O Ponto de Equilíbrio

Christine Carter · Capítulo 13 de 21

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O Ponto de Equilíbrio

Capítulo 7

Resolvendo discórdias “A única coisa que realm ente im porta na vida são os

relacionam entos que você tem com os outros.”

– George E. Vaillant Em Triumphs of Experience, George Vaillant escreve que “dois pilares da felicidade foram revelados pelo Grant Study. Um é o am or. O outro é encontrar algum a form a de levar a vida que não afaste o

am or”.

Todos fazem os coisas – talvez diariam ente – que afastam as pessoas que am am os: dam os um a “olhadinha” no sm artphone enquanto brincam os com nossos filhos, esquecem os de cum prim entar nosso com panheiro com carinho depois de um dia inteiro sem vê-lo, rej eitam os um telefonem a de um am igo ou da nossa avó porque não estam os a fim de escutar. No m undo m oderno, vivem os situações e experiências que podem criar resistência em vez de tranquilidade, abalando a força que um relacionam ento nos traz. Pequenas discórdias nos relacionam entos podem afastar o am or e as conexões de nossa vida. Penso nestes com portam entos com o “doenças na conexão”. Um pequeno com portam ento não indica necessariam ente que um relacionam ento está doente, apenas que o nosso precioso vínculo com outra pessoa está fragilizado. No capítulo anterior, vim os que os relacionam entos têm um enorm e poder de tornar a nossa vida m ais tranquila e prazerosa. Mas, diante de pequenas discórdias – com o ocorre com todos os relacionam entos, de tem pos em tem pos –, eles podem provocar m ais dificuldade que tranquilidade. Considere este capítulo um guia para evitar tais discórdias e para resolver pequenas disputas em suas relações.

DOENÇA NA CONEXÃO 1: USO INADEQUADO DA TECNOLOGIA Você

conhece essa sensação: está tom ando um drinque com um a velha am iga, e o

celular dela não para de tocar. Ela deixou a filha de 13 anos sozinha em casa e

precisa m onitorá-la. Então ela recebe um a m ensagem de um a colega que está

trabalhando num proj eto difícil e se sente obrigada a responder às suas perguntas.

No fim , você nota que não recebeu m uita atenção. Foi bom vê-la, m as sua

am izade não é m ais a m esm a.

Ou você está num j antar de fam ília, e todos estão anim ados pois os rapazes chegaram em casa, de férias da faculdade, e essa é um a chance de conversar um pouco com eles. Mas os m eninos não resistem à tentação de abrir o WhatsApp, rir de fotos enviadas por am igos e com partilhá-las na m esm a hora. No fim das contas, ninguém consegue falar com os j ovens.

Nessas situações, e em outras sim ilares, os sm artphones, laptops e tablets, com tudo que carregam , podem atrapalhar as interações sociais que eles prom etem criar. Graças a esses dispositivos, estam os disponíveis para trabalhar 24 horas por dia, sete dias por sem ana. Isso talvez pareça um bônus para nossas relações, m as, na verdade, a tecnologia pode prej udicar nossos relacionam entos e nosso trabalho. Em vez de nos aproxim ar, ela m uitas vezes cria um a ilusão de proxim idade, m as sem as alegrias, os benefícios e os desafios que acom panham os relacionam entos reais.

Nosso vício em tecnologia corrói o pilar m ais im portante de nossa tranquilidade – a conexão com os outros. Cada vez que o telefone toca recebem os um a boa dose de dopam ina, um neurotransm issor que ativa o sistem a de recom pensa em nosso cérebro. A sensação é boa; m as ela tam bém reduz nossa disposição de voltar ao m undo das conversas cara a cara. Nossos relacionam entos ao vivo podem ser exaustivos se com parados às “am izades” on-line. Ao final do dia, é m enos custoso m andar um a m ensagem de texto para um a am iga do que realm ente ligar para ela. É bem m enos cansativo fazer um update no Facebook e recolher a satisfação instantânea de dúzias de “curtidas”, do que com partilhar nossos interesses e ideias com os vizinhos do m undo real. A curto prazo, parece m ais fácil entrar em contato com os outros por m eio da tecnologia, m as é um a facilidade falsa. A longo prazo, este com portam ento tem pouco poder e gera dificuldades em nossas relações.

Sherry Turkle, socióloga do MIT e autora de Alone Together (Sozinhos j untos), diz que “evitam os a vulnerabilidade e a confusão do contato e da intim idade ‘reais’ ao receberm os a doce satisfação de estarm os conectados digitalm ente a cada vez m ais pessoas. Podem os nos esconder uns dos outros, m esm o quando estam os todos j untos”.

A possibilidade que a tecnologia oferece de nos esconderm os dos outros (e dos nossos sentim entos) pode ser um veneno. Felizm ente, a tecnologia em si não é o problem a. Precisam os apenas usá-la de form a diferente.

O antídoto: use dispositivos para facilitar conexões da vida real Sherry term ina seu livro com um a cham ada para serm os m ais cuidadosos ao usar a tecnologia. Ela pode, claro, fom entar conexões verdadeiras – o Sky pe e o Google Hangouts revolucionaram a form a de m e conectar com as pessoas no m eu trabalho. Mas

devem os utilizá-la estrategicam ente; ou sej a, usá-la m enos. Aqui está com o fazê-lo: Crie espaços sagrados para estar totalm ente presente com seus sentim entos e as pessoas à sua volta. (Ver o Capítulo 5 para m ais inform ações sobre isso.) Estar presente com as pessoas significa que, quando estam os no telefone com elas, não fazem os m ais nada. Significa iniciar conversas reais e cara a cara com os outros,

m esm o que isso possa trazer conflitos ou ser cansativo. Quando estam os

realm ente presentes, param os de interrom per a nós m esm os e aos dem ais o

tem po todo. Talvez sej a gratificante dar um a olhadinha em suas m ensagens, m as

não precisa interagir com todos os dispositivos o tem po inteiro. Você pode

controlá-los, em vez de deixar que eles o controlem .

É necessário decidir agir com base em nossos valores m ais profundos,

em vez de nos deixar levar pelo desej o por gratificação. Outro dia eu estava

ao telefone com m inha m ãe. Ela m e contava sobre sua viagem a Cuba.

Enquanto m e falava das m aravilhas da viagem , eu lim pava m inha caixa de

e-m ails, o que tornou difícil escutá-la com atenção. Então m e contive,

percebendo que estava introduzindo um a doença em m inha vida, no vínculo

que tenho com m inha m ãe. Tam bém pensei em com o teria ficado

incom odada se a situação fosse inversa. Me dei conta de que ela nunca faria

algo do tipo: m am ãe valoriza dem ais nosso relacionam ento e está sem pre

interessada no que tenho a dizer. Em últim a análise, m udei m eu

com portam ento por causa dos m eus valores. Fiquei longe do com putador

com a convicção de que nossa relação m erecia m ais do que apenas 70% da

m inha atenção.

Pratique ficar só. Quando não aprendem os a tolerar (ou a saborear) a

solidão, é com um nos sentirm os solitários. “É na solidão – a capacidade de

estar separado, de reunir-se consigo m esm o – que você se encontra. E se

torna capaz, então, de se abrir a outros indivíduos e a form ar vínculos reais.

Se não tem os a capacidade de ficar sós, buscam os outras pessoas para nos

sentir m enos ansiosos; ou m ais vivos. Quando isso acontece, não som os

capazes de apreciar de verdade quem está à nossa volta”, explica Turkle.

Passe algum tem po a sós com você m esm o, desconectado, pode ser

em casa ou no carro. Aprenda a tolerar o tédio inicial que talvez surj a, pois

ele logo passará. Faça um a cam inhada ou vá à praia sem levar o celular.

Acho que todos nós tem os, no fundo, um terror im enso de ficarm os sozinhos.

Mas, quando vivenciam os nossa capacidade de olhar para dentro – algo feito

apenas no m om ento que encontram os o silêncio e a quietude da solidão –,

percebem os que nunca estam os realm ente sós. Sentim os nossa conexão

inata. Então devem os observar que, com o escreve Turkle, “se não form os

capazes de ficar sós, serem os m ais solitários”.

Lim ite o tem po que você passa em m undos virtuais. Realidades virtuais,

videogam es e redes sociais são viciantes. A curto prazo, pode ser

recom pensador passar tem po num m undo de fantasia – do m esm o m odo

que um refrigerante cheio de açúcar é recom pensador (m as nocivo, se

consum ido em dem asia). As realidades virtuais nos perm item exibir nosso

m elhor desem penho, m ostrando ao m undo o m om ento em que parecem os

(ou im aginam os parecer) bonitos e orgulhosos. Se nos sentim os solitários,

podem os nos “conectar” aos “am igos” on-line. E podem os evitar os

problem as trazidos por pessoas e relacionam entos reais, que costum am ser

m arcados por confusão, vulnerabilidade e dor.

Mas a verdade é que nossas vulnerabilidades criam real intim idade e

nos unem ; e, se evitam os a confusão existente nos relacionam entos do

m undo real, acabam os isolados e desconectados. Então, preste m uita

atenção. Use os j ogos, as redes sociais e as realidades virtuais para facilitar

as conexões ao vivo com pessoas reais. Use o Facebook para aprofundar os

vínculos com am igos distantes, com partilhando artigos, fotos e vídeos pelos

quais eles terão interesse. Jogue on-line com seu filho, em vez de fazê-lo

com um estranho. Não lim ite seus relacionam entos a fóruns virtuais.

DOENÇA NA CONEXÃO 2: NEGÓCIOS E TRABALHO DEMAIS

Falta de tem po é um a reclam ação universal daqueles que têm que dar conta de seus filhos e em pregos. Parece não haver tem po suficiente para m anter as am izades. Querem os estar ao lado dos nossos filhos quando voltam os para casa do trabalho, e não tem os energia para lidar com o incôm odo de arrum ar um a babá para os fins de sem ana. Isso sem m encionar a com plexidade logística de tentar agendar program as com outros pais e m ães.

Se o parágrafo anterior descreve sua vida, pergunte-se: o trabalho está aum entando m inha sensação de conexão com os outros ou está m e im pedindo de m anter am izades e interações com m inha fam ília? Para algum as pessoas, o trabalho – que costum a envolver um longo percurso de carro, horas interm ináveis no escritório e m uito tem po gasto para levar as crianças a diversas aulas e treinos – deixa pouco tem po para conexões positivas. Para outras pessoas igualm ente ocupadas – com em prego, trabalho voluntário, participação na vida dos filhos e visitas regulares aos am igos –, ter várias atividades facilita as interações, em vez de as atrapalhar. Este tipo de atividade evidencia um a vida dinâm ica e conectada, em vez de um a vida ocupada dem ais para am izades.

O antídoto: encontre eficiência nas am izades Adoro buscar eficiência em m eus

relacionam entos – coisas que tragam tranquilidade ao agendam ento dos

encontros com m eus am igos. Sou um a grande fã de “relacionam entos

ritualizados” – relações que são m antidas por m eio de períodos previsíveis de

interação. Pertenço a um grupo de discussão que se reúne na prim eira segunda-

feira de cada m ês. Alm oço com um a grande am iga quase toda terça-feira e

faço cam inhadas aos sábados de m anhã com outra. Eu e m eu m arido Mark

saím os j untos aos sábados e terças-feiras alternadas. Jantam os com m eus pais

quarta-feira à noite e com a m ãe e a irm ã de Mark no dom ingo. Tenho quatro

encontros por ano com o m eu grupo de m elhores am igas: na véspera do Natal, na sem ana anterior ao Dia de Ação de Graças, na celebração do Dia dos Povos

Indígenas e no Dia do Trabalho.

Todos os eventos de “relacionam entos ritualizados” estão no m odo “repetir” em m eu calendário do Google. Foram necessários tem po e esforço para criar esses hábitos, m as hoj e eles estão autom atizados. Isso significa que nunca perco um encontro, alm oço ou cam inhada com am igos e fam ília? Para ser honesta, devido à m inha program ação de viagens e as surpresas da vida com quatro filhos, acho que é m ais com um eu faltar do que com parecer às reuniões. Mas tam bém sei que encontro m inhas am igas m uito m ais do que se não tivesse esse tem po reservado no calendário para estar com elas. Nossa vida atribulada pode dificultar os agendam entos, e esta tática facilita m uito as coisas.

Desde que as pessoas envolvidas estej am verdadeiram ente presentes – ou sej a, sem m ensagens de texto durante o tem po reservado para passar com o parceiro ou alm oçar com as am igas –, usar a abordagem de “m atar dois coelhos com um a caj adada só” nas am izades pode trazer eficiência e tranquilidade. Você tem que alm oçar de qualquer j eito, então por que não fazê-lo com am igos? Por que não conversar com o vizinho enquanto leva os cachorros para passear? Por que não ser am igo das pessoas que fazem atividades voluntárias com você, de form a que o voluntariado se torne, tam bém , m om ento de socialização?

DOENÇA NA CONEXÃO 3: INVEJA Todos j á experim entam os o ferrão da

invej a, o desej o de ter algo que outra pessoa possui. Este sentim ento tam bém

surge da m entalidade de escassez; da crença de que mais é melhor e de que não

há o suficiente no m undo para que eu e você possam os ter sucesso, sej am os ricos e belos – ou qualquer que sej a o obj eto da invej a. Sentim entos assim nos tornam

com petitivos e nos afastam dos outros, em vez de prom over conexão e am or.

O antídoto: celebre o sucesso dos outros Prim eiro, tente m udar sua perspectiva de

escassez para um a de suficiência ou abundância. Reconheça que existem recursos suficientes no m undo para que você tenha ou sej a aquilo que quer. Por exem plo, quando reconhecem os o sucesso, a beleza ou a força de outra pessoa,

tam bém podem os adm itir que estam os trabalhando no sentido de ter o m esm o

em nossa vida. Recentem ente, um a especialista em felicidade apareceu na TV e

alguns am igos m e ligaram para com partilhar sua invej a, dizendo “Deveria ter

sido você”, “O seu trabalho é m uito m ais substancial e prático”, “Ela é tão

irritante” ou “Você não fica m aluca ao ver ela aparecendo?”.

Fiz o que sem pre faço quando esse tipo de coisa acontece: tom ei o sucesso de outros especialistas em felicidade com o um sinal do universo de que triunfo sim ilar está vindo em m inha direção. Há várias evidências de que há espaço para o êxito de muitos especialistas em felicidade neste m undo. Mais que isso, aprecio o sucesso que j á encontrei, e sinto que é suficiente. É perfeito para m im neste m om ento – estou com bastante trabalho e gosto de ter tem po para m inha fam ília, com o é o caso agora. Isso não significa que eu não tenha am bição ou não queira continuar crescendo na carreira. Significa apenas que m e sinto grata pelos am igos que têm m eu trabalho em tão alta conta e por haver conquistado tudo o que conquistei. Às vezes preciso lem brar isso a m im m esm a e aos m eus am igos – e perm itir que eles festej em com igo.

Alguns de vocês devem estar pensando que é fácil para m im dizer isso, pois sou um a autora publicada que j á apareceu na televisão. Mas, na verdade, não im porta que você não tenha vivenciado o “sucesso” da m esm a form a que eu. Trabalhe com a pequena voz da invej a em sua m ente. O que você tem que os outros invej am ? Pelo que você sente gratidão em sua própria vida?

Esta perspectiva nos torna livres para celebrar quando outros indivíduos têm sucesso, são bonitos ou fortes. Não que eu não sinta invej a; afinal, sou hum ana. Mas, depois de reconhecer este sentim ento, posso escolher celebrar, participar da felicidade do outro. Isso é algo que um dos m eus professores favoritos de felicidade, Jam es Baraz, coautor de Awakening Joy (O despertar da alegria), cham a de “felicidade contígua”: quando nossas em oções refletem a felicidade de outras pessoas (e, a propósito, a felicidade contígua é um a bela form a de am pliar o fluxo de em oções positivas em sua vida, conform e foi discutido no Capítulo 2).

Nos relacionam entos m ais íntim os, podem os escolher dar um passo além e celebrar o sucesso dos entes queridos. Pesquisadores perceberam que os casais felizes têm o hábito de festej ar as vitórias um do outro. Sabem os que é im portante fazer isso com as crianças, m as, por algum a razão, pensam os que os adultos não precisam deste tipo de aplauso. Errado. Um “m uito bem !” pode fazer m ilagres.

Portanto, aqui estão dois conselhos: o prim eiro é que com partilhe sem pre as boas notícias, pois você se tornará m ais feliz. Em oções positivas são am plificadas quando as com partilham os. O segundo, diz respeito a com o reagimos perante as boas notícias vindas de am igos e parceiros rom ânticos, e é fundam ental para fazer com que nossos relacionam entos sej am bem -sucedidos. Quando alguém que am am os com partilha boas notícias, não é necessário gritar de alegria, com o eu e m inha m ãe costum am os fazer. Mas é necessário, sim , reagir com entusiasm o. Não basta ser positivo e am oroso, sem dem onstrar m uita em oção. Não basta abrir um sorriso e ficar calado, supondo que o outro saiba que estam os felizes por ele. Nesse contexto, o apoio silencioso não conta. A resposta às boas notícias deve ser ativa. Precisam os articular alegria e apoio verbalm ente, e talvez até m esm o dem onstrá-lo fisicam ente, com um abraço.

Reações entusiasm adas – com o dizer “estou feliz por você” – fazem com que a pessoa se sinta ainda m elhor com a notícia que com partilha. Casais que colocam ênfase em celebrar as coisas positivas da vida têm pontuações m ais altas em quesitos com o intim idade e satisfação com o relacionam ento. Tam bém são m enos propensos a térm inos.

Então, ao receber aquela m erecida prom oção, abra a garrafa de cham panhe. Dê abraços e pulos de alegria quando seu parceiro alcançar sua m eta de exercícios, elogiando o esforço, a estratégia e o trabalho duro. Aqueles que elogiam os se sentem am ados, e nós colhem os os benefícios da conexão que estam os fortalecendo. Após um m om ento com partilhado, a vida parece um pouquinho m ais fácil.

DOENÇA NA CONEXÃO 4: DECEPÇÃO

Todos nós j á sofrem os algum a decepção: quando o m elhor am igo não celebrou nosso sucesso, quando o cônj uge esqueceu nosso aniversário, quando nossos filhos parecem não gostar de nós ou quando nosso com panheiro não é tão rom ântico quanto gostaríam os. Podem os desenvolver sentim entos de prepotência nas relações m ais íntim as – e isso nos torna m ais propensos a ficar decepcionados ou frustrados quando os am igos e fam iliares não se com portam da m aneira que desej am os, em vez de sentir gratidão quando eles o fazem . Esse tipo de decepção pode ter – e geralm ente tem – o efeito oposto daquilo que buscam os. Ele afasta o am or, tornando a vida m ais difícil. O antídoto: pratique ativam ente a gratidão (de novo) Recentem ente, m eu am igo

Jack apareceu para tom ar um chá e m e m ostrar suas fotos de casam ento,

contando tudo a respeito de seu novo am or – um rom ance intenso entre

sexagenários, o segundo grande am or dele depois da m orte da am ada esposa

com quem viveu por 25 anos. Ele é autor de livros sobre relacionam entos e

descobriu com o fazer com que um casam ento sej a bem -sucedido. E disse algo

que m e tocou profundam ente.

– Envio m ensagens de texto para ela várias vezes ao longo do dia – disse Jack, com em oção na voz. – Escrevo “eu te am o”, “você é linda” e “obrigado”. Me sinto tão grato por ter um a nova parceira em m inha vida! Não é difícil para m im encontrar razões pelas quais a am o ou dizer a ela que a acho linda. Estou grato por tê-la em m inha vida.

De form a sim ilar, Lee Lipsenthal – m édico incrível, que ensinava sobre o equilíbrio entre vida e trabalho – falava, alguns m eses antes de m orrer, a respeito da gratidão que sentia por sua m ulher. “Eu m e sinto tão grato pelo am or dela em m inha vida. Tenho um ótim o casam ento”, dizia repetidam ente.

Por anos – talvez um a década – Lee cultivou de m aneira m uito específica a gratidão que sentia pela esposa (com quem , a propósito, ele nem sem pre concordava, tanto que um a vez quase a deixou, com o revela em Aproveite cada sanduíche). Toda m anhã ele acordava e m editava. Mas, em vez de sair da cam a, estendia os braços e aconchegava sua m ulher ao peito. Em seguida, ele praticava um a “m editação de gratidão” por 45 m inutos, com a esposa adorm ecida em seu peito, pensando nela e em tudo que apreciava a seu respeito.

Não sei se Lee expressava sua gratidão em voz alta. Mas o im portante é que ele cultivava seus sentimentos profundos de gratidão por ela todos os dias. Pesquisas sugerem que sentir gratidão por nossos parceiros – e não necessariam ente verbalizar este sentim ento – indica quão satisfeitos estam os com nosso relacionam ento.

Repetindo: quando cultivam os sentim entos de gratidão pelos outros, ficam os m ais satisfeitos com nossas relações. E – o que é im pressionante – nossos am igos e parceiros se sentem m ais conectados conosco e tam bém ficam m ais felizes com nossa interação. Nós percebem os que os sentim entos de am or, afeição ou sim patia são inteiram ente dependentes da personalidade e do com portam ento do outro, m as a verdade é que podem os cultivar estas em oções.

Isso não significa que devem os deixar de dizer ao nosso com panheiro quanto o adm iram os. Pesquisas tam bém sugerem que expressar gratidão a um parceiro rom ântico (ou am igo próxim o ou colega) pode nos fazer sentir m aior satisfação com a relação, assim com o aum entar nosso senso de responsabilidade pelo bem -estar dele. Mas o m ais im portante é que o sim ples ato de sentir gratidão pode m elhorar o relacionam ento.

Confesso que depois de ouvir esses dois hom ens incríveis falarem sobre a gratidão profunda que tinham por suas esposas, m e senti decepcionada e frustrada com m eu m arido. Sou uma ótima esposa, mereço mais. Mais seria melhor. O que tenho não é suficiente. Fiz anotações de com o praticar gratidão em m eu próprio relacionam ento, m as tam bém queria que meu marido expressasse mais gratidão por mim.

Relacionam entos são difíceis. As pessoas (em geral sem querer) nos decepcionam o tem po todo. Elas se esquecem de reconhecer nossos esforços quando m ais precisam os, de fazer o que disseram que fariam . Mesm o sem ter a intenção, m achucam nossos relacionam entos.

Mas a verdade é que as conexões com eçam dentro de nós. Quando fom entam os ativam ente sentim entos de apreço por entes queridos – por m eio de um a m editação de gratidão m atinal ou focando em coisas específicas que am am os neles –, nossos relacionam entos passam a ser m enos afetados pelas decepções cotidianas.

DOENÇA NA CONEXÃO 5: PREVISIBILIDADE E TÉDIO

Um dos m aiores benefícios do relacionam ento rom ântico a longo prazo é que ele pode fornecer conforto e previsibilidade neste m undo selvagem . Mas, por outro lado, pode ficar m eio tedioso. Pesquisas sugerem que, entre o 9º e o 18º m ês, 87% dos casais perdem aquele entusiasm o avassalador do início do rom ance. Não que as relações se tornem ruins. Ficam apenas insípidas.

Este fenôm eno não se restringe ao relacionam ento rom ântico. Em quase todos os aspectos de nossa vida, acabam os acostum ados às circunstâncias que perm anecem iguais. Pesquisadores cham am isso de “adaptação hedônica”. Aquilo que, certa vez, foi novo e interessante – o am ante, o par de sapatos, a vizinhança ou o em prego – quase sem pre perde seu esplendor com o passar do tem po.

Mas a palavra-chave aqui é quase. Treze a 20% dos indivíduos que estão em casam entos longos m antêm viva a cham a da paixão (isso não significa que 80% dos casais sej am infelizes; apenas que seus relacionam entos não são especialm ente apaixonados). E, em bora as pessoas sej am capazes de se adaptar à m aior parte das coisas na vida, elas costum am não se adaptar a circunstâncias e situações que envolvam “com prom isso variável e dinâm ico”. Então, segundo o pesquisador Ken Sheldon, que estuda o fenôm eno, tem os m ais chances de não sucum bir à adaptação hedônica quando fazem os algo com o um curso interessante ou aprendem os um novo esporte.

Tudo isso significa que a própria previsibilidade que torna nosso relacionam ento longo reconfortante tam bém pode nos fazer sentir tédio e desinteresse por nosso parceiro – e isso causa desconexão, ou até m esm o conflito. A form a destrutiva de lidar com o tédio na relação é buscar novidades rom ânticas fora dela. Felizm ente, existem soluções m elhores para este problem a tão com um .

O antídoto: renove

A boa notícia é que é divertido reavivar as cham as do seu relacionam ento. A m á é que você terá que abrir m ão de parte do conforto (ou da com placência) que se infiltrou nele. Aqui está com o fazê-lo:

 

Sej a vulnerável. (Assim com o você deve ter sido no prim eiro encontro.) A vulnerabilidade pode ser desconfortável, pois envolve exposição em ocional, incerteza e risco. (E lem bre-se: vulnerabilidade não é fraqueza! Ver o Capítulo 9, se tiver dificuldades com isso.) A vulnerabilidade possibilita que confiança e intim idade se desenvolvam e aprofundem .

Um j eito sim ples (em bora difícil) de serm os vulneráveis no

relacionam ento é m ostrando nossas em oções. O que você pode revelar sobre si m esm o? Faça a seu parceiro perguntas íntim as cuj as respostas você desconheça (m eu m arido sem pre revira os olhos e resiste; m as eu insisto e, no fim , acabam os conseguindo falar de algo que não sej a o trabalho ou as crianças).

Ou então faça algo m oderadam ente arriscado. Nas férias,

aventure-se num lugar exótico. Vá um bar de karaokê no próxim o encontro e tente cantar. Experim ente um novo esporte (no qual você arrisque sentir-se tolo ou descoordenado). Faça algo em ocionante, com o tirolesa ou bungee-j um ping.

A vulnerabilidade funciona, em parte, porque cria processos

quím icos e fisiológicos sim ilares aos que você e seu parceiro experim entaram quando se apaixonaram . Os pesquisadores acham provável que associem os o poder estim ulante de fazer algo arriscado ao poder estim ulante da atração intensa. Os dois estados parecem sem elhantes. De todo m odo, a descarga de adrenalina é boa para um relacionam ento que perdeu o ím peto.

Faça da variedade um a rotina. Com o você viu nos Capítulos 3 e 4, sou fã de rotinas produtivas e hábitos positivos, e tam bém os recom endo em relacionam entos. Com um alerta: seus hábitos de relacionam ento devem introduzir, rotineiram ente, um elem ento de variação, do contrário você se sentirá entediado. Um hábito de variedade. Acha que é um paradoxo?

Não é. Talvez você tenha um ritual de gratidão para a hora de

dorm ir, no qual diz à pessoa que am a algo que adm ira nela – assum a

o desafio de dizer um a coisa nova todos os dias. Ou talvez você saia um a noite por sem ana com seu parceiro – por m ais aconchegante e confortável que sej a ir sem pre ao m esm o restaurante ou sala de cinem a, varie um pouco. Faça aquilo que faria para im pressionar alguém no prim eiro encontro. Introduza um pouco de entusiasmo nas rotinas do relacionam ento.

Quando pesquisadores pediram a casais para elaborar um a lista

de atividades interessantes (ir à praia, conhecer um restaurante novo ou visitar algum a parte da cidade que eles pouco frequentam ), aqueles casais que realm ente fizeram j untos algum a das atividades listadas foram m ais propensos a concordar com declarações com o “m e sinto feliz quando faço algo para deixar m eu parceiro feliz” e “m eu coração dispara quando penso em m eu parceiro”. Surpreenda sua cara-m etade. (E a si m esm o.) Faça algo inesperado. Um a am iga e seu m arido alternam o planej am ento dos encontros, e não dizem nada ao outro sobre os planos. Talvez não façam nada de espetacular, m as o elem ento-surpresa introduz novidade e entusiasm o à situação. Pesquisas m ostram que, quando a surpresa é introduzida em algo positivo, a própria incerteza tende a aum entar nosso prazer.

Enquanto isso, procure fazer de m odo diferente com sua cara-

m etade algo que fazem sem pre. Nosso cérebro procura padrões, e é com um verm os apenas aquilo que esperam os ver. Acham os novas pessoas e situações m ais interessantes porque ainda não sabem os que padrões vam os encontrar em seu com portam ento (pesquisadores cham am isso de “isca da am biguidade”). Quando descobrim os algo de novo em um a pessoa conhecida, tendem os a achá-la m ais interessante.

Em relacionam entos rom ânticos, todas essas estratégias podem ser testadas na cam a. Fazer am or é a form a com o a m aioria dos casais se m antém conectada; m as, assim com o a própria relação, com o passar do tem po pode ficar insípido. Agite as coisas em sua vida sexual tornando-se m ais vulnerável, assum indo riscos, m udando suas rotinas e acrescentando elem entos-surpresa.

Enfim , faça tudo de m odo a aprofundar sua conexão. Quando nossas m etas para o relacionam ento são positivas (por exem plo, querem os nos divertir) ao invés de negativas (tentam os evitar um a briga ou que a pessoa nos deixe), tendem os a ficar m uito m ais satisfeitos e a sentir m enos solidão e insegurança. E não há nada de tedioso nisso.

DOENÇA NA CONEXÃO 6: INCÔMODOS E IRRITAÇÕES

É m uito com um nos irritarm os com as pessoas m ais próxim as de nós, com aquelas que m ais am am os. Se os que estão ao nosso redor nos incom odam , em geral perdem os a paciência com exclam ações com o: “Tire a roupa suj a do chão!”, “Lave a louça!” ou “Por favor, fique quieto!”. Quando reclam am os e criticam os, m uitas vezes acabam os criando um a distância entre nós e nossos am ados ou colegas. Fazem os com que se sintam defensivos e ressentidos, tão incom odados conosco quanto estam os com eles.

O antídoto: aceitação

Sou um a pessoa altam ente sensível e irritável, então, tive que desenvolver form as de enfrentam ento que não afastassem de m im aqueles que am o. Não tem sido fácil, e m eus filhos confirm ariam que não sou perfeita. Mas é um alívio dispor de m odos de enfrentam ento que não envolvam fazer com que outras pessoas se sintam m al.

Quando alguém m e perturba, m eu prim eiro passo é focar na m inha respiração e na experiência física. Onde estou sentindo a irritação em m eu corpo? Onde está a tensão? Sim plesm ente sentir os pés no chão e renovar o vínculo com o m eu eu m e devolve ao m om ento presente.

Se você tem dificuldade para sentir a irritação (ou em oção) em seu corpo, tente usar a respiração 3-1-6: Inspire em três segundos, retenha o ar por um segundo e então expire em seis. Repita isso pelo m enos três vezes.

O segredo é frear qualquer reação de luta ou fuga que possa estar sendo form ada devido à irritação. Para isso, faço um a tentativa consciente de desacelerar e aprofundar a respiração, relem bro um m om ento alegre e procuro cultivar sentim entos de com paixão por m im m esm a e pelo alvo da m inha irritação.

A com paixão vem com m ais facilidade quando encontram os um a explicação razoável para a conduta incôm oda de alguém . Algum as vezes trata-se apenas de um m au hábito difícil de elim inar, apesar de intenções positivas. Outras, de fazer coisas irritantes por pressa ou estresse (o cônj uge que se esquece de fazer a cam a antes de sair correndo para o trabalho). Nestes casos, podem os dar a eles o presente da com paixão e do perdão.

Mas há m om entos em que nosso incôm odo com os outros é, na verdade, um a raiva ou irritação em relação a nós m esm os. Sem pre m e sinto m ais frustrada com a lentidão dos m eus filhos quando não tenho tem po suficiente para m im . O correto a fazer nesses m om entos é direcionar a com paixão para si m esm o; não para se sentir m elhor, m as porque essa é a forma mais eficiente de lidar com este tipo de situação. (Ver o Capítulo 10, sobre com o e por que praticar com paixão por si.) Meu m arido fica irritado com as crianças quando elas cantam ou brincam fazendo m uito barulho. A m elhor política nessas horas é enxergar as im perfeições dos outros com o aquilo que os torna lindos – e reconhecer que a fonte da perturbação não vai durar para sem pre. Esta perspectiva é o que os j aponeses cham am de wabi sabi, ou a capacidade de encontrar beleza nas falhas de um a pessoa ou obj eto. Em seu livro Wabi Sabi Simple (Wabi Sabi Sim ples), Richard Powell escreve que wabi sabi “nutre tudo que é autêntico ao reconhecer três realidades sim ples: nada dura, nada está com pleto e nada é perfeito”. O canto alto e inconsciente das crianças é o que as torna lindas. É algo tem porário – o barulho não vai durar para sem pre, nem o tem po que as crianças passarão em casa. Tam bém é im perfeito e não está term inado. Sua habilidade m usical vai m elhorar (possivelm ente) quando elas crescerem , m as por enquanto as crianças (e o canto) são obras em andam ento.

Pesquisadores cham am um a tática sim ilar de “subtração m ental”. Quando alguém ou algo o irrita, você im agina sua vida sem aquilo. Com o se sentiria? Do que teria saudades? E se as crianças fossem ansiosas ou infelizes dem ais para cantar o tem po todo? Ou, pior, se elas nem sequer vivessem conosco? Im aginar algo “subtraído” de nossas vidas costum a nos tornar profundam ente gratos pela presença daquilo em nossas vidas, m esm o que algum as vezes sej a enervante.

A perspectiva wabi sabi é a form a m áxim a de aceitação. Aceitação é a rendição ao que é e ao m om ento presente que pode nos trazer im ensa paz onde, antes, havia irritação. Rick Hanson, autor de O cérebro e a felicidade, diz que aceitar as pessoas não significa concordar com elas, aprová-las, abrir m ão dos seus direitos ou subestim ar o im pacto que elas têm sobre você. Você pode tom ar m edidas adequadas para proteger a si m esm o e a outros. Ou pode sim plesm ente deixar que elas se expressem com o são. De um j eito ou de outro, você aceita a realidade da outra pessoa. Talvez não a aprecie, talvez faça com que você se sinta triste ou bravo, m as, num nível m ais profundo, você fica em paz. E isso é um a bênção.

Irritações são inevitáveis, m as não devem ser im pedim ento para o am or em nossa vida. Quando aceitam os as pessoas, com seus com portam entos e hábitos enervantes, e lidam os com nossos próprios sentim entos, fortalecem os nossos vínculos.

DOENÇA NA CONEXÃO 7: CONFLITOS NÃO RESOLVIDOS

Às vezes nossa irritação é m ais profunda, e vivenciam os conflitos com am igos, vizinhos, fam iliares ou colegas que podem acabar gerando m ágoas. Os conflitos com eçam com críticas. Elas são destrutivas para o relacionam ento quando transform am os um a reclam ação específica num a denúncia generalizada, ou quando atacam os o caráter de alguém (“Você é tão egoísta!”). As pessoas que recebem críticas destrutivas apresentam m ais raiva e estresse e tendem a evitar ou resistir ao outro (em vez de colaborar ou chegar a um acordo). Elas tam bém costum am determ inar m etas m enos am biciosas e perceber a si m esm os com o m enos eficazes. Em outras palavras, críticas duras não funcionam .

Tam pouco é produtivo buscar vingança ou enterrar os sentim entos. E j á que diferenças de opinião, discussões feias e enfrentam entos podem se dar até m esm o nas relações m ais íntim as, é fundam ental adotarm os form as construtivas de lidar com o conflito. E cabe a nós escolher com o agir e nos sentir frente a ele. O antídoto: resolvam o problem a j untos Quando tentar resolver um conflito com

alguém , procure entender qual é, exatam ente, o tipo de problem a enfrentado.

Existem apenas quatro tipos de conflito: (1) Problem as pontuais e solucionáveis.

Acho que m uitos de nós supõem que todos os problem as são solucionáveis.

Alguns de fato são; outros, não. Há aqueles que surgem em situações específicas,

e não com o resultado de diferenças na personalidade.

Suponha que você e um colega discordem sobre um a estratégia de m arketing.

Este é um conflito solucionável. Talvez vocês discordem ou m esm o discutam a

respeito, m as no fim das contas vão chegar a um a decisão.

(2) Conflitos cíclicos. Se, no entanto, o conflito acerca da estratégia de

m arketing for um a questão sobre com o lidar com a concorrência – digam os

que seu chefe sej a um com petidor agressivo e você, um colaborador nato –,

este não será um problem a pontual e solucionável. Os terapeutas e

pesquisadores de relacionam ento John e Julie Gottm an cham am estes

problem as entre casais de “conflitos perpétuos”. Diferente do que ocorre

com problem as solucionáveis, os conflitos perpétuos surgem de diferenças

fundam entais entre personalidades, necessidades em ocionais ou ideias

referentes à form a com o você quer viver sua vida – e estes conflitos nunca

vão term inar. Ponto.

Mas eles são adm inistráveis. O exem plo clássico é o do bagunceiro que se

casa com um a m ulher obcecada por arrum ação. Ela quer a casa lim pa

com o um hospital, ele deixa pilhas de coisas por toda parte. Manter a casa

arrum ada é difícil (e, talvez, de pouca im portância) para ele, m as para ela é

fácil e essencial.

Mesm o que ele se com prom eta a guardar suas coisas, ela não pode

transform á-lo num louco por arrum ação, então o problem a se perpetua. Ele

vai deixar de se esforçar assim que surgir trabalho dem ais, estresse ou

m esm o preguiça. Ela ficará frustrada, e o conflito ressurgirá. Ele redobrará

seu em penho, o conflito perderá força por um tem po, e assim por diante.

A questão não é se vocês podem se livrar com pletam ente do problem a, m as

se é possível estabelecer um diálogo construtivo a respeito e fazer progresso

periódico em busca de um a solução. Em outras palavras, há com o encontrar

um a solução adm inistrável, sabendo que am bos continuarão a revisitar essa

questão enquanto estiverem j untos? Conflitos cíclicos podem até recriar

conexão e intim idade. Vocês trabalham j untos para lidar com um a questão,

e isso é bom .

(3) Im passes. Se não for possível resolver um conflito recorrente, sej a

porque seu parceiro não encontrou um a solução, sej a porque um de vocês

não quer fazê-lo, você estará num im passe. Abuso de substâncias tóxicas,

por exem plo, é um im passe que às vezes aparece com o conflito cíclico.

Outros im passes não são tão óbvios. Tenho um a am iga que só consegue se

sentir próxim a do m arido quando ele a resgata de algum a tristeza. Ela

cansou de ter que esperar por ataques de estresse (ou qualquer outro ataque)

para poder sentir-se conectada a ele; e percebeu que isso era um im passe.

Se eles não conseguissem m udar o problem a para outra categoria –

transform ando-o num conflito cíclico, baseado em suas diferenças de

personalidade –, ela desistiria do relacionam ento.

(4) Problem as que m agoam . Esses problem as são sim ilares aos

cíclicos, pois podem ser brigas que você tem com um a pessoa repetidas

vezes. A diferença é que vocês nunca conseguem fazer progresso.

Eles geram frustração e dor, pioram com o tem po e levam a sentim entos de

incom preensão, ausência de am or e de aceitação. Estes conflitos são

caracterizados pela presença de quatro elem entos que, com o John e Julie

Gottm an descobriram , antecedem o divórcio: ficar na defensiva,

m enosprezar, criticar e ignorar o outro.

Alguns indivíduos podem m udar seus problem as que m agoam para a

categoria de conflitos cíclicos aprendendo a lutar de outra form a (ver a

seguir). Quando abordam os nossos conflitos com genuíno respeito e

valorização, tendem os a entrar em discussões de form a aberta e pacífica,

sem aquela vontade de “vencê-las”, culpando e difam ando o outro,

atacando onde m ais dói.

É m ais construtivo, e m enos estressante, lidarm os com os conflitos sem

beligerância, no intuito de colaborar no esforço para resolver o problema. Eis

o m étodo que criei, a partir da pesquisa de John Gottm an, para iniciar a

resolução de conflitos sem criar disputas eternas.

COMO COMPRAR UMA BRIGA

(SEM COMPRAR UMA BRIGA) Se você é a parte queixosa, o que tem que fazer

é, basicam ente, apresentar um a queixa. Isso é m uito diferente de criticar. Um a

queixa diz respeito a um a situação específica e pode ser articulada de form a que não ative o m ecanism o de luta ou fuga no outro. Críticas, no entanto, podem levar a diversos com portam entos que destroem vínculos: ficar na defensiva, ignorar e

m enosprezar.

Você deve m anter três coisas em m ente ao em itir um a queixa. Vam os supor que seu parceiro não estej a aj udando na cozinha ultim am ente, e você sinta frustração ou ressentim ento quando se vê lavando a louça enquanto ele, ou ela, assiste à TV.

(1) Com ece com algo que você apreciou E “um a declaração pessoal”.

A form a com o você com eça é im portante. Segundo John Gottm an, em 96%

das ocasiões, os prim eiros três m inutos de um a conversa podem determ inar

o resultado final – se um a grande luta vai ou não ocorrer, se soluções

construtivas serão encontradas ou se desculpas serão oferecidas e aceitas.

Expresse gratidão e em seguida use a m esm a “declaração pessoal” que

pedim os para as crianças form ularem : “Eu senti X quando você fez Y

porque...” O fundamental é não acender um fósforo, mesmo que esteja com

raiva.

O QUE NÃO DIZER: “Você nunca m ais m e aj udou na cozinha; é

preguiçoso.”

ALGO QUE VOCÊ APRECIA + UMA “DECLARAÇÃO PESSOAL”:

“Adm iro o fato de você passar tanto tem po no trabalho, dando duro pela

nossa fam ília, e sou grata por isso. Quero que consiga relaxar ao final do dia.

Mas fiquei irritada e ressentida esta noite, quando você não m e aj udou a

lim par a cozinha, pois eu também quero relaxar.”

(2) Mantenha a calm a. Ou encontre um a form a de se acalm ar.

Lem bre-se, você tem um problem a a ser resolvido. E vai precisar que a

parte m ais evoluída de seu cérebro estej a em ordem , o que não acontecerá

se um a resposta de fuga ou luta for ativada. A liberação de adrenalina e as

m udanças fisiológicas que ocorrem quando estam os atacando ou sendo

atacados (em ocional, intelectual e fisicam ente) podem dificultar o

pensam ento criativo sofisticado. Se estiver sentindo em oções m uito fortes,

pare e descanse um pouco.

FAÇA UM ESFORÇO PARA: Com binar um horário para revisitar a

discussão m ais tarde, quando você e a pessoa com quem está em conflito

estiverem m ais calm os. Então saia para cam inhar, ou faça algo que

prom ova relaxam ento e equilíbrio.

O QUE NÃO FAZER: Ficar em burrado num canto ou elaborar

argum entos para vencer. (Eu costum ava escrever listas com m eus principais

argum entos. Esta não é um a boa form a de reduzir a adrenalina. Tam bém

não é um a boa m aneira de colaborar.)

Com o pedir desculpas Segundo Aaron Lazare, que estudou a psicologia das

desculpas, pedidos eficientes de desculpas incluem alguns ou todos estes

elem entos: (1) reconhecer o erro; (2) explicar o que aconteceu; (3)

dem onstrar rem orso; e (4) reparar o erro.

Vam os supor que você tenha cham ado seu m arido de preguiçoso antes de

ler este capítulo e agora perceba que teria sido m ais eficiente com eçar com palavras de apreço e um a “declaração pessoal”. Eis aqui com o consertar a

situação: Prim eiro, reconheça a ofensa sem m encionar por que estava

brava. Diga “Desculpe por ter cham ado você de preguiçoso”, não “desculpe

por ter cham ado você de preguiçoso, m as você não tem feito nada para

aj udar em casa”. Para que o pedido de desculpas funcione, o agressor precisa confessar o crim e por com pleto, sem hesitar, pigarrear ou criar

pretextos.

Em segundo lugar, ofereça um a explicação. Principalm ente se não era sua

intenção ferir os sentim entos dele ou se for pouco provável que a ofensa

ocorra de novo. Caso escolha se explicar, lem bre-se de incluir um a

confissão de fato. Tentar se exim ir da responsabilidade pelo erro anularia o pedido de desculpas. Por exem plo, dizer “Sei que parece que te cham ei de

preguiçoso, m as na verdade quis dizer descansado” não vai prom over

confiança no seu relacionam ento. Mas talvez aj ude dizer “Eu estava irritada

e m e arrependo de ter dito aquilo”.

Em terceiro, dem onstre rem orso, culpa ou hum ildade, reconhecendo que

seu com entário pode ter m achucado. E, por fim , boas respostas costum am

incluir um a retribuição de algum tipo, sej a real ou sim bólica. Talvez você possa se aproxim ar para dar um beij o de desculpas ou oferecer sua aj uda

com o oferta de paz.

(3) Aceite a influência do outro. É assim que deixam os de reclam ar e

nos tornam os solucionadores de problem as. O segredo é não contradizer

tudo que seu parceiro diz. Em vez disso, dem onstre em patia. Aquele com

quem você está em conflito não é seu oponente: vocês são parceiros

solucionando um problem a. Lem bre-se de sua m eta em com um : criar um a

em presa próspera, educar filhos felizes e ter um relacionam ento

gratificante. Para resolver suas questões, am bos terão que se esforçar para

atender às necessidades um do outro. E, para isso, terão que aceitar a

influência um do outro.

FAÇA UM ESFORÇO PARA: Concordar com pelo m enos alguns dos

argum entos que ele lhe oferece (talvez você concorde que lava os pratos

m ais rápido que ele, e que ele de fato fez as com pras no m ercado este fim

de sem ana e foi atencioso).

O QUE NÃO FAZER: Continuar no assunto depois de ter pedido

desculpas e proposto um a solução. Por exem plo, caso o seu cônj uge diga

“Desculpe. Você tem razão; não é j usto que estej a fazendo todo o trabalho.

Am anhã vou aj udar”, aceite o pedido de desculpas dizendo: “Obrigada por

se desculpar. Vai ser bom ter sua aj uda am anhã.”

Sei que o conselho parece óbvio, m as quando estam os suj eitos a

em oções fortes, um a solução rápida pode parecer insatisfatória, ou fácil

dem ais. Não com plique as coisas falando de novo que ele não tem feito sua

parte, ou respondendo “Você não parece tão arrependido”. (Digo isso

porque j á duvidei da sinceridade das desculpas. Quando faço isso, estou

sabotando m eus próprios esforços.) Finalm ente, se é você quem precisa

pedir desculpas, faça-o com verdade, ou não fale nada. Pedidos insinceros

de desculpas deixam as pessoas ainda m ais bravas. É essencial abordar as

questões problem áticas com nossos am ados de m aneira consciente, com

disposição para buscar soluções – em vez de transform ar a questão num

esforço para ter razão, conquistar vitórias m orais ou sentir-se superior.

DOENÇA NA CONEXÃO 8: GUARDAR RANCOR

Talvez você tenha seguido os passos detalhados anteriorm ente para resolver um a questão, m as ainda sinta rancor por todos os anos sem aj uda na cozinha (ou com os filhos ou para fazer as com pras), pelas coisas ruins que foram ditas ou pela m á vontade im plícita. A lista de coisas que podem nos incom odar e gerar raiva é infinita. É com o se houvesse um m arcador de pontos inj uriado dentro de cada um de nós.

Mas o problem a é que, quando não abrim os m ão da raiva, com prom etem os nossa própria tranquilidade. Pode até haver razões muito boas para que estej am os bravos ou para que guardem os tantos rancores, m as a incapacidade de perdoar nos m achuca. Muitas vezes nos sentim os irritados e hostis em relação à pessoa que nos m agoou, e nosso pensam ento se volta para a vingança (ou j ustiça). A hostilidade prej udica nossa saúde (aum entando os riscos de doença cardíaca, por exem plo). Desej ar vingança em vez de perdoar intensifica o conflito com o outro, e isso aum enta nossa raiva e ansiedade.

Ressentim ento duradouro é um j ogo perdido. Quando nos apegam os a em oções negativas com o raiva, am argura e ódio, im pedim os a sensação de alegria e gratidão.

O antídoto: pratique o perdão Segundo pesquisas, as pessoas que não perdoam

tendem a ser irritadiças e hostis – e isso as torna m ais ansiosas, deprim idas e

neuróticas. Já as que perdoam costum am ter m ais tranquilidade, saúde e

em patia. Em um estudo conduzido na Irlanda do Norte, com católicos e

protestantes que haviam perdido um m em bro da fam ília para a violência, por

exem plo, os participantes apresentaram um a dim inuição de 40% na depressão

depois de praticar o perdão. Perdoar é algo que fazem os para o nosso bem , para term os um a existência m ais alegre. Poucos se dão conta do im enso im pacto que

a capacidade de perdoar pode ter sobre a felicidade. Quem perdoa tem m ais

conexões sociais positivas.

Fred Luskin, o diretor do Proj eto Perdão da Universidade de Stanford, passou décadas pesquisando e ensinando sobre perdão. Ele enfatiza que perdão não tem a ver com esquecer, m as com superar. Não se trata de apagar a origem da m ágoa, m as de escolher em oções positivas ao invés de negativas. Luskin desenvolveu um program a para ensinar as pessoas a perdoarem até m esm o os atos m ais cruéis. Traduzi o program a de felicidade dele na form a de habilidades que podem os praticar para aprender a perdoar.

 

Um bom prim eiro passo é desenvolver a habilidade de com preender suas em oções e articular o que está sentindo quando algo o aborrece. Pratique identificar, aceitar e conversar sobre os seus sentim entos, especialm ente quando estiver m agoado (o Capítulo 10 tem um a seção que ensina a fazer isso).

Reconheça quão m al se sente quando rum ina sobre as vezes em que foi m agoado e relem bre todos os benefícios que resultam da prática do perdão. Reconheça tam bém que o estresse que experim enta é decorrente daquilo que pensa e sente neste m om ento, não do que aconteceu há m eses ou m inutos atrás.

Lem bre-se de que sofrem os quando exigim os coisas que a vida não nos oferece. Claro que precisam os ter esperanças de consegui-las, e devem os trabalhar para isto. Mas é necessário que sej a um processo natural. Quando esperam os que algo que está além do nosso controle aconteça, e isso não ocorre, nos sentim os inj ustiçados. Pratique a superação do desej o por coisas sobre as quais você não tem influência e redirecione sua energia para as que pode influenciar. Converse com alguém neutro sobre o desej o de j ustiça ou vingança que você não consegue superar. Lem bre-se de que a m elhor vingança – ou a m aior j ustiça – é um a vida bem vivida. Quando focam os em com o fom os m agoados, dam os poder a quem nos m agoou, e assim perm anecem os ressentidos.

Escreva cartas de perdão (pode enviá-las ou não). Fale sobre com o você foi afetado por algum a m ágoa e sobre os m aus sentim entos que ainda está vivenciando. Diga o que gostaria que o agressor tivesse feito. Term ine com um a declaração explícita de perdão, com preensão e até m esm o em patia, se possível. Por exem plo: “Acho que você não im aginou que eu ficaria m agoado com aquilo que disse, então perdoo você por ter m e m agoado.”

Perdoar é difícil. É necessário coragem e determ inação para abrir m ão dos sentim entos negativos que carregam os. Felizm ente, isso fica m ais fácil com a prática – em especial se com eçarm os com as coisas pequenas –, e nos torna pessoas m elhores e m ais fortes.

DOENÇA NA CONEXÃO 9: RIQUEZA A riqueza, por m ais estranho que pareça,

nos torna m enos propensos a com partilhar relacionam entos significativos e

gratificantes. Ou, m ais precisam ente, ganhar status social por m eio da riqueza

prej udica nossa inteligência social e em ocional, e isso reduz nosso interesse por conexões, tornando-nos m enos com passivos e generosos. Estudos com provaram

que a relação entre obter grande status social e todos os atributos negativos que

acabei de listar é causal. Quando pesquisadores m anipulam o status social de

algum as pessoas, fazendo com que se sintam inferiores a outras em term os

financeiros, elas se tornam m ais em páticas e m ais com petentes em decifrar as

em oções dos outros. Já as que são m anipuladas para se sentir superiores têm

m ais dificuldade para sentir em patia.

Infelizm ente, a riqueza financeira nos faz agir com o canalhas. Um dos estudos m ais chocantes sobre isso docum enta com o as pessoas que dirigem carros luxuosos são m enos propensas a parar nos sinais ou cruzam entos. Sua atitude de “reis da rua” indica um a falta de preocupação com a segurança dos outros.

É irônico que o status social nos torne arrogantes e desconectados dos que nos cercam . Luta-se para ficar rico pensando que isso trará a sonhada felicidade duradoura. Mas, se a felicidade pode ser calculada com base na extensão e profundidade dos nossos vínculos sociais, ganhar m ais dinheiro claram ente não é um a form a garantida de conquistá-la.

De form a sim ilar, foi dem onstrado que o m aterialism o – a busca por um a casa m aior, um carro m elhor ou roupas de grife – tam bém prej udica os relacionam entos, pois as pessoas dedicam m ais tem po à procura de riqueza do que aos am igos e fam iliares. Esse com portam ento atrapalha nossa conexão com os outros e abala nossa autoestim a, aum entando os riscos de depressão e ansiedade.

O antídoto: passe adiante Se você é rico, ganhou algum status social ou é

m aterialista, o antídoto está no capítulo anterior, na seção sobre doar. Pare de

pensar tanto em si m esm o e volte a atenção para aquilo que realmente vai torná-

lo feliz. Perceba que as coisas e as experiências que o dinheiro pode com prar

talvez tragam um a sensação rápida de gratificação ou prazer (com o as drogas

fazem ), m as que essa satisfação a curto prazo pode acabar custando seus

relacionam entos e felicidade a longo prazo. Vej a a riqueza com o um a

m aravilhosa responsabilidade, com o um a oportunidade de ser generoso e de

garantir seus valores.

Pessoas m aterialistas tendem a ser inseguras; enxergam suas posses com o um escudo capaz de protegê-las de sua sensação de inadequação. Então, busque significado, alegria e gratificação dentro de você. Que recursos internos lhe trazem contentam ento? Pense que suas conexões – com am igos, fam iliares, anim ais, Deus, natureza e com unidade – são seus recursos m ais im portantes. Com o você pode enriquecer estas conexões?

Em bora pesquisas revelem que a com paixão e a em patia tendam a surgir m ais naturalm ente quando ocupam os um a posição social m ais baixa, isso não significa que sej a im possível cultivarm os de form a consciente o desej o e a capacidade de ver e com preender os que estão à nossa volta. Saiba que você tem o poder de aj udar os m enos afortunados, recebendo em troca os benefícios que acom panham a com paixão. Atender de m odo consciente às necessidades alheias é o m elhor cam inho rum o ao am or que desej am os para nossa vida.

RESOLVA AS PEQUENAS QUESTÕES

Certo dia tive um a pequena briga com m inha enteada adolescente. Ela estava confrontando o pai, e eu estava cansada e fam inta dem ais para continuar ouvindo a discussão dos dois. Com ecei a dar ultim atos que nunca poderia cum prir, algo que, com o bem sabem os que convivem com adolescentes, nunca funciona. Minha enteada percebeu o m eu erro e disse algum as coisas ofensivas. Atônita, não consegui falar m ais nada.

Ficam os realm ente bravas um a com a outra. Horas depois, antes de dorm ir, ela entrou no m eu quarto e sentou ao m eu lado na cam a. Com eçou a contar algo engraçado que tinha acabado de ver no YouTube. Ela estava m e dando um a escolha. Eu podia ter um a conversa leve com ela e fingir que nada tinha acontecido. Podia lhe dar um serm ão sobre respeitar os outros. Ou podia consertar o relacionam ento.

– Sinto m uito pela nossa briga m ais cedo – disse, colocando m eu braço sobre o om bro dela. – Te am o m uito, sabe?

– Tam bém sinto m uito, Christine! – exclam ou ela, m e abraçando. – Falei sem pensar. Tam bém te am o m uito.

Também te amo muito. Não existem palavras m elhores para os ouvidos de um a m adrasta. A raiva evaporou, e eu senti apenas am or.

Pequenas questões surgem o tem po todo em nossos relacionam entos, e, em vez de gastar tem po e energia exam inando os porquês e atribuindo culpa – ou fingindo que não há nada de errado –, a coisa m ais fácil a fazer é simplesmente resolver. Sem retornar à briga, sem revisitar as ofensas. Muitas vezes, um abraço e um “eu te am o” – um pedido de desculpas ou um a dem onstração sincera de gratidão – podem consertar tudo.

Costum am os nos sentir m ais próxim os da pessoa após “fazerm os as pazes”. Minha filha Molly ilustrou isso lindam ente outro dia, quando m e disse que tinha m agoado a am iga Em m y, no recreio, ao abandoná-la para brincar com outra am iga.

– O que você fez quando percebeu que ela ficou triste? – perguntei, preocupada.

– Eu disse a ela que tinha sido um erro ignorá-la. Sei que devia ter contado onde eu e Am élia estávam os brincando, então pedi desculpas por não ter feito isso. Prom eti que da próxim a vez a cham arei, m esm o que ela não queira ir com a gente.

– E o que Em m a disse? Com o ela está se sentindo agora?

– Ah, m ãe – respondeu Molly, suspirando, com o se sentisse pena de m im porque eu estava dem orando para entender –, você não sabe que quando com ete um erro com um a am iga e pede desculpas, ela te perdoa, e aí vocês sentem que são ainda mais am igas?