O Verdadeiro Poder
10.2 Processo de Aprendizado em Organizações
informação e da aquisição de conhecimento técnico).
3. Execução.
4. Acompanhamento de resultados e da execução.
5. Difusão das novas práticas por meio da padronização (SDCA).
Uma organização que consegue difundir a prática do método por todas as pessoas é a verdadeira “Organização de Aprendizado” como esquematizado
na Figura 10.1 e como proposto por Senge(30).
A Figura 10.1 mostra, no método, quatro pontos em que o conhecimento é criado (ponto 1), aprendido (ponto 2), copiado (ponto 3) e difundido (ponto 4). Todas as formas de aquisição do conhecimento aqui citadas têm o mesmo valor. O importante é transformar o novo conhecimento em resultados.
Figura 10.1: Modelo para aquisição, desenvolvimento e consolidação do
conhecimento numa organização por meio do método.
Finalmente, em governos ou empresas, todos queremos resultados. Quanto mais conhecimento for adquirido ao longo do método, mais resultados teremos. Existe uma relação linear entre resultados e conhecimento. O método permite buscar exatamente aquele conhecimento necessário para atingir o resultado desejado. É diferente de conhecimento adquirido em sala de aula, não necessariamente conectado aos resultados. Este também é importante, mas aquele adquirido na prática do método é o mais eficaz!
10.2 Processo de Aprendizado em Organizações
A Figura 10.1 mostra como o conhecimento participa do método gerencial e como ele é adquirido e difundido na organização. O que aquela figura não mostra é a participação do ser humano no método e quais são as principais alavancas do aprendizado. Maslow(4) estudou este processo e criou dois conceitos que são fundamentais para o entendimento do processo de aprendizado humano.
O primeiro é o conceito de Potencial Mental. Maslow(4) lançou o conceito de que qualquer ser humano, em qualquer lugar do planeta, nasce com um potencial mental que é totalmente aleatório: cada um tem o seu, independentemente de raça, local de nascimento, etc. Este potencial mental corresponde a um “ritmo de aprendizado” (em termos de conhecimentos adquiridos por dia): cada pessoa consegue aprender um certo número de coisas por dia e nada mais que aquilo. A dramática consequência disto é que cada dia perdido de aprendizado é irrecuperável pois cada dia tem sua própria cota. A Figura 10.2 mostra um modelo deste conceito. Nesta figura, a “curva de potencial mental” representa a possibilidade máxima de aprendizado de determinado indivíduo (cada um de nós tem a sua curva). Desta maneira, o ponto M da figura significa a quantidade máxima de conhecimento que esta determinada pessoa poderia acumular em sua vida. No entanto, devido a escolas ruins que não o desafiaram, a pais desinteressados ou inconscientes e a empregos melhores ou piores neste desafio de aprendizado, este indivíduo acabou por acumular a quantidade de conhecimento representada pela letra R. A distância entre os pontos M e R significa as “perdas de aprendizado” do indivíduo ao longo de sua vida.
Existem algumas conclusões a respeito deste conceito:
(a) O treinamento deve ser contínuo (diário) e para que isso possa
acontecer é necessário que pelo menos 90% sejam de iniciativa da própria pessoa (mas pode ser provocado).
(b) Uma pessoa de potencial mental médio pode, depois de um
determinado número de anos, saber mais coisas que uma pessoa de alto potencial mental, dependendo do nível de aprendizado diário (basta que este último não tenha sido submetido a condições desafiantes de aprendizado por um longo tempo).
(c) Posições de trabalho que exigem grande absorção de conhecimento
devem ser preenchidos com pessoas de alto potencial mental
Figura 10.2: Modelo do conceito de Potencial Mental de Maslow(4).
O desperdício de Potencial Mental é tão grande ao longo da vida que é bem provável que seja mais importante desafiar todas as pessoas ao longo de sua vida na empresa (com metas e cargos diferentes) para que elas usem o potencial que já possuem do que simplesmente selecionar pessoas com potencial mais elevado.
Portanto, dentro de uma organização, uma pessoa deve ser constantemente desafiada a buscar conhecimento novo e isto é feito por meio da meta ou mudando-se o cargo da pessoa de forma a criar o desconforto. A meta fácil de ser atingida não leva à busca do conhecimento. A meta impossível de ser atingida leva ao desânimo e, da mesma forma, não leva à busca do conhecimento. É por isto que a meta deve ser colocada de forma técnica, de modo a dar a todos o sentimento de que é difícil mas pode ser atingida. Uma meta assim colocada, ao ser atingida deve ser comemorada, mais do que isto, celebrada.
O segundo é o conceito de Motivação. Para Maslow(4), motivação é saúde mental. Motivação não é um estado de espírito circunstancial ou episódico (não se consegue motivação com um “tapa nas costas” e nem com o “churrasco de fim de ano”). Ela é definitiva. Se uma pessoa está descontente com algum aspecto do trabalho, ela estará somente descontente, mas permanecerá motivada. A motivação é adquirida ao longo dos anos de prática de condições de vida que levam a este estado.
Maslow(4) cita então as suas cinco condições de motivação que são as cinco necessidades fundamentais dos seres humanos:
(a) Fisiológicas - casa, comida, roupa, etc. Nas empresas esta
necessidade é normalmente suprida com o salário. A riqueza acumulada pela sociedade tem também sua influência (bons hospitais, escolas, estradas, parques).
(b) Segurança - no emprego, na sociedade, na família, etc. Existem
aspectos que podem ser supridos pela empresa, mas outros vêm da sociedade. A empresa pode fornecer segurança do emprego, mas a sociedade deve prover o resto. Como fica a mente de um pai ou de uma mãe no trabalho, quando sente que seus filhos estão submetidos a condições inseguras no caminho da escola?
(c) Sociais - O ser humano é gregário. Temos necessidades de
“pertencer” a um grupo, de ter amigos. Parte desta necessidade pode ser suprida pela empresa ao promover o trabalho em grupo na solução de problemas, em todos os níveis da organização. Algumas empresas chegam ao ponto de dar uma verba para o churrasco para que os membros do grupo de solução de problemas possam se reunir fora das horas de trabalho.
(d) Estima - Temos necessidade de reconhecimento, de elogios, palmas,
etc. A empresa pode suprir parte desta necessidade ao promover eventos em que as pessoas possam mostrar o que estão fazendo e ser reconhecidas. Esta necessidade pode ser suprida de forma organizada em todos os momentos (por exemplo: em reuniões formais da Diretoria ou do Conselho da empresa).
(e) Autorrealização - Temos a necessidade de gostar do que fazemos.
Alguém que olha a toda hora para o relógio, esperando a hora de saída, não gosta do que faz. Quando se ama o que se faz não existe hora nem dia especial, é tudo a mesma coisa. O trabalho pode e deve ser confundido com lazer, para que o ser humano possa se realizar e fazer trabalhos excepcionais. Algumas organizações têm praticado o “recrutamento interno” como forma de as pessoas terem a chance de sair de suas posições atuais e buscar algo que gostem mais de fazer.
Em minha opinião estas necessidades, como classificadas por Maslow(4), devem se constituir em um dos focos da gestão de pessoas e estar presentes no consciente dos líderes. Quando se fala destas necessidades, dois pontos são importantes:
(a) Simultaneidade
(b) Coletividade
Simultaneidade - A obra de Maslow(4) que trata destas necessidades não apresenta nenhum modelo para explicar seus conceitos. É um livro totalmente isento de figuras. Todos os modelos que se tornaram populares para explicar estas necessidades, tais como pirâmides e escadas, são proposições de outras pessoas. O problema com modelos, como listados no Apêndice, é que por vezes eles representam mal o fenômeno e acabam por disseminar o conceito de forma imprecisa. Não existe uma sequência de
necessidades, como alguns modelos podem sugerir. O que Maslow(4) propôs é que as necessidades são simultâneas, com duas observações:
(a) Em casos extremos (como fome, por exemplo) o ser humano
poderá ter uma de suas necessidades profundamente acentuada;
(b) À medida em que a pessoa avança em seu crescimento como ser
humano, ela tenderá a dar mais importância à segurança do que às necessidades fisiológicas, às sociais do que à segurança, à estima do que sociais e assim por diante, mantendo todas as suas necessidades simultaneamente o tempo todo.
No argumento da simultaneidade, Maslow(4) menciona que o ser humano é insatisfeito por natureza, mostrando momentos episódicos de satisfação. Se acreditarmos que temos que satisfazer primeiro às necessidades fisiológicas para depois tratar das outras, iremos perceber que, assim que dermos mais destas necessidades, haverá um breve período de satisfação para depois estarmos insatisfeitos outra vez e querendo mais. Não existem limites para este processo. A única maneira de trazer, não satisfação plena, mas saúde mental (motivação), é fazer um esforço de prover as cinco necessidades de forma simultânea.
Coletividade - Um dos pilares da abordagem de Maslow(4) para a busca preventiva da saúde mental é que este esforço deve ser feito para um grupo de pessoas e não para uma pessoa de forma isolada, pois uma das necessidades do ser humano é a social. O ser humano é gregário. Os cinco grupos de necessidades listadas acima devem ser satisfeitas para um grupo de pessoas e de forma preventiva. Esta é uma característica forte
das proposições de Maslow(4) e por aí se verifica a importância da organização (emprego) no equilíbrio mental das pessoas.
Estes conceitos são importantes porque a saúde mental humana é a pré-condição para uma melhor absorção do conhecimento pelo ser humano e, portanto, é importante para o alcance de resultados extraordinários numa organização.
A Figura 10.3 mostra um modelo do Processo de Aprendizado dentro da
organização, levando em conta estes princípios de Maslow(4).
Figura 10.3: Modelo do Processo de Aprendizado na organização.
A Figura 10.3 mostra a figura imaginária (modelo) de um tubo por onde escoaria o conhecimento da fonte para a pessoa. Ao longo do tubo são mostrados os fatores que atuam no processo de aprendizado. O primeiro é o fator provocador, que é a meta ou a mudança de cargo ou rotação. Este fator cria o desconforto necessário para o esforço próprio de aprendizado. O segundo fator é a disponibilidade da fonte de conhecimento. As pessoas que atacam a solução de problemas na empresa devem ter disponível o conhecimento que vem de várias formas. O terceiro fator é o potencial mental, que vai dar a velocidade do indivíduo de aprender, a tempo, o que é necessário para atingir a meta ou resolver o problema (equivale à velocidade com que o conhecimento flui dentro do “tubo”). Este fator depende somente da empresa de recrutar e avaliar as pessoas certas para aquele tipo de trabalho. O quarto fator é a motivação (ou saúde mental). Penso neste fator dentro do processo, como sendo uma válvula: se estiver fechada, por maior que seja o potencial mental, nada entra de conhecimento, e a meta não será batida.