Paris Apaixonada
Vertigem
Esta m anhã, a neve estava caindo ligeira na rue du Conservatoire, inclinada de lado, transform ando os telhados de ardósia cinza na cor do leite. Debrucei-m e sobre a j anela do m eu escritório, ociosam ente pensando sobre com o as crianças fervorosam ente am am a neve, quando percebi que estava encarando um grupo de m ulheres parisienses na rua abaixo, ocupadas na veloz troca de beij os de um cum prim ento invernal. Tendo crescido em um a fazenda, nós enfrentam os tem pestades de neve em casacos volum osos (preferencialm ente em laranj a cham ativo, para m elhor evitar ser alvo de um caçador que tenha m atado um a caixa de cervej as em vez de um anim al); estas m ulheres vestiam casacos escuros firm em ente am arrados em torno de suas cinturas finas. Quando dobravam -se um as em direção às outras, bicando-se com o pardais m aníacos, seus cachecóis brilhavam em m agenta, lilás, dourado esm aecido. Do m eu ponto de vista, bem acim a delas, pareciam habitantes de um m undo diferente, tão diferentes de m im quanto um bando de pavões é de um peru.
Certo ano, quando tínham os ainda m enos dinheiro do que o de costum e,
m inha m ãe retirou as cortinas da sala de j antar, que era estam pada com barcos a vela do século XV, e fez vestido de volta às aulas para m im e para m inha irm ã. Mesm o que o contingente politicam ente correto fosse levar m ais de m ais vinte anos para transform ar Cristóvão Colom bo de santo para dem ônio, eu era um a precoce adepta do clube do Ódio-ao-Conquistador, graças a ter sido forçada a usar a Niña, a Pinta, e a Santa Maria durante todo aquele ano, fizesse chuva ou fizesse sol.
Os parisiennes da m inha rua nunca se vestiram em cortinas de sala de
j antar. Era possível perceber. No m om ento em que eu perm iti essa certeza fixar-se na m inha cabeça, cenas infortunas dos m eus anos de ensino m édio acenderam em m inha m em ória com o um program a de TV horrível dos anos 1970. Minha festa de form atura aconteceu em um a cascalheira, em bora eu não lem bre da festa tão vividam ente quanto lem bro do vestido que usei – lam entavelm ente, percebo que isto é verdade em m uitas ocasiões. Eu consegui o dinheiro para com prá-lo trabalhando com o garçonete no DeTroy ’s Supper Club. O gerente nos fazia vestir saias de poliéster no m odelo dirndl e blusas brancas que deixavam os om bros à m ostra; parecíam os im itações de m em bros da fam ília Von Trapp. Peguei dinheiro que recebi pelo trabalho de garçonete e com prei um vestido de form atura no tom exato de rosa que m ais iria contrastar com o m eu cabelo. Meu acom panhante m e trouxe um buquê de rosas sem im ortas. Precisei acom odá-las na dobra do m eu cotovelo, m as seus botões escorregavam do m eu braço com o um a m ulher bêbada sendo carregada para a cam a.
Ao longo dos anos, tentei explicar para Alessandro com o foi crescer em
um a fazenda no Centro-Oeste am ericano, nos arredores de um a cidade pequena de 2.242 habitantes. Ele nunca conseguiu com preender por com pleto. Ele cresceu em Florença, na Itália, e sua experiência nos, e com os, Estados Unidos é em grande parte lim itada à Costa Leste. Adem ais, ele tem um j eito irritante de tentar superar as m inhas histórias. Se eu descrevo o dram a de circular no ginásio com um vestido cor de salm ão ao som dos m elódicos acordes de “Stairway to Heaven”, ele rebate com um conto sobre um a viagem de fam ília à Suíça.
Sendo assim , quando recebi, há alguns anos, um convite para a reunião de
25 anos de form atura do ensino m édio, pareceu o m om ento perfeito para o apresentar ao m eu passado. Chegam os em Madison e descobrim os que a população havia sido reduzida a m enos da m etade. Havia um a cam inhonete no m eio da rua principal e – não estou brincando – bolas de feno rolando em nossa direção. Encarei Alessandro para m e certificar de que ele havia entendido o sim bolism o, m as seu rosto estava brilhando, regozij ando-se na possibilidade de que pistoleiros pudessem pular dos fundos do Shear Salon, com o em film es de spaghetti western com os quais ele crescera.
A reunião em si aconteceu no salão do VFW (sede dos Veteranos das
Guerras Internacionais/fora do território dos Estados Unidos), que ficava em um porão. Convenci-m e de que seria tudo diferente. Eu era um a professora universitária agora, sem m encionar autora da lista de m ais vendidos do The New York Times. Eu poderia ficar de cabeça erguida; m eu fracasso em entrar na equipe de torcida organizada estava para trás. Mas, infelizm ente: a dolorosa cam ada de hum ilhação que m e atorm entou no ensino m édio voltou a galope no m om ento em que vi os m esm os agrupam entos de pessoas, ainda conversando j untas, duas décadas e m eia depois. Em bora, certam ente, os assuntos da conversa tivessem m udado. “Ela disparou a espingarda contra o teto”, um dos m eus colegas de classe sussurrou. “Ela esperava atingir o inútil do m arido dela – ele estava tendo um caso na sua cam a – m as, em vez disso, ela acertou o xerife. Pegou bem no pé dele.” Eu estava abrindo a m inha boca para perguntar o que o xerife estava fazendo no quarto da agressora, m as ela j á havia prosseguido. “Você ouviu falar de Lindsay -Ray, não ouviu?” Balancei a cabeça em negativa. “Ela foi m orar com sete ou oito hom ens gay s em Minneapolis,” ela disse, “e então engravidou. Tipo um a gravidez m ilagrosa, né não?” As bebidas eram vodca com um toque de suco, e Alessandro ficou bastante alegre, periodicam ente voltando para onde eu estava para m e contar sobre suas conversas com um levem ente ébrio Garrison Keillor. “Você conversou com a m ulher que j á tem seis netos? Incrível!” Ele balançou a cabeça com descrença. Mal estávam os nos recuperando do treinam ento de banheiro das crianças, de form a que ele não havia notado que a procriação pode com eçar cedo.
Após o que pareceram outros quatro anos de sofrim ento, deu-se início à
program ação da noite. Um integrante da classe que agora era prefeito de Madison com eçou a entregar prêm ios. Eu honestam ente não consigo lem brar por que ganhei um prêm io; assim com o na form atura, um detalhe de indum entária ofuscou o evento principal. Quando cheguei na frente do salão, fui presenteada com um a cueca enorm e e em porcalhada gram peada em duas ripas de m adeira, com um a corda pendurada na parte de cim a. Um a “Bolsa Norueguesa”, o prefeito a nom eou. Eu carreguei este obj eto de volta à nossa m esa, tentando sorrir na esportiva.
Finalm ente, finalm ente, finalmente, eu vi na expressão de Alessandro o que
deveria ter estado lá o tem po todo: puro horror. “Eles lhe deram isto porque você escreve livros rom ânticos?” ele sussurrou. Eu não faço ideia. Na verdade, eu nem consigo lem brar o que aconteceu depois. Talvez todos no salão tenham ido em bora com bolsas norueguesas; talvez o com itê da reunião tenha ficado acordado a noite inteira gram peando as roupas de baixo dos seus avôs em pedaços de m adeira. Antigam ente, eu sabia instintivam ente que eu nunca m e encaixaria ali – e eu culpara m inha m ãe e aqueles sacos de batatas feitos das cortinas da sala de j antar. Mas à luz da m inha bolsa norueguesa, estou inclinada a perdoá-la.
Ela queria que fôssem os dam as, que deixássem os Madison e criássem os
nossos filhos em algum lugar onde ninguém tenha ouvido falar de um a bolsa norueguesa. Ultim am ente, tenho um cachecol m agenta e botas pretas de salto alto. Eu m oro do outro lado do oceano que Minnesota. Eu sobrevivi ao ano que passei vestindo a cortina da sala de j antar, e vivi para contar a história.
As m ulheres abaixo do m eu escritório haviam parado de beij ar-se e
haviam , cada um a, seguido os seus respectivos cam inhos. E a neve continuava caindo, daquele j eito direcionado e intenso que a neve cai em Minnesota e, ao que tudo indica, em Paris tam bém .
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Muito chocolate e pão com casca crocante... determ inei que preciso subir as escadas para o nosso apartam ento no quarto andar um a vez por dia. Com apenas um apartam ento por andar, este tipo de invasão é novidade para o cachorrinho que vive abaixo de nós. Ele com eça a rosnar quando o m eu pé toca o prim eiro lance da escada; no segundo andar, ele j á está latindo; no terceiro, ele está alucinado. Quando abro a porta de casa, estou ofegando intensam ente, e im agino que ele tam bém estej a, exaurido por sua interpretação ensandecida de Paul Revere que ninguém escuta além de nós dois.
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A neve na ardósia cinza escura do outro lado da j anela do m eu escritório parece pelo branco preso no teto, com o se a casa estivesse cultivando um casaco protetor contra o ar gelado. Mas estou conhecendo Paris agora: à tarde, um sol frio em erge. A neve-pelo vai cair, e a água vai correr pelos bueiros em baixo da rua.
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Guardando as com pras e disparando com andos dom ésticos, eu desencaixei a form a de gelo, e cubos escorregaram por todo o chão. Alessandro abaixou para os catar, m as um a brecha no contínuo espaço-tem po interveio e ele foi transportado para a idade de 9 anos. Encontrei-m e tentando lutar contra um m enino insolente que enfiava gelo pelo m eu pescoço abaixo.
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Esta m anhã, andei pela rue du Cléry, onde as frentes das pequenas loj as m ostravam nada além de rolos de tecido, construindo castelos rústicos com o se fossem toras de m adeira. Enquanto eu cam inhava, as loj as tornavam -se m ais elegantes, e os tecidos m udavam de poliéster colorido para linho cor de crem e e seda delicada. Não m ais em pilhados com o toras de m adeira, estes rolos ficam eretos sobre suas pontas, com um drapeado de tecido exposto ao lado para exibir fulgurantes flores verm elhas, ao lado de um rolo de tweed lilás escura próprio para um lorde escocês avançando sobre a um cam po de urze.
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No lado m ais m edíocre da rue de Cléry : um a loj a de rendas com m ilhares de am ostras em ergindo de arm ários que cobriam suas paredes estreitas. Perto da porta estão as rendas cor de caqui e de açafrão, com m inúsculos espelhos. Apertados ao lado, estão carretéis de renda preta costurada com pérolas em form a de lágrim as, babados acobreados, e acabam ento de pele (supostam ente) falsa de arm inho, extravagante porém divertido.
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Um a grande reform a com eçou no apartam ento acim a do nosso. Na cozinha, tem os o que os especialistas cham am de lum inária de cúpula chinesa, com form ato de cone largo e raso. Acabam os de descobrir que há água escorrendo constantem ente pela fiação e pela cúpula, caindo em linha reta com o um a tira de festão. Alessandro correu escada acim a e voltou com o m estre de obras. Ele entrou na cozinha, tom ou nota da situação, e disse, “Não acenda esta luz – ela pode não funcionar”.
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Pode haver destino m ais cruel do que ter que fazer dieta em Paris? Não estou dizendo que m e arrependo de todo aquele crème fraîche, porque eu não m e arrependo. Mas a não ser que eu com pre um arm ário inteiro novo, eu preciso praticar algum a restrição. Eu ouvi dizer que as m ulheres francesas tom am m uita sopa de alho poró (não do tipo crem osa) quando elas precisam perder peso. Eu sim plesm ente escrevo tudo que eu com o. Resum idam ente: em agreço por vergonha, em vez de pela dieta do caldo de alho poró.
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O céu está intensam ente azul e sem nuvens, no entanto, de algum a form a, pequenos flocos de neve caem por fora da m inha j anela. Eles flutuam indo de um lado a outro, parecendo fofos e indecisos, com o se pertencessem a outra parte do m undo e estivessem caindo aqui por acidente.
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Anna revelou, cinco m inutos antes de ir dorm ir, que seu professor de m úsica brigou com ela até que ela prom etesse praticar a flauta doce. “Mas eu esqueci,” ela disse, encolhendo os om bros. “Agora ele vai brigar com igo de novo.” “Onde está a flauta doce?” perguntei. “Você pode praticar agora!” “Mamãããe,” ela disse, revirando os olhos, “está no m eu escaninho, na escola, onde sem pre fica. Se eu a trouxesse para casa, poderia perdê-la.” Lógica realm ente im pecável.
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Minha desculpa para o m eu francês ruim é que a m inha cabeça está cheia de
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palavras em inglês. Eu gosto de pensar sobre as nuances delas. Tom e gay com o exem plo. É um a pena que tenha perdido o seu significado original; para m im , ela tem um tipo de alegria de festão, com o dançar valsa no convés do
QE2 25, ou a sensação da m úsica de swing, tocada em um ritm o frenético e dançada por soldados voltando do fronte.
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Milo ainda am a Luca – seu dono, originalm ente – apesar de ter ficado bastante claro que Milo não é um cachorro de m enino, um a vez que suas atividades preferidas são com er e dorm ir (nesta ordem ). Luca fez um a m úsica quando Milo era um filhote gordinho, que é m ais ou m enos assim , “Milo, precioso Milo, doce e suculento, m acio Milo...” Ele ainda a canta, em bora Milo tenha agora o tam anho de um a foca adolescente. Não se pode colocá-lo no colo, então Luca deita no chão, sua cabeça na barriga do Milo, e canta para ele durante os com erciais da televisão.
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Voltando das com pras para casa, tentei com pensar a tortura de andar penosam ente com as sacolas de com pras e dedões congelados com a visualização da m em ória de deitar nos m usgos da floresta de Minnesota, com sam am baias encaracoladas balançando sobre a m inha cabeça e um cheiro doce e quente do crescim ento e da terra preta ao m eu redor.
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Com o Eu Sei Que Casei Com o Hom em Certo: Na noite passada, fom os ao cinem a, onde assistim os a “Sim plesm ente Com plicado”, com Mery l Streep. Tivem os que nos sentar com duas pessoas entre nós por causa de um a m ulher extraordinariam ente m al educada, que recusou-se a pular um assento. A princípio, fiquei irritada, m as enquanto o film e passava, eu percebi que podia ouvir Alessandro rir, quase com o se ele fosse um estranho para m im . Nós rim os – histericam ente – sem pre nos m esm os m om entos. Geralm ente, eu não percebo isso, porque ele está bem ao m eu lado, m as ontem à noite m e dei conta de com o é m aravilhoso estar casada com alguém cuj o senso de hum or segue tão precisam ente o m eu.
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Em Nova Jérsei, Padre Mahoney vestia um a batina preta sobre a sua barriga, adicionando, ocasionalm ente, um a casula roxa. Por outro lado, nosso padre aqui é Dior com anabolizantes. Hoj e ele vestia um a sobrepeliz branca com um acabam ento de trinta centím etros de renda feita a m ão e um a barra com acabam ento arredondado. Por cim a, ele vestia um a casula de brocado carm esim , adereçada com um a cruz de veludo verde escuro, adornada com bordados dourados contorcidos.
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Acabam os de chegar m uito perto de um a briga fam iliar sobre se Milo deveria ficar em Paris conosco durante a prim avera para passar por ainda m ais um a dieta (o que claram ente não vai acontecer na Itália). Marina disse que quando o deixam os em Florença há tantos anos atrás, ele sentiu-se abandonado por nós, e é por isso que ele com e dem ais. Ela é a Oprah dos donos de cachorros; tenho certeza de que ninguém ficará surpreso se ele for com ela para casa para m ais m im os.
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Ontem fui com um a am iga para o Musée Jacquem art-André, a casa de um casal do século XIX, ávidos colecionadores de arte. A coleção era espetacular; só a banheira j á valia o preço do ingresso. Meu quadro favorito era de um a j ovem m ulher sonhadora e sensual, por Jean-Honoré Fragonard. O pintor está a sua frente, m aliciosam ente levantando a sua saia com sua bengala. Se você está planej ando um a viagem a Paris, este m useu é im perdível – o café é adm inistrado por um a fam osa pâtisserie, Stohrer. Nicolas Stohrer trabalhou em Versailles com o pâtissier do Rei Luis XV; ele é fam oso por ter criado o adorado baba au rhum (bolo de rum ). Dieta suspensa para a ocasião, eu com i um pedaço, e acho que ele teria ficado orgulhoso.
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Fui arrebatada no m etrô por um casaco de chuva absolutam ente fantástico vestido por um a m ulher parisiense de nariz com prido na casa dos quarenta anos. Era de um preto brilhoso, com estam pa de pele de cobra, e am arrado nos pulsos e na cintura, com om breiras e bolsos grandes. Ela o usava com um lenço rendado e um chapéu de coco, angularm ente posicionado no lado da sua cabeça: Em m a Peel do seriado dos anos 60 “Os Vingadores,” com um toque gaulês.
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Com o Descobrir se Você Exagerou no Program a Politicam ente Correto: Ontem à noite, Anna m e disse, m uito seriam ente, que sua professora de italiano era racista. Aparentem ente, eles assistiram e discutiram Guerra nas Estrelas (cuj o valor educacional eu não consegui entender). “Você m e disse que nunca devem os descrever as pessoas pelas suas raças e depois falar coisas ruins,” Anna insistiu. E o que a professora estava debatendo? As raças alienígenas na cena do bar.
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Le Bon Marché é um a loj a de departam ento com um a m aravilhosa seção de alim entos gourm et. Im agine um balcão em pilhado de caixas rasas com ovos am arelos frescos transbordando pelas bordas. Em volta dos ovos, há caixas de papelão para ovos em cores sim ilares às de ovos de Páscoa... escolha os seus ovos, escolha um a caixa de pastéis coloridos, faça um belo om elete!
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Eu decidi adotar um estilo francês de dieta, sem incluir a sopa de alho-poró. Ficou claro que os pratos de j antar franceses são m enores do que os am ericanos, e os franceses com em porções m uito pequenas, evitando repetir. Alessandro tem reclam ado, pois tenho pedido refeições inteiras, e deixado boa parte para ele term inar. Eu acho que com er duas colheradas de crème brûlée é infinitam ente m elhor do que não com er nenhum a.
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Ontem , a classe de Anna riu dela quando ela com eteu um erro a fazer um a m ultiplicação com dois dígitos. E Luca esgueirou-se pela porta com os olhos baixos, seu teste de m atem ática coberto de verm elho. A escola italiana é m uito m ais difícil – e, portanto, m ais traum ática – do que a escola anterior deles em Nova Jérsei. Às vezes, não consigo dorm ir, pensando se fizem os a coisa certa ao vir para cá. Meus filhos herdaram a m inha (falta de) habilidade em m atem ática, e os algarism os são duplam ente m ais difíceis de serem calculados enquanto se fala italiano.
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Eu tendo a pensar em guarda-chuvas com o algo transitório, obj etos descartáveis que passam pelas m inhas m ãos para serem dispensados quebrados em latas de lixo, esquecidos em restaurantes, deixados em taxis, carros, aviões. Mas é claro que eles não foram sem pre descartáveis: no século XIX, eles eram feitos de seda, charm osos e com babados, e eram destinados a proteger a delicada pele de um a dam a do sol – e exibir seu refinado gosto. Em um a exibição de guarda-chuvas históricos, ficou claro que renda, talvez com duas cam adas de folhos, eram um a tendência.
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Na vitrine do Le Bon Marché, há enorm es gaiolas douradas penduradas do teto. Canários falsos pousam em poleiros por fora das grades. E as gaiolas acom odam bolsas da Louis Vuitton. A gaiola m aior tem um a lindíssim a bolsa azul m arinho, sua superfície com estam pa em alto relevo e brilhosa. Um canário am arelo senta do lado de fora, cabeça em pinada para encarar a bolsa, que é (presum ivelm ente) bonita dem ais para voar livrem ente e deve viver em um gaiola dourada, em vez disso.
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Marina disse hoj e que a prim eira coisa que ela planej a fazer ao voltar para Florença é achar um novo veterinário. Aquele veterinário repugnante que disse que Milo está obeso, ela falou, é novo dem ais e não entende os problem as em ocionais de Milo. Tom ando a vida do cachorro em suas m ãos, Alessandro ressaltou que j á era o terceiro veterinário e m ais recente a espalhar calúnias sobre o peso de Milo, e que o núm ero m ais im portante a se m anter em m ente não eram os anos de vida do veterinário, m as sim os que apareciam em suas balanças.
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A cam inho do j antar, Alessandro e eu passam os por quatro adolescentes sentadas j untas perto de um aquecedor, cuidadosam ente batendo a bituca de seus cigarros na grade do aquecedor, tentando parecer quase adultas. Mas suas vozes as traíam , subindo alto no ar com o a fum aça de seus cigarros, com o se aqueles canários do Le Bon Marché estivessem cantando no frio.
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Ontem à noite, Alessandro e eu fom os andando para o cinem a. No cam inho de volta para casa, passam os por um hom em sapateando, Duke Ellington escapava do seu aparelho de som . Ele usava um chapéu e tinha pernas longas e finas; seus pés batiam contra a calçada do boulevard Poissonière tão rapidam ente que era com o se um a aranha estivesse dançando com pequenos sapatos de sapateado.
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Apaixonei-m e pelas lustrosas paredes azulej adas do m etrô. A m aioria das estações têm seu próprio estilo distinto, desde o tem po de sua construção original, ao que parece. Na estação Madeleine, um a fileira de azulej os verde-água perolados estão esculpidos em baixo relevo, criando um a onda estilizada que corre por toda a passagem . A onda tom a a form a de um a com plicada estam pa em “NS”, cuj as iniciais representam a linha Nord-Sud, conform e foi nom eada em 1900. A estação Cité tem flores de quatro pétalas em um reluzente tom verde garrafa. A estação Concorde foi renovada há aproxim adam ente vinte anos, e a enorm e abóboda sobre o túnel da linha 12 está com pletam ente coberto de azulej os brancos, cada qual com um a letra preta. Lem bro de quando m eus filhos, ainda engatinhando, costum avam em baralhar ím ãs de geladeira em form atos de letras. Eu soltava gritos de exagerada alegria se a palavra gato fosse form ada; aqueles azulej os, no entanto, são infinitam ente m ais im pressionantes: eles com põem trechos da Declaração de Direitos do Hom em e do Cidadão, da Revolução Francesa.
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Perguntei a Alessandro se ele poderia com prar um pouco da espetacular m ousse de chocolate feita por um a confeitaria na rue Richer, que fica nas redondezas. Sua resposta: “Achei que você estivesse de dieta.” Estas seis palavras estão entre as coisas m ais im prudentes que ele j á m e disse nos longos anos do nosso casam ento.
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Ontem , para o prazer de Anna, Dom itilla foi expulsa de sala sem cerim ônias e teve que esperar sentada em um banco até que a aula acabasse (alguns m inutos). Infelizm ente, hoj e Anna saiu da aula de m atem ática para o m esm o banco. Eu salientei que talvez ela e Dom itilla fossem m ais parecidas do que Anna gostaria de acreditar. “Então, por que você foi expulsa da sala de aula?” perguntei. “Insubordinação” Anna respondeu de form a rabugenta. “Aquele professor não entende o m eu senso de hum or.”
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Hoj e sentei em um café e li o que Claude escreveu com parando a vida em Florença com a vida em Paris. Do seu ponto de vista, viver em Florença torna a pessoa espirituosa (“a m aioria das pessoas, eu acho”). Eu fiquei duvidosa, dada a contrária evidência dos florentinos na fam ília do m eu m arido. Em Paris, Claude escreve, “vive-se m uito velozm ente, com o um rato subm etido a terapia de oxigênio,” e é provável que se m orra aos trinta anos. Minha irm ã, a fonte de toda a sabedoria genealógica, m e disse que Claude nasceu em 1884, o que quer dizer que ele tinha 24 ou 25 anos quando m orou aqui, e que ele viveu apenas até os 42 anos. Talvez tenha sido por conta de todo aquele oxigênio parisiense.
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Alessandro acabou de voltar de sua troca de conversação: Florent está devastado. Ele entrou no Facebook e descobriu que o obj eto de sua adoração, a garçonete na Itália, trocou o seu status. Ela está “em um relacionam ento”! Florent diz, tristem ente, que ela fez questão de não contar para ele em pessoa, e que ele está m uito m agoado com seus m étodos esquivos. Eu acho que, dado o seu italiano precário e o francês inexistente dela, ela talvez nunca tenha descoberto a paixão dele, quem dirá suas honráveis intenções. No final das contas, ele não em pregou as frases rom ânticas que Alessandro o ensinou.
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Paris (e o nosso apartam ento) está tão escura e silenciosa nesta m anhã que eu sinto com o se estivesse com pletam ente sozinha. O céu está da cor de flanela cinza, a escuridão é quebrada apenas pela m ansarda de outra pessoa que tam bém m adrugou. A m ulher que m ora naquele sótão pintou as paredes de am arelo e a luz refletida rebate com o flor de açafrão na prim avera. Se a luz fosse som , a sua j anela estaria tocando um concerto.
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Hoj e passam os por um a vitrine que revelava um côm odo cheio de m anequins despidos com (com o Anna apontou) m am ilos, sem m encionar silhuetas m uito idealizadas. Eles estavam conversando em grupos, e dem onstrando com o eles podiam levantar um de seus braços, ou girar para o lado. Só um m anequim estava vestido com um vestido de festa preto e curto, e um a peruca de cachos pendentes. Ela estava sentada, pernas cruzadas em um ângulo devasso, e de algum a form a, seu esplendor de indum entária e peruca fez com que os outros parecessem cinquenta vezes m ais nus – e eróticos.
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Com eçam os este ano com o qualquer outra fam ília am ericana m oderna faria: com m últiplos telefones celulares. Mas eu inadvertidam ente deixei o m eu em um a m esa em Londres m eses atrás, e ainda não o substituí. A vida sem um telefone é m ais arriscada, m ais solitária, m ais vívida. Minha fam ília não entende. “E se eu tiver que falar com você?” Anna choram inga. “Nós j á pagam os pelo contrato”, Alessandro m e repreende. Eu perm aneço obstinadam ente desconectada.
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Deparei-m e com um protesto em m archa organizado pelos sindicatos que era diferente de todos que eu j á havia visto nos Estados Unidos. Os protestantes avançavam em pequenos grupos, bebericando seus cafés. Não havia um equivalente ao canto de “Um , dois, três” que os am ericanos usam para se m anterem entusiasm ados. A cada quatro ou cinco carros, um tocava m úsica. Assim , no tem po que levei para atravessar a m acha no seu sentido oposto, escutei rock, rap e, finalm ente, (da associação de um hospital) Handel.
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Estou tentando ensinar Anna a não brigar com a m uito bonita, e m uito pestilenta, “Abelha Rainha” da sua classe. (A garota que eu cham ei de Beatrice.) Anna tende a revidar, o que piora as coisas. Hoj e de m anhã, perguntei se Dom itilla era um a das cortesãs da rainha. Pelo visto, Dom itilla não é um a “m enina descolada”, e aquelas pequenas vespas, na verdade, m andam nela, às vezes até fisicam ente. Para o horror de Anna, eu anunciei que vam os receber Dom itilla aqui em casa.
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Minha estátua preferida em Paris é um agrupam ento alegórico, La Défense du Foyer, de Boisseau, na Esplanade des Invalides. Alessandro m e disse que foyer é um lar, o que explica por que Monsieur ergue-se alto e audaz, pronto para assassinar dragões, enquanto sua esposa e filhos am ontoam -se atrás dele. Ele tem um físico m uito belo – e ele está nu a não ser por um a tanga de pele de anim al adornada com um a pata sugestivam ente posicionada. Para um olhar am ericano, ele parece um dos prim eiros exploradores, especialm ente devido ao seu m ocassim singular, com a im portante distinção de que ele havia m antido – e aparado – seu luxuriante bigode francês.
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Anna e eu estam os de cam a com gargantas inflam adas – algo cuj a culpa eu atribuo ao fato de que nós trem em os de frio por dois dias congelantes antes que o aquecedor fosse finalm ente consertado ontem . Ela está aconchegada ao m eu lado, ocasionalm ente lendo em voz alta partes de um livro do Harry Potter (Anna encara a leitura com o um a atividade coletiva). “‘O sol da tarde estava pendurado baixo no céu,’” ela lê, e depois, m e diz, “ Eu gosto disso, porque o sol não está pendurando em nada, e então é m aneiro.” Obrigada, J. K. Rowling, por ensinar pelo m enos um a criança de 11 anos as alegrias da linguagem figurada!
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Ontem , a arqui-inim iga de Anna, Dom itilla, veio passar a tarde brincando aqui em casa. Desde que Dom itilla sucum biu ao calor do m om ento e estapeou Anna no início do ano, Anna a considera persona non grata. Mas eis que as duas brincaram alegrem ente por horas. “Ela gosta de m im ”, Anna reportou m ais tarde. “Eu estou pensando sobre gostar dela de volta.”
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A resolução de Ano Novo de Luca era passar no novo ano. Traduzir form as verbais arcanas do latim para o italiano (que ele fala fluentem ente, m as conj uga com dificuldade); criar detalhados desenhos arquitetônicos; ir a m onólogos em francês... este ano está exigindo dele de form as que ele nunca im aginou possíveis. Ele seria o prim eiro a lhe dizer que ele não precisava de tanta exigência. Mas hoj e ele passou com ótim as notas nas provas de teatro clássico e m atem ática!
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Ao longo dos anos de criação de filhos, eu fui forçada a abrir m ão de banhos de banheira por apressados banhos de chuveiro, incapaz sequer de fazer xixi sem que houvesse alguém do lado de fora da porta choram ingando. Ultim am ente, assim que Anna vai para a cam a, eu busco refúgio em água quente. As páginas dos rom ances de bolso, assim com o os m eus dedos das m ãos e dos pés, enrugam -se com o faziam quando eu tinha 15 anos; sinto o m eu corpo forte, leve, sem m arcas.
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Esta m anhã, Anna e eu andam os pela nossa rua estreita no quase escuro a cam inho da escola. De repente, um enorm e bando de estorninhos passou em rasante, voando por cim a de nossas cabeças entre o prédio à nossa direita e o conservatório à nossa esquerda, suas asas pretas contra o céu perolado. Logo antes que a rue du Conservatoire term inasse, desem bocando em um a coluna de prédios altos na rue du Richer, eles reviraram -se e voaram de volta, tão perto que escutam os o zum bido de suas asas, com o se anj os houvessem descido para visitar dois quarteirões de um a rua de Paris.
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Anna chegou da escola chorosa. Ela levou bronca na aula de francês por ter perdido o sua lição de casa, na de italiano por secretam ente ler Harry Potter, na de m atem ática por ter fracassado nos seus exercícios, e ficou de castigo no recreio por ter repreendido um m enino que escreveu o seu nom e no quadro (não está claro porque ele se sentiu m otivado a fazer tal coisa). “Houve um a aula boa,” ela disse, fungando. “Na aula de inglês, eu fui a única que soletrou ‘ The orange bag is in the bedroom’ corretam ente.” Perdoe-m e se não fico m uito entusiasm ada.
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Anna recebeu sua am iga Nicole para dorm ir em casa ontem . Elas j ogaram Banco Im obiliário até que Nicole disse (em francês), “Te disse que eu era m uito boa!” e Anna respondeu (em inglês), “Vam os pular na m inha cam a!” Esta m anhã, eu fiz panquecas, que Nicole im ediatam ente enrolou com o crepes; e Anna a im itou. Estou deslum brada com as novidades na vida da m inha filha, m as ela não está. “Quando vam os para casa?” ela acabou de perguntar. “Você disse um ano, e j á estam os aqui há dois anos, facilm ente.”
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Alessandro e eu andam os até o m ercado hoj e e descobrim os que os prim eiros narcisos do ano estão à venda. Eles tem arom a doce, são de um am arelo pálido com m iolo alaranj ados, e cheiram inegavelm ente a prim avera. Com pram os alguns e, quando saím os, estava nevando. Minhas flores prim averis chegaram em casa polvilhadas com um pouco de inverno.
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O corredor do lado direito da nossa igrej a é a província dos hom ens idosos que buscam fácil acesso ao banheiro. Um cidadão digno de cabelo grisalho, barriga generosa e bigode de leão m arinho senta-se à direita do altar. Qualquer um a cam inho do banheiro faz um a pausa para apertar-lhe as m ãos e trocar algum as palavras silenciosas. Monsier Le Moustache parece o prefeito de um antigo film e francês: o Prefeito do Banheiro Masculino, o Lorde do Lavatório.
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Quando você sai na estação Cham ps-Ély sées, antes de chegar na parte com ercial da rua, anda-se por um longo cam inho adornado com um a revoltante exibição de cultura pop apresentada em enorm es cartazes. No início deste ano, elas eram am pliações de capas vintage da Vogue. Agora? Clint Eastwood. É estranho encontrar o bruto anti-herói do faroeste enfeitando a rua m ais icônica de Paris.
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Meu pai está se recuperando de um quadril quebrado; com a intenção de lhe dar algo bonito e útil, Alessandro e eu fom os até a Cannes Anciennes de Collection, um a loj a de bengalas com variedades chinesas entalhadas com pássaros, e outras francesas de antiguidade com alegres ninfas nuas no topo. Acham os um a bengala fascinante feita para um veterinário de anim ais de grande porte em torno de 1900. A parte de cim a se abre para revelar um bastão secreto, usado para m edir a altura de um cavalo. Meu avô era fazendeiro, e m eu pai ainda anseia pelo por cam pos abertos; isto o alegrará.
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A estação de m etrô Invalides cheira a torrada am anteigada às 8h30 da m anhã, o que m e lem bra da m inha m ãe, espalhando m anteiga em pão caseiro. Hoj e, Anna disse sonhadoram ente, “Eu adoro este cheiro de croissant fresquinho.” Percebi que ela está criando suas próprias m em órias am anteigadas para serem lem bradas daqui a décadas.
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Enquanto eu andava pelas ruas, hoj e, m eus olhos foram fisgados pelo brilho de frutinhas laranj as penduradas de dois pequenos arbustos em vasos de cada lado da “porta” de um a barraca de acam par m ontada na calçada. Dentro dela estava um hom em , a entrada da tenda parcialm ente aberta, alim entando pardais na sua soleira. “Bonjour, Madame!” ele exclam ou, com um sorriso tão contagiante que eu acenei, percebendo apenas quando estava na m etade do quarteirão que ele poderia estar com fom e.
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Florent ainda está desconsolado. Alessandro m e conta que ele esteve pensando em tirar um a licença do seu trabalho com o professor de escola fundam ental para m orar na cidade italiana onde a garçonete sem coração vive. Eu sinto algum a com paixão no que diz respeito à decisão dela. É extrem am ente difícil conduzir relacionam entos entre pessoas de dois idiom as diferentes, especialm ente no início. Eu não consegui descobrir com o pronunciar o nom e de Alessandro corretam ente por pelo m enos duas sem anas depois de com eçarm os a nam orar – tem po dem ais para perguntar a ele exatam ente com o soava o seu nom e. Felizm ente, um a am iga veio da Inglaterra para visitar e m e treinou na pronúncia dos erres. De algum a form a, sobrevivem os.
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A esta altura de nossa estadia em Paris, j á nos deparam os com um a série de m archas em protesto am istoso. Minha parte preferida é o encerram ento: no encalço do últim o protestante segue um a frota de quatro ou cinco cam inhões de lixo verdes, os m esm os funcionários públicos cuj os cam aradas estão frequentem ente m archando na frente. Os m otoristas divertem -se dando piruetas nas avenidas vazias enquanto varrem e lim pam .
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Anna passou pela porta nesta tarde com a cara fechada e em burrada. Acontece que Beatrice vai fazer o que prom ete ser um a festa de aniversário particularm ente esplêndida, que vai acontecer em um parque aquático indoor – m as nem todos da classe foram convidados, e Anna não foi um a das escolhidas para receber o precioso convite. “Logo depois disso, m inha barriga com eçou a doer,” Anna disse. A m inha tam bém .
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Boulevard des Invalides está enfileirado com castanheiras que perderam suas folhas há m eses, m as não todos as cascas. As castanhas ficam alto no ar penduradas pelos encaracolados e frágeis galhos criando laços de renda preta contra o céu da m anhã.
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Eu, agora, passei a ser loira em vez de ter luzes bastante desagradáveis. Não foi um a m udança a qual aspirei ou que tenha recebido bem (em bora se possa dizer que esta é a vingança da França por m inhas terríveis habilidades com a língua). Apesar de gostar de dizer a m im m esm a que não sou superficial, na verdade, eu estou m entindo. Cabelo é um a categoria que entra logo abaixo da felicidade dos m eus filhos e possivelm ente acim a da felicidade do m eu m arido.
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Quando nos m udam os para este apartam ento, eu logo percebi as j anelas porque elas têm cortinas de tafetá reluzente azul pavão do teto ao chão – m uito parisiense, eu pensei. Mas, ao longo dos m eses, eu percebi que ter j anelas de um m etro e m eio de altura para ver o m undo m uda tudo. Ver a neve cair do outro lado da grande vidraça faz com que pareça que a neve está caindo no próprio côm odo; um a j anela norm al isola a neve ao lado de fora, com o se ela caísse em um set de Holly wood, m uito distante.
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Alessandro chegou em casa com um a expressão m aliciosa em seu rosto e um a sacola de com pras desconhecida em suas m ãos. Dentro, o chapéu m ais bonito que j á vi, de veludo verde m usgo, com um a flor desaj eitada em um dos lados. A aba pode ser dobrada para cim a com o as dos chapéus das m elindrosas da Era do Jazz, ou despreocupadam ente virada para baixo, sobre um a orelha. Meus novos cabelos loiros (e até o presente m om ento, detestados) agora parecem um a decisão genial!
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Eu passei pelo hom em na barraca de acam par novam ente. Ele construiu um a pequena soleira de m adeira na frente da sua barraca para sustentar seus dois arbustos frutíferos; talvez sej am espinheiros-ardentes. Um pequeno prato discretam ente convidava à assistência; quando abaixei para depositar um a m oeda, vi que a entrada de sua barraca estava aberta. Ele estava do lado de dentro, sentado em posição de lótus, m editando. Voltei para casa pensando no quão feliz ele parecia, com suas frutinhas alaranj adas refletindo contra a calçada cinza, e sua casa sim plória.
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Na noite passada, eu e Anna cozinham os o j antar enquanto Alessandro e Luca digladiavam -se com álgebra; haverá um teste de duas horas de duração am anhã. Quando o m acarrão estava pronto, os rapazes ainda não estavam , graças à com plicações aritm éticas. Então, Anna e eu nos sentam os para ler trechos de Enid Bly ton em voz alta com um a entrada de baguete, deliciosa m anteiga doce, e um toque de sal do m oedor. Com em os e lem os. E com em os. E lem os. Quando os rapazes haviam se livrado dos últim os problem as de álgebra, não havia m ais pão, nem espaço para o j antar em nossos estôm agos.
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A vida parisiense é pequena e pacata. Eu preparo as crianças para a escola e em seguida penso m esquinham ente em quantas horas tenho antes que eles voltem para casa. Cheguei à conclusão de que silêncio e tem po são os bens m ais preciosos.
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Ontem , nós passam os no Hôtel Drouot, a casa de leilões, e m e apaixonei por um a chaise longue etiquetada com os dizeres “Duchesse à Oreilles, Époque Régence,” estofada em brocado m arfim adornado com botões de flores rosáceas inclinados. Eu im ediatam ente visualizei várias de m inhas de heroínas graciosam ente desm aiarem sobre estes sofás.
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Parisienses dão passagem quando se abre a porta do trem , esperando que os passageiros saiam , em vez de em purrar a todos para entrar. Eles form am filas organizadas na m ercearia. Eu pareço ser a única pessoa na cidade que atravessa fora da faixa. Mas coloque um deles atrás do volante... tudo m uda. Preso no trânsito por m ais de trinta segundos, um parisiense fica furioso e buzina até que os prédios no entorno trem am .
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Ontem , fiquei de pé no frio por algum tem po e observei um senhor tocando seu realej o. Seu enorm e gato alaranj ado dorm ia em cim a do instrum ento, envolto em um pequeno pedaço de pele de carneiro. Turistas continuam ente lhe davam euros para tirar fotos, o que m e pareceu estranho. Tentei im aginar o a apresentação das fotos quando voltassem para casa. “E aqui tem os Doris, parada ao lado do velho hom em francês que tocava realej o.”
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Lá nas alturas, em algum lugar do céu leitoso, a neve aglom era-se antes que suavem ente caia em pequenos grãos, girando delicadam ente com o um cata-vento. Milhares de bolas de algodão estavam tentando se sem ear na rue du Conservatoire.
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Anna passou a noite de ontem arrum ando o seu quarto. Ela dividiu as suas prateleiras entre “livros com m eninas”, “livros nos quais coisas ruins acontecem ” (m aj oritariam ente contos de fadas) e “livros para dia a dia” (Junie B. e Enid Bly ton). Conferi as m inhas prateleiras. Eu tenho “livros com finais felizes” e “livros que m e ensinam com o ser feliz.”
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Passam os a tarde no Musée des Arts et Métiers, um m useu de ciência peculiar e m aravilhoso no 3o arrondissement, que abriga tudo desde carruagens do período da Regência até os prim eiros com putadores da Apple. Há um a boneca autôm ata adm irada por Marie Antoinette (que pode tocar oito m úsicas!) e o prim eiríssim o satélite, que transm itiu para o m undo os passos de Neil Arm strong na lua. Luca ficou com pletam ente fascinado – se não levem ente apavorado – pelos obj etos com o os iPods que usam os agora, m as que j á encontraram os seus lugares no m useu.
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Durante toda a m inha vida, ouvi falar do Pêndulo de Foucault, m as eu não sabia o que ele era até que vi a versão original no Musée des Arts et Métiers. O pêndulo balança sobre um plano, e enquanto a Terra gira em seu eixo, inclinando o plano im perceptivelm ente, o pêndulo oscila para um a nova posição e, finalm ente, derruba um pequeno bloco de m etal. Nós observam os... e observam os... Quando o bloco tom bou ruidosam ente de lado, eu senti, por apenas um segundo, com o se a Terra tivesse rapidam ente inclinado sob os nossos pés.
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Mariage Frères, a Maison de thé inaugurada em 1854, deixará você alegrem ente agitado com cafeína. Eles arm azenam seus chás em enorm es latas m arcadas com nom es fascinantes. Eu com prei Thé des Poètes Solitaires para o m eu pai (um poeta solitário), e, para m im , Earl Grey French Blue em sachês. O chá dos poetas solitários era pesado em grandes balanças de latão, e os sachês eram feitos de fina m usselina.
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Hoj e levei Alessandro ao Musée Nissim de Cam ondo. Decidi que o m eu retrato preferido da coleção é Bacchante, de Élisabeth-Louise Vigée-Lebrun, no escritório m aior. Seu corpo resplandece, sinuoso, nu senão por um a faixa de pele de leopardo no seu colo. Moïse colocou outra m ulher nua sobre a sua cam a, que fica confortavelm ente entocada em sua própria alcova. Dado o seu am or por pinturas de nus e sua afiliação a um clube gastronôm ico, Moïse parece ter sido um hom em sensual – o que torna ainda m ais triste o fato de sua esposa ter fugido com um adestrador de cavalos italiano. Alessandro insiste que, porque o adestrador de cavalos era um barão, sua nacionalidade e ocupação eram irrelevantes.
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Alessandro e eu assistim os ao vídeo inform ativo sobre a história da fam ília Cam ondo e do m useu, e eu passei vergonha por ter chorado, em bora estivesse rodeada por fileiras de franceses estoicos. Depois que a esposa de Moïse fugiu com o barão, ele parece ter criado seus filhos com o talento dos contem porâneos pais que não trabalham . No entanto, depois que seu filho, Segundo Tenente Nissim de Cam ondo, foi m orto na Prim eira Guerra Mundial, ele tornou-se recluso; ele m orreu em 1935, doando sua casa ao país que adotou com o seu para servir de m useu público. Quando a Segunda Guerra Mundial teve início, sua única filha, Béatrice, não acreditava que ela e seus filhos estivessem em perigo; afinal de contas, seu pai havia deixado a casa para a nação, e seu irm ão havia dado a própria vida defendendo a França. Contudo, Béatrice; seu m arido, Léon; e seus dois filhos, Fanny e Bertrand, todos foram enviados para Auschwitz. Nenhum deles retornou. As fabulosas coleções de Moïse, suas travessas de prata com issionadas pela Im peratriz Catarina II da Rússia, sua m obília revestida de folhas de ouro, não lhe puderam com prar o m ais im portante bem de todos: a segurança de seus filhos. Ao escrever isto, m udei de ideia. Não houve vergonha nas m inhas lágrim as.
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Na luxuosa loj a de departam ento Printem ps, eu estava na escada rolante atrás de um a m ulher vestindo um casaco verde escuro com lapelas de veludo... e segurando um a bolsa. E que bolsa! Era um a bolsa de om bro do tipo sacola cor de rosa, um tipo de rosa escuro encantador. Surtiu o m esm o efeito em m im que a Barbie Twist’n Turn anos atrás: vê-la significava cobiçá-la. Eu subi um degrau, determ inada a ver a etiqueta. Goy ard. Aparentem ente m ais exclusivo do que Vuitton, no m ercado desde 1853... e Reis das Bolsas tipo sacola.
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Alessandro chegou em casa da conversação com Viviane e disse que eles com pararam seus alunos, os de Alessandro, da Rutgers, aos de Viviane, da Université Paris-Est Marne-la-Vallée. Viviane disse que os dela j á não se lem bram m ais da ortografia, enquanto Alessandro acha que os dele nunca aprenderam . Eu tam bém esqueci a ortografia. Com a correção ortográfica autom ática a m eu alcance, eu sim plesm ente não m e im porto m ais.
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Na noite passada, Alessandro e eu fom os a um restaurante repleto de casais cortej adores (sem pre um cenário encantador), onde o cham panhe tinha gosto de m açã. Deveria ter sido a noite perfeita, m as a com ida não era boa. O risoto de Alessandro m ais parecia sopa de arroz; m eu pato não estava suficientem ente tem perado; o clafoutis de pera não tinha sabor e havia passado do ponto. Agora, a surpresa: isto j á aconteceu m uito aqui. Na verdade, posso m e aventurar a dizer que um a nação de cozinheiros brilhantes tolera m uitos restaurantes sofríveis – e neste não havia um turista sequer para perdoar sua m ediocridade.
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Luca se j ogou na cam a ao m eu lado há algum tem po, e parece estar pensando em coisas profundas. “Dáblio é um a letra que form a algum as palavras estranhas,” ele diz, por fim . “Com o chiiiirlo (waaaarble).” Ele fala o som
arrastadam ente. “E tam bém im oral ( 26 wanton ) e wonton. Que soam iguais.” Refletindo, acho que wonton soa m ais interessante, na verdade, em bora você j am ais saberia disto lendo m eus livros rom ânticos, dada a m inha profusão a heroínas im orais (wanton).
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Hoj e fom os para um brunch dom inical em um dos restaurantes de Gordon Ram say em Versailles, o La Véranda. Os pratos principais estavam bons... m as as sobrem esas! Eu provei nove tipos, determ inada a descobrir por em pirism o a m elhor de todas. O delicioso, m acio macaron de m aracuj á? Os marshmallows rosa shock em form a de babados, os quatro sabores de crème, a torta de figo, o delicado clafoutis? O vencedor foi um delicado bolo com cobertura crocante e saboroso recheio de crem e de m anga, porque era com o m order um dos bolos de Alice no País das Maravilhas: dentro havia um a voluptuosa surpresa.
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Em Versailles, visitam os o Musée Lam binet, que era um a curiosa, variada coleção de obj etos de casa dos séculos XVIII e XIX, incluindo um a cam a em butida em um a parede. Anna colocou-se no chão ao lado da cam a e, com ela com o referência, decidim os que não deveria m edir m ais do que um m etro e m eio. Tam bém havia fascinantes pratos de latão usados para estam par tecido de toile. Um a das estam pas, L’Art d’aimer, m ostrava um j ovem casal trocando carícias com um senhor rascunhado espiando através dos arbustos, nada com o as im agens recatadas que aparecem em toile hoj e em dia.
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Meus itens preferidos no Musée Lam binet foram dois ovos de Páscoa “surpresa” dados à Princesa Victoire, filha de Louis XV. Eles são, essencialm ente, Polly
Pockets27 históricos, m as feitos com verdadeiros ovos de galinha. As partes de cim a eram suspensas por finas correntes. Um deles representava a cena de um a pequena casa, com um a m inúscula dona de casa recebendo um a visita. O outro continha um a cena de floresta. Em com paração, os ovos Fabergé (que datam de m ais de cem anos depois daqueles) parecem cham ativos e vulgares.
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Um a mademoiselle cheia de estilo entrou no vagão do m etrô atrás de m im : seu casaco verm elho cerej a tinha costura preta e era aj ustado na cintura com um a larga faixa elástica. Ela tinha cabelo loiro platinado e curto, usava óculos de gatinho e um lenço com estam pa de leopardo am arrado na cabeça. Ela parecia um a atualização chique de Brigitte Bardot. Eu estava catalogando toda essa m aravilha francesa quando m e dei conta de que ela estava falando inglês! E não qualquer inglês – inglês am ericano! Vai, verm elho, branco e azul!
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Depois da escola, Anna m e encontrou com um sorriso torto que sem pre significa problem a. Ao que tudo indica, no alm oço ela ofereceu o queij o dela para um m enino. Rej eitando cheddar com o um queij o inferior, ele o j ogou de volta; naturalm ente, ela atirou o queij o na cabeça do garoto. Ele j ogou o queij o em outro m enino, e dentro de segundos o ar estava repleto de queij os alados, em bora o professor não tivesse visto porque estava de costas. Anna recuperou o queij o e o atirou novam ente no prim eiro m enino, que ricocheteou no om bro dele e acertou... o professor. Naturalm ente.
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Esta m anhã, deixei Anna na escola e atravessei o Sena em um a ponte exuberantem ente dourada. O vento estava ferozm ente gelado, m as o céu estava com pletam ente azul, e a form a com a qual o sol ilum inava o rio e dançava sobre todas aquelas folhas douradas abriu a porta do inverno diretam ente para a prim avera.
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Nossa guardienne acabou de subir para entregar a correspondência. Eu estou corrigindo as provas do m eu últim o m anuscrito, então, Alessandro levou Anna para a escola de m anhã, e eu não m e preocupei em tirar os pij am as. Os olhos dela piscaram dos m eus cabelos despenteados até m inhas pernas envoltas em flanela florida, e depois subiram novam ente para o m eu rosto. “Bonjour!” ela disse anim adam ente, e eu sabia que m inha escolha de indum entária seria discutida com cada um dos residentes do núm ero 15 da rue du Conservatoire até esta m esm a hora do dia seguinte.
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Hoj e, Luca e Alessandro estavam cam inhando e viram um delicado sapato de chocolate na vitrine da Joséphine Vannier, “Chocolat Artisanal.” Eles o com praram para celebrar o térm ino da revisão de O Beijo Encantado, m inha versão de Cinderela. Cada detalhe, do calcanhar à ponta do dedão, é im pressionante – e ele é recheado com m aravilhosos chocolates pequeninos.
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Alessandro transform ou-se em um corredor de longas distâncias aqui e regularm ente sai para corridas de quarenta m inutos. Na noite passada, ele cutucou seu peitoral m usculoso, dizendo, “Você acha que eu estou ficando m agricela?” Neste m esm o m om ento, percebi que m inha calça verde preferida não cabe m ais nem nas m inhas coxas, nem na m inha bunda.
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Hoj e fui até a escola de Luca para dar um a aula sobre Shakespeare e Macbeth. Deixando de lado os detalhes am argos (em bora eu não vá esquecê-los até a m inha m orte), perm ita-m e apenas dizer que alunos do nono até o décim o segundo ano estavam agrupados no ginásio; que alguns deles haviam estudado apenas um sem estre de inglês – ainda que todos tivessem aparelhos eletrônicos; que apenas um ano havia lido qualquer coisa de Shakespeare; e que a diretora da escola m e apresentou, concluindo com um a súplica para que eles se com portassem . Na sequência, ela m e passou o m icrofone e disse “Buona Fortuna”. Boa sorte!
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Anna assum iu um novo papel: conselheira rom ântica para o público de 11 anos de idade. Sua ex-inim iga, atual-am iga, Dom itilla aparentem ente tem um a queda por um j ovem fã de Guerra nas Estrelas. “Ela queria usar os cabelos em tranças sobre as orelhas, com o a Princesa Leia,” Anna disse, encolhendo os om bros. “Mas eu acho que ele gosta da Nicole, então ele nem ao m enos repararia. Meninos não reparam .” Na m inha opinião, nada bom pode resultar de um penteado de Princesa Leia.
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A receita perfeita de com ida reconfortante para m eninas de 11 anos com gargantas inflam adas: cozinhe batatas, descasque-as sob água fria, am asse-as com um garfo e m isture-as com m uito crème fraîche, em seguida tem pere com um pouco de sal e aguarde os sorrisos largos. Sendo que esta criança que chiava de noj o só com a ideia de crem e entrando em sua boca.
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Luca acabou de partir para um a viagem de um a sem ana para esquiar com seus colegas de classe. Eu lhe dei um serm ão de últim a hora – nada de drogas, nada de beber, nada de sexo e nada de pistas para esquiadores m uito experientes – enquanto Anna escutava com fascínio. “Por que você está dizendo tudo isto para ele?” ela questionou, ao fim do serm ão. “Ele não pode fazer aquelas coisas! Ele é
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PG-13, não R .”
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Um desdobram ento interessante na vida de Florent! Durante a sessão de conversação de hoj e, ele nem sequer m encionou a garçonete italiana de coração de pedra, m as falou por um a hora sobre um a m ulher que j á conhece há um ano e m eio, só um a am iga. Ela ensina língua e literatura francesa na m esm a escola de ensino fundam ental onde Florent trabalha. Ele sem pre a achou interessante, m as, obcecado pela sua garçonete, ele nunca realm ente levou a possibilidade em consideração. Agora, ele leva.
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Acham os um a loj a de m obília no Marais que exibe arabescos: lum inárias com elaborados entalhes; um arm ário com revestim ento de ferro forj ado; um sofá cuj os braços giram em espiral, com o a concha de um caram uj o. Apaixonei-m e por um a cadeira assim étrica de veludo verm elho, cuj o braço form ava um a voluptuosa ondulação , enquanto o outro irrom pia em um a quina afiada. Ainda assim , acho difícil im aginar que tipo de pessoa gostaria de m orar com esta m obília: ela teria que viver um a vida pautada pelo le chic.
24 N.T. O significado original da palavra gay, em tradução para português, pode ser feliz, j ocoso ou alegre.
25 N.T. QE2 é a abreviação de Queen Elizabeth 2, um navio que operou predom inantem ente com o cruzeiro transatlântico de 1967 até 2008.
26 N.T. Wonton é um item da culinária chinesa preparado com um a m assa fina cozida ou frita, com diversos tipos de recheios: porco, peixe, legum es e outros. É frenquentem ente servido com o entrada, em sopas ou até em sobrem esas.
27 N.T. Polly Pockets é um a linha de brinquedos norte am ericana, originalm ente lançada pela Bluebird Toy s com o pequenos estoj os, para caber em bolsos, que se abriam para revelar bonecos e acessórios dentro. Hoj e em dia, a Mattel é a em presa por trás dos Polly Pockets, tendo alterado significativam ente o form ato original da Bluebird Toy s.
28 N.T. De acordo com a classificação indicativa utilizada nos Estados Unidos, “PG-13” é conteúdo indicado para ser assistido por j ovens a partir de 13 anos, e recom enda-se acom panham ento dos pais. “R” é relativa ao conteúdo próprio para j ovens acim a de 17 e, se m ais novos, devem estar acom panhados dos pais.