O Verdadeiro Poder
A.2 Combinação de Modelos
Um Modelo Conceitual Descritivo pode ser Linear ou Não-Linear. Um modelo linear usa somente relações lineares (por exemplo: y=a+bx) para descrever relacionamentos. A situação real pode não ser linear mas pode ser descrita por relações lineares. A produção de uma linha de alimentos é uma função linear do tempo. Modelos não-lineares são mais difíceis de trabalhar e nem sempre é possível analisá-los (a maioria dos sistemas complexos são não-lineares). A prática é fazer um compromisso de forma que um modelo linear possa ser utilizado. A descrição da economia de um país é não-linear mas modelos lineares são utilizados para facilitar a solução.
Os Modelos Conceituais Descritivos podem também ser Estáticos ou Dinâmicos. Por exemplo, pode-se analisar o fluxo de um processo sem levar em conta o tempo e neste caso tem-se um modelo estático. Ignoram-se as variações com o tempo (é como se fosse analisada uma fotografia do processo). Os modelos dinâmicos, por outro lado, consideram as variações do fluxo do processo com o tempo e o efeito de modificações no tempo 1 sobre o tempo 2. Os modelos de processo são normalmente dinâmicos porque consideram o fluxo de materiais, a passagem do tempo e o feedback (como variam os indicadores). A análise dinâmica de processos, comparando-se o fluxo atual de materiais com um fluxo ideal sem as restrições existentes leva, por exemplo, à identificação de lacunas de desempenho, que podem então ser resolvidas por meio do bom gerenciamento, como mostrado neste texto. Isto é a base do que se denomina, erradamente, lean management, como se fosse um método gerencial diferente. O que hoje se denomina lean management é apenas o método gerencial normal, como descrito neste texto, no qual se utiliza a análise dinâmica de processos para o levantamento de lacunas e consequente estabelecimento de metas.
Finalmente, os Modelos Conceituais Descritivos podem ser Solucionáveis ou Simuláveis. Um modelo solucionável é aquele em que existe um meio analítico de encontrar uma resposta. No entanto, problemas complexos não podem ser solucionáveis utilizando um conjunto de equações. Nestes casos utiliza-se a simulação. Um modelo solucionável permite determinar a solução ótima. Um modelo de simulação, por outro lado, requer do usuário a introdução de soluções possíveis e o modelo fornece os resultados para cada solução. Cabe ao usuário escolher a solução que mais lhe agrada.
Um modelo de simulação é um instrumento poderoso em muitas circunstâncias por permitir avaliar o desempenho de um sistema fora de sua faixa de trabalho normal o que seria difícil, por vezes perigoso e caro, em sistemas reais.
A.2 Combinação de Modelos Um modelo qualquer, modelo genérico, ao ser utilizado, dependendo das informações que são levantadas, pode requerer que algumas partes sejam detalhadas com maior precisão ou, ainda, que outro tipo de modelo do mesmo alvo seja explorado para que se tenha uma outra visão do problema. Como consequência, teremos o modelo, submodelos e modelos colaterais como mostra a Figura A.5.
Figura A.5: Esquema da abertura de um modelo.
A Figura A.6 mostra o macrofluxograma de um processo de repressão ao crime. Esta figura mostra um modelo de como flui o processo de repressão, mostrando o gargalo e os estoques formados. Este é um modelo genérico. Após o levantamento de informações sobre este modelo, pode ser necessário conhecer um pouco melhor o gargalo (sistema penitenciário) e portanto o analista terá que levantar dados adicionais sobre este ponto do fluxograma, traçando então um submodelo como mostra a Figura A.7. Um submodelo é, portanto, um detalhamento de parte de um Modelo estabelecido para o Alvo.
Figura A.6: Modelo do Sistema de Repressão ao Crime de um Estado
(Modelo Genérico).
Figura A.7: Submodelo do sistema de repressão ao crime, mostrando um
detalhamento maior do sistema penitenciário.
Durante o processo de análise pode ser necessário obter uma maneira de pensar diferente do alvo ou parte deste. Para esta finalidade pode ser utilizado um outro modelo. Um Modelo assim utilizado é denominado um Modelo Colateral. Por exemplo, suponha que se queira conhecer melhor como se organiza o sistema de repressão ao crime mostrado na Figura A.6. Para tanto pode ser utilizado um modelo, como mostrado na Figura A.8, que represente uma organização. O modelo mostrado na Figura A.8 é um Modelo Colateral Estrutural.
Figura A.8: Modelo Colateral Estrutural de um sistema de repressão ao
crime de um Estado.
O Modelo Colateral pode também ser Geográfico, para mostrar situações em que a distribuição geográfica de algo possa ser de interesse para a análise do problema. O Modelo Colateral Geográfico é muito utilizado para a análise da distribuição do problema em determinado espaço. A Figura A.9 mostra um modelo deste tipo.
Figura A.9: Modelo Colateral Geográfico do sistema de repressão ao crime.
O Modelo Colateral pode ainda ser Cronológico, para analisar situações de tempo em que o problema a resolver seria, por exemplo, o “elevado tempo para condenação do criminoso”, como mostrado na Figura A.10.
Figura A.10: Modelo Colateral Cronológico do sistema de repressão ao
crime.