O Verdadeiro Poder
6. Como Conduzir a Análise
A melhor análise é a mais simples, desde que ofereça o
entendimento necessário.
Donald J. Wheeler
O objetivo geral da análise e da síntese é reduzir as incertezas na tomada de decisões.
Quando se tem um problema ou quando é colocada uma meta (o que é o mesmo), o primeiro impulso é pensar numa ação para solucioná-lo. Muitos julgam que têm a obrigação de ter resposta para tudo e assim que o problema é apresentado já “sugerem” uma solução.
Lembro-me de que, durante a crise de energia em 2001, quando participei como membro do Comitê Gestor da Crise, no primeiro dia, no primeiro momento de uma reunião no Palácio do Planalto, um dos participantes sugeriu que se fizesse um “apagão nacional educativo”, com a finalidade de “criar uma consciência de crise na população”. A idéia foi delicadamente descartada pelo Presidente do Comitê e passamos a tomar ações para conhecer o problema, estabelecer metas e montar os planos de ação. A gestão da crise de energia brasileira foi um sucesso e só depois fomos saber, quando o Exército Brasileiro fez auditorias, que, dos 900 hospitais auditados, somente 40 tinham seus geradores funcionando. Se tivéssemos feito o “apagão nacional educativo”, muita gente teria morrido, principalmente dentro daqueles hospitais que não estavam em condições de suportar tal teste.
Descartes(3) defende o uso da intuição, que decorre de conhecimento inconsciente adquirido ao longo da vida. No entanto, não dá para administrar uma organização com base em opiniões. Para que a intuição, que é uma
hipótese, não se torne uma opinião(3), é necessário que haja a confirmação da hipótese por meio da análise e consequente teste. Portanto, quando se tem a hipótese para a solução de um problema, pode-se ir diretamente para a fase de identificação das causas (Análise de Processo) com o objetivo de testar a viabilidade da solução proposta.
No entanto, na ausência de uma intuição verdadeira, o melhor é partir para uma análise completa.