Os Segredos de Colin Bridgerton
Capítulo 4
– Que bom – retrucou ele, partindo a passos rápidos e praticamente a arrastando junto. – Eu amo muito a minha família, mas vou mesmo é pela comida.
CAPÍTULO 4
É difícil imaginar que haja qualquer notícia a respeito do baile dos Bridgertons mais importante que a determinação de Lady Danbury em descobrir a identidade desta autora, mas os seguintes itens precisam ser observados:
O Sr. Geoffrey Albansdale foi visto dançando com a Srta. Felicity Featherington.
A Srta. Felicity Featherington também foi vista dançando com o Sr.
Lucas Hotchkiss.
O Sr. Lucas Hotchkiss foi visto dançando com a Srta. Hyacinth Bridgerton.
A Srta. Hyacinth Bridgerton também foi vista dançando com o visconde de Burwick.
O visconde de Burwick também foi visto dançando com a Srta. Jane Hotchkiss.
A Srta. Jane Hotchkiss também foi vista dançando com o Sr. Colin Bridgerton.
O Sr. Colin Bridgerton também foi visto dançando com a Srta.
Penelope Featherington.
E para finalizar essa incestuosa brincadeira de roda, a Srta. Penelope foi vista conversando com o Sr. Geoffrey Albansdale. (Teria sido perfeito demais se ela tivesse dançado com ele, concorda, caro leitor?) CRÔNICAS DA SOCIEDADE DE LADY WHISTLEDOWN,
12 DE ABRIL DE 1824
Quando Penelope e Colin adentraram na sala de visitas, Eloise e Hyacinth já tomavam chá, junto com Violet e Kate. A primeira encontrava-se sentada diante do serviço de chá e a outra, esposa de Anthony, o atual visconde, tentava, sem muito sucesso, manter Charlotte, a filha de 2 anos do casal, sob controle.
– Olhem só quem encontrei na Praça Berkeley – anunciou Colin.
– Penelope – cumprimentou Violet com um sorriso acolhedor. – Sente-se. O
chá ainda está morno e a cozinheira fez os famosos biscoitos amanteigados.
Colin partiu em direção à comida, mal parando para cumprimentar as irmãs.
Penelope acomodou-se em uma poltrona vizinha à de Violet.
– Biscoitos estão gostosos – disse Hyacinth, empurrando um prato em sua direção.
– Hyacinth – chamou Violet, numa voz que denotava leve desaprovação –, tente falar com frases completas.
A menina olhou para a mãe com expressão de surpresa.
– Biscoitos. Estão. Gostosos. – Ela inclinou a cabeça para o lado. –
Substantivo. Verbo. Adjetivo.
– Hyacinth.
Penelope percebeu que Violet tentava demonstrar dureza enquanto ralhava com a filha, embora não estivesse tendo muito sucesso.
– Substantivo. Verbo. Adjetivo – repetiu Colin, limpando uma migalha do rosto sorridente. – Frase. Está. Correta.
– Só se você for semianalfabeto – retorquiu Kate, pegando um biscoito. –
Estes biscoitos estão mesmo gostosos – falou para Penelope com um sorriso sem graça tomando-lhe os lábios. – Este já é o meu quarto.
– Eu adoro você, Colin – declarou Hyacinth, ignorando Kate por completo.
– É claro que ama – murmurou ele.
– Pessoalmente, prefiro colocar artigos antes dos substantivos nos meus escritos – decretou Eloise, muito superior.
Hyacinth resfolegou.
– Nos seus escritos?
– Eu redijo muitas cartas – retrucou ela, fungando. – Além de escrever um diário, que posso lhe garantir ser um hábito muito benéfico.
– De fato nos mantém muito disciplinadas – contribuiu Penelope, aceitando um pires com uma xícara das mãos estendidas de Violet.
– Você também escreve um diário? – perguntou Kate, sem olhar para ela, uma vez que acabara de saltar da poltrona para agarrar a filha antes que a menina escalasse uma mesinha de canto.
– É uma pena, mas não – respondeu Penelope, balançando a cabeça. – Exige disciplina demais para o meu gosto.
– Não acho que seja sempre necessário colocar um artigo antes de um substantivo – insistiu Hyacinth, incapaz, como sempre, de abrir mão do próprio argumento.
Para infortúnio do restante do grupo, Eloise era tão tenaz quanto a irmã.
– É possível deixar de lado o artigo se estiver se referindo ao substantivo em questão de uma maneira geral – disse, franzindo os lábios com desdém –, mas, neste caso, uma vez que se referia a biscoitos específicos...
Penelope não estava certa disso, mas teve a impressão de ter ouvido Violet gemer.
– ... então, especificamente – continuou Eloise, arqueando as sobrancelhas –, você está errada.
Hyacinth se virou para Penelope.
– Tenho certeza de que ela não usou especificamente de forma correta nessa última frase.
Penelope pegou mais um biscoito.
– Eu me recuso a entrar nessa conversa.
– Covarde – murmurou Colin.
– Não, apenas faminta. – Ela se virou para Kate. – Estão muito gostosos.
Kate assentiu.
– Ouvi boatos de que sua irmã talvez fique noiva – comentou em seguida.
Penelope piscou, surpresa. Não havia imaginado que a ligação de Felicity com o Sr. Albansdale fosse de conhecimento público.
– E como você soube desse boato?
– Por Eloise, é claro – explicou Kate, com grande simplicidade. – Ela sempre sabe de tudo.
– E o que eu não sei – completou a garota, com um sorriso fácil – Hyacinth normalmente sabe. É muito conveniente.
– Vocês têm certeza de que uma das duas não é Lady Whistledown? – brincou Colin.
– Colin! – exclamou Violet. – Como pode até mesmo pensar numa coisa dessas?
Ele deu de ombros.
– Sem dúvida ambas são inteligentes o bastante para realizar uma façanha dessas.
Eloise e Hyacinth ficaram radiantes.
Nem mesmo Violet pôde ignorar o elogio.
– Sim, bem... – falou depois de uma pausa – Hyacinth é jovem demais, e Eloise... – Ela olhou para a filha em questão, que a observava com uma expressão divertida. – Bem, Eloise não é Lady Whistledown, tenho certeza.
Eloise olhou para Colin.
– Eu não sou Lady Whistledown.
– Que pena – lamentou ele. – Ou estaria podre de rica a essa altura.
– Sabe – começou Penelope, pensativa –, essa talvez fosse uma boa forma de descobrir a identidade dela.
Cinco pares de olhos se viraram em sua direção.
– Ela só pode ser alguém com mais dinheiro do que deveria ter em teoria –
explicou Penelope.
– Um bom argumento – concordou Hyacinth –, a não ser pelo fato de que eu não tenho a menor ideia de quanto dinheiro as pessoas deveriam ter.
– Eu também não, é claro – concordou Penelope. – Embora, na maioria das vezes, seja possível ter uma ideia geral. – Diante do olhar perdido de Hyacinth, ela acrescentou: – Por exemplo, se eu de repente saísse e comprasse um conjunto de brilhantes, isso seria muito suspeito.
Kate cutucou Penelope com o cotovelo.
– E então, comprou algum conjunto de brilhantes nos últimos tempos, hein?
Umas mil libras me poderiam ser úteis...
Penelope revirou os olhos antes de responder, porque, como a atual viscondessa de Bridgerton, Kate sem dúvida não precisava de mil libras.
– Posso lhe garantir que não possuo um único diamante – disse. – Nem mesmo um anel.
Kate deixou escapar um “puxa” de desagrado fingido.
– Bem, então você não nos serve para nada.
– Não é tanto pelo dinheiro – declarou Hyacinth. – É mais pela glória.
Violet tossiu dentro de sua xícara de chá.
– Espere um instante, Hyacinth – falou em seguida. – O que acabou de dizer?
– Pense só nos louros que uma pessoa mereceria por enfim desmascarar Lady Whistledown – sugeriu Hyacinth. – Seria a glória.
– Você está dizendo que não se importa com o dinheiro? – perguntou Colin, com uma expressão de afabilidade forçada.
– Eu jamais diria isso – retrucou Hyacinth com um sorriso insolente.
Ocorreu a Penelope que, de todos os Bridgertons, Hyacinth e Colin eram os mais parecidos. Talvez fosse bom Colin passar tanto tempo fora do país. Se ele e a irmã caçula algum dia unissem forças, provavelmente conquistariam o mundo.
– Hyacinth, eu a proíbo de transformar a busca pela identidade de Lady Whistledown no seu objetivo de vida – decretou Violet com firmeza.
– Mas...
– Não estou dizendo que não possa ponderar sobre a questão e fazer algumas perguntas – apressou-se em acrescentar Violet, erguendo uma das mãos para
impedir quaisquer outras interrupções. – Por Deus, seria de se esperar que, depois de quase quarenta anos de maternidade, eu não precisasse mais impedi-los de fazer qualquer coisa com que cismassem, por maior que fosse a tolice.
Penelope levou a xícara aos lábios para encobrir o sorriso.
– Mas é que você sabe ser bastante cabeça-dura em determinadas ocasiões –
concluiu Violet.
Em seguida, pigarreou com toda a delicadeza.
– Mamãe!
Violet continuou como se Hyacinth jamais tivesse se pronunciado:
– E eu não quero que se esqueça de que o seu principal objetivo neste momento deve ser encontrar um marido.
Hyacinth pronunciou a palavra “Mamãe” novamente, embora dessa vez tenha sido mais um gemido do que um protesto.
Penelope olhou de soslaio para Eloise, que tinha os olhos fixos no teto, claramente tentando não sorrir. Eloise resistira a anos de implacáveis tentativas da mãe de lhe encontrar um marido e não se importava nem um pouco com o fato de ela parecer ter desistido e voltado-se para Hyacinth.
Na verdade, Penelope estava surpresa por Violet enfim ter aceitado o status de solteira de Eloise. Jamais escondera que o seu maior objetivo na vida era ver os oito filhos casados e felizes. Tivera sucesso com quatro. Primeiro, Daphne se casara com Simon e se tornara duquesa de Hastings. No ano seguinte, Anthony desposara Kate. Houvera uma certa calmaria depois disso, mas tanto Benedict quanto Francesca haviam se casado no intervalo de um ano: Benedict com Sophie e Francesca com um escocês, o conde de Kilmartin.
Francesca, infelizmente, ficara viúva apenas dois anos após o casamento.
Agora, dividia o tempo entre a família do marido, na Escócia, e a sua, em Londres. Quando estava na cidade, porém, insistia em ficar na Casa Kilmartin em vez de na Casa Bridgerton ou no Número Cinco. Penelope não a culpava por isso. Se fosse viúva, também iria querer usufruir de toda a sua independência.
Hyacinth costumava suportar as investidas casamenteiras da mãe com bom humor, já que, como ela mesma dissera a Penelope, de fato pretendia se casar em algum momento. Assim, permitia que Violet tivesse todo o trabalho para que ela pudesse escolher o próprio marido quando o pretendente correto surgisse.
E foi com essa disposição amigável que ela se levantou, beijou a mãe no rosto e lhe prometeu, com obediência, que seu principal objetivo seria procurar um marido. Enquanto falava, lançou um sorriso insolente e malicioso para os dois irmãos presentes. Mal retornara à sua poltrona quando perguntou ao grupo:
– E então, acham que ela vai ser pega?
– Continuamos falando sobre a tal Whistledown? – gemeu Violet.
– Ainda não ouviram a teoria de Eloise? – indagou Penelope.
Todos olharam para ela e, em seguida, para Eloise.
– Hã... e qual é a minha teoria mesmo? – perguntou Eloise.
– Faz apenas... bem, não sei, talvez uma semana – começou Penelope. –
Estávamos as duas conversando sobre Lady Whistledown quando eu disse que não achava que sua identidade pudesse continuar em segredo para sempre, que em algum momento ela haveria de cometer um erro. Então, Eloise falou que não estava tão certa assim, porque já faz dez anos que ela mantém a coluna e que, se fosse cometer um erro, isso já deveria ter acontecido. Então eu disse que não, que ela não passa de um ser humano. Que, em algum momento, vai escorregar, porque ninguém pode fazer um segredo durar para sempre, então...
– Ah, lembrei! – interrompeu Eloise. – Estávamos na sua casa, no seu quarto, e eu tive uma ideia brilhante! Disse a Penelope que apostava que Lady Whistledown já havia cometido um erro e que nós é que éramos idiotas demais para percebermos.
– Acho que isso não é muito elogioso para conosco – murmurou Colin.
– Bem, quando eu disse nós, estava me referindo à sociedade como um todo, não só a nós, os Bridgertons – objetou Eloise.
– Então, talvez a única coisa da qual precisemos para desmascarar Lady Whistledown seja vasculhar exemplares antigos da coluna – refletiu Hyacinth.
Os olhos de Violet foram tomados por um certo pânico.
– Hyacinth, não estou gostando dessa sua expressão.
A menina sorriu e deu de ombros.
– Eu poderia me divertir tanto com mil libras...
– Que Deus nos ajude – foi a única resposta da mãe.
– Penelope – chamou Colin de repente –, você não terminou de nos contar sobre Felicity. É verdade que ela vai ficar noiva em breve?
Penelope terminou o chá que estava bebericando. Colin tinha uma forma de olhar, com os olhos verdes tão focados e atentos, que a pessoa tinha a sensação de que os dois eram os únicos em todo o universo. Infelizmente para Penelope, isso também parecia ter o poder de reduzi-la a uma idiota gaguejante. Quando estavam no meio de uma conversa, ela em geral conseguia se controlar, mas quando ele a surpreendia daquele jeito, voltando a atenção para ela no momento em que ela já se convencera de ter se misturado com perfeição ao papel de parede, ficava completamente perdida.
– Hã... Sim, é bastante possível – respondeu. – O Sr. Albansdale tem dado indicações das suas intenções. Mas se ele de fato decidir pedi-la em casamento, imagino que irá à Ânglia Oriental para ter a permissão de meu tio.
– Seu tio? – indagou Kate.
– Meu tio Geoffrey. Ele mora perto de Norwich. É nosso parente do sexo masculino mais próximo, embora, na verdade, não o vejamos com muita frequência. Mas o Sr. Albansdale é bastante tradicional. Acho que não se sentiria confortável pedindo à minha mãe.
– Espero que ele também peça a Felicity – comentou Eloise. – Sempre penso em quão ridículo é um homem pedir a mão de uma mulher ao pai dela antes de pedir à própria. O pai não terá que viver com ele.
– Essa atitude – começou Colin, com um sorriso divertido apenas parcialmente oculto pela xícara – talvez explique por que você continua solteira.
Violet olhou para o filho com severidade e disse seu nome em tom de desaprovação.
– Ah, não, mamãe – falou Eloise. – Eu não me importo. Estou muito confortável como uma solteirona. – Ela olhou para Colin com superioridade. –
Prefiro mil vezes ser solteira a ser casada com um chato. Assim – acrescentou, com um floreio – como Penelope!
Sobressaltada ao ver a mão a amiga acenando de repente em sua direção, Penelope se empertigou e concordou:
– Hã... Sim. É claro.
Mas ela tinha a sensação de não ser tão firme em suas convicções quanto Eloise. Diferentemente dela, não recusara seis propostas de casamento. Não recusara nenhuma, porque não recebera nenhuma.
Convencera-se de que não teria aceitado, de qualquer forma, pois seu coração pertencia a Colin. Mas será que aquilo era mesmo verdade ou ela apenas tentava se sentir melhor por ter sido um fracasso tão retumbante no mercado matrimonial?
Se alguém a pedisse em casamento no dia seguinte – um homem gentil e aceitável, que ela jamais viria a amar, mas de quem poderia um dia gostar muito
–, será que aceitaria?
Era provável que sim.
Pensar no assunto a deixou triste, porque admitir isso a si mesma significava que realmente perdera qualquer esperança em relação a Colin. Significava que não era tão fiel aos seus princípios como esperava ser. Significava que se dispunha a aceitar um marido menos do que perfeito a fim de ter uma casa e uma
família para si.
Não era nada que centenas de mulheres não fizessem todo ano, mas era algo que ela jamais pensara em fazer.
– Você ficou tão séria de repente... – comentou Colin.
Penelope despertou de seu devaneio.
– Eu? Ah. Não, não. Só estava perdida em meus próprios pensamentos.
Colin aceitou sua explicação com um breve aceno da cabeça e depois pegou outro biscoito.
– Temos algo mais substancial para comer? – indagou, franzindo a testa.
– Se eu soubesse que você vinha – respondeu Violet, seca –, teria dobrado a quantidade de comida.
Ele se levantou e foi até a campainha dos criados.
– Vou pedir mais. – Depois de dar um bom puxão no cordão, virou-se e perguntou: – Sabe qual é a teoria de Penelope sobre Lady Whistledown?
– Não, não sei – respondeu Violet.
– É muito inteligente, na verdade – comentou ele, parando para pedir sanduíches à criada antes de concluir: – Ela acha que é Lady Danbury.
– Aaaaah. – Hyacinth se mostrou visivelmente impressionada. – Muito perspicaz, Penelope.
Ela assentiu em agradecimento.
– Além de ser exatamente o tipo de coisa que Lady Danbury faria.
– A coluna ou o desafio? – quis saber Kate, agarrando a faixa do vestido de Charlotte antes que a menina conseguisse fugir.
– As duas coisas – respondeu Hyacinth.
– E Penelope disse isso a ela – contou Eloise. – Face a face.
Hyacinth ficou boquiaberta e Penelope soube nesse momento que acabava de subir – e muito – no conceito da jovem.
– Eu queria ter visto isso! – exclamou Violet com um sorriso largo e orgulhoso. – Para ser franca, estou surpresa de não ter dado no Whistledown de hoje.
– Acho que Lady Whistledown não falaria sobre as teorias das pessoas a respeito de sua identidade – comentou Penelope.
– E por que não? – indagou Hyacinth. – Seria uma maneira excelente de dar pistas erradas. Por exemplo – continuou, estendendo a mão em direção à irmã numa pose bastante dramática –, digamos que eu achasse que fosse Eloise.
– Não é Eloise! – protestou Violet.
– Não sou eu – repetiu Eloise com um sorriso.
– Mas digamos que eu achasse que fosse – insistiu Hyacinth com irritação – e que afirmasse isso em público.
– O que você jamais faria – disse Violet, severa.
– O que eu jamais faria – ecoou Hyacinth tal e qual um papagaio. – Mas, apenas como um exercício de imaginação, digamos que eu o afirmasse. E
digamos que Eloise, de fato, fosse Lady Whistledown. Que ela não é – apressou-se em acrescentar antes que a mãe pudesse interrompê-la outra vez.
Violet ergueu as mãos em silenciosa derrota.
– Haveria forma melhor de enganar a todos do que zombando de mim na coluna dela? – concluiu Hyacinth.
– É claro que, se Eloise fosse mesmo Lady Whistledown... – refletiu Penelope.
– Ela não é! – explodiu Violet.
Penelope não conseguiu conter o riso.
– Mas se fosse...
– Sabem, agora eu realmente gostaria de ser – comentou Eloise.
– Você estaria rindo muito de todos nós – continuou Penelope. – Mas é claro que, na quarta-feira, não poderia escrever a coluna zombando de Hyacinth por achar que você é Lady Whistledown, porque senão todos saberíamos que só poderia ser você.
– A não ser que seja você – brincou Kate, olhando para Penelope. – Isso seria um truque muito ardiloso.
– Deixe-me ver se entendi – disse Eloise. – Penelope é Lady Whistledown e ela vai escrever uma coluna na quarta-feira zombando da teoria de Hyacinth de que eu sou Lady Whistledown apenas para fazer vocês pensarem que eu sou mesmo Lady Whistledown, porque Hyacinth sugeriu que isso seria um truque inteligente.
– Estou completamente perdido – comentou Colin com ninguém em especial.
– A não ser que Colin fosse Lady Whistledown... – declarou Hyacinth com um brilho endiabrado nos olhos.
– Parem! – pediu Violet. – Eu imploro.
De qualquer forma, àquela altura todos riam demais para que Hyacinth conseguisse prosseguir.
– As possibilidades são infinitas – observou Hyacinth, enxugando uma lágrima.
– Talvez todos devêssemos, simplesmente, olhar para nosso lado esquerdo –
sugeriu Colin, sentando-se outra vez. – Quem sabe essa pessoa seja a nossa infame Lady Whistledown.
Todos obedeceram, com exceção de Eloise, que olhou para a direita... direto para Colin.
– Você estava tentando me dizer alguma coisa quando se sentou à minha direita? – perguntou ela com um sorriso divertido.
– De modo algum – murmurou ele, estendendo a mão em direção ao prato de biscoitos e então parando, ao se dar conta de que estava vazio.
Mas ele não deixou que seu olhar cruzasse com o de Eloise ao fazê-lo.