Paris Apaixonada

Eloisa James · Capítulo 17 de 21

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Paris Apaixonada

Sobre mulheres parisienses, e se elas engordam

Sobre mulheres parisienses,

e se elas engordam

 

Vim a Paris sabendo que tinha um a am iga im plantada no local esperando por m im : a genial e engraçada banqueira cham ada Sy lvie, que por acaso gosta de ler os m eus livros em inglês. Muito antes de nos conhecerm os pessoalm ente, ela m e escrevia e costum ava corrigir m eu francês defeituoso. Finalm ente, percebi que eu poderia m e poupar de m ais constrangim ento se pedisse a ela para consertar as partes em francês antes de publicar m eu livro. Isto alterou a equação autor-leitor; trocam os fotos de nossos filhos e histórias sobre os nossos casam entos. Ao longo do ano, nos encontram os ocasionalm ente para alm oçar ou j antar, quando eu a bom bardeava com perguntas sobre a vida francesa. “Não, não som os todos adúlteros!” ela gritou com igo certa vez. Depois: “Bem , não nos subúrbios, pelo m enos.” (Ela m ora nos subúrbios, em apresso em acrescentar.)

Certo dia, decidim os fazer com pras j untas – um a decisão casual que m e

conduziu a um a nova filosofia sobre fazer com pras e, além disso, sobre com o se vestir. Quando estou em um a loj a, pego um a saia da arara, a seguro contra a m inha cintura e a coloco de volta no lugar. Sy lvie, em contraste, m ovia-se conscientem ente de lá para cá, tocando as roupas delicadam ente, com o se elas pudessem desfazer-se em pedaços. Enchi m eu braço de roupas e as levei para o trocador; ela levou um terno. Quando eu finalm ente saí – tendo rej eitado todas as roupas que experim entei e vestido as m inhas de volta – ela ainda estava na cabine adj acente em frente ao espelho, conduzindo um a enquete anim ada com vários vendedores assim com o alguns clientes.

Aos m eus olhos, o terno que ela estava experim entando era elegante e

prático, e ficava esplêndido nela. Os om bros estavam perfeitam ente sob m edida e a saia abria levem ente na parte de trás. Entretanto, um a inspeção m inuciosa – m uito m inuciosa – revelara que a saia e o blazer teriam sido feitos com diferentes rolos de tecido, um a vez que eram de tons quase im perceptivelm ente desiguais de azul.

Preciso adicionar que Sy lvie não com prou o terno?

Em bora o terno caísse com o a proverbial luva, era fatalm ente defeituoso.

Os padrões de Sy lvie para com o ela se apresenta ao m undo não incluíam vestir ternos desiguais (não im porta o quão levem ente). De m ais a m ais, ela decidira que a abertura sedutora da saia, em bora indiscutivelm ente à la m ode, não valorizava seu traseiro. A experiência inspirou-m e com um a nova determ inação: exam inar as m ulheres parisienses tão de perto quanto elas obviam ente exam inam elas próprias. E a decisão, j untam ente com m inha subsequente pesquisa em pírica, conduziu a este im portante anúncio: Mulheres francesas também engordam. Na verdade, elas são de todos os tam anhos, de m uito esguias a m uito corpulentas. Aqui vai a m inha versão da m esm a frase: Mulheres francesas, não importa de que tamanho sejam, se vestem para parecerem magras.

Suspeito que a m aior parte das adolescentes am ericanas aprendam a vestir-

se vendo film es e televisão. O senso de estilo delas é dem arcado em um a idade vulnerável, assim com o pintinhos recém saídos dos ovos podem apegar-se a um a vassoura – com resultados igualm ente desastrosos. No m eu caso, foi extrem am ente lam entável que Grease – Nos Tempos da Brilhantina tenha sido seguido por Flashdance. Em um m om ento particularm ente baixo, fiz um perm anente no m eu cabelo que espichava-se dez centím etros em torno da m inha cabeça com o um a auréola verm elha, em bora eu fosse astuta o suficiente para entender que calças de couro j ustíssim as não favoreceriam m inha silhueta robusta do Minnesota. No entanto, por pelo m enos três ou quatro anos, suéteres constantem ente caíam de um dos m eus om bros friorentos, e polainas adicionavam uns bons oito centím etros às m inhas canelas.

Mas, voltando a um presente m ais feliz, depois de m eses com o um a agente

secreta do vestuário – e algum as conversas chave com qualquer m ulher portando um passaporte francês que concordasse em descrever o seu arm ário – posso lhes dizer em definitivo que j ovens m ulheres francesas não se voltam para Holly wood em busca de instruções sobre com o se vestir. Em vez disso, elas descobrem o que valoriza sua figura e elas se agarram a isto.

Meus m eses de observação podem ser resum idos em duas palavras: tem po

e alfaiataria.

Tem po? No m eu caso, venho fazendo com pras há décadas, tenho um

arm ário e um a côm oda cheios de roupas e ainda não tenho nada para vestir – porque, em bora eu gaste tem po fazendo com pras, eu nunca uso o m eu tem po para descobrir com o vestir as roupas que com prei. E m ais: assim com o os suéteres que caíam do om bro, estas roupas geralm ente não caem bem . Na m inha próxim a vida, planej o reencarnar no tipo de corpo que fica bem em qualquer roupa; se você j á é Um a Abençoada, sinta-se livre para pular o resto desta dissertação. Se não, você tem duas opções, em m inha opinião: (a) destem idam ente investigar se suas roupas valorizam o seu traseiro (e outras áreas) ou (b) evitar todo e qualquer espelho, vitrines de loj as e com entários fem ininos. A segunda opção dem anda m uito, incluindo paz de espírito e um a pré-disposição à alegria.

De qualquer form a, vam os voltar à prim eira opção. Olhe para qualquer rua

em Paris e você quase certam ente verá um a placa de alfaiate. Isto acontece porque é costum eiro levar roupas novas para o alfaiate e costurá-las sob m edida. Certa vez, um a acadêm ica francesa m e olhou com o se eu estivesse louca quando confessei entrar em loj as de alfaiates apenas quando a barra das roupas se arrastavam atrás de m im com o um a capa da Renascença. Enquanto ela não sonharia em vestir um a calça sem antes alterar a costura interna e o m esm o vale para as costuras cruciais em blazers, vestidos e quase qualquer coisa m enos m eias. Aparentem ente, até loj as de lingerie rotineiram ente alteram sutiãs para que eles tenham o caim ento apropriado. Já que nunca superei m inha convicção de que m eus seios são pequenos dem ais para serem apreciados por m ulheres (sei que isto soa estranho, m as se eu fosse lésbica, definitivam ente iria atrás de m ulheres com seios grandes), nunca tirei as m edidas do m eu sutiã. Nós todos colocam os um lim ite em algum ponto.

O alfaiate na esquina da rue du Conservatoire passa os seus dias dentro de

um pequeno côm odo abarrotado com pilhas de tecidos e roupas descosturadas. Ao longo do ano, levei quase todo o m eu arm ário para ele e ele alterou cada peça. Ele fez com que um vestido caísse exatam ente onde deveria nos m eus quadris, alterou om bros para que coubessem nos meus om bros e aj ustou as costuras internas da m inha calça para que m e vestisse corretam ente. Em sum a, ele transform ou roupas prontas – prêt-à-porter – em um a versão de alta costura, de roupa de luxo que é feita para as m edidas específicas de um cliente.

E ele não cobra m uito, tam bém .

Não foi antes que eu passasse alguns m eses exam inando m ulheres – nas

ruas, no m etrô – que percebi que eu nunca realm ente havia parado para analisar qual das m inhas roupas ficava bem quando com binada com outra. Por acaso, tenho m uitos sapatos; sem pre considerei este um dos m elhores benefícios de ser casada com um hom em italiano. Um a vez, para dar um exem plo lam entável, com prei saltos verdes ácidos com oito centím etros de altura em Rom a. De volta aos Estados Unidos, os j oguei no m eu arm ário e usei um par de oxfords pretos dia após dia. Levou algum tem po, m as recentem ente percebi que os saltos verdes só funcionam com um vestido, que é bastante curto, quase m ini. Aqueles saltos verdes de oito centím etros? Foram para a Legião da Boa Vontade, vítim as do fato de que eu ocasionalm ente ainda faço com pras com o se eu saísse para dançar. Num a casa noturna.

Isto nos leva a outro im portante – e potencialm ente doloroso – aviso. Um a

vez que você tenha m ontado um a com binação sensacional, você precisa ser im placável consigo m esm a em relação à sua idade real, em vez da que você sente ter. Há alguns m eses, Luca investigou o m eu decote e ao que tudo indica o achou m uito cavado, porque ele m e perguntou se eu “estava tendo um m om ento j ovial”. Não deixe que isto aconteça com você. Precisei de algum as sem anas para m e recuperar.

E se algum dia você foi rainha de concurso de beleza ou um a viciada em

Flashdance? Encare os fatos: estes dias se foram . Um a m enina de 11 anos pode ser de grande aj uda para m anter esta perspectiva; Anna, por exem plo, oferece suas opiniões nuas e cruas com m uita liberdade. “Eu não acho que isto veste bem na sua bunda”, ela diz, ressaltando a palavra acho caso eu queira argum entar que m eu traseiro nunca esteve m elhor. “Você está igual a um a bibliotecária velha.” (Não tem um a m enina de 11 anos m orando com você, nem pode im plorar, pedir em prestada ou roubar um a? Alugo a m inha pelo preço m ais baixo.)

Coloque todas as roupas que com binam com algum a coisa do lado esquerdo

do seu arm ário e aquelas que não com binam com nada do lado direito. Doe todas as peças do lado direito para a caridade e leve todas as peças do lado esquerdo para um alfaiate. Você pode não ter m uitas roupas, m as tudo bem . Com binações são com o caçarolas – você só precisa saber com binar duas.

Com o recom pensa, vá às com pras, na internet ou pessoalm ente, m as

apenas para com prar aqueles três itens indispensáveis que você ainda não tem : um par de botas pretas, um lenço rosado ou um cinto. Use as botas em todas as estações, exceto no verão, o lenço perto do rosto e o cinto quando você estiver se sentindo coraj osa.

Acabei de reler este ensaio e cheguei à desanim adora conclusão de que

você vai m e encontrar na rua e m e acusará por calúnia fanática porque não estou usando um cinto e m inhas botas são verm elhas. Ou porque estou vestindo o m eu m oletom preferido, que foi rej eitado por Luca porque é estam pado

(bastante obscuram ente) com a palavra SUPERDRY33.

E m ais, você provavelm ente acha que Sy lvie é um m odelo de elegância,

vagueando pelo banco de saltos, cabelos presos em um elegante chignon. Nada disso! Sy lvie é m ãe de três crianças com um trabalho exaustivo que dem anda longas horas. Ela não é m agérrim a, nem usa um lenço am arrado firm em ente em volta do seu pescoço, não im porta qual sej a a estação. Em um determ inado m om ento, cheguei a perguntar para ela porque ela não estava constantem ente na m oda. Ela riu e encolheu-se. “Esta sou eu”, ela disse. “Estou confortável.”

Vej a m inha nova (e em prestada) filosofia: Sy lvie se veste m uito com o

m inhas am igas am ericanas nas profissões das áreas legal e financeira. Mas com um toque parisiense: ela sabe que seu terno a veste perfeitam ente e destaca sua form a da m elhor m aneira possível. Seu estilo não tem nada a ver com salto alto e tudo a ver com confiança.

Outro dia encontrei esta citação de Miuccia Prada (sim , aquela Prada): “Ser

elegante não é fácil. Você tem que estudar, assim com o culinária e arte”. Para ser honesta, não estou tentando fazer um a dissertação nesta área. Eu (e, talvez, você tam bém ) nunca serei um a chef de couture. Não precisam os ser – não m ais do que Sy lvie. Tudo que tem os que fazer é dar tem po suficiente ao processo e fazer uso da alfaiataria para serm os verdadeiras com as nossas silhuetas.

E então poderem os adm irar (m esm o que de longe) aquelas parisiennes que

conseguem um doutorado no tem a.

 

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Santa Catarina de Alexandria é a padroeira francesa das m ulheres solteiras. Seu dia, 25 de novem bro, costum ava ser celebrado por j ovens m ulheres da classe operária que tiravam o dia de folga para usar chapéus refinados feitos em casa com suas m elhores roupas. Supostam ente, as festas que aconteciam nesta noite seriam a últim a chance delas para conhecerem seu Monsieur Charm ant. Recentem ente, corri em um parque m inúsculo cham ado Praça Montholon e desm oronei, arfando, sobre um banco em frente a um a estátua de cinco j ovens m ulheres em traj es da era eduardiana com em orando o dia de Santa Catarina. Chuva estava caindo das árvores e escorrendo por suas bochechas, e parecia que elas haviam sido pegas de surpresa por um a tem pestade enquanto usavam suas m elhores roupas.

 

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O Musée de l’Arm ée na rue de Grenelle tem um adorável j ardim francês de um dos lados, feito de cam inhos delineados por topiarias com form atos de pequenos cones. Parecia o j ardim da Rainha de Copas em Alice no País das Maravilhas: antiquado, cuidadosam ente aparado, levem ente torto e ligeiram ente insano.

 

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A nova m enina (e cinco m eninos) chegaram no acam pam ento de tênis de Luca hoj e: tragicam ente, ela só tem 11 anos. Não haverá um baile de encerram ento, o ponto alto do ano passado. Adem ais, nevou nas m ontanhas italianas, então eles não têm tido m uita chance de j ogar tênis. Os sonhos de rom ance e de proeza atlética foram desvastados.

 

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Anna acabou de ligar, m uito anim ada, para dizer que ela com prou um presente de despedida para Dom itilla: porquinhos da índia de brinquedo que se m exem e guincham , com a casa e o carro dos porquinhos da índia. Alessandro diz que, por 59 euros, o presente custou m etade do dinheiro que ela havia conseguido guardar de presentes e m esada que ela recebeu durante o ano anterior. Encontrei m ães que falaram sobre as naturezas altruístas e generosas de seus filhos, m as nunca engrossei o coro, por razões claras. Este é o prim eiro anúncio vaidoso deste tipo. Estou m uito, m uito orgulhosa dela.

 

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Depois de um ano em Paris, e m últiplas experiências desencoraj antes com com idas crim inosam ente ruins, cheguei à conclusão de que as lendárias brasseries – aquelas onde os garçons usam aventais longos e lum inárias sim ulam utilizar gás com o com bustível – devem ser evitadas a todo custo. A últim a gota: um a am iga m e levou à Brasserie Bofinger, um restaurante que parecia tão autêntico quanto a versão da Torre Eiffel do Epcot Center. (Um a grande diferença: a com ida do Epcot é excelente.) Achei que m eu risoto de peixe tinha um gosto duvidoso, e depois de encarar três dias de náusea, eu tenho certeza.

 

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Acabei de com prar seis pequenos ram equins de louça, três da cor de aspargo claro e três da cor de am eixa escura, no loj a de utensílios da vizinhança. Elas têm alças delicadas e foram feitas para crèm e brûlée, m as vou fazer tortas de lim ão individuais nelas e polvilhá-las com açúcar com um estêncil de flor-de-lis – que eu descobri no m esm o lugar. Loj as de utensílios oferecem lem branças bem m elhores do que podem sonhar as loj as de turistas; cada vez que você usar seu batedor rosa shock, ele vai fazer você lem brar de Paris.

 

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Na noite passada, desci a rue Richer às oito horas, quando as luzes com eçam a ficar douradas e os com erciantes ficam nos degraus de suas loj as, prontos para fechar. Exibindo-se na m inha frente estava um a m enina de três anos com um vestido de listras verm elhas, sapatos brancos com borboletas e óculos escuros cor de rosa shock equilibrados em sua cabeça. Ela parava em frente a cada com erciante dizendo “Bonsoir!” enquanto sua m ãe pacientem ente aguardava com o carrinho.

 

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Com a fam ília na Itália, ninguém m e interrom pe; não há brigas; não há roupa para lavar. Meu livro acadêm ico cresce a cada dia e m inha dieta para perder os quilos parisienses está indo bem . O problem a é que eu sim plesm ente não consigo dorm ir. Meu corpo sabe que todo este silêncio e espaço vazio estão errados. A luz em volta da m inha cortina nesta m anhã não tinha cor, com o a espum a de um a onda, com o se até isso sinalizasse a ausência do que m ais im porta.

 

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Hoj e sucum bi a um rom pante de curiosidade sobre a vida de Claude e liguei para o m eu tio Malcolm em Minnesota. (Malcolm era um dos sobrinhos de Claude.) Ao que parece, Claude escrevia predom inantem ente ficção literária, m as ele tam bém aventurou-se na ficção de gênero; Malcolm lem brou, por exem plo, de um a novela sobre um aparato paranorm al que transform ava partes de Duluth em um paraíso tropical. O pai de Claude estava convencido de que seu filho tinha um talento literário m em orável e lhe garantiu um crédito que perm itiu que ele pudesse desfrutar da vida intelectual em casas de cam po italianas. (A com paração com m inha m ãe é dolorosa, m as estou m e consolando com o fato de que, caso m am ãe tivesse tido o dinheiro, ela certam ente teria apoiado m eus esforços literários, considerasse ela que eles fossem m erecedores ou não.) Claude m orreu durante um a viagem a Minnesota, quando foi pescar com o autor Sinclair Lewis e contraiu infecção por estafilococos. Claude, tio Malcolm concluiu, “era im potente no que se refere a atividades ao ar livre, com o pescaria”. Sem pre detestei pescar. Posso ter diversos paralelos com Claude, m as este últim o eu planej o evitar.

 

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Esta noite, parei no núm ero 37 da rue des Marty rs, no nom eado sem originalidade Bar le Select. Sentei do lado de fora e bebi um a excelente taça de vinho. Nos Estados Unidos, m e sentiria estranha bebendo sozinha em um bar, m as aqui parece absolutam ente natural. Alegrem ente observei poodles e parisienses desfilarem na m inha frente. Estou sozinha na cidade m ais encantadora do m undo e, neste m om ento, é com o se os locais passassem por aqui apenas para o m eu prazer.

 

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O acam pam ento de tênis term inou ontem e as crianças estão em Florença com Marina antes de voltarem para Paris. “Perdi o cam peonato, m am ãe,” Anna reportou ontem à noite. Em seguida, anim ou-se “Mas acertei m eu professor com um a bolada bem na testa!”

 

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Hoj e alcancei um m arco: estou de volta ao m esm o peso que tinha antes de encontrar as vastas e deliciosas tentações de Paris. E isto é um a coisa boa porque dei de cara com o ateliê de Joséphine Vannier, a artesã do chocolate que criou o m eu m aravilhoso sapato de Cinderela. Ela tam bém cria caixas feitas inteiram ente de chocolate am argo, decoradas com tinta com estível. Elas são m ais ou m enos do tam anho de pequenas caixas de j oias; com prei um a na cor am etista, com cachos dourados m eticulosam ente pintados na parte de cim a.

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Alessandro voltou de Florença depois de duas sem anas nas m ontanhas com Milo, que não recebeu qualquer gratificação de prosciutto no ínterim , um a privação verdadeiram ente cruel. Marina contou e pesou as 80 pelotas de com ida dietética que Alessandro dera a ele a cada dia e anunciou que Milo passara fom e, porque o veterinário prescrevera 120. Todos acalm aram -se depois que Milo foi erguido até a balança e descobriram que ele havia em agrecido... nada. Niente. Um lutador de sum ô ficaria orgulhoso de ter este m etabolism o.

 

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Vou a um a grande conferência de escritores na Flórida dentro de algum as sem anas e estou antecipando ficar doente, porque sei que o hotel terá o ar condicionado ligado em níveis árticos. Para preparar-m e, com prei um casaco cinza carvão feito de um m aterial am arrotado que você pode enrolar e colocar dentro de um a bolsa sem arruiná-lo. É j aponês, trem endam ente sofisticado – e 100 por cento poliéster. Quando eu estava crescendo, poliéster era praticam ente um palavrão.

 

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Já que estou sozinha, não estou m e preocupando em cozinhar e, por sorte, a loj a de com idas congeladas, Picard, vende paradisíacas refeições para esquentar e com er. Mas hoj e com prei um prato principal fresco no Monoprix porque o estim ado chef Joël Robuchon o havia preparado. Fora da caixa, descobri que era, na verdade, um a pequena caçarola em um adorável ram equim de porcelana.

 

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Som os um a casa que opera um sistem a sem j ogos eletrônicos. Anna ligou da Itália, m uito anim ada. “Mam ãe, tive um a visão!” Perguntei sobre este evento m ilagroso. “Estava olhando para o nada e subitam ente m e vi j ogando o novo j ogo do Harry Potter. O portátil.” Sua visão nunca se tornará realidade, m as adoro a form a com o ela reivindicou aj uda paranorm al.

 

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Fui sozinha ao Musée Jacquem art-André hoj e. Nas m inhas visitas anteriores, fui acom panhada por am igos e pelo guia de áudio; desta vez, no entanto, eu não tinha que agradar ninguém além de m im m esm a, e peram bulei em silêncio por todos os côm odos. Gosto m uito de um a estátua de m árm ore de um a m enininha m uito pouco provavelm ente acariciando um a pom ba. Em bora ela estej a com pletam ente nua, seu cabelo está elaboradam ente trançado e preso com um laço. Adoro sua barriga estufada e seus dedos do pé gordinhos.

 

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Alessandro e as crianças voltaram da Itália. Com em os sushi na noite passada em vez de com ida congelada, e eu dorm i até 6h30 em vez de 5h. Anna descobriu o que ela ser quando crescer: decoradora de bolos. “Eu aaaaaam o glacê,” ela m e disse. Então, ela perguntou se é preciso ir para a faculdade para decorar bolos. Você nunca ouviu falar desta m atéria? Glacê para principiantes.

 

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Os trabalhadores idiotas no andar de cim a acabaram de colocar um pesado saco de cim ento no nosso pequenino elevador, fazendo com que os cabos arrebentassem . Ele despencou por cinco andares até o térreo e precisa ser com pletam ente refeito – um conserto que está program ado para acontecer em agosto. Depois que partirmos. Estam os falando de três sem anas de quatro lances de escadas para descer e quatro lances de escadas para subir. Carregar com pras escada acim a sem um elevador é um a coisa; a ideia de fazer um a m udança sem um elevador faz com que eu queira subir um lance de escadas correndo e virar um a diaba am ericana cuspidora de profanidades – do tipo que se vê em film es estrangeiros e nacionais, tam bém . O Diabo Veste Lingerie Francesa.

 

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Está intoleravelm ente quente em Paris. Meu escritório é um pequeno côm odo esprem ido entre nosso quarto e a sala de estar. Há grandes j anelas dando vistas diretam ente para o sol. Então, fechei as cortinas. Agora, o côm odo está quente e escuro, com o um a versão em sauna da Bat Caverna. Acabo de tirar as m inhas roupas exceto a calcinha e o sutiã, e ainda estou sentindo calor dem ais para escrever.

 

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De volta à casa após o acam pam ento italiano de tênis, Luca está travando um a árdua batalha contra ir ao seu equivalente francês. Tudo em vão, um a vez que j á está pago, m as ele não para de discutir o assunto. Sei que ele está paralisado pelo m edo, m as eu olho para suas m açãs do rosto e lem bro que m ulheres francesas – não im porta quão j ovens – são conhecedoras da beleza m asculina. Ele se sairá bem .

 

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Os am igos Kim , Paul e Sum m er vieram de Nova Iorque para um a visita. Sum m er é um a m enina de oito anos encantadora com queixo pontudo e a risada selvagem de um elfo da floresta – basicam ente, um a sósia de Anna. Dentro de algum as horas, elas estavam de m ãos dadas, lançando os braços um a em torno da outra enquanto andavam . Na hora de dorm ir, Anna m e disse que Sum m er é diferente das outras m eninas. “Com o assim ?”, perguntei. “Ela não faz o que eu m ando”. Dei a entender que Sum m er deve ser um a com panhia m ais divertida para brincar porque ela tem as suas próprias ideias. Anna ainda está pensando sobre o assunto.

 

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Há lugares no m undo que não fazem j us à própria fam a; Giverny, o cenário das pinturas borradas e adoráveis de Monet, não é um deles. Acabam os de voltar para Paris encantados com lírios aquáticos com centros cor de rosa intenso, papoulas com pétalas translúcidas cor de rosa, cascatas de rosas corais. Isto pode ser um a heresia, m as acho que os j ardins de Monet são m ais bonitos ao vivo do que nas pinturas.

 

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Hoj e, Anna foi para o acam pam ento, assim , Kim e eu deixam os Sum m er no parque com o seu pai enquanto fazíam os com pras. Quando voltam os m ais tarde para buscá-los, nos deparam os com um galho em form a de garfo espetado em um m onte de terra, folhas verdes batendo com o vento com o pequenas velas. “Um m onte fúnebre”, Sum m er anunciou. Olham os respeitosam ente para a sepultura que, no fim das contas, abrigava um Tic Tac m orto. Descanse em paz.

 

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Na noite passada, nossos am igos visitantes nos levaram a um restaurante com duas estralas Michelin, Carré des Feulliants. Com eçam os com taças de cham panhe rosé e aspargos brancos. Com i um turbot desm anchando com um a fina cam ada de caviar. O efeito preto e branco lem brava um bolo de casam ento elegante, m as tinha um sabor delicado de m ar, m anteiga e crem e: a m esm a culinária que fez Julia Child apaixonar-se pela França.

 

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Alessandro carregou Luca, protestando a cada centím etro do cam inho, até a Gare de Ly on para pegar o trem para o acam pam ento de tênis francês. Na área de espera dos participantes do acam pam ento, Alessandro ouviu outro pai falar algo em italiano para o seu filho, m as Luca não deixou que ele fizesse contato. “Acho que ele tem vergonha de m im ,” Alessandro m e falou de m odo taciturno. Você acha?

 

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Acabam os de visitar a oficina de j oias, Com m elin, que teve início confeccionando am uletos, a m ão, em 1880. Apesar de não ser um a loj a de varej o, eles recebem visitantes. Observam os um artesão criar quadrados laqueados que algum dia serão parte de um tabuleiro de xadrez. Sucum bi, e com ecei a fazer pulseiras para Anna e m inhas duas sobrinhas com m iniaturas da Torre Eiffel em ouro.

 

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Está tão quente em Paris que as paredes de gesso branco do prédio em frente ao m eu escritório brilham , ligeiram ente fora de foco, com o se pertencessem a um a ilha no Egeu com vista para o m ar. Não tem os ar condicionado e, é claro, o elevador ainda está quebrado. Ontem um dos pedreiros da construção que quebrou o elevador partiu o vitral da escadaria. Pela prim eira vez, posso pensar em deixar Paris sem um a pontada de tristeza.

 

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Durante anos, a m aior am bição de Anna foi ter cinco filhos e m orar nos subúrbios com a m inivan do ano. Sem pre que ela m enciona este plano, ela geralm ente lança um a petição para um irm ão m ais novo. Tem os visitas agora com três filhos – de dois, seis e oito anos de idade. Anna acabou de m e dizer que ela nunca terá filhos, j am ais.

 

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Um de nossos visitantes, Dam iano, é um m enino de seis anos com Síndrom e de Down que conquistou o coração de Alessandro. Andando pela rua, Dam iano segura firm e na m ão de Alessandro. Sem pre que há escadas para serem encaradas, ele estica os braços para cim a com um sorriso cintilante, com o se ele fosse um girassol e Alessandro, o sol. E m eu m arido derrete-se e o levanta, todas as vezes.

 

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Luca acaba de m andar um a m ensagem do acam pam ento nos Alpes Franceses – o Tour de France passou por lá e ele viu Lance Arm strong! Pelo m enos, ele acha que viu Lance; estava todos passavam com o um borrão. Parece que as bicicletas estavam zunindo m ontanha abaixo com o vespas sendo despej adas.

 

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O sol estava brilhando quando saí para correr hoj e de m anhã. Eu m al havia entrado em casa de volta da corrida quando o céu escureceu e a chuva com eçou a cair forte na rua. Do outro lado do m eu escritório, ela escorria pelos telhados cinzentos, derram ando sobre os desafortunados pedestres abaixo e ricochetando branca na rua.

 

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Alessandro e eu ficam os de babá para Dam iano e seus irm ãos enquanto seus pais faziam um passeio turístico. Dam iano flagrou enquanto nos abraçávam os e decidiu que queria ver m ais. Com um sorriso levado, ele achava Alessandro e o puxava pela m ão até onde eu estivesse para que Alessandro pudesse m e abraçar e m e beij ar. E depois Dam iano subia no m eu colo para fazer o m esm o. Foi um a tarde m uito abençoada.

 

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Na noite passada, sentam os num café e assistim os em senhor de aproxim adam ente oitenta anos perguntar a um a j ovem se ela era a farm acêutica que trabalhava do outro lado da rua. Depois, ele sacou um preservativo e perguntou quanto eles custavam na farm ácia. Vendo todos ao seu redor sorrirem , ele devolveu um sorriso safado (e um a torcida de bigode figurativa) e disse, “Estas coisas estão ficando m ais caras a cada dia que passa! Vou na farm ácia onde ela trabalha, se eles forem tão baratos quanto ela diz.”

 

* * *

 

Luca ligou do acam pam ento de tênis, que aparentem ente é m uito, m as m uito m elhor do que o italiano. Para início de conversa, tem m eninas lá. Meninas francesas. Este fato saliente não lhe ocorreu enquanto ele infernizava nossas vidas insistindo que ele não iria e que nós não poderíam os forçá-lo?

 

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Hoj e está chovendo, frio e ventando. O céu está num tom de cinza prateado, com o as saias de seda brilhosa de um a senhora vitoriana, há m uito viúva e ainda de luto.

 

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Sentirei falta dos superm ercados franceses. Coisas que eu adoro: gaspacho e sopa de pepino frescos (localizadas ao lado do suco de laranj a), bouillon de galinha e bouquet garni em sachês de m usselina e porções individuais de pesto, perfeitas para um a m assa rápida.

 

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Ontem fiz um a pequena festa para as m inhas leitoras francesas. Bebem os cham panhe rosé decorado com groselha verm elha e biscoitos cor de rosa e falam os sobre livros, filhos e Paris. E Anna conversou educadam ente com m eus convidados! Ela não leu, em bora seu livro do Harry Potter estivesse escondido nas suas costas o tem po todo.

 

33 Superdry é um a popular m arca j aponesa de roupas.