O Ponto de Equilíbrio
Capítulo 9
Com o ser divergente
“O obj etivo não é perder o m edo. Isso seria im possível. O im portante é
aprender a controlar o m edo, de form a a não ser controlado por ele.”
– Veronica Roth, Divergente
Minha filha Fiona e suas am igas da escola passaram um tem po obcecadas pela distopia que Veronica Roth cria em seu livro, Divergente. Na obra, os personagens têm perm issão de desenvolver e dem onstrar apenas um a força de caráter: inteligência, coragem , honestidade, generosidade ou altruísm o. As pessoas que dem onstram m ais de um a força são consideradas “divergentes”, algo perigoso e am eaçador. A personagem principal, Tris, é um a divergente – ela é inteligente, coraj osa, honesta, generosa e altruísta. Com o é difícil para o governo controlar os divergentes, eles costum am ser m ortos.
O apelo de Divergente para os alunos do ensino m édio é óbvio, dada a pressão que m uitos adolescentes sentem para se conform ar a um conj unto rígido de regras determ inadas por seus pares, pelos pais e pela escola. Mas eu tam bém vej o a distopia de Roth com o um a avaliação do m undo adulto em que vivem os, onde a m aioria de nós está sem pre se com parando a três arquétipos com uns e poderosos que dem onstram e desenvolvem apenas um a força: o trabalhador ideal, a m ãe supercom prom etida e o pai provedor.
Não conheço ninguém que tenha trabalhado para um a em presa tradicional sem se deparar com a nossa noção cultural daquilo que a j ornalista Brigid Schulte cham a de trabalhador ideal. O funcionário perfeito, que – sem as distrações causadas por filhos, fam ília ou pelos fatos da vida – consegue trabalhar quantas horas seu em pregador quiser. Funcionários ideais não têm hobbies – nem m esm o interesses – que interfiram no trabalho. O funcionário ideal é capaz de em barcar num avião e sair da cidade a qualquer m om ento para um a reunião de negócios, pois outra pessoa vai pegar as crianças na escola, preparar-lhes o j antar e colocá-las na cam a.
A m aioria dos pais que trabalham não pode com petir – em term os de quantidade de horas no trabalho – com esses funcionários perfeitos. E eles tam bém têm arquétipos adicionais com os quais lidar: m ães m uito com prom etidas e pais provedores. A m ãe com prom etida não parece trabalhar fora do lar (se ela realiza algum a atividade rem unerada, certam ente não interfere em suas atividades m aternas nem com o trabalho voluntário na escola dos filhos). Ela sem pre sabe o que é m elhor para aqueles de quem cuidou por anos. Quando os filhos atingem a idade escolar, a m ãe se torna a voluntária ideal. Trabalha com as classes, participa dos esforços para angariação de fundos e é m otorista nas viagens escolares. Assum e tantos papéis que parece onipresente na escola. Seus filhos estão inscritos em todas as atividades com plem entares disponíveis. Ela tira m uitas fotos, docum entando com cuidado a infância construída para seus rebentos, m as raram ente aparece nos álbuns de fotografia. Suas próprias necessidades não são consideradas. Não é relevante se ela considera sua ocupação de servir a fam ília gratificante.
De form a sim ilar, os pais provedores – que focam em ganhar tanto dinheiro quanto possível para o benefício de suas fam ílias, m as que raram ente aproveitam o tem po ao lado delas – repreendem os pais que recusam prom oções ou aceitam trabalhos com m enor rem uneração para poderem passar m ais tem po com seus filhos.
Com o os personagens em Divergente, cada um desses estereótipos am ericanos pode desenvolver e dem onstrar apenas um a força: a habilidade de trabalhar longas horas ou a habilidade de serem ótim os pais altruístas ou a habilidade de ganhar m uito dinheiro para a fam ília.
E aí está o problem a: o funcionário ideal não é necessariam ente ideal. Tam pouco o são a m ãe com prom etida ou o pai provedor. Pesquisas m ostram que as pessoas que trabalham por longas horas, em detrim ento de suas vidas pessoais, não são m ais produtivas nem m ais bem -sucedidas do que as que trabalham m enos horas para poder estar com a fam ília ou desenvolver interesses fora do trabalho. E nada indica que as m ães supercom prom etidas tenham m ais êxito na criação de filhos felizes ou com petentes do que as que investem tem po em atividades que não são 100% centradas nos filhos. Na verdade, há evidências de que as crianças se desenvolvem m elhor quando têm m ais autonom ia. E que se beneficiam im ensam ente com a presença de um pai com prom etido – m esm o que ele ganhe m enos dinheiro do que poderia caso trabalhasse m ais.
Em outras palavras, se pretendem os ser m ais produtivos, bem -sucedidos e felizes – e querem os encontrar nosso ponto de equilíbrio no trabalho e em casa –, devemos ser divergentes, por m ais am eaçador que isso pareça às nossas norm as culturais e às pessoas ao nosso redor. A divergência é especialm ente am eaçadora para os funcionários ideais que ainda adm inistram m uitas das nossas corporações e instituições governam entais. Assim com o nos livros de Roth, os indivíduos m uito ligados aos arquétipos ideais buscarão controle e, se necessário, sabotarão ou desacreditarão as pessoas dedicadas a ser bons pais e bons funcionários e indivíduos felizes e a contribuir em suas com unidades.
Para desenvolver nossos diversos talentos, devem os nos afastar do rebanho. Com o aprendem os nos Capítulos 4 e 5, nosso sistem a nervoso é proj etado para nos m anter dentro de um grupo; nos afastarm os, portanto, pode ser aterrorizante e desorientador. Em Divergente, a personagem principal é obrigada a se j untar a um a facção de força única para esconder sua divergência. Ela opta por se tornar “destem ida” – o grupo que preza a valentia –, em bora saiba, secretam ente, que tam bém tem inclinação para a posição de “erudita” e para a de “abnegação”, das altruístas. Ela sabe que m udar o m undo, e sua própria vida, exigirá m uita coragem , e apenas quando tiver o suficiente será capaz de aj udar os outros, ou usar todo o potencial de sua inteligência.
Praticam ente toda ação e com portam ento que sugiro neste livro vão, para alguns leitores, exigir divergência do rebanho ou coragem – ou am bos. Às vezes precisam os de coragem na vida pessoal – para enfrentar um traum a que im pede nossa evolução, exigir m ais de (ou abandonar) um relacionam ento m edíocre ou insistir para que nosso parceiro nos aj ude com o cuidado das crianças e da casa. Outras vezes precisam os de coragem no trabalho – para assum ir um grande desafio, arriscar-se, confrontar um colega que atrapalha nosso progresso ou para partir em busca de um a nova carreira. Há ocasiões em que precisam os de coragem para fazer as m udanças cotidianas que podem nos levar ao nosso ponto de equilíbrio. Requer certa coragem estabelecer um a prática de gratidão ou regras referentes ao uso do sm artphone em nossas casas. É um ato de valentia am ar um a pessoa com todo o nosso coração, Perdoar requer ousadia.
Não vam os encontrar nosso ponto de equilíbrio se nos conform arm os a ideais pouco realistas ou a estereótipos antiquados. Devem os perm itir a com plexidade e a divergência. A autenticidade, por si m esm a, é um a form a de tranquilidade. É m ais fácil – tem os m ais poder com m enos desgaste – dizer “eu não sei” do que inventar um a resposta; contar a verdade sobre nossas preferências, em vez de fingir gostar de algo que não gostam os; fazer as coisas que querem os fazer, em vez de o que os outros esperam de nós.
TORNANDO-SE DESTEMIDO
Brené Brown, autora de A coragem de ser imperfeito, talvez sej a a m elhor pessoa para nos ensinar a ser destem idos. Ela escreve sobre pesquisas relativas ao poder da vulnerabilidade e da vergonha, e define vulnerabilidade com o “incerteza, risco e exposição em ocional”. Meu am igo Ben recentem ente se expôs à vulnerabilidade, candidatando-se à faculdade de adm inistração aos 43 anos. Ele terá que tolerar a incerteza de ser aceito e a dúvida quanto ao retorno do investim ento financeiro. Grandes atletas se expõem à vulnerabilidade toda vez que pegam um a bola que pode salvar o j ogo – ou colocar tudo a perder. E todo pai ou m ãe que conheço se expõe à vulnerabilidade, porque ter filhos e am á-los de m odo incondicional é se entregar em ocionalm ente.
Nossa m ente parece vincular com facilidade a vulnerabilidade à fraqueza. Mas será que os grandes atletas, as pessoas que decidem fazer grandes m udanças em suas carreiras e todos os pais que se expõem em ocionalm ente por am or aos filhos são fracos? A vulnerabilidade deles faz com que pareçam frágeis, decepcionantes ou fracassados?
Não. Igualar vulnerabilidade e fraqueza não se j ustifica. “Sim , ficam os totalm ente expostos quando estam os frágeis”, escreve Brené. “E, sim , assum im os um im enso risco em ocional quando nos perm itim os ser vulneráveis. Mas não existe equação em que assum ir riscos, encarar a incerteza ou expor-se em ocionalm ente se iguale à fraqueza.”
Por isso insisto: vulnerabilidade não é um sinal de fraqueza. É, ao contrário, sinal de coragem. E a única m aneira de nós, pessoas divergentes, sobreviverm os é encontrando a coragem de que precisam os para serm os vulneráveis.
Mas com o fazer isso? A seguir estão algum as táticas para reunir coragem para se beneficiar da vulnerabilidade – e colher os frutos de tranquilidade que ela traz. Quando nos perm itim os ser frágeis – nos expondo em ocionalm ente –, som os capazes de desfrutar de profunda alegria, gratidão e inspiração.
Escolha um a ou m ais estratégias que pareçam boas para você e com ece a praticar!
Faça sem perfeição
Existem basicam ente duas form as de fazer algo sem perfeição, e em geral é possível escolher um m étodo que com bine com seu estilo. Quando você entra num a piscina gelada, m ergulha direto ou entra aos poucos? Com o prefere retirar um Band-Aid? Arranca rápido ou puxa devagar? As pessoas costum am experim entar as duas form as de fazer essas coisas, m as em geral têm um a preferência.
Eu sou do tipo que prefere m ergulhar direto e arrancar o Band-Aid rápido. Quando preciso j untar coragem para entrar num cam po novo ou assustador, sei que não posso avançar aos poucos, pois aí acabo pensando dem ais e m udo de ideia.
Minha am iga Casey está com m edo de seguir a carreira de artista e escritora. Ela se sente presa aos negócios da fam ília e não consegue criar a coragem de que precisa para iniciar algo que transm ita m ais com sua criatividade e im enso coração do que com a sagacidade para negócios de seu m arido.
Casey é um a garota do tipo que entra aos poucos na piscina. Então, ela pode j untar coragem para perseguir sua m eta a longo prazo. Com eçando aos poucos a ganhar a vida por m eio da arte. De início, conversar com outros artistas e escritores; depois, dia após dia, fazer pequenas colagens ou escrever um ou dois parágrafos; e depois de fazer isso por um tem po, pode se m atricular num curso noturno.
Qualquer m étodo serve, o im portante é agir. O que não podem os fazer é esperar para dar o prim eiro passo “quando form os perfeitos e incontestáveis”, pois, com o escreve Brown, “perfeito e irrefutável não existe na experiência hum ana”.
Contem ple sua próxim a tentativa de fazer algo assustador, com o aquilo que a escritora Anne Lam ott cham a de “prim eiro esboço terrível”. Aceite a im perfeição desta tentativa. A m aioria dos escritores concorda: tudo o que você tem que fazer é colocar aquele prim eiro esboço terrível no papel; e aí j á é m eio cam inho andado. Não alm ej e um prim eiro rascunho perfeito. A m aioria das pessoas fica paralisada pela im possibilidade desta tarefa.
A coach Martha Beck diz sobre aceitar a im perfeição em nossas vidas: “Ser um a pessoa com m uitas falhas m e ensinou esta verdade inesperada – aceitar a im perfeição é um a form a de conquistar aquilo que o perfeccionism o prom ete, m as nunca entrega. Ao fazê-lo, tem os nosso m elhor desem penho, e um a aceitação genuína na fam ília dos seres – im perfeitos e – hum anos.”
Ironicam ente, quando fazem os algo aceitando nossa im perfeição – com o o garoto que decide cham ar a m enina bonita para sair, m esm o sabendo que vai gaguej ar ou dizer algo tolo –, aum entam os a chance de serm os bem -sucedidos. Elim inam os toda a pressão. Tem os um desem penho m elhor, ganham os m ais am igos e desenvolvem os a capacidade de agir com coragem . A vida parece m ais fácil após fazerm os algo difícil.
Pense que o seu m edo não é legítim o Às vezes o m edo tem m ais a ver com
entusiasm o e paixão do que com algum a prem onição ruim . Com o Maria Shriver escreve em And One More Thing Before You Go (E m ais um a coisa antes de você
ir), m uitas vezes a “ansiedade é um vislum bre da sua própria ousadia. Sua
agitação é apenas entusiasm o com aquilo que você está se preparando para
conquistar. Qualquer que sej a seu m edo, faça”.
Segundo Marianne William son: Nosso m edo m ais profundo não é o de serm os inadequados. É o de serm os poderosos dem ais. É nossa luz, e não nossa escuridão, que m ais nos assusta. Perguntam os a nós m esm os: “Quem sou eu para ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso?” Na verdade, quem é você para não ser essas coisas? Você é um filho de Deus. Sua falsa m odéstia não serve ao m undo. Não há nada de ilum inado em encolher-se, para evitar que os outros se sintam inseguros ao seu redor. E conform e deixam os nossa luz brilhar, inconscientem ente dam os aos outros perm issão para fazer o m esm o. Assim , som os liberados de nosso m edo, e nossa presença autom aticam ente liberta os dem ais.
Então, encare aquilo que você m ais tem e. Qual é o seu m aior receio? A rej eição? O ridículo? Qual é a pior coisa que pode acontecer, caso seus m edos se tornem realidade? Você seria capaz de lidar com este resultado?
Este questionam ento interno pode parecer um pouco com a sessão de coaching entre Martha Beck e Lissa Rankin, autora do livro m ais vendido do New York Times, Mind Over Medicine (A m ente acim a da m edicina), descrita a seguir. Rankin é m édica e, assim com o Lee Lipsenthal, dedicou a vida a ensinar outros m édicos a se tornarem curadores holísticos. Um dos m aiores m edos de Lissa era não dom inar as coisas. Ela tinha um m edo específico e paralisante de não ser capaz de controlar as coisas no hospital – lugar onde é im possível controlar tudo.
Beck: Lissa, o que aconteceria se você não conseguisse controlar tudo
no hospital?
Rankin: Alguém poderia m orrer.
Beck: E depois?
Rankin: Falariam sobre este assunto na conferência de Morbidade &
Mortalidade, em que os m édicos se encontram para falar de pacientes que
m orreram quando deveriam ter sobrevivido.
Beck: E depois?
Rankin: O Conselho da Califórnia iniciaria um a investigação. Beck: E depois?
Rankin: Aí eu não poderia praticar m edicina.
Beck: Então, o seu m aior m edo é, caso perca o controle no hospital, não
poder m ais praticar a m edicina. E m esm o assim , Lissa, você tom ou a
decisão, em setem bro, de deixar seu certificado do conselho expirar.
Portanto a pior coisa que poderia acontecer se você perdesse o controle no
hospital se realizou – por sua escolha.
Rankin: Minha nossa!
Este diálogo é incrível. Rankin não apenas descobriu seu m edo real e o encarou, com o tam bém foi capaz de ver que ele indicava aquilo que ela m ais queria. Em bora m uitos m édicos possam ter o m edo legítim o de perder suas licenças, no fundo Rankin não queria m anter a dela. Em bora não quisesse perdê-la com etendo um erro ou m achucando alguém , havia desistido da licença para focar apenas no treinam ento que dava para outros m édicos.
Às vezes, quando encaram os nosso m aior m edo, descobrim os que o “pior resultado possível” é j ustam ente o que buscam os.
Procure um lago m enor A m ulher do m eu am igo Alan gostaria que ele fosse
m ais rom ântico. Mas rom ance não é algo natural para ele. Não é “sua praia”.
Ele tem e a exposição em ocional a que se subm eteria ao m anifestar seu am or por
outra pessoa. Para ele, a vulnerabilidade desta exposição parece superar a
recom pensa da satisfação de sua esposa com o relacionam ento.
Um a form a de Alan reunir coragem para ser m ais vulnerável neste quesito, ou sej a, m ais rom ântico, é com eçar a expressar seus sentim entos de outras m aneiras, por pessoas que não o façam se sentir tão exposto. Penso que esta estratégia é com o a do pato grande num lago pequeno. Psicólogos cham am de “princípio da inoculação da exposição gradual”. A ideia é criar experiências que estej am fora da sua zona de conforto (quando você precisa de m ais coragem ), m as que não sej am tão intensas a ponto de gerar m uito estresse. Por exem plo, Alan pode:
Dizer aos filhos, ao colocá-los para dorm ir, o que especificam ente am a em cada um deles.
Conversar sobre algo pelo que sinta gratidão durante o j antar com a fam ília e buscar oportunidades de expressar gratidão a outras pessoas. Por exem plo, Alan pode dizer que é grato pela aj uda da m ãe para ele se tornar um pai m elhor.
Relacionar, verbalm ente, as coisas atenciosas que ele j á faz com frequência para a esposa. Ele com eçou a dizer coisas com o: “Eu encom endei a tinta da im pressora hoj e, pois sei que você detesta lidar com encom endas; eu te am o e quis fazer algo legal para você.”
Alan deve simplesmente fazer essas coisas, sem pensar dem ais nelas. Se parar para “pensar em algo m uito profundo para dizer no j antar”, vai voltar a sentir que rom ance é difícil. A ideia é praticar num “lago m enor” e não pensar no resultado. Ao pisar nesses lagos m enores todos os dias, Alan está construindo a coragem de que precisa para ser realm ente rom ântico.
Outra form a de reduzirm os o tam anho de nosso lago enquanto construím os coragem é alm ej ando pouco, de form a que o sucesso sej a garantido j á nos prim eiros passos. Minha am iga Vanessa não tem m uitas habilidades atléticas e precisa insistir consigo m esm a para ir à academ ia. Quando tenta um a nova atividade, sua única aspiração é com parecer e term inar a aula. Ela pode ser terrível naquela atividade, m as sai de lá sentindo que foi um a vitória – e isso lhe dá m ais coragem para voltar no dia seguinte.
A ideia é j untar coragem para fazer as coisas que, de início, são difíceis, para colherm os im ensos ganhos no âm bito da tranquilidade. Por exem plo, talvez Alan nunca venha a considerar fácil ser rom ântico, m as sua vida vai ser m ais fácil com um a m ulher feliz e um relacionam ento forte. Lem bre-se de outras vezes em que teve coragem Escreva um a lista de vezes em
que você dem onstrou verdadeira coragem . Relacione as coisas de que teve
m edo, m as que está feliz por ter feito m esm o assim . Sobretudo, liste aquilo que
fez sem perfeição, m as que ainda assim está contente por ter realizado. Pense nos
m om entos em que foi forçado a fazer algo que o tornou vulnerável (com o
quando foi pressionado para falar em nom e de todos os seus irm ãos no funeral de
alguém querido) e m esm o assim m ostrou im ensa coragem .
Meu am igo Dan Mulhern, coach de liderança e professor na Haas School of Business, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, proj etou o exercício de “Análise de Um a Situação Assustadora” para aj udar seus alunos a se lem brarem das vezes em que foram coraj osos:
Escreva ou pense, de form a breve, sobre um a situação ou circunstância em que você sentiu m edo; e do que, especificam ente, teve m edo.
Agora, anote ou lem bre-se da ação que praticou apesar do m edo que sentiu.
Escreva ou pense a respeito do que aconteceu. Aquilo que tem ia ocorreu? Com o? Com o você reagiu? Houve resultados ou consequências não intencionais, que você não poderia ter previsto? Agora, olhe de novo para sua lista ou lem bre-se das vezes em que m ostrou verdadeira coragem . Você é m ais coraj oso do que pensava!
Tenha pensam entos coraj osos Nossos pensam entos influenciam de m odo profundo o que sentim os e fazem os. Quando pensam os nas vezes em que fom os
covardes, tem os m ais tendência a sentir covardia e, então, agir de novo com
covardia. Se recordam os os m om entos em que nosso desem penho em algo foi ruim , ficam os m ais propensos a nos sentir inseguros e fracos, e isso aum enta as
chances de agirm os com insegurança e fraqueza.
É im portante lem brar que as coisas difíceis que tem os que fazer, ou dizer, raram ente nos deixam desconfortáveis. É o medo que tira nossa tranquilidade. É o m edo que dificulta as ações, e não a ação que nos causa m edo. Deixar de fazer algum a coisa porque a tem em os não é a solução m ais fácil a longo prazo. É encontrando a coragem para agir que descobrirem os nosso ponto de equilíbrio. Quando fazem os o que é difícil, encontram os m ais tranquilidade a longo prazo.
Mas atenção: procurar controlar algo tentando não pensar a respeito não funciona (em determ inado experim ento, os pesquisadores disseram aos participantes para não pensarem num urso branco – a m aioria com eçou im ediatam ente a pensar num urso branco). Não funciona dizer a si m esm o “Tenho que parar de pensar em todas as form as pelas quais posso fracassar” ou “Tenho que parar de ter tanto m edo, é o m edo que está tornando isso difícil”. Mesm o que sej a verdade, você não vai se tornar m ais coraj oso ao considerar cada possibilidade de fracassar. Em vez disso, faça um a abordagem em duas frentes para ter pensam entos valentes.
Prim eiro, fique alerta. Se perceber que está tendo um pensam ento que traz insegurança, rotule-o com o tal: “Ah, esse é um pensam ento derivado do m edo.” Por exem plo, você quer fazer um a pergunta num a conferência, m as sente receio de erguer a m ão porque im agina que o apresentador vai achar a pergunta estúpida. Diga a si m esm o este é um pensamento que vai me deixar com medo de fazer a pergunta e respire fundo, encha os pulm ões de ar e sinta-se relaxar. Reparar nos pensam entos que não são valentes pode lhe dar a distância necessária para não agir de acordo com eles.
Segundo, encha a m ente de pensam entos destem idos. Pense nas vezes em que foi coraj oso. Foque em com o pessoas iguais a você fizeram o que você está j untando coragem para fazer. Pense em com o, na últim a vez em que passou por isso, não foi tão difícil. E em com o vai se arrepender se não agir. Lem bre-se de que o pior desfecho possível é algo com que você pode lidar.
Rem em orar suas m etas a longo prazo é um a form a de pensar coraj osam ente. Se estiver deprim ido, por exem plo, sair da cam a pela m anhã talvez exij a m uita bravura, m as sua existência depende disso. Quais são suas esperanças para sua vida? Lem bre-se do que você – e o m undo! – tem a perder se você não conseguir ser valente. Com o disse sabiam ente Meg Cabot: “Coragem não é a ausência de m edo, m as a decisão de que há algo m ais im portante que o m edo.”
Brinque com os pensam entos que levaram você a agir com coragem . Em seguida faça do m elhor pensam ento o seu m antra. Escreva-o em bilhetinhos e coloque-os em lugares estratégicos (no espelho do banheiro, na tela do seu com putador), para poder lem brar dele sem pre que precisar.
TROQ UE O ESTRESSE POR CORAG EM
Aí está você, entrando em pânico diante de seus colegas quando deveria estar conduzindo um a apresentação com calm a. Ou suando em bicas na sala de em ergência, a espera do m édico que dirá o porquê da febre alta da sua filha. Sucum bir a um a reação intensa de luta ou fuga não vai aj udar, só vai esgotar sua energia. Mas o que m ais você pode fazer?
A verdade é que podem os m udar nossa resposta fisiológica ao estresse “Estou entrando em pânico” para “Estou enfrentando um desafio”. Quando fazem os isso, evitam os os efeitos nocivos de um a reação de luta ou fuga. Nossos corpos e m entes com partilham um a ligação profunda. Ao usarm os a m ente para, com o dizem os cientistas, “redirecionar a resposta ao estresse”, podem os m udar a própria resposta fisiológica para um a reação de desafio. Num a resposta de estresse típica, nosso batim ento cardíaco acelera e os vasos sanguíneos se contraem , o que aum enta a pressão sanguínea e diminui a eficiência do nosso coração. Antecipando a derrota, o coração se contrai, protegendo o sistem a cardiovascular. Num a resposta de desafio (ou coragem ), o batim ento cardíaco acelera, m as os vasos sanguíneos não se contraem , o que aumenta a eficiência de nosso sistem a cardiovascular. Pesquisadores descobriram que, quando as pessoas pensam em sua resposta fisiológica ao estresse com o algo que está m elhorando sua perform ance, elas se sentem m ais confiantes e m enos ansiosas. E a reação física ao estresse muda: deixa de ser danosa e torna-se útil.
Com o isso funciona? Por m eio de nossas em oções. Quando tem os m edo, ativam os um m ecanism o fisiológico que na m aioria das vezes é inútil e prej udicial. Quando som os coraj osos, ativam os um a resposta diferente e m ais construtiva. Então, em geral a coisa m ais fácil num a situação difícil é ver nossa resposta física com o um sinal de que estam os engaj ados, de que nosso corpo está nos aj udando a encarar o desafio.