O Verdadeiro Poder
6.4.1 Tipos de Solução de Problemas
A Análise de Processo é um procedimento técnico e pode envolver, por exemplo, estatística, softwares especializados, computadores, manuseio de base de dados, modelamento matemático e simulação de sistemas e é feita para cada problema menor decorrente do desdobramento realizado na fase de Análise de Fenômeno por várias pessoas da organização. Para cada um destes Problemas Menores deve ser estabelecido um novo “Alvo” sobre o qual pode ser conduzida uma Análise Funcional específica, a Análise de Fenômeno específica e a Análise de Processo.
O objetivo da Análise de Processo é estabelecer uma relação entre o problema (y, variável dependente) e suas causas (xi, variáveis independentes). Esta relação entre a variável dependente e as variáveis independentes pode ser estabelecida em vários níveis:
(a) Geralmente a única coisa que se deseja é saber a causa (x) (por
exemplo: queimou o motor devido ao acúmulo de poeira no recinto).
(b) Pode-se também desejar conhecer mais causas (x) e quanto cada
uma influencia o efeito (y) para que se possam estabelecer prioridades (por exemplo: queremos aumentar as vendas, temos várias iniciativas propostas. Qual a ordem de ataque?).
(c) Caso necessário, também é possível saber se existe efeito
combinado de uma das causas (por exemplo: na composição de uma ração animal o efeito de um nutriente sobre a taxa de engorda do animal pode ser potencializado por um segundo nutriente que, sozinho, não faria aquele efeito);
(d) Finalmente, sonho de todo analista, pode-se eventualmente obter um
modelo matemático do alvo, estabelecendo-se relações lineares ou estocásticas entre y e xi . Isto permite a otimização e maior domínio do sistema alvo.
6.4.1 Tipos de Solução de Problemas Tendo em vista a característica dos indicadores organizacionais e seu comportamento variável, existem três tipos básicos de Análise de Processo, dependendo do tipo de problema:
(a) Problemas de dispersão devido a causas comuns.
(b) Problemas de dispersão devido a causas especiais.
(c) Problemas estabelecidos por desvio do valor da média.
Esta identificação do tipo de problema é muito importante para indicar caminhos na análise de processo. A identificação do tipo de problema é feita na Análise Funcional específica do Problema Menor que se quer resolver. Esta análise funcional específica é uma análise de variabilidade e, nesta análise, podem-se utilizar os modelos de carta de controle e histograma.
A explicação desta análise para indicar o tipo de problema será feita por meio de um exemplo. Vamos supor que o Problema Grande de uma empresa é “Elevado custo de produção”. Este Problema Grande é desdobrado em vários Problemas Menores, como vimos anteriormente. Analisemos então um dos Problemas Menores que é: “perdas de produção de garrafas do tipo W por diâmetro fora das especificações”. Vamos analisar as três condições possíveis.
Condição A Problema de dispersão devido a causas comuns (Neste caso o sistema não cumpre com as funções para as quais foi projetado e precisa ser reajustado).
Na Análise Funcional mostrada na Figura 6.9, a média está dentro das especificações, mas existe uma dispersão dos valores do diâmetro da garrafa (y), fazendo com que boa parte da produção resulte em garrafas fora das especificações. Quando o problema y varia muito, é uma indicação de que as causas também variam muito. A experiência indica que, em situações como esta, geralmente as causas são:
• Inexistência de faixas de especificações para os indicadores
operacionais ou faixas mal definidas (abertas demais).
• Falta de padrões, treinamento ou supervisão do cumprimento dos
padrões.
Em suma, problemas devido a grande dispersão estão, em sua grande maioria, ligados ao Gerenciamento da Rotina.
Condição B Problema de dispersão devido a causas especiais (Neste caso o sistema cumpre com as funções para as quais foi projetado mas esporadicamente existe a perda de função.)
A Análise Funcional mostrada na Figura 6.10 indica que o problema acontece pela presença de causas especiais que ocorrem esporadicamente e precisam ser evitadas. Neste caso, o que deve ser feito é identificar estas causas, uma a uma, estabelecendo mecanismos fool-proof de tal forma que nunca mais voltem a ocorrer e o sistema vai ficando cada vez mais robusto, produzindo cada vez menos defeitos.
Figura 6.9: Análise Funcional de variabilidade de y (diâmetro da garrafa).
(LSE = Limite superior de especificação; LIE Limite inferior de
especificação).
Figura 6.10: Análise Funcional de variabilidade de y (diâmetro da garrafa).
(LSC = Limite superior de controle; LIC = Limite inferior de controle).
Condição C Problema estabelecido por desvio do valor da média (Neste caso o sistema cumpre com as funções para as quais foi projetado, mas existe a perda de função por desajuste de set up de um ou mais dos fatores).
A Figura 6.11 mostra que o diâmetro da garrafa (y) está com a média deslocada. Neste caso, y só terá a média deslocada se a causa x também tiver, acreditandose que as especificações de x são dadas de tal forma que y fique dentro da faixa. Assim, temos outra excelente indicação de procurarmos dentro do sistema os fatores que podem afetar o diâmetro das garrafas, variáveis x que afetam y e que estão com o set up errado.
Figura 6.11: Análise Funcional da variabilidade de y (diâmetro da garrafa).
A experiência mostra que em caso de dispersão baixa como este mostrado na Figura 6.11 (portanto o Gerenciamento da Rotina está bom) o mais provável é que se tenha uma especificação errada. A causa mais provável é:
• set up incorreto para parâmetros operacionais.
Neste caso a Análise de Regressão e o Planejamento de Experimentos são os recursos ideais para definir o set up ideal em cada caso.
Concluindo, a Figura 6.12 mostra a sequência geral seguida na prática da Análise do Processo.
Figura 6.12: Método Geral de Análise de Processo.
Neste texto não entraremos em detalhes (procedimentos) da Análise de Processo para não fugir ao escopo do texto, que é explicar o método do ponto de vista da alta administração. Existe extensa literatura sobre o tema. No entanto, alguns pontos são importantes para o conhecimento da alta administração e serão detalhados a seguir.