhor am igo. A grande diferença está na frequência e velocidade com a qual tem os pequenos m om entos de “ressonância positiva”. Tratando-se de um cônj uge, fam iliar ou am igo, estes m om entos ocorrem com m aior frequência do que com pessoas pouco conhecidas.

Outro fato im portante para m im é que nossos relacionam entos m ais profundos são continuamente criados e reforçados em tempo real por instantes repetidos de am or e atenção. Às vezes esquecem os que o casam ento não é apenas a cerim ônia; o m om ento no qual fazem os um com prom isso vitalício nada m ais é do que algum as horas de am or am plificado. Portanto, aquela ressonância positiva, por m ais intensa que tenha parecido, vai enfraquecer.

Tudo isso para nos lem brar do que j á sabem os (e que, às vezes, desej am os que não fosse verdade): relacionam entos precisam ser cultivados e cuidados. Brené Brown escreve que “o am or requer tenacidade e determ inação. É trabalhoso. E quando as pessoas dizem que o am or não deveria ser tão difícil, penso: ‘Por que não?’ Nós recebem os tanto de nossos relacionam entos m ais im portantes... Faz sentido que sej a necessário investir m uito tem po, esforço e considerável autoanálise em troca”.

Cultivar relações pode ser trabalhoso ou divertido, isso dependerá da personalidade e do relacionam ento. A questão é que nossas ações e nosso com portam ento – conscientes ou não – possibilitam que os relacionam entos prosperem . Parte do trabalho que devem os fazer é reconhecer e cultivar o am biente adequado para nossas relações. A am plificação de em oções positivas exige algum as condições específicas. A ressonância positiva só pode surgir quando nos sentim os seguros – esta é a prim eira condição. Se a pessoa com quem estam os é, de algum a form a, am eaçadora ou se ela ativa em nós um a reação de luta ou fuga, não serem os capazes de vivenciar um a sincronia de em oções positivas, nem os benefícios do am or am plificado.

A segunda condição para a ressonância positiva é um a conexão física. Nossos corpos e cérebros entram em sintonia ao testem unhar os indícios não verbais que vêm com um a conexão em ocional positiva, por m eio de contato visual, im itação inconsciente de expressões faciais, pelo nosso tom de voz e m esm o pelo toque. Então, apesar de ser possível sentir um a em oção profunda de am or ao receber um bilhete rom ântico, esta em oção é particular. Ela não ressoa entre nós, não é am plificada.

E há um terceiro elem ento: precisam os criar conexões o tem po todo. Estes pequenos m om entos de conexões positivas são com o todas as em oções – fugazes. A ligação com outra pessoa é evocada, se m anifesta e então enfraquece. Quando pensam os em am or, norm alm ente pensam os nos laços que são criados por m eio da ressonância positiva. Mas, com o dizem os budistas, o dedo que aponta para a lua não é a lua. Os casam entos, com prom issos e laços genuínos de am or não são a em oção de am or em si.

Pequenos m om entos de ressonância positiva são recursos im ensos e poderosos que podem afetar nosso futuro com aqueles que am am os. Quando vivenciam os a conexão positiva do am or am plificado, aum entam as chances de responderm os positivam ente, no futuro, àquela pessoa. É por isso que sentim os um grande bem -estar quando encontram os um velho am igo de escola no superm ercado, fazendo um a conexão rápida e fácil, apesar de j á ter se passado um a década desde a últim a vez em que nos vim os.

GERANDO AMOR E CONEXÃO

Então, se nossa felicidade e nosso sucesso podem ser estim ados com base na quantidade e qualidade de relacionam entos que m antem os, e nossos relacionam entos são construídos por m eio destes pequenos m om entos de conexão positiva, fica a questão: qual é o m elhor m odo de criar vários m icrom om entos de conexão positiva? Existem m uitas form as de fazê-lo, m as a m elhor é tornar-se um grande doador.

O que ganham os quando doam os

Para com eço de conversa, sabem os que m uitas pessoas colhem suas recom pensas m ais significativas em am bientes de negócios. De acordo com Adam Grant, professor da Wharton School e autor de Dar e receber, os doadores desenvolvem m aiores habilidades de estabelecer rede de contatos, colaboração, avaliação e influência. Então, a longo prazo, eles tendem a ser m ais bem -sucedidos.

Tam bém sabem os que aj udar os outros aum enta a longevidade e m elhora a saúde física. As pessoas que fazem trabalho voluntário costum am sofrer m enos dores e incôm odos. Indivíduos de 55 anos ou m ais que trabalham voluntariam ente para duas ou m ais organizações têm o risco de m orrer reduzido em 44% – e isso descontando todos os outros fatores que influenciam a saúde, com o exercícios, sexo, situação conj ugal e fum o. É um efeito m ais forte do que aquele obtido ao se exercitar quatro vezes por sem ana ou ir à igrej a.

Experim entam os um grande bem -estar quando doam os; é o que os pesquisadores cham am de “barato de quem aj uda”, um a sensação física específica associada ao ato de aj udar. Cerca de m etade dos participantes de um estudo relataram que se sentiram m ais fortes e energizados após auxiliar outras pessoas. Muitos tam bém declararam sentir-se m ais calm os e m enos deprim idos, com autoestim a elevada. É provável que isso sej a literalm ente um “barato”, sim ilar àquele induzido pelas drogas. Por exem plo, o ato de fazer um a doação em dinheiro ativa o centro de recom pensa em nosso cérebro responsável pela euforia provocada por dopam ina.

De m aneira sim ilar, o trabalho voluntário reduz sintom as da depressão. Adolescentes que são generosos, esperançosos e eficientes socialm ente tam bém são m ais felizes, ativos, entusiasm ados e engaj ados que seus colegas m enos generosos. Vários estudos m ostraram que, quando envolvidos em aj udar, eles têm m enos propensão ao suicídio, à reprovação na escola e ao uso de drogas. E tam bém tendem a ser m ais com petentes e ter m aior autoestim a.

Experim entos tam bém evidenciaram que os efeitos da gentileza em nossa saúde e felicidade são causais. Pessoas am áveis tendem a ser m ais felizes e saudáveis (e talvez por isso sej am gentis). Ser generoso com os outros fortalece nossos vínculos sociais e aum enta nossa autoestim a – intensificando a sensação de que tem os algo a oferecer para o m undo.

Todos sabem os que, quando as preocupações se instalam – O que ela achou de mim? Será que vou chegar a tempo? Vou ter dinheiro suficiente este mês? –, ficam os com pletam ente estressados. Ataques cardíacos e outras doenças relacionadas a estresse têm forte ligação com a m aneira com o as pessoas se referem a si mesmas em entrevistas, usando palavras com o eu, m eu, m inha. Em determ inado estudo, pacientes com doenças graves m ostraram -se focados dem ais em si.

Na verdade, doar faz com que deixem os de lado, por algum tem po, a preocupação com nossas questões e voltem os a atenção para os outros. Dessa form a, relaxam os e reduzim os o estresse, revertendo seus efeitos danosos sobre nosso corpo. “Um a das coisas m ais saudáveis que um a pessoa pode fazer é se afastar de toda a preocupação por si m esm a, assim com o de em oções hostis e am argas. E não existe form a m ais óbvia de fazer isso do que focar em aj udar os dem ais”, escreve o especialista em ética Stephen Post.

Um estudo m ostrou que indivíduos apreensivos ou estressados com suas finanças se sentiram m elhor depois de oferecer apoio social aos outros. Um segundo estudo revelou que aqueles que costum am aj udar os que estão à sua volta são muito m ais resilientes frente ao estresse do que os que não o fazem . A gentileza redireciona nossa energia para as coisas que geram bem -estar, reduzindo o custo que as em oções negativas cobram de nossa saúde e felicidade.

Com o se tornar um grande doador

Todos nós tem os três recursos prim ários para dar: nosso tem po; nosso am or e pensam entos positivos; e nosso dinheiro. Abaixo estão sete m aneiras de doar nestas três áreas:

(1) Pense em doar. Acho que as m udanças na vida devem ser feitas aos

poucos, e tornar-se um doador não é exceção. O sim ples ato de pensar em

doar j á parece ter um efeito sobre nosso organism o sim ilar ao produzido

pelas doações em si. Lembrar-se de ter aj udado alguém pode induzir

benefícios à saúde que duram horas, ou m esm o dias. Da m esm a form a,

rezar pelos outros reduz o im pacto negativo de dificuldades na saúde trazidas

pela velhice.

Quando estou estressada ou sobrecarregada, ou sinto um pouco de

autopiedade, faço um esforço consciente para pensar com o doadora.

Im agino que aj udo outra pessoa ou lem bro de algum a vez que tenha agido

de form a m enos autocentrada e m ais prestativa, ou então sim plesm ente

envio pensam entos am orosos para outros.

O poder dos desej os positivos

Quando Barbara Fredrickson e seus colaboradores decidiram estudar o que acontece quando as pessoas aum entam sua dieta diária de am or, pediram que os voluntários fizessem um a m editação da bondade carinhosa um a vez ao dia. Se você escolher apenas um a coisa deste capítulo para trazer m ais

am or e conexão para sua vida, recom endo que sej a isto.

Por quê? Porque pesquisas m ostram que esta m editação tem um poder incrível; para m uitos indivíduos, é m ais eficiente que o Prozac. Tam bém

cham ada de metta, a m editação da bondade carinhosa consiste na prática de

desej ar coisas boas para os outros.

No decorrer de nove sem anas, pesquisas evidenciaram que a metta

aum entou m uito as em oções positivas vivenciadas pelos voluntários. Ou sej a: dois pelo preço de um . Se você está se esforçando para m elhorar a

proporção de em oções positivas e negativas no seu dia a dia, com ece com a

metta. Esta m editação põe as pessoas em “traj etórias de crescim ento”,

deixando-as m ais capazes de evitar a depressão e “m ais satisfeitas com a

vida”. Fazer um a sim ples m editação da bondade carinhosa pode, ainda, reduzir nossa sensação de isolam ento, conectando-nos aos que estão ao

redor. Em determ inado estudo, praticar a m editação da bondade carinhosa um a vez, por sete m inutos, fez os participantes se sentirem m ais conectados e positivos em relação a entes queridos e a estranhos, e m ais satisfeitos com

eles m esm os. (Im agine os efeitos de um a prática regular!)

Com o praticar

A ideia geral é sentar-se confortavelm ente com os olhos fechados e

im aginar o que desej a para sua vida. Form ule seus desej os e três ou quatro

frases. Tradicionalm ente, as frases seguiriam este m odelo:

Que eu sej a saudável e forte

Que eu sej a feliz

Que eu viva com tranquilidade A m editação da bondade carinhosa é um a repetição sim ples destas frases, dirigindo-as para as pessoas: (1) Com ece

dizendo as frases para si m esm o.

(2) Em seguida, direcione a metta para alguém por quem sinta gratidão ou

que o tenha aj udado (procure visualizar essa pessoa).

(3) Agora, pense em alguém de quem você nem gosta nem desgosta. Essa parte pode ser m ais difícil, pois costum am os j ulgar com rapidez as pessoas

em nossas vidas com o positivas ou negativas.

(4) Ironicam ente, a próxim a etapa pode ser m ais fácil: visualize os

indivíduos de quem não gosta ou com quem anda tendo dificuldades. Sinto um a paz im ensa depois de enviar am or para aqueles que estão causando

algum problem a em m inha vida.

(5) Por fim , direcione a metta para todas as pessoas do m undo: “Que todos

os seres em todos os lugares sej am felizes.”

Pode ser útil fazer o download de um a m editação da bondade carinhosa para praticá-la pela prim eira vez. Mas você não precisa ler um livro para aprendê-la. Esta m editação não é com plicada, e é de fato m uito poderosa.

Basta utilizar sua im aginação para enviar am or e desej o de bem -estar.

Mesm o que você não tenha disposição de m editar todas as m anhãs,

enviando bons pensam entos para si m esm o e para os outros, pode usar a

metta no decorrer do dia com o um a tática para aum entar os seus

sentim entos de bem -estar, com paixão e conexão. Pense em colocar um

bilhete no espelho do banheiro, na porta da geladeira ou no painel do carro –

o lugar onde você costum a sentir m ais exaustão ou isolam ento – para

lem brá-lo de parar e cultivar um ou dois pensam entos am orosos.

(2) Agradeça. Às vezes esquecem os que a gratidão é um a das nossas

em oções positivas m ais poderosas, e um a ótim a form a de doar e se

conectar com os outros (quando agradeço alguém por m e fazer um favor ou

um a pequena gentileza, essa pessoa tende a gostar um pouco m ais de m im .

Isso faz aum entar a chance de vivenciarm os a ressonância positiva). Então,

agradeça sem pre que puder. Envie um a m ensagem de texto, faça um a

ligação ou m ande um bilhete.

As cartas de agradecim ento estão entre as intervenções m ais poderosas

estudadas por praticantes de psicologia positiva. Voluntários escrevem um a

carta para alguém que nunca tenham agradecido devidam ente por algo (em

geral coisas não m ateriais) e então leem a carta em voz alta para a pessoa.

Já se verificou que este ato valente gera, em quem ouve, grande felicidade –

que pode durar até seis m eses! Quando oferecem os gratidão livrem ente,

aum entam os nossa conexão com os outros.

Um a dica para praticar a gratidão: quando agradecer a alguém por algo,

sej a específico quanto à ação pela qual está agradecendo e quanto às

qualidades da pessoa. Então, se seu m arido puser as roupas para lavar

porque sabe que você odeia fazer isso, diga: “Muito obrigada por colocar as

roupas para lavar. Foi m uito carinhoso da sua parte, sabendo que não gosto

de fazer isso.” Ou pode agradecer a um colega por aj udá-lo a obter um

em prego, falando: “Eu realm ente aprecio o tem po que você, m esm o sendo

tão ocupado, dedicou a ler m eu currículo e a m e aj udar a praticar para as

entrevistas. Você é um a das pessoas m ais generosas que conheço. Obrigado

por ser um ótim o m entor.”

(3) Dê um pequeno m om ento de am or, atenção ou carinho. A coisa

m ais im portante que aprendi com o trabalho de Fredrickson a respeito de

ressonância positiva é que quase todas as nossas interações têm potencial

para ser positivas. Estranhos, vizinhos, cachorros, carteiros, caixas do

superm ercado – todas as pessoas com as quais cruzam os em nosso cotidiano

podem ser abordadas com carinho, afeto ou com paixão. Dar am or é m uito

m ais fácil do que pensam os. Pode ser algo tão sim ples com o tocar no om bro

de um aluno, fazer contato visual e dizer oi para um a pessoa vivendo na rua,

dar um abraço no vizinho ou afagar o cachorro.

Levando, talvez, longe dem ais Minhas tentativas de am ar todos ao m eu

redor chegaram a um ponto tão extrem o que desenvolvi certa reputação em

m inha vizinhança. Recentem ente, vi um a pessoa num a festa que m e

pareceu fam iliar. De repente, ela se aproxim ou e exclam ou: “Conheço

você!” Supus que fosse um a leitora do m eu blog ou dos m eus livros. Mas ela

continuou: “Você é a corredora am istosa! É assim que m inha fam ília cham a

você.” Eu m e esforço para fazer contato visual e dizer oi a todos por quem

passo em m inhas corridas m atinais. Faço isso para tentar ser um a boa

vizinha, m as pelo visto tam bém sou m eio barulhenta e entusiasm ada dem ais

para o com eço da m anhã (desde então, dim inuí o volum e da m úsica que

ouço. Isso vai m e aj udar a cum prim entar com voz m ais baixa).

Há duas condições im portantes para serm os capazes de dar e receber

am or: segurança e conexão direta. Quando nos sentim os seguros, som os

capazes de ir além do desej o pela sobrevivência e focar na m eta que m ais

fornece felicidade – m anter os outros vivos e alegres.

A conexão direta – estar frente a frente com nosso interlocutor –

perm ite que o afeto sej a am plificado em ressonância positiva. Isso nos

possibilita usar o toque, a linguagem corporal, a voz e o contato visual para

expressar interesse e preocupação.

O toque é um a ferram enta intensa de doação. Os benefícios para

aqueles que tocam os são profundos. Quando alguém nos abraça,

cum prim enta ou dá um tapinha nas costas, tendem os a ficar m ais calm os e

resilientes frente ao estresse. O toque desfaz o estresse cardiovascular ao

ativar o nervo vago. Se o gesto se prolongar, estim ulará a oxitocina, o

“horm ônio do am or”. Até m esm o nosso sistem a im unológico poderá ser

fortalecido.

Um a vez que o toque sinaliza segurança e confiança, ele nos aj uda a

construir relacionam entos cooperativos. Não acredita? Vej a esta fascinante

análise estatística: os j ogadores de basquete da NBA que se tocam com

m aior frequência durante os j ogos em geral vencem. De m aneira sim ilar, os

psicólogos podem usar o toque para influenciar o resultado de j ogos nos

quais voluntários optam entre com petir ou cooperar com outros por dinheiro.

Quando um participante recebe um tapinha nas costas ao com eçar o j ogo,

ele se torna m uito m ais propenso a cooperar e dividir dinheiro com seu

parceiro do que se não tivesse sido tocado.

Bebês prem aturos que recebem três m assagens de 15 m inutos por dia,

por cerca de um a sem ana, ganham 47% m ais peso do que aqueles que não

recebem m assagem . Pessoas que estão prestes a passar por um

procedim ento doloroso tendem a dem onstrar atividade cerebral nas regiões

associadas a am eaças e estresse – a m enos que tenham ao lado o parceiro

rom ântico acariciando seu braço. Neste caso, não m ostram qualquer

atividade nessas áreas do cérebro.

Tudo isso para dizer que um dos presentes m ais fáceis e poderosos que

podem os dar aos outros é nosso toque caloroso.

(4) Faça pequenos favores que durem cinco m inutos. Há várias coisas

que podem os fazer para os outros e que não consum irão m uito do nosso

tem po: aj udar um colega com a bagagem , segurar a porta para alguém

passar, enviar um artigo útil para algum conhecido que estej a procurando

inform ação. Podem os fazer um favor para o planeta usando sacolas e

garrafas de água reutilizáveis. Meus am igos sem pre pedem que eu poste

notícias sobre o trabalho deles em m inhas redes sociais. Isso leva m enos de

cinco m inutos e é um a m aneira de eu lhes dar algo, de m ostrar m eu apoio

ao trabalho que fazem .

Reconhecer o valor das pessoas tam bém pode ser um grande presente. O

reconhecim ento público é, para m uitos, a form a m ais elevada de elogio.

Então, separe dois m inutos para escrever um e-m ail a um colega que faz

um ótim o trabalho, e copie o resto da equipe.

Os favores de cinco m inutos, term o cunhado por Adam Grant, incluem atos

aleatórios de gentileza. Busque no Google a frase “atos aleatórios de

gentileza” para ter acesso a m uitas ideias.

Crie um a lista de coisas fáceis de serem realizadas em seu dia a dia e

considere fazer várias de um a vez. Isso pode levar você a ultrapassar a

m arca de cinco m inutos, porém , pesquisas m ostram que as pessoas tendem

a receber m ais, em term os de felicidade, quando realizam diversos favores

de cinco m inutos um após o outro, um a vez por sem ana, em vez de

realizarem apenas um por dia. Eu e m eus filhos cham am os as vezes em que

em endam os um a dúzia ou m ais desses favores de “caça à gentileza”. Nós

elaboram os um a longa lista de atos aleatórios de gentileza (com o distribuir

kits de higiene para desabrigados ou levar frutas de nossa horta para os

vizinhos) e realizam os tantos quanto for possível no decorrer de um a tarde

ou de um fim de sem ana.

Um fato divertido: pedir favores tam bém pode fortalecer nosso vínculo com

as pessoas ao nosso redor. Se doar gera benefícios tão grandes para o

doador, ao darm os aos outros a chance de nos aj udar lhes oferecem os a

oportunidade de colher os benefícios do ato de doação. Pedir favores

tam bém fortalece os vínculos, pois nos faz parecer m ais am áveis. Em geral

prestam os favores àqueles de quem j á gostam os; m as é com um relatarm os

gostar m ais de alguém depois de fazer um favor para esta pessoa. Este

fenôm eno foi cham ado de “efeito Franklin”, porque certa vez Benj am in

Franklin disse: “Quem j á lhe fez um a gentileza estará m ais disposto a fazer-

lhe outra do que aquele a quem você j á aj udou.” Franklin tinha razão.

(5) Procure encaixar um ou dois favores de 15 m inutos por m ês.

Alguns favores exigem m ais esforço do que um favor de cinco m inutos ou

um ato aleatório de gentileza, m as produzem m uito m ais resultado.

Pacientes com esclerose m últipla, que receberam treinam ento para

oferecer contatos positivos – por m eio de ligações telefônicas sem anais com

duração de 15 m inutos – com outros que sofriam da m esm a doença,

“m ostraram um aum ento pronunciado na autoconfiança, autoestim a e

depressão” no decorrer de dois anos. Estes voluntários se revelaram

especialm ente protegidos contra a depressão e a ansiedade.

Com o você pode aj udar outra pessoa fazendo algo que leve de 15 a 20

m inutos? Revise o currículo da sua sobrinha que está procurando em prego.

Ouça com atenção um am igo que tem se sentido m eio solitário. Caso seu

vizinho adoeça, leve seu cachorro para passear.

(6) Dem onstre com paixão por estranhos. Apesar de parecerm os

biologicam ente inclinados a nos conectar com pessoas parecidas conosco,

recebem os im ensos benefícios quando estendem os nosso am or para um a

com unidade de indivíduos desconhecidos. Pessoas boas fazem coisas boas

por am igos, fam iliares e colegas; m as pessoas realm ente doadoras

oferecem porções significativas de seu tem po, am or e dinheiro para

estranhos.

O prim eiro passo para ser um destes doadores de nível olím pico é tornar-se

ciente das necessidades alheias. Para fazer isso, é preciso reduzir o ritm o o

suficiente para perceber quais são essas necessidades. Durante as férias, a

am iga idosa de um am igo, alguém que eu conhecia apenas de vista,

com eçou a dar indiretas de que gostaria de falar com igo “em algum

m om ento”. Dei o núm ero do m eu celular para ela, “caso quisesse m e

ligar”. Ela ligou. E disse que gostaria de m e contar um a história rápida sobre

seu irm ão que m orrera havia pouco tem po, pois achava que eu apreciaria a

m aneira dele de lidar com a vida. Às vezes as necessidades das pessoas

podem surpreender – e ser surpreendentem ente fáceis de satisfazer.

Precisam os nos expor ao sofrim ento dos outros para com preender do que

precisam . Wendell Berry diz que “você precisa ser capaz de im aginar vidas

que não sej am a sua” para sentir real com paixão. Em geral, buscam os nos

proteger da dor e do sofrim ento (nossos e dos outros), m as ao fazer isso

tam bém nos distanciam os das necessidades alheias. A com paixão é um a

em oção positiva, que tem forte correlação com a felicidade, m as, para

sentir com paixão, tam bém devem os sentir o sofrim ento dos que nos

cercam . Assim , podem os nos tornar conectados aos outros.

Gregory Boy le, o padre j esuíta que fundou a Hom eboy Industries, um a

rede que em prega apenas m em bros de gangues, e autor do livro Tattoos on

the Heart: The Power of Boundless Compassion (Tatuagens no coração: o

poder da com paixão sem lim ites), escreve: “A com paixão não é um

relacionam ento entre o curador e o ferido. É um a relação entre iguais. Em

sua form a m ais autêntica, a com paixão consiste num a m udança do m undo

restrito da preocupação por si para um lugar m ais am plo de cam aradagem ,

de verdadeira afinidade.”

A com paixão requer a capacidade de enxergar a hum anidade

com partilhada com aqueles que não adm iram os ou nem m esm o

conhecem os. Em troca, ela nos fornece a experiência profunda e

m odificadora de unicidade.

O que significa, de um a perspectiva prática, m ostrar com paixão por

estranhos? É óbvio que este nível profundo de doação exige m ais tem po do

que favores de alguns m inutos. Prim eiro perceba, e perm ita-se sentir, as

necessidades das outras pessoas e então dê o que tiver para aj udá-las. Talvez

isso possa ser feito assum indo a posição de m entor, ou se voluntariando para

auxiliar os m enos afortunados. Realizo m eu trabalho (palestras e escrita) de

graça para pessoas e organizações que não têm com o pagar o que cobro.

Apesar de levar m ais tem po, para m im é m ais fácil logisticam ente do que

m e voluntariar num abrigo para m oradores de rua (em bora eu tam bém

faça isso sem pre que possível). Doar nosso tem po – m ostrar com paixão –

não precisa ser difícil.

(7) Por fim , dê dinheiro. Não é preciso ser rico para doar. Doar

dinheiro, por m enor que sej a o valor, é um cam inho fácil para a alegria,

desde que a prática parta de um lugar de generosidade. Muitos de nós j á

doam os porque nos sentim os pressionados a fazê-lo. Em bora este não sej a

exatam ente o espírito da generosidade que estou prom ovendo, pesquisas

m ostram que m esm o doações feitas sob pressão podem nos tornar m ais

felizes.

A m aioria de nós busca a riqueza financeira com o se fosse o santo graal.

Acreditam os que, quando se trata de dinheiro e bens, mais é melhor e não há

o suficiente para todos (estas são duas das “três m entiras”, delineadas por

Ly nne Twist, que criam sentim entos de escassez).

O sentim ento ou a percepção de escassez gera um im enso estresse para nós,

e isso interfere em nossa concentração, dim inui nosso autocontrole e até

m esm o reduz nosso QI. Sendhil Mullainathan, professor de econom ia em

Harvard e beneficiário da “verba para gênios” da Fundação MacArthur, fez

um a pesquisa com o psicólogo de Princeton, Eldar Shafir, acerca do que

acontece quando as pessoas acreditam que não há o suficiente. A percepção

de escassez “afeta nossa capacidade cognitiva, reduzindo, entre outras

coisas, a inteligência e o controle dos im pulsos”, escreveram eles. Então,

você pensa que não tem dinheiro suficiente para aj udar alguém m enos

afortunado ou um a organização que precisa de fundos para trabalhar em

prol do bem m aior?

Se for o caso, pense que há o bastante, sim . Talvez estej a se com parando a

pessoas que parecem ter m ais do que você. Em vez de m ensurar ou analisar

quanto possui, tente sentir que tem o bastante. Você pode doar um real para

o próxim o m orador de rua que encontrar? Se não, pode oferecer um sorriso

caloroso, um a bênção e um a m oedinha? Sem pre tem os o suficiente para dar

algo aos outros. O truque é perceber nossa própria abundância.

Você acha que seria melhor ter mais dinheiro antes de com eçar a doar?

Twist descreve assim o m ito tóxico que diz que mais é melhor: Mais de

qualquer coisa é m elhor que aquilo que tem os. Esta é a resposta lógica, se

você tem e que não haj a o suficiente. Mas este lem a gera um a cultura

com petitiva de acúm ulo, aquisição e ganância que serve apenas para

aum entar os m edos e o ritm o da corrida. E nada disso torna a vida m ais

valiosa. Na verdade, a busca por m ais nos distancia da possibilidade de

vivenciarm os o real valor daquilo que adquirim os ou do que j á tem os. É

um a perseguição sem fim , um a corrida sem vencedores.

Por vezes, ter apenas aquilo de que precisam os é m ais significativo e

prazeroso do que ter m uito. Quando apreciam os aquilo que possuím os, e

tem os o suficiente para doar, trazem os m ais tranquilidade à nossa vida.

Percebem os que dinheiro é um a ferram enta que pode ser usada para

expressar nossos m aiores valores. A im pressão de que m ais seria m elhor é

“um sistem a falso de suposições, opiniões e crenças, a partir do qual vem os

o m undo com o um lugar onde tem em os que nossas necessidades não sej am

satisfeitas”, escreve Twist.

Em um estudo realizado na British Colum bia, em Vancouver, os

pesquisadores fizeram duas perguntas a voluntários: (1) Se eles recebessem

cinco ou 20 dólares, ficariam m ais felizes gastando a quantia consigo

m esm os ou com outra pessoa (ou fazendo caridade)? (2) Eles ficariam m ais

felizes se ganhassem 20 dólares do que se recebessem apenas cinco? Quase

todos sentiram que ficariam m ais felizes usando o dinheiro para si m esm os e

que mais dinheiro seria melhor.

Mas outro estudo m ostrou algo diferente. Dessa vez, as pessoas

recebiam cinco ou 20 dólares e eram instruídas, aleatoriam ente, a gastar o

dinheiro ou a doá-lo. De m anhã, antes de receberem o dinheiro, os

voluntários fizeram um teste rápido para avaliar sua felicidade. À tarde, os

pesquisadores cham aram os participantes para nova avaliação de sua

felicidade. Aqueles que tinham sido instruídos a doar o dinheiro term inaram

o dia m ais felizes. Já as pessoas que receberam a quantia para gastar

consigo m esm as se sentiam , no fim do dia, bem m enos contentes do que

pela m anhã! É interessante notar que o valor recebido pelos participantes

não fez nenhum a diferença.

Com todas as pesquisas que buscam determ inar se o dinheiro com pra

ou não a felicidade, seria esperado que j á tivéssem os nos dado conta de que

a m aneira como gastamos o dinheiro influencia nossa felicidade tanto quanto

o tam anho de nossa riqueza. Gastar com os outros e doar para caridade

sem pre nos deixa m ais alegres. Então, da próxim a vez que for tentado a

pensar que um a pequena doação não fará diferença, lem bre-se: vai fazer

diferença, especialm ente para você!

E, quando j untam os dinheiro (e esforços) para aj udar quem está à

nossa volta, criam os um a com unidade carinhosa com vínculos positivos.

Com unidades deste tipo surgem com cada vez m ais frequência, exercendo

trem endo im pacto, com o aquela na página no Facebook criada para aj udar

vítim as das explosões na Maratona de Boston. Nove dias após o atentado,

m ais de 20 m ilhões de dólares j á haviam sido angariados por cerca de 50

m il doadores.

Seu em penho e sua dedicação para angariar, com am igos ou

instituições, fundos que posteriorm ente serão doados para um a causa j á

caracterizam um a doação. Você está oferecendo tem po e energia para algo

além de si m esm o. Participei do conselho de um a escola, na Califórnia, por

tem po suficiente para testem unhar (e participar de) eventos de angariação

de fundos para duas grandes cam panhas. A quantidade de trabalho exigida

para conseguir verba para a construção de novos prédios e program as é

chocante. O esforço para cultivar e solicitar doadores é vital para a saúde

financeira de um a organização. Se não houvesse pessoas dedicadas a

engaj ar os doadores nessas causas, as doações não aconteceriam .

Se você aproveitar apenas um a coisa neste capítulo, espero que sej a o seguinte: quando estiver se sentindo triste, doente, pouco produtivo ou longe do sucesso, um m odo garantido de recuperar sua energia é aj udando outra pessoa.

SORRIA PARA O ATENDENTE

Se a ideia de tornar-se um grande doador para que sua vida sej a m ais tranquila o intim ida, você não está sozinho. Talvez o pensam ento de abraçar todo m undo, em toda parte, o deixe m eio zonzo. Não se preocupe: você pode colher os benefícios de doar am or sem ter que gastar praticam ente nenhum tem po.

Pesquisadores enviaram voluntários para um Starbucks com cinco dólares cada, para com prarem um café com leite. Metade foi instruída a com prar a bebida o m ais rápido possível, a “entrar, sair e seguir com o dia”. A outra m etade deveria “interagir de form a genuína com o atendente” – foram orientados a sorrir e com eçar um a conversa breve. As pessoas que sorriram para o funcionário saíram do local se sentindo m ais alegres. Nas palavras dos autores deste estudo, Michael Norton e Elizabeth Dunn: “A eficiência parece ser supervalorizada.”

A conclusão é que, m uitas vezes, a form a m ais fácil de nos conectarm os com os outros é dim inuir o ritm o; só o bastante para estabelecer contato visual com alguém , sorrir e, se não tiverm os vergonha, iniciar um a conversa.

Está sentindo dificuldades? É com um desej arm os relacionam entos m elhores, m as desistirm os antes m esm o de tentar recuperá-los. Nossos vínculos são incrivelm ente im portantes para nossa saúde, felicidade e sucesso, porém , às vezes afastam os as pessoas em vez de fortalecer a conexão que tem os com elas. O próxim o capítulo m ostra com o podem os fortalecer conexões, m esm o nas situações em que tendem os a afastar os outros de nós.