O Verdadeiro Poder
7.2 Uma Boa Apresentação: A Diferença entre Vitória e Fracasso
No tipo de solução proposto na Figura 7.1, abordagem centrada no alvo, o analista terá a função de técnico, de gerente e de comunicador. Este tipo de abordagem mantém todos informados sobre o problema durante a sua solução e a implementação das ações, além de mais rápida, será mais facilitada pois não é o analista quem, necessariamente, implementa as ações.
Finalmente, esta participação organizada de todos é uma constante aula de métodos de análise em que as outras pessoas da organização acabam entendendo a sua utilidade e valorizando cada vez mais. Esta participação organizada das “partes interessadas” tem dois aspectos positivos além dos já mencionados:
(a) Excesso de Informações: Como nos dias de hoje existe excesso de
informações de várias fontes, os participantes, ao delimitar o alvo a cada ciclo, estarão também delimitando a quantidade de informações a serem coletadas, barateando e agilizando a solução do problema.
(b) Demanda por detalhes: Quando existe a participação e todos
conhecem as dificuldades que estão sendo encontradas, as partes ficam menos exigentes com aspectos que são dispensáveis e se concentram naquilo que é essencial.
Nunca é demais repetir (ver o item relativo a brainstorming) que a escolha das pessoas que devem participar dos grupos deve ser bem cuidadosa e levar em conta a necessidade de aportar conhecimento técnico e operacional (quem vai implementar as ações é que pode dizer o que é exequível ou não). Outro fato é que o grupo de pessoas não é necessariamente fixo e novos elementos podem ser incorporados na medida da necessidade. Lembrem-se, estamos incorporando conhecimento e não pessoas!
7.2 Uma Boa Apresentação: A Diferença entre Vitória e Fracasso
A maneira de trabalhar os problemas gerenciais, proposta na Figura 7.1, depende muito de que a equipe do Ciclo de Análise saiba comunicar seu trabalho às outras pessoas que participam esporadicamente mas que são importantes por agregar conhecimento técnico, direcionando os trabalhos de análise. Este é o ponto crítico, pois somos todos comunicadores amadores e cometemos erros primários!
A comunicação de idéias nas organizações é geralmente um desastre!
Lembro-me que certa feita um grupo de consultores estava trabalhando num projeto, para um governo estadual, patrocinado por empresários. Logo após uma primeira reunião de acompanhamento, da qual não participei, um dos empresários me telefonou à noite, preocupado com o andamento do projeto pois, segundo ele, “nada estava acontecendo”. Eu falei com ele que tinha notícias de que o projeto estava indo muito bem, com excelentes resultados, mas ele ficou nitidamente impaciente. No dia seguinte fui logo ver o que estava acontecendo: realmente, estávamos obtendo resultados fantásticos, não somente em receita como também em despesas e controle de projetos do governo. Só não estávamos sabendo comunicar!
Procurei ajuda com amigos, que me indicaram a obra
de Minto(18). Treinamos nossos consultores (os consultores resistiram no início!) em técnicas de apresentação e comunicação, tudo isto em menos de duas semanas. Resultado: fizemos a apresentação do mesmo conteúdo, mas de uma outra forma, e os resultados foram altamente elogiados, sendo que os empresários se animaram inclusive a financiar outros governadores para fazer o mesmo trabalho! Em várias oportunidades de minha vida cheguei à dramática conclusão de que a boa comunicação pode ser a diferença entre a vitória e o fracasso.
Tenho tido outras experiências assistindo a apresentações de diretores, gerentes e consultores nas reuniões de Conselho de empresas. É raro assistir a uma apresentação que agrade.
Outro dia apareceram alguns consultores numa reunião do Conselho de uma empresa e eu perguntei: “Companheiro, quantos slides você tem para nos mostrar?” Ele respondeu: “132”. Virei para o Presidente do Conselho e falei: “Eles vão precisar de seis horas para apresentar com seriedade o seu trabalho. Temos tempo para isto?”. Foi um verdadeiro “corre-corre” na reunião! A solução foi postergar a apresentação para a parte da tarde para que eles tivessem tempo de preparar uma outra apresentação que coubesse no tempo alocado na agenda. Coisas
assim são desgastantes.
Ora, cada slide de conteúdo toma em média 3 minutos para ser apresentado, entendido e discutido. Esta é a regra número um de uma boa apresentação!
Minto(18) apresenta a idéia de que uma apresentação de qualquer coisa deve ter um roteiro. É igual a um filme ou peça de teatro. O roteiro deve capturar o interesse da platéia logo de cara e “prender” a mente das pessoas num processo mental de perguntas e respostas inconscientes, mas que os especialistas em comunicação conhecem.
Quem quiser entender melhor a importância da comunicação nas
organizações deveria se inteirar da obra de Bill Lane(19), que foi redator dos discursos de Jack Welch por 20 anos e ensinava comunicação aos
executivos da GE no Centro de Treinamento de Crotonville. Lane(19) menciona que um dos fatores fortes de avaliação de executivos da GE é a sua capacidade de comunicação. Ele lembra que o próprio Jack Welch fazia questão de assistir a apresentações de todos para que pudesse, ele mesmo, fazer o julgamento de seus executivos. Ele, inclusive, relata os comentários de Jack Welch após algumas apresentações. Alguns arrasadores!
Friga(20), ao descrever a forma de trabalhar da McKinsey, coloca a comunicação (sob todas as formas) como requisito número um das equipes
de consultoria. Friga(20) vai ainda mais adiante ao afirmar que as apresentações devem começar a ser preparadas no primeiro dia de análise, pois isto ajuda o analista a entender melhor seu próprio trabalho. Isto é a maior verdade e todo professor sabe disto: aprende-se muito preparando uma aula e eu posso afirmar ao meu leitor que se aprende muito escrevendo um livro. A explicação que tenho hoje, após preparar milhares de aulas e escrever vários livros, é que me parece que o processo é de “organização mental” do tema.
O processo de comunicação é vital em organizações e inclui todas as formas, desde uma simples conversa (existem pessoas com imensa dificuldade de expressar uma idéia), até e-mails, mensagens na TV interna, apresentações formais, venda de um produto, etc. Nosso sistema educacional ensina tudo menos comunicação, necessidade tão vital em
todas as formas de trabalho e lazer. Minto(18) cita o “teste do elevador”: você encontra o Presidente da empresa no elevador e tem 30 segundos para passar sua mensagem. É agora ou nunca! Na verdade, existem testes ao longo de toda a vida. Tenho visto pessoas se revelarem ao Conselho de uma empresa por uma boa apresentação (“teste do Conselho”, você tem 15 minutos para fazer sua apresentação! 5 slides de conteúdo!).
Finalmente cito alguns erros frequentes de apresentações a que tenho assistido:
1. Excesso de slides para o tempo disponível.
2. Excesso de informação no slide (é um erro colocar no slide o roteiro
do que será falado como lembrete). Se quiser um lembrete, leve umas anotações mas não sobrecarregue os ouvintes.
3. Slide confuso, necessitando muita explicação por parte do
apresentador. Um slide deve falar por si!
4. Letras pretas sobre azul ou vermelho (ignora-se que o comprimento
de onda destas cores é próximo e isto dificulta a leitura!).
5. Tamanho da letra (é comum frase assim: “sei que não dá para ver,
mas o que está escrito aí é o seguinte...”).
6. O palestrante apresenta tudo o que fez (verdadeira ladainha...) e
deixa o resultado para o final, exatamente ao contrário do recomendado. Resultado: coloca todo mundo para dormir!
7. Apresentação de filmes - O apresentador tenta mostrar um filme
durante a apresentação sem ter testado antes. Meu testemunho é que em, pelo menos, 70% das vezes existe incompatibilidade de software ou hardware e os membros do Conselho ficam esperando de 15 a 30 minutos, até desistir. Vexame!