Os Segredos de Colin Bridgerton

Julia Quinn · Capítulo 21 de 30

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Os Segredos de Colin Bridgerton

Capítulo 19

Por um minuto inteiro, o silêncio dominou o ambiente e o único movimento era o subir e descer de seus peitos, lutando para normalizar a respiração, aguardando os corpos se acalmarem para então se entregarem àquele formigamento abençoado que se sente nos braços da pessoa amada.

Ou, pelo menos, foi o que Colin imaginou que fosse aquilo. Já estivera com outras mulheres, mas só se deu conta de que nunca fizera amor quando deitou Penelope em sua cama e deu início àquela dança íntima com um único beijo nos lábios dela.

Ele jamais sentira aquilo.

Era amor.

E ele haveria de agarrá-lo com as duas mãos.

CAPÍTULO 19

Não foi muito difícil adiantar a data do casamento.

Ocorreu a Colin, enquanto voltava para casa, em Bloomsbury (depois de sorrateiramente deixar Penelope, toda descomposta, na casa dela em Mayfair), que talvez houvesse um ótimo motivo para se casarem mais cedo do que o programado.

É claro que seria muito improvável que ela engravidasse após uma única vez.

E, mesmo que isso acontecesse, o bebê nasceria depois de oito meses, o que não era nada suspeito num mundo repleto de crianças nascidas apenas seis meses depois do casamento dos pais. Sem contar que primogênitos costumavam atrasar (Colin tinha sobrinhos o suficiente para saber que era verdade), o que faria do bebê um rebento de oito meses e meio, algo nada incomum.

Então, de fato, não havia qualquer necessidade urgente de adiantar o casamento.

A não ser pelo fato de que ele queria.

Assim, teve uma “conversinha” com a mãe e a sogra, durante a qual comunicou muita coisa sem revelar nada de explícito, e elas logo concordaram com o plano dele de apressar o enlace.

Sobretudo por ele talvez as ter levado a entender, equivocadamente, que era possível que as intimidades entre os dois tivessem ocorrido várias semanas antes.

Ah, bem, mentirinhas inocentes não eram uma transgressão tão grave assim quando contadas para servir a um bem maior.

E um casamento às pressas, refletiu Colin, deitado na cama, noite após noite, revivendo o momento vivido com Penelope e desejando com fervor que ela estivesse ali, a seu lado, definitivamente servia a um bem maior.

Violet e Portia, que haviam se tornado inseparáveis nos últimos dias, enquanto planejavam o evento, protestaram com relação à mudança, preocupadas com boatos maliciosos (que nesse caso seriam verdadeiros), mas Lady Whistledown veio em seu auxílio, mesmo que de forma indireta.

Os rumores que giravam em torno de Lady Whistledown e de Cressida Twombley – se de fato as duas eram a mesma pessoa – dominavam Londres como jamais acontecera com outro assunto. Na verdade, o mexerico era tão

poderoso que ninguém parou para pensar que a data do casamento Bridgerton-Featherington fora trocada.

O que convinha perfeitamente às duas famílias.

Exceto, talvez, a Colin e Penelope, pois nenhum dos dois se sentia muito à vontade quando o tópico da conversa era Lady Whistledown. Penelope já estava acostumada, é claro: não se passara uma única semana nos últimos dez anos sem que alguém especulasse sobre a identidade de Lady Whistledown na sua presença. Mas Colin continuava tão transtornado e irritado em relação à sua vida secreta que ela mesma passara a se sentir desconfortável. Tentara trazer o tema à tona algumas vezes, mas ele se tornara taciturno e lhe dissera (num tom que não combinava nada com ele) que não queria falar sobre o assunto.

A única conclusão a que podia chegar era que ele sentia vergonha dela. Ou, se não dela, precisamente, então de sua obra como Lady Whistledown. O que de certa forma lhe partia o coração, pois os seus escritos eram uma parte de sua vida da qual ela se orgulhava muito. Penelope havia realizado alguma coisa. Ainda que não pudesse assinar o próprio trabalho, tinha se tornado um sucesso estrondoso. Quantos de seus contemporâneos, homens ou mulheres, podiam dizer o mesmo?

Ela talvez estivesse pronta para deixar Lady Whistledown para trás e viver uma nova etapa de sua existência como Sra. Colin Bridgerton, esposa e mãe, mas isso não significava, de maneira alguma, que se envergonhasse do que fizera.

E queria que Colin também se orgulhasse das suas realizações.

Sim, ela acreditava com cada fibra de seu ser que ele a amava. Colin jamais mentiria sobre uma coisa dessas. Podia pronunciar palavras de efeito e oferecer os sorrisos mais provocantes para fazer qualquer mulher feliz e satisfeita sem dizer palavras de amor que não sentisse. Mas talvez fosse possível – na realidade, depois de avaliar o comportamento de Colin, ela agora tinha certeza de que era possível – alguém amar outra pessoa e, ainda assim, sentir vergonha dela. Penelope só não havia esperado que isso doesse tanto.

Passeavam por Mayfair certa tarde, dias antes do casamento, quando ela tentou mencionar o assunto outra vez. Não soube por que fez isso, já que imaginava que a atitude dele não teria mudado por milagre desde a última vez, mas não conseguiu evitar. Além do mais, teve esperança de que o fato de estarem em público, à vista de todos, fosse forçar Colin a manter um sorriso no rosto e ouvir o que ela tinha a dizer.

Ela calculou a distância até o Número Cinco, onde eram aguardados para o

chá.

– Eu acho – começou, imaginando que tinha cerca de cinco minutos para falar antes que ele a conduzisse para dentro da casa e mudasse o rumo da conversa –

que temos um assunto pendente que precisa ser discutido.

Ele ergueu uma das sobrancelhas e olhou para ela com um sorriso curioso, mas ainda bastante brincalhão. Ela sabia muito bem o que ele tentava fazer: usar a sua personalidade encantadora e espirituosa para conduzir a conversa na direção que desejava. A qualquer minuto, ele diria algo planejado para mudar de assunto sem que ela se desse conta, algo como:

– Mas que coisa mais séria para um dia tão ensolarado.

Ela franziu os lábios. Não era exatamente o que esperara, mas sem dúvida tinha a função que imaginara.

– Colin – disse, tentando manter a paciência –, eu gostaria que não tentasse mudar de assunto toda vez que eu menciono Lady Whistledown.

Ele respondeu com a voz serena, controlada:

– Acho que não a ouvi mencionar o nome dela, ou suponho que deva dizer o seu nome. Além do mais, a única coisa que fiz foi elogiar o dia lindo que está fazendo.

Penelope teve uma vontade enorme de parar ali mesmo e obrigá-lo a ouvi-la, mas estavam em público (por sua própria culpa, já que fora ela que escolhera começar a conversa daquela forma), então continuou a caminhar com elegância e tranquilidade, ainda que estivesse com os punhos cerrados de tensão.

– Na outra noite, quando a minha última coluna foi publicada, você ficou furioso comigo – disse ela.

Ele deu de ombros.

– Já passou.

– Eu não acredito.

Ele se virou para ela com uma expressão bastante condescendente.

– Agora vai querer me dizer como me sinto?

Um golpe tão baixo não podia ficar sem resposta:

– Não é isso que se espera de uma esposa?

– Você ainda não é minha esposa.

Penelope contou até três – não, até dez – antes de retrucar:

– Me desculpe se o que fiz o deixou irritado, mas não tive escolha.

– Você teve todas as escolhas do mundo, mas eu não vou discutir isso aqui no meio da rua.

Penelope se deu conta de que já estavam na Rua Bruton. Calculara muito mal

a rapidez de seus passos. Tinha apenas mais um minuto, no máximo, antes de chegarem ao Número Cinco.

– Eu posso lhe garantir – disse ela –, que “você sabe quem” nunca mais deixará a aposentadoria.

– Mal consigo expressar o alívio que sinto.

– Gostaria que não fosse tão sarcástico.

Ele se virou para encará-la com olhos faiscantes. A expressão era tão diferente da máscara de impassividade de alguns momentos antes que Penelope quase deu um passo para trás.

– Cuidado com o que deseja, Penelope – avisou ele. – O sarcasmo é a única coisa que mantém os meus verdadeiros sentimentos escondidos, e pode acreditar que você não vai querer que eles venham à tona à vista de todos.

– Acho que quero, sim – respondeu ela com a voz muito baixa, pois na verdade não tinha tanta certeza assim de que desejava isso.

– Todos os dias, sou forçado a parar e pensar no que farei para protegê-la caso o seu segredo seja descoberto. Eu amo você, Penelope. Que Deus me ajude, mas amo.

Ela teria preferido que ele não implorasse pela ajuda de Deus, mas a declaração de amor foi bastante simpática.

– Em três dias – continuou Colin –, eu serei seu marido. Farei um juramento solene de protegê-la até que a morte nos separe. Compreende o que isso quer dizer?

– Que você vai ter que me salvar de minotauros saqueadores? – sugeriu ela, tentando fazer graça.

A expressão dele deixou claro que não achara aquilo engraçado.

– Gostaria que você não ficasse tão zangado... – murmurou ela.

Colin se virou para Penelope com ar de incredulidade, como se achasse que ela não tinha o direito de falar nada.

– Se estou com raiva, é porque não gostei de descobrir sobre a sua última coluna ao mesmo tempo que todo mundo.

Ela assentiu, mordendo o lábio inferior, e depois disse:

– Peço-lhe desculpas por isso. Sem dúvida você tinha o direito de saber antes, mas como eu poderia ter lhe contado? Você teria tentado me deter.

– Exatamente.

Agora estavam bem próximos do Número Cinco. Se Penelope quisesse lhe perguntar qualquer outra coisa, teria de ser rápida.

– Você tem certeza... – começou, então se interrompeu, sem saber ao certo se

devia prosseguir.

– Certeza de quê?

Ela balançou a cabeça de leve numa negativa.

– De nada.

– É óbvio que não é de nada.

– Eu só estava imaginando... – Ela olhou para o lado, como se a imagem da cidade pudesse, de alguma forma, lhe dar a coragem necessária para ir em frente.

– Eu só estava imaginando...

– Fale logo, Penelope.

Não era do feitio dele ser tão curto e grosso, e isso a incitou a continuar:

– Eu estava me perguntando se talvez o seu desconforto em relação à minha...

err...

– Vida secreta? – sugeriu ele, prolongando cada sílaba.

– Se é assim que quer chamá-la... – retrucou ela. – Ocorreu-me que talvez o seu desconforto não tenha origem inteiramente no desejo de proteger a minha reputação caso eu seja descoberta.

– O que você quer dizer com isso? – quis saber ele.

Ela já verbalizara a pergunta; não havia mais nada a fazer agora senão ser totalmente franca.

– Eu acho que você tem vergonha de mim.

Ele a olhou por um longo momento antes de responder:

– Eu não tenho vergonha de você. Já lhe disse isso uma vez.

– Qual é o problema, então?

Os passos de Colin falharam e, antes que ele se desse conta do que o corpo fazia, estava parado diante do número 3 da Rua Bruton. A casa da mãe ficava apenas a duas construções de distância e ele tinha quase certeza de que os aguardavam para o chá havia cinco minutos e...

Não conseguia fazer com que os pés se mexessem.

– Eu não tenho vergonha de você – repetiu, em grande parte por não conseguir dizer a verdade a ela: que tinha inveja de suas realizações, inveja dela.

Era um sentimento tão repugnante, uma emoção tão desagradável... Isso o consumia, criando uma vaga sensação de vergonha cada vez que alguém mencionava Lady Whistledown, o que nos últimos tempos ocorria cerca de dez vezes ao dia. E ele não sabia, ao certo, o que fazer a respeito.

Daphne comentara, certa vez, que ele sempre parecia saber o que dizer e como deixar os outros à vontade. Pensara nisso por vários dias depois que a irmã o dissera e chegara à conclusão de que essa sua capacidade devia ter origem na

forma como ele percebia a si mesmo.

 

Era um homem que sempre se sentira muito confortável sendo quem era. Não sabia por que era tão abençoado – talvez bons pais ou, quem sabe, pura sorte.

Mas agora experimentava uma sensação de desconforto e isso se mostrava em cada área da sua vida. Vinha sendo rude com Penelope, mal falava em festas...

E tudo isso por causa daquela inveja detestável e da vergonha que a acompanhava.

Ou...

Será que ele teria inveja de Penelope se já não estivesse sentindo uma ausência na própria vida?

Era uma interessante pergunta psicológica. Bem, seria interessante se dissesse respeito a qualquer outra pessoa que não ele.

– Minha mãe está nos esperando – disse ele, ríspido, sabendo que estava fugindo da verdade e se odiando por isso, mas sentindo-se incapaz de agir de outra forma. – E a sua mãe também estará presente, então é bom que não nos atrasemos.

– Já estamos atrasados – observou ela.

Ele tomou o seu braço e a puxou em direção ao Número Cinco.

– Mais um motivo para não perdermos tempo.

– Você está me evitando – acusou ela.

– Como isso é possível se você está bem aqui, de braço dado comigo?

Ela franziu a testa.

– Está fugindo da minha pergunta.

– Vamos falar sobre isso depois – disse ele –, quando não estivermos parados no meio da Rua Bruton, com só Deus sabe quem olhando para nós pela janela.

E então, para demonstrar que não aceitaria mais nenhum protesto, colocou a mão em suas costas e a conduziu, sem maiores delicadezas, pela escada que levava à entrada da casa.

Uma semana mais tarde, nada mudara, a não ser o sobrenome de Penelope.

O casamento fora mágico. Uma cerimônia íntima, para a consternação da alta sociedade londrina. E a noite de núpcias... Bem, também fora mágica.

Na verdade, o casamento como um todo era mágico. Colin era um marido maravilhoso: provocativo, gentil, atencioso...

Exceto quando o nome de Lady Whistledown era mencionado.

Então ele se tornava... Na verdade, Penelope não sabia ao certo o que Colin se tornava; só tinha certeza que não era ele mesmo. O comportamento descontraído, a fluência, tudo de maravilhoso que fazia dele o homem que amava havia tantos anos desaparecia.

De certa forma, era quase engraçado. Durante muito tempo, todos os seus sonhos estavam relacionados a se casar com Colin. Em algum momento, esses sonhos haviam incluído lhe contar sobre a sua vida secreta. E como poderia ser diferente? Na imaginação dela, o casamento com ele era uma união perfeita, e isso significava sinceridade absoluta.

Em seus pensamentos, ela o fazia sentar-se e, timidamente, revelava o seu segredo. A princípio ele reagia com incredulidade, em seguida com delicadeza e orgulho. Como ela era extraordinária por ter enganado Londres inteira por tantos anos! Como era espirituosa, por ter escrito inúmeras frases com nuances tão inteligentes! Ele a admirava por sua criatividade, a elogiava pelo seu sucesso. Às vezes até sugeria se tornar seu repórter secreto.

Aquilo lhe parecera o tipo de coisa da qual Colin teria gostado, um trabalho divertido e insidioso que ele apreciaria.

Mas não foi assim que a situação se desenrolara.

Ele afirmara não ter vergonha dela e talvez acreditasse mesmo nisso, mas Penelope não conseguia se convencer. Vira a expressão dele quando Colin jurara que a única coisa que queria era protegê-la. O sentimento de proteção costuma ser feroz e ardente, e sempre que ele falava sobre Lady Whistledown, seus olhos escureciam e ficavam inexpressivos.

Ela tentava não ficar tão desapontada. Procurava dizer a si mesma que não tinha o direito de esperar que ele correspondesse aos seus sonhos, que a sua forma de vê-lo fora injustamente idealizada, mas...

Ainda desejava que ele fosse o homem que imaginara.

No entanto, sentia-se culpada por cada sensação de desapontamento. Aquele era Colin, pelo amor de Deus! Colin, que chegava mais perto da perfeição do que qualquer ser humano poderia esperar chegar. Ela não tinha o menor direito de encontrar defeitos nele. Ainda assim...

Ainda assim, encontrava.

Queria que ele se orgulhasse dela. Desejava isso mais do que qualquer outra coisa no mundo, mais até do que o desejara durante todos aqueles anos, a distância.

Mas, ao mesmo tempo, tinha profunda consideração pelo seu casamento, e, deixando de lado os momentos difíceis, tinha grande consideração também pelo

marido. Assim, decidiu parar de falar de Lady Whistledown. Cansou-se da expressão sombria de Colin. Não queria mais ver as rugas de contrariedade ao redor de sua boca.

Não que ela pudesse evitar o assunto para sempre; qualquer evento da alta sociedade parecia trazer à tona alguma menção à sua identidade secreta. Mas não precisava tocar no assunto em casa.

Assim, ao se sentarem para tomar café juntos certa manhã, enquanto liam o jornal daquele dia, ela buscou outros temas.

– Acha que devemos fazer uma viagem de lua de mel? – indagou, espalhando uma generosa camada de geleia de framboesa sobre um bolinho.

Talvez não devesse comer tanto, mas a geleia era deliciosa e, além do mais, Penelope sempre ficava gulosa quando estava ansiosa.

Franziu a testa, primeiro em direção ao bolinho, em seguida para o nada. Não se dera conta de que estava tão ansiosa. Achara ser capaz de empurrar o problema de Lady Whistledown para o fundo da sua mente.

– Talvez mais para o final do ano – respondeu Colin, pegando a geleia. – Pode me passar as torradas, por favor?

Ela o fez, em silêncio.

Ele ergueu a vista, para ela ou para o prato de peixe defumado – Penelope não soube dizer ao certo.

– Você parece ter ficado desapontada – comentou Colin.

Ela pensou que devia se sentir lisonjeada por ele ter desviado os olhos da comida. Ou talvez estivesse fitando o peixe e ela apenas se encontrasse no caminho, o que era mais provável. Era difícil competir com comida pela atenção de Colin.

– Penelope? – chamou ele.

Ela piscou.

– Você me pareceu desapontada – repetiu ele.

– Ah. Sim. Bem, acho que estou mesmo. – Ela lhe ofereceu um sorriso vacilante. – Nunca saí daqui, e você já esteve em todas as partes. Achei que pudesse me levar a algum lugar do qual tivesse gostado especialmente. Como a Grécia, talvez. Ou, quem sabe, a Itália. Sempre quis conhecer a Itália.

– Você iria gostar de lá – murmurou ele, distraído, concentrado mais nos ovos do que nela. – Sobretudo de Veneza, imagino.

– Então por que não me leva?

– Eu levarei – disse ele, espetando um pedaço rosado de bacon e atirando-o na boca. – Mas não agora.

Penelope lambeu um pouco de geleia do bolinho e tentou disfarçar a decepção.

– Se você quer mesmo saber – prosseguiu Colin, com um suspiro –, o motivo pelo qual não quero viajar é... – Ele olhou para a porta aberta e franziu os lábios, irritado. – Bem, não posso falar aqui.

Penelope arregalou os olhos.

– Está querendo dizer... – Ela desenhou um imenso W sobre a toalha de mesa.

– Exatamente.

Ela o fitou, surpresa, um tanto aturdida por ele ter levantado o assunto, até porque não pareceu tão contrariado por isso.