Paris Apaixonada
Na igreja com Scrooge
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Na igreja com Scrooge
Não tendo conhecim ento específico das m inúcias do calendário litúrgico, foi agradável descobrir em um dom ingo de dezem bro que havia um a celebração especial acontecendo para les enfants; com o era de se esperar, com pareceram m ais bebês e crianças pequenas do que de costum e. Na cadeira ao nosso lado, sentou um m enino roliço e m uito feliz que estava com eçando a aprender a andar. Ele e Anna divertiram -se tanto passando um telefone celular de brinquedo de lá pra cá que ele constantem ente cuspia a chupeta e em itia gritinhos com alegria.
O anim ado padre com eçou sua hom ilia e continuou, e continuou. O bebê
seguia dando gritinhos e gritinhos. O celular de brinquedo caiu no chão de pedra algum as vezes.
Então, de um a fileira na frente da nave, ergueu-se um esquelético e velho
hom em , vestido todo de preto, incluindo o sobretudo que balançava nas suas costas. Ele deu m eia volta e andou, carrancudo, em nossa direção. Toda a congregação congelou, observando enquanto a am eaça com ares de Scrooge avançava. Os olhos do padre visivelm ente se arregalaram . Monsieur le Scrooge virou no corredor lateral, agora obviam ente vindo confrontar a maman do bebê.
Cabeças giraram concom itantem ente para acom panhar seu progresso. A
m ãe da criança a tom ou contra o seu om bro, em um gesto que m e lem brava dos gestos protetores feitos por m ães em film es onde cidades eram invadidas por nazistas, ou extraterrestres. “Madam e!” nós ouvim os Monsieur Scrooge dizer em um a voz grave e ultraj ada, m as ela j á debandava para o fundo da igrej a, abandonando o celular de brinquedo no chão.
Missão cum prida, Scrooge virou-se de volta para o seu assento. O padre e os
paroquianos o viram andar carrancudo pela nave. Quando j á estava seguro, Anna correu atrás da m ãe, balançando o celular de brinquedo. Por um m om ento, achei que nosso doce padre de cabelos cacheados iria dizer algum a coisa sobre este pequeno dram a; era, afinal de contas, o dom ingo para les enfants.
Mas, em vez disso, fez-se o silêncio enquanto ele abençoava a hóstia, e depois, do outro lado da nave, m uito atrás de nós, veio um a desafiadora série de grasnidos. O bebê e sua maman ainda não estavam derrotados!
Quando chegou a hora de ir à frente para a Com unhão, Scrooge levantou-se
antes que o padre tivesse term inado de falar, assegurando seu lugar bem no início da fila. Ao receber a sua Com unhão, em vez de retornar ao seu assento, ele plantou-se ao lado do cotovelo do padre e virou-se com o se para adorar o altar.
“Ele irá abordá-la quando ela for receber a hóstia!” Alessandro disse, com
prazer óbvio e ím pio. Mas não, não seria desta vez: a j ovem m ãe tom ou a hóstia sem incidentes. O plano de Monsieur Scrooge – qualquer que fosse – foi frustrado por um a senhora em um a cadeira de rodas que o forçou a m over-se para o lado.
O j ovem padre, fazendo o m elhor de um a situação ruim , colocou sua m ão
na cabeça redonda da criança, abençoando-a e, supostam ente, todos os seus grasnidos e gritinhos.
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Hoj e, Alessandro e Anna viaj aram de avião para um a Florença nevada, onde ficam por dois dias antes de voltarem de carro com m em bros idosos da fam ília italiana e um Chihuahua obeso a reboque. Eu gostaria que parasse de nevar porque estou com m edo de que o carro vá bater ao cruzar as m ontanhas. A biógrafa Elizabeth Stone escreveu que ter filhos é com o perm itir que seu coração ande por aí fora do seu corpo, e o m eu vai cruzar os Alpes.
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Eu com prei alguns presentes na Galeries Lafay ette esta tarde, um cachecol m acio lilás e um a cam isa de renda para m inhas colegas de quarto da faculdade. O entardecer caía quando saí da loj a. Do lado de fora, na rua nevada, um a barraca estava cozinhando sopa em panelas de ferro, então eu com prei um a xícara de sopa de lentilha com tem peros indianos e andei para casa, a sopa aquecendo m inhas m ãos, explodindo em m inha boca.
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Ontem , Luca e eu estávam os peram bulando no entardecer quando passam os por um pequenino bar com paredes escarlates e um grande sofá. Um hom em no interior inclinou-se para fum ar um narguilé prata decorado. Eu prazerosam ente contei para Luca que esta deveria ser um a casa de ópio, tagarelando sobre os vitorianos e seus hábitos m ais questionáveis, antes que eu lem brasse de incluir um pequeno serm ão sobre os perigos das drogas. Infelizm ente para o m eu m om ento de turism o exótico, a Wikipédia sugere que o hom em estava fum ando tabaco em um “Lounge de Narguilé.”
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Decidi usar m inhas am adas caçarolas para criar bolos individuais de cerej a em bebidas para o j antar de Natal. Aventurando-m e para com prar as cerej as, sobrevivi à m ultidão fingindo que eu era um peixe preso na corrente do Golfo. Não faz sentido nadar contra a corrente, não é preciso usar as barbatanas; apenas esbarre levem ente nos outros do seu cardum e enquanto você nada, e lem bre-se que respirar é desnecessário, pois você é um peixe.
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Com o intuito de realizar um a pesquisa em pírica, eu venho reunindo fofocas de fam ília sobre o tio avô Claude. Foi relatado que ele tinha um relacionam ento tem pestuoso com Ivé, que finalm ente o deixou por um alem ão. Porque – e esta é um a citação direta de um dos m eus tios – “ele não estava à altura da energia sexual dela.” Eu sabia! Ao que parece, m inha tia avó Genevieve, um a m ulher assustadora que costum ava m archar por aí em um a longa capa, escreveu um a carta ao irm ão dizendo para ele “agir com o um hom em ” e parar de ser intim idado por Ivé. Em vão, pode-se presum ir.
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Hoj e eu experim entei um a iguaria tradicionalm ente francesa cham ada andouillette, que é um a salsicha feita de intestinos de porco (tripas). Estou determ inada a investigar todas as com idas que eu reflexivam ente evitei quando era m ais j ovem , m as eu continuarei a evitar esta. Um a vez cortada, a salsicha desfazia-se em pedaços cuj o desenho original era evidente dem ais. Resum idam ente, a textura era revoltante. Aventuras culinárias só podem ir até certo ponto.
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Ontem percebi que um apartam ento alugado significa um a m esa de Natal sem ornam entos. Então, m e aventurei em um a loj a chique e com prei cilindros para velas votivas pretos com um a estam pa de veludo preto de flor de lis. Ao chegar em casa, percebi que eles haviam sido idealizados por alguém com planos de aproveitar um a anim ada noite de substâncias ilegais, e não de cantar “Noite Feliz.” Eu tenho rem orso de ter feito com pras, que provavelm ente não é tão ruim quanto rem orso de tatuagem , m as ainda assim , dói.
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Depois de terem sido detidos pela neve, Anna, Alessandro, e m em bros da fam ília italiana chegaram às 22h30 da noite passada. Anna atravessou a casa correndo, indom ável com excitação quando viu a árvore e os presentes. “Não olhe!” eu esbravej ei. Ela m e contou por telefone, da Itália, que agora gostava de Barbies. Eu fiquei surpresa porque ela nunca havia dem onstrado interesse antes, m as, após pesquisar quarenta bonecas, escolhi um a e alguns sapatos sobressalentes, um a vez que eu sem pre adm irei a coleção de sapatos da Barbie.
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Em sua prim eira noite em Paris, parecia que Milo estava planej ando dorm ir na cam a de Luca (ele costum ava ser o cachorro de Luca). Mas, para a consternação de Luca, no últim o m inuto, Milo sacolej ou-se para ir dorm ir em sua alm ofada de veludo verm elho, no chão perto da cam a de Marina.
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O seguinte bilhete – reproduzido abaixo sem qualquer correção – foi entregue em m ãos por Anna durante a m anhã, antes do café: “Querida Mam ãe, eu não gosto de Barbies. É por isso que antes de você m e dizer que pudia, eu olhei e sacudi o presente que você e papai m e deram . Me DESCULPAAA! POR FAVOR, ME PERDOA!”
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Hoj e Marina disse que quer com prar um a capa de chuva de presente de Natal para Milo. Então, a fam ília – sans Milo – foi para um a loj a no Marais onde se vende apetrechos para cachorros pequenos. Anna pegou um a pequenina confecção rosa com acabam ento de pedraria (eu devo adicionar que Milo é agressivam ente m acho, e gosta de atacar cachorros com quatro vezes o seu tam anho). Escarnecendo o estereótipo m enininha, Alessandro perguntou se a capa vinha em tam anho m aior. O com erciante perguntou sobre a raça de Milo para poder escolher o tam anho apropriado. “Não, não, ele não é do tam anho de um Chihuahua,” Alessandro disse a ele. “Ele está m ais para o tam anho de um buldogue.” O com erciante parecia quase reprovador, e apontou para três ou quatro capas no canto: o departam ento de tam anhos grandes. Destas escassas opções, escolhem os um a capa de chuva transparente com um alegre acabam ento roxo.
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É 23 de dezem bro e m e sinto taciturna. Eu não quero que a tem porada de Natal acabe, porque é a única época em que posso legitim am ente ceder a um vício particular: purpurina. Em que outra época se pode dispor de 14 potes de areia brilhosa, purpurina em form a de estrelas, cola com purpurina? Só em dezem bro o chão em torno da m esa da cozinha brilha na luz do sol e o cabelo de um a criança reluz – não, cintila – com o se pó de fadas estivesse se prendido nas m echas.
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No dia de Natal, eu cozinhei duas vezes: prim eiro, um enorm e ganso que havia sido escaldado e secado ao ar livre por dois dias, recheado, e servido em m olho m adeira com chalotas; depois, tarde da noite, um risoto m uito sim ples, do tipo que posso fazer com os olhos vendados. O ganso perdeu para o risoto, de longe, ainda que sua pele crocante tivesse sido perfeitam ente acentuada pelo m olho m adeira, que contrabalanceou o toque selvagem conferido pela ave. Tenho dificuldades em lem brar que, só porque um prato tom a seis horas na cozinha, não quer necessariam ente dizer que vai agradar os m eus convidados m ais do que um a receita fam iliar bem feita.
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Decidi destacar alguns m om entos deste Natal e tentar, conscientem ente, preservar as m em órias. Aqui vai um deles: em um a cozinha cheirando a ganso assando, Alessandro m e encontrou sozinha e aproveitou a chance para m e beij ar e m e agarrar entusiasticam ente.
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Um a parte im portante de se preservar m em órias é deliberadam ente deixar algum as desaparecerem . Edição cuidadosa, se você preferir. Eu planej o esquecer o m om ento em que m inha cunhada analisou a m esa de Natal e disse, “Você esqueceu que eu não com o carne?” (Isto, depois de ter com ido quantidades enorm es de prosciutto no alm oço.) A m esm a coisa pode ser dita de quando ela pegou seu prato e despej ou seu purê de batata doce no prato da sua m ãe, dizendo, “Eu geralm ente gosto de purê, m as deste... não.”
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Nesta m anhã, fom os à m issa na Catedral de Notre Dam e, que incluía dois bispos, m ais incenso do que um a festa hippie, e gloriosa m úsica de coral. Eu confisquei a boneca Skipper de Anna (sabe? A irm ã m ais nova da Barbie) em um determ inado m om ento, e percebi apenas após tom ar a Com unhão que a cabeça rosa e loira da Skipper estava escapulindo da m inha bolsa e balançando altar abaixo com igo.
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Em bora Alessandro tenha com prado três suéteres pretos antes do Natal, m eu presente – um suéter preto – foi m uito bem sucedido. Meu m arido em pregou precisam ente as m esm as diretrizes que eu quando ao escolher o seu presente: ele com prou um a enorm e e m aravilhosam ente pesada panela Staub para m im . Ele escolheu a preta.
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Estam os todos horrorizados ao descobrir que a capa de chuva transparente, originalm ente destinada para um buldogue francês, não cabe no am plo torso de Milo. Não é possível aj ustar a capa. Marina foi forçada a concordar que talvez Milo deva voltar para a sua dieta. Constantem ente apontam os os cachorros esbeltos e cheios de vida que trotam pelas nossas cam inhadas m atinais: pelo visto, nem as m ulheres francesas, nem seus cachorros engordam .
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Descobrim os um a loj a de m içangas e m ateriais para bij uterias, Tout à Loisirs, no Marais. É distribuída em um a série de nichos; à esquerda, cada nicho é diferenciado pela cor. Apaixonei-m e pelas m içangas de vidro veneziano azul com linhas pretas. À direita, os nichos representam diferentes países: por exem plo, contas indianas de todas as form as e tam anhos, incluindo pingentes brilhantes de divindades indianas sorridentes. Nós com pram os pequenas borboletas com asas translúcidas, flores feitas de m etal extrem am ente fino, e cam afeus com cabeças do século XVIII.
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Estou exaurida perante a pressão de cozinhar duas refeições por dia para a fam ília agregada, então, na noite passada, m inha própria fam ília próxim a j untou-se a m im na cozinha. Eu fiz risoto (agora, um pedido de todas as noites do contingente italiano da fam ília); Anna picou; Alessandro lavou e – ta-dam ! – Luca pesquisou com o cozinhar costeletas de porco no Google e em seguida criou suculentas costeletas de porco em panadas. No j antar, todos nós o elogiam os e depois falam os de outras coisas. Vinte m inutos depois, ele disse, “Vam os falar m ais sobre as m inhas costeletas de porco! Esbanj em elogios à m inha pessoa!” Bem vindo ao m undo do trabalho dom éstico não reconhecido, querido.
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Paris apresenta dificuldades estruturais para as pessoas com necessidades especiais, com o, por exem plo, calçadas estreitas e pavim entação de pedras. Contudo, estas dificuldades inevitáveis são am enizadas pela gentileza: quando em purram os a cadeira de rodas de m inha cunhada em direção à porta da Notre-Dam e, nos deixaram passar direto pela fila de pessoas esperando para entrar na catedral e sentam os bem abaixo do altar. Entrando na lanchonete de um a loj a de departam ento cheia de pessoas atropelando-se em corredores lotados para pegar assentos, fom os instantaneam ente levados para um a m esa livre. Garçons de um café ao ar livre no Cham ps-Ély sées abriram passagem e reconfiguraram elaboradas fileiras de assentos para acom odar a cadeira dela.
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O teto arqueado do Marché Saint-Quentin é feito de vidro, e ontem à noite percebem os que suas fileiras de luzes de Natal azuis e brancas refletem contra o céu escuro da noite, com o se os céus revelassem que ostentam rodovias m ovim entadas de estrelas apressadas. Anna rem endou m inha descrição: os céus ostentam rodovias estreladas e gasosas.
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Eu cozinhei peito de pato para o j antar, o m arinei prim eiram ente em vinho tinto e alho, e depois o selei em um a frigideira com um a pera e m olho Grand Marnier. Mais tarde, Luca, que despej a ketchup em tudo desde batatas fritas até escargots, levantou seu vidro fechado de ketchup no ar e anunciou: “Você sabe o que isso quer dizer, m ãe?” Sim , eu sei. Quer dizer que em algum lugar, em algum a parte rem ota do m undo, um porco acabou de levitar graciosam ente e voou em volta de seu curral, é isto que quer dizer.
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Um a fileira de m ansardas elegantem ente estreitas brotam do edifício do outro lado do m eu escritório. Por vezes, um a m ulher cadavérica com belas m açãs do rosto e lustrosos cabelos pretos abre a sua j anela e debruça-se para fora, fum ando e batendo as cinzas nas telhas. Hoj e ela está usando um vestido verm elho e parece que ela pertence a um rom ance do século XVIII, do tipo em que heroínas encontram um triste fim .
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Ontem foi noite de Ano Novo, então, a fam ília bebeu cham panhe e com eu ostras na concha. A m ãe de Alessandro tolerou o cham panhe, apesar de ter falado que a versão italiana, prosecco, é m elhor para a digestão. As ostras haviam sido catadas naquela m anhã, e ainda tinham rem iniscências do sabor m arcante do m ar, com o a m em ória de um m ergulho salgado na infância. À m eia noite, a Torre Eiffel explodiu em um banho de faíscas, e 2010 passou por debaixo da porta.
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No final da nossa rua, há um excelente restaurante kosher, Les Ailes. Na prim eira vez em que alm oçam os lá, no outono, ficam os fascinados com um casal de m eia idade, que rapidam ente decidim os que eram am antes casados com outras pessoas. Eles reclinavam próxim os um ao outro, com endo com um ar de ardor e excitação. Passado o tem po, e outros alm oços, nós concluím os que Les Ailes é um parque para estripulias adúlteras; sem pre conseguim os achar casais no salão que se qualificam para tal. Mas ontem , escapando de nossa casa cheia de parentes, eu percebi que Alessandro e eu provavelm ente parecíam os am antes adúlteros, eufóricos com a liberdade e encantados com a com ida que não havíam os cozinhado.
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Na França, os escoteiros m irins são organizados por paróquia. Esta m anhã, as tropas de m eninos e m eninas estavam sentadas na nossa frente na igrej a, vestindo pequenos chapéus com cruzes azuis e berm udas longas, apesar de estarm os em um a fase fria do inverno. Nossa vizinhança é m uito m ulticultural, m as estes escoteiros pareciam um anúncio francês da década de 1940: caucasianos, perfeitam ente alinhados e com portados, usando suas boinas e cachecóis verm elhos com um ar inconsciente porém distinto. O ar retrô destes escoteiros hom ogêneos não é inteiram ente atraente.
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Após cuidadosa inspeção, esta m anhã Marina decidiu que Milo havia engordado desde que chegou a Paris. Isto causou um a crise, aum entada quando Anna confessou que Milo acabara de afanar e com er um telefone celular de chocolate. Ao contrário de tudo que j á havíam os escutado sobre a toxicidade de chocolate para cachorros, Milo segue bem disposto e vigoroso, sem m encionar fam into. Ele realm ente ganhou m eio quilinho parisiense e não será m ais agraciado com o prosciutto das festividades.
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Na vitrine da Em anuel Ungaro, a m anequim posa de costas para os transeuntes, acenando para um colega invisível. Ela veste um rosa shock im prudente, um a longa faixa de seda que deixa a m aior parte das suas costas expostas. Em vez de abertam ente vender o vestido, a dem onstração sutilm ente nos lem bra que estam os no escuro com os narizes gelados e pés cheios de neve, e, em algum lugar... onde ela vive... o ar em si exala luxo.
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Anna na banheira, discutindo sobre a hora de dorm ir. “Por que,” ela quer saber, “Luca pode ficar acordado até as dez horas e eu não posso?” “Porque ele tem 15 anos,” eu digo, “e quando ele tinha 11 anos, ele tinha que ir para a cam a às oito tam bém .” “Com o você sabe?” ela quer saber. “Porque eu sou m ãe de vocês dois!” “Talvez você não sej a,” ela ressalta. “Você pode ser apenas um a m ãe disfarçada.”
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Faz tanto frio em Paris que eu vou constantem ente à cozinha e abro um pouco o aquecedor, de form a a encoraj á-lo a aquecer as m inhas m ãos. No m etrô, hoj e de m anhã, percebi que as m ulheres estão se adaptando adicionando um cachecol extra. Um a m ulher usava um de seda com flores bordadas perto do seu rosto, e outro de tricô cor de rubi, quase um xale, que ela colocou em volta dos seus om bros.
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Anna tem um a posse prem iada: um a m inúscula borracha rosa em form ato de ham ster, dada de presente pelos prim os de Michigan. “Vej a bem ,” Anna explicou, “todo m undo am a esta borracha porque não há nada igual em Paris.” Oh, estes parisienses carentes. Pelo visto, de todas as crianças, Dom itilla é quem m ais am a a borracha. “Ela disse, ‘Eu a am o, eu a am o, eu a adoro, por favor, posso brincar com ela?’” Anna contou. “E?” eu incitei, esperançosa. Anna m e olhou com desdém .
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Na noite passada, fizem os um j antar e convidam os o parceiro de conversação de Alessandro, Florent, e eu finalm ente o conheci. Ele é absolutam ente encantador – alto, esguio, m uito bonito, e m uito, m uito francês. Ele tem cabelo castanho e belos olhos verdes. E ainda m ais, ele ensina idiom as e literatura na para alunos do ensino fundam ental e realm ente gosta de adolescentes. Eu acho que ele é perfeito e poderia o apresentar a um a série de am igas solteiras nos Estados Unidos. Mas Alessandro diz que o coração dele pertence à garçonete italiana.
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Dada a m inha resolução de Ano Novo, que foi adquirir um nível de elegância parisiense rapidinho quanto quem rouba galinhas, achei apropriado ir às com pras. Hoj e é o com eço das liquidações sem estrais nas loj as por toda Paris. O governo francês perm ite apenas duas liquidações por ano, regulando as baixas de preço tanto em loj as de departam ento quanto, por exem plo, nas loj as da m oda (e caras) na rue du Fabourg-Saint-Honoré. Você viu o evento de vestidos de noiva da Filene’s Basem ent na televisão? Adicione os seguranças das liquidações de “Black Friday ” do Walm art, contendo as hordas para que com erciantes inocentes não sej am literalm ente pisoteados até a m orte. Eu envelheci cinco anos na Galeries Lafay ette, então não sei se m inhas botas pretas novas vão ter m uito uso.
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A cam inho do Marché Saint-Quentin, passam os por um a loj a com caixotes de diferentes variedades de ostras arrum adas na vitrine. Três senhores calej ados estão de pé atrás do balcão; eles vestem luvas grossas e abrem ostras. Isto dem anda força física surpreendente: eles puxam as conchas enrugadas defensivas e abrem -nas com o travessas, fazendo piadas entre si o tem po inteiro.
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Precisam os devolver a pequena capa de chuva chique que não pode ser aj ustada em volta do torso rotundo de Milo, m as, enquanto isso, Anna tem brincado com ela. Ela o enrolou em volta da cabeça, e o am arrou no queixo. Ela diz que é um capacete de solda e que ela é “Anna, O Agente Secreto.” Perguntei a ele o que O Agente Secreto estava fazendo, e ela disse que estava “buscando o incrível”: isto quer dizer, tentar invadir o quarto de Luca, território estritam ente proibido para irm ãs m ais novas.
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Para o Natal, m inha m adrasta m andou um deslum brante chapéu para Anna: tricotado a m ão em Minnesota, de lã roxa irregular com contas de m adeira. No topo, há um a pequena borla com um a conta na extrem idade. É um a criação adorável que m e lem bra dos chapéus usados por elfos noruegueses nos livros ilustrados de crianças. Eu achei em ocionante, e m e deu um pouco de saudade de casa, olhar para a estação de m etrô lotada e ver esse pedaço de artesanato de Minnesota flutuando por Paris.
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Levam os Milo para a requintada loj a de vestim entas para cachorros para garantir um a capa que coubesse nele. Lam entavelm ente, tivem os que fazer a concessão estética com parado ao acabam ento roxo: a única capa que cabe no nosso cachorro obeso é de estam pa cam uflada verde, aparentem ente destinada a um cachorro sendo vestido para um a operação param ilitar. Marina ficou extrem am ente encantada com um par de botas em cor de rosa intensa. Milo não liga m uito para seu novo casaco, e eu detesto pensar em qual seria a sua reação às botas.
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Luca com eçou a fazer aulas noturnas de francês duas vezes por sem ana. Porque ele é bilíngue, ele tem um sotaque lindo, m as ainda está m uito atrasado em relação ao restante da sua classe do nono ano, cuj a m aioria dos alunos tem pelo m enos um pai francês. “Com o são os outros alunos?” perguntam os no j antar. “Mais velhos,” ele disse, com um sorriso m alicioso, e depois recusou-se a dizer qualquer coisa além de que as vidas deles eram m ais interessantes do que a dele próprio.
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Ontem m e aventurei novam ente na Grande Liquidação. Encontrei-m e em um vestiário ao lado de um a adolescente que alegrem ente levava sua m ãe à loucura experim entando roupas sensuais. “Oh, là là!” a Mam an gritou; pela sua descrição, a saia era tão curta que batia nas axilas de sua filha. O próxim o visual não foi m uito m elhor. “Oh, là là!” a Mam an exclam ou. “Oooh, là là!” O m eu próprio adolescente, Luca, hoj e saiu com sua postura encurvada para ir à escola hoj e com o cabelo parecendo um a escova de vaso sanitário; é tão bom saber que adolescentes são iguais em todo o m undo. OOOH, LÀ LÀ, de fato.
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O enorm e departam ento de lingerie do Le Bon Marché estava cheio de m ostruários com descontos, m ulheres os revirando tão avidam ente quanto se estivessem procurando pelos seus prim eiros am ores em um a caixa de fotografias velhas. Eu descobri que m ulheres francesas usam calcinhas de cetim rosa plissado, renda branca requintada, e seda translúcida aperolada, m as elas não usam algodão. Eu saí da loj a de m ãos vazias, incapaz de desgarrar-m e das m inhas calcinhas Jockey s for Her por estas deliciosas confecções laváveis apenas a m ão. Ainda assim , encontro-m e pensando sobre os sutiãs... talvez sej a a hora de dar as costas ao algodão.
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Paris está despertando um dos pontos de atrito no m eu casam ento. Nosso apartam ento foi construído no século XVIII, e as j anelas são originais. Brrr. Alessandro dim inui a calefação; eu a aum ento novam ente. Ele diz que a conta da calefação vai nos em pobrecer, m as eu insisto em estar aquecida. Nós tem os esta batalha há dezesseis anos. Espero que ainda a tenham os por m uitos anos a fio.
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Milo é um cachorro com um paladar não discrim inatório; hoj e ele despedaçou – e depois ingeriu – um a m am adeira de plástico de um urso de pelúcia que ronrona. Anna tem se lançado pelo apartam ento anunciando m elodram aticam ente que agora o seu bebê vai passar fooome.
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Luca m e disse que não queria fazer a sua lição de casa “porque não há razão porque em 2012 todos nós serem os pulverizados,” e ele terá j ogado o seu tem po fora com a escola. Eu perguntei onde ele soube desta inform ação crucial e apavorante, e ele adm itiu “pessoas m alucas na internet. Mas,” ele adicionou, “pessoas m alucas costum am estar certas.” Cruelm ente, eu continuei a arruinar seu breve tem po na Terra insistindo que ele estudasse os rom anos.
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Ontem , o solo de canto do nosso padre durante a m issa oscilou entre altos e baixos; algum tem po depois, ele repentinam ente soltou um a frase sobre a im portância do batism o, disse que ele estava doente, e saiu. Nos Estados Unidos, a congregação teria im ediatam ente com eçado a conversar entre si. Mas os franceses são extrem am ente com postos; a igrej a inteira aguardou silenciosam ente e, cinco m inutos depois, outro padre adentrou, anunciou que estava tudo bem , e tranquilam ente retom ou o serm ão sobre batism o.
23 N.T. O adj etivo scrooge pode ser traduzido com o avarento. A autora utiliza a referência de Ebenezer Scrooge, que é o personagem principal de “Conto de Natal”, de Charles Dickens, e m ais tarde serviu de inspiração para o personagem “Tio Patinhas”, por sua ganância e avareza.