O Verdadeiro Poder
7. Como Envolver Pessoas na Análise
“Quem não se comunica se trumbica”
Abelardo Barbosa, o “Chacrinha”
A prática de solução de problemas não é simples quando abordada sob o ponto de vista da organização das pessoas que devem participar. Assim como o processo de análise, que é a alma do método, requer a absorção de novos conhecimentos, a participação de pessoas é fundamental. No entanto, quando se fala em participação, sempre vem a pergunta: “Como participar?”
Uma das maiores dificuldades na análise é conseguir a contribuição das pessoas. Isto acontece por várias razões, cito algumas:
(a) O analista não tem autoridade para convocar as pessoas.
(b) As pessoas não têm interesse próprio naquele problema em questão
(não é meta delas!).
(c) Quando concordam em participar é uma dificuldade juntá-las todas
numa só data, hora e num só local (algumas faltam ou mandam “representantes”).
(d) Quando todos estão juntos, é uma dificuldade entenderem o estágio
em que está a análise (o analista não consegue comunicar!).
Parece que estes problemas são comuns em todo o mundo. Clark(2) propõe uma abordagem para as análises conduzidas na CIA - Central Intelligence Agency, que me parece muito adequada para as empresas: a “Abordagem Centrada no Alvo”.
7.1 Abordagem Centrada no “Alvo”
A Abordagem Centrada no Alvo, como proposta por Clark(2), consiste em fazer todas as partes interessadas na solução do problema participarem do processo de análise de forma organizada. Muitas vezes até o Presidente da empresa pode se tornar uma “parte interessada” e deve participar das reuniões programadas. A proposta de abordagem centrada no Alvo está resumida na Figura 7.1.
O objetivo principal neste tipo de abordagem é criar uma rede de pessoas que possam colaborar na solução do problema, construindo um quadro cada vez mais preciso do Alvo.
Figura 7.1: Modelo da abordagem de análise centrada no alvo(3).
O dono do problema a ser resolvido não é, necessariamente, o analista. Quem convoca as pessoas que devem participar é o dono da meta (ou mesmo seu chefe), orientado pelo analista quanto às necessidades de conhecimento. Várias reuniões poderão ser conduzidas ao longo do período de análise. Estas reuniões terão dois objetivos:
(a) Atualizar os participantes quanto ao estado atual de conhecimento
sobre o Alvo resultante do processo de análise, o status das pendências, seus resultados e dificuldades (neste ponto o processo de comunicação pode ser limitante!). Fornecer sugestões de ações exequíveis que já foram percebidas no processo de análise.
(b) Rediscutir com os participantes o processo de análise, o contorno
do Alvo e receber dos participantes novas idéias e necessidades de novas informações e novas análises.
Existem dois tipos de participantes no “grupo de solução de problemas”: os que participam do Ciclo de Análise (conduzem a análise, coleta de dados e preparam a comunicação) e os que pertencem ao Ciclo de Participação (aportam conhecimento esporadicamente, ajudando no delineamento do alvo e na demanda de novas informações (fatos e dados)). Para que haja bom desempenho deste “grupo”, a comunicação entre eles é fundamental e trataremos disto mais tarde neste capítulo.
Este fato já foi mencionado antes, mas é sempre bom lembrar: nem todo problema demanda a formação de grupos para resolver por sua simplicidade. Alguns, como foi mencionado, podem ser resolvidos com uma simples ordem. No entanto, à medida que uma empresa avança, estes problemas simples vão se tornando raros e será necessário “chumbo mais grosso”. Neste caso, a formação de grupos será necessária. Ademais, ao longo do tempo, os problemas interdepartamentais vão se tornando mais frequentes e nestes, sem dúvidas, a formação de grupos (talvez os próprios Comitês Interdepartamentais) é necessária. A introdução do Gerenciamento Funcional poderá aumentar em muito a solução de problemas interdepartamentais (ver item 4.6), demandando a abordagem centrada no alvo.