Paris Apaixonada
Uma primavera parisiense
Aprim avera chegou a Paris! O céu perante a j anela do m eu escritório é azul, com rastros felpudos de vapor de aviões form ando padrões de renda, e o prédio do outro lado da rua está reluzente com os raios de sol. O quarteto de m etais itinerante, que ocasionalm ente toca no nosso quarteirão em troca de dinheiro, está na esquina suavem ente tocando “Blue Moon” com grande entusiasm o, m as um pouco fora do ritm o.
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Anna voltou da escola triste e com a boca cerrada. A cada dia, um aluno toca o sino do fim do período escolar, e hoj e foi a vez de Anna. Então, ela apressou-se escada abaixo, tão anim ada que não pensou em pedir perm issão; ela sim plesm ente tocou o sino. Ainda não estava na hora, então ela levou um a bronca e foi expulsa do escritório, e – o pior de tudo – um m enino cham ado Tom m aso riu dela.
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Ontem , vi um guarda-chuva francês por excelência na vitrine de um a loj a: verm elho vivo com bolinhas e babados. Eu podia im aginar aqueles ardilosos babados dançando abaixo um a rua chuvosa. Eu o com prei para Anna, só para ser questionada (com ira): “Mam ãe! Você acha que eu sou a Minnie?” Se, em um dia úm ido, você vir um a Minnie por excelência andando na rue du Conservatoire, c’est moi.
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Hoj e, j ovens rapazes estavam do lado de fora das estações do m etrô vendendo ram os de pequenos narcisos, seus caules firm em ente am arrados para que as flores em si explodissem em ram alhetes exuberantes. Quase todas as m ulheres entregavam uns euros, de form a que a rua estava repleta de m ulheres segurando flores am arelas na altura do nariz, parecendo felizes.
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Na hora do alm oço, Alessandro e eu fom os andando até a prévia de um dos leilões do Hôtel Drouot, apresentando alta costura vintage, isto é, roupas de grife feitas com pletam ente a m ão. Eu experim entei um casaco de ópera Chanel que deveria pesar sete quilos, graças ao prim oroso e pesado bordado e aplicação de contas, am bos em ouro – m ilhares e m ilhares de pequenos pontos feitos a m ão e contas que brilhavam intensam ente. Por apenas um m om ento, senti-m e com o Grace Kelly.
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Florent é o epítom e do rom ântico francês. Alessandro conta que ele está perdidam ente apaixonado novam ente. É com o se a garçonete italiana j am ais tivesse existido. Agora, ele só fala sobre sua colega de trabalho, cuj o nom e é Pauline. Ela está aparentem ente interessada, m as é evasiva. Florent tem 41 anos e quer m uito um com prim isso sério; Pauline está na casa dos vinte anos e não está pronta para um relacionam ento a longo prazo. Alessandro apontou que a garçonete tam bém era bem m ais nova, e Florent retrucou que seu pai tem 71 anos e é casado com um a m ulher de 35. Hm m .
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No Le Bon Marché, encontrei sapatos de prim avera expostos em tons de am arelo claro e cor de m elão. Os m elhores foram um par de botas rosa claro com
pequenos botões prateados, e um par de 30 kitten heels de Sonia Ry kiel que eram enfeitados com um cacho de uvas pretas brilhantes. Eles eram m uito pouco práticos, m as m uito deliciosos. Eu passei dos sapatos às roupas e parei em frente a um a saia, do tipo que é levem ente elástica. Em um surto de febre prim averil, decidi experim entá-la – m as, no provador, a saia apertou m eu traseiro de um j eito bastante perturbador. A expressão da j ovem vendedora baixou quando pedi por um tam anho m aior: “Não produzim os tam anhos m aiores do que este”, ela disse. Tirei a saia, m e sentindo com o traseiro grande dem ais para viver em Paris.
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Marina m e ligou de Florença para reportar que Milo havia repentinam ente caído do sofá. Depois de algum a consternação de sua parte e dos vizinhos, eles determ inaram que o cachorro deveria ter algum problem a digestivo. Carvão foi recom endado com o rem édio. Na prim eira tentativa de adm inistrá-lo, através de um sistem a de ingestão via prosciutto, Milo devorou o prosciutto e cuspiu o carvão que estava escondido; e de novo na segunda tentativa. A terceira oferta, no entanto, foi com pletam ente devorada. Ele não caiu do sofá desde então. Agora você sabe o que fazer se algum dia cair do sofá.
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Esta m anhã, no m etrô: dois adolescentes entrelaçados atrás de um a m áquina de bebidas. Anna vira para bisbilhotá-los enquanto passam os. “As bocas deles estão conectadas”, ela sussurrou, “do j eito que pessoas casadas fazem .” Algum tem po depois, ela adicionou: “Rom ântico. Mas noj ento.”
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Minha am iga, Carrie, e seu filha, Charlotte, desceram do avião ontem e, antes que eu pudesse perceber, eu estava andando com elas até Montm artre, o ponto m ais alto da cidade. Escalei os últim os degraus para encontrar o dom o da basílica da Sacré-Coeur reluzindo na luz do sol, coberto de fileiras de conchas de rom eiro que m e lem bravam desenhos que crianças fazem de ondas do m ar: m uito regulares, sim plesm ente fantástico.
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Quando deixei os Estados Unidos, m eias calças estavam fora de m oda, sendo assim , estou surpresa em ver m ulheres sentadas em café, suas sedosas pernas parecendo realm ente fabulosas. Carrie e eu fom os até um a loj a de m eias e fom os inform adas de que este ano m ulheres estão usando m eias calças “invisíveis” ou “cor de areia”. Eu acho pernas descobertas enfadonhas, então, aleluia!
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Mensagem para o Dr. Freud: Eu, no café da m anhã, para Alessandro: “As catacum bas parecem ser tão interessantes! Em 1741, um hom em se perdeu e seu corpo só foi achado nove anos depois. Vam os levar as crianças hoj e à tarde.” Mom ento de silêncio... e bufadas de riso. Nós vam os.
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Em 1786, os franceses transferiram ossadas dos cem itérios para as catacum bas no subsolo de Paris, m arcando a entrada com um a placa m acabra: PARE! AQUI É O IMPÉRIO DA MORTE. Nas catacum bas, ossadas são colocados nas paredes que delim itam cam inhos tortuosos, com longos ossos e caveiras arranj ados em belas form as. Há, inclusive, um deleite para um a escritora de livros rom ânticos – um a parede construída com fêm ures intercalados com caveiras na form a de um coração.
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As crianças adoraram as catacum bas. Com direito a guinchados quando água gotej ava do teto (possivelm ente esgoto francês caindo nos seus cabelos brilhosos) e estrem ecim entos se acidentalm ente encostassem em um osso, o j azigo subterrâneo virou um deleite parisiense. Além do m ais, um a acalorada discussão sobre com o alguém poderia roubar um osso, se crim inosam ente intencionado, seguida de um a especulação sobre um a assom bração vitalícia por um a fantasm a vingador do século XVIII, anim ou a todos im ensam ente.
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Carrie e eu encontram os um adorável grupo de franceses leitores de livros rom ânticos que nos cobriu de presentes e em seguida nos levou para um restaurante que nunca antes havia visto um turista. Ficam os particularm ente fascinadas por um quadro de um a j ovem vestindo nada além de avental, m eia calça, e um chapeuzinho encantador, carregando um espanador de pó provocante – foi m uito interessante ver com o a fantasia da serviçal francesa tem a m esm a ocorrência m aliciosa aqui com o na psique do hom em am ericano.
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Ontem o tem po estava um pouco chuvoso, e nós estávam os praticam ente sozinhos na Fontainebleau, o palácio de caça de reis franceses e Napoleão. Por um longo tem po, fiquei observando os m aravilhosos aposentos privados de Marie Antoinette, com painéis de fantásticos e lustrosos arabescos... a esplêndida cam a que ela solicitou, m as onde nunca dorm iu, porque a revolução teve início antes que a fam ília real voltasse ao palácio. Com o Versailles é grande e rem oto, ele fizera m e sentir com pletam ente com o um a cam ponesa norueguesa. Fontainebleau, contudo, fez m e querer ser um a rainha – em bora, talvez, um a com longevidade m aior do que a da pobre Marie.
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Entram os em um restaurante em Fontainebleau ontem ; com um extravagante brilho nos olhos, Luca pediu pés de porco com m olho de m ostarda. Um m inuto depois que seu prato chegou, ele tascou o m eu m aravilhoso cordeiro. Então, cautelosam ente com i as patas de porco, cuj os tornozelos deveriam ser realm ente cheios, tendo em vista a gordurosa carne presa em seus pequenos ossos. Ainda bem que tinha um excelente Bordeaux.
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Fontainebleau tem um carrossel que com bina com o palácio real: dois andares, com cavalos, tigre e carruagens de Cinderela decorados com arabescos em tons pastéis. Carrie e eu subim os em um ovo coberto de espirais rosas e giram os e giram os, sedativam ente balançando para frente e para trás enquanto as crianças se j ogaram em um ovo giratório. Inclinam os, vendo Fontainebleau passar com o se acenássem os de um a carruagem real; o riso estrondoso das crianças veio carregado pelo vento.
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O tem a da coleção de prim avera da Chanel parece ser baseado, estranham ente, em referências a celeiros. Os m anequins nas vitrines da Printem ps posavam na frente de fardos de palha, e eu havia acabado de passar pela loj a da Chanel perto da Madeleine, onde vi m anequins em saias curtas desaj eitadam ente segurando ancinhos. Seria esta um a resposta à recessão, um a ousada (ainda que nada convincente) afirm ação de que a m aior grife O-Luxo-Som os-Nós está rebaixando-se à fazenda?
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Saindo do ultraluxuoso Hôtel de Crillon: um a m ulher de pelo m enos sessenta anos, usando botas até os j oelhos (no estilo Gato com Botas, com as partes de cim a dobradas), um a nesga de coxas sedosas de m eia calça clara, e um a saia de costuras rústicas. Um lenço de seda com bolinhas de um intenso tom de laranj a flutuava atrás do seu om bro.
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Hoj e, Carrie, Charlotte, Anna e eu entram os no Le Dôm e, um a café na rue de Rivoli, e fom os atraídos pela m úsica alta até o salão dos fundos, que era fascinante: um a devassa com binação de sofás de veludo e m esas baixas com lanternas de m etal que em itiam sibilantes raios de luz. Era possível im aginar o glamour decadente à noite, quando j ovens franceses de quadris bam boleantes, usando brincos, se estirariam nas alm ofadas roxas.
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Carrie e eu deixam os as crianças para trás e fom os para um alm oço entre m ulheres perto da place de Madeleine, virando a esquina na Chanel e na Hédiard. As pessoas com endo conosco eram tão fascinantes quanto as nossas vieiras: um bebê recém nascido vestido de linho m acio cor de m enta; um a senhora dividindo a refeição com seu m arido (ou am ante?) vestida de saia de seda com pregas até os j oelhos, seu suéter bordado com a m esm a estam pa da saia.
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Anna teve dor na barriga na aula e ficou agarrada com a professora na m aior parte do tem po. Eu suspeitei daquela dor de barriga, até agora Anna tem sido positivam ente m aquiavélica em fingir doenças para evitar estudo. Dom itilla parece ter colocado sua cabeça sobre a m esa e chorado ruidosam ente porque Anna não estava sentada ao seu lado. “Ela é tão dram ática”, Anna reclam ou, “e às vezes eu ainda penso em com o ela m e bateu, então, fiquei com a professora.”
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Ontem viaj am os de avião até Florença para passar a Páscoa com a fam ília. Eu sabia que não estava m ais em Paris quando o assunto do j antar revolveu apenas em torno de com ida: salam e da Sicília (é m elhor do que o de Abruzzi?), os tom ates com prados de um fornecedor especial, o prosciutto feito de partir de “porcos felizes” (isto é, porcos criados ao ar livre com produtos orgânicos, se é que tal coisa é possível). “Qualquer tipo de prosciutto deixa Milo feliz”, Anna destacou. Não há evidência de que sua dieta atual tenha reduzido sua cintura.
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As vitrines de Florença estão repletas de ovos de Páscoa – pequeninos em balados em reluzente papel dourado, alguns tão grandes quanto um poodle pequeno, am arrados com um laço cor de rosa. Os m eus preferidos são as cascas de ovos de pom bos pintadas, cuidadosam ente perfuradas e recheadas com chocolate fundido. Deve-se quebrar um dos lados com um a colher, com o se abre um ovo cozido, e voilà, prazer em form a de chocolate.
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Para o profundo desespero de Marina, quando ela gritou “Guloseim a, guloseim a!” (a palavra preferida de Milo) nesta m anhã, Milo não apareceu. Convencida de que ele estaria m orto, ela vasculhou o apartam ento em busca dele – e o encontrou na sala de estar, preso atrás do sofá com o um a rolha a um a garrafa. Agora o sofá está a bons 25 centím etros da parede para que a barriga de Milo não fique presa em suas corridas à cozinha.
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Anna e eu saím os com a tia de Alessandro para um alm oço entre m ulheres hoj e. Anna dançou Rivoire adentro, um a m aj estosa e elegante instituição aqui em Florença, vestindo lindas sapatilhas novas e um vestido com babados. O garçom trouxe guardanapos de papel e, subitam ente, um senhor de idade na m esa ao lado bradou “Filippo! Traga guardanapos decentes para estas senhoras; elas são florentinas!” Filippo voltou com um pedido de desculpas e enorm es guardanapos de linho rosa claro. Com em os com o duquesas (florentinas).
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Alessandro e eu nos aventuram os em busca de ovos de chocolate, j á que o Coelhinho da Páscoa acha as crianças am ericanas onde quer que elas estej am . De m odo geral, o Coelhinho da Páscoa pula a Itália, onde os pais dão grandes ovos de chocolate que se abrem para revelar brinquedos de surpresa. Vim os um do tam anho de um bebê de três quilos, decorado com um exuberante buquê de flores de chocolate.
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Eu sem pre pensei que a relutância de um m enino para falar de seus sentim entos fosse um a construção cultural (criação, em vez de natureza) e criei Luca de acordo com m inhas presunções. Mas ultim am ente ele apenas gem e quando perguntam os sobre suas em oções. “Eu posso falar sobre os m eus sentim entos”, ele disse hoj e, quando confrontado. “Mas” (com inconfundível repulsa) “não com a m inha m ãe”. Espero que a pessoa com quem ele estiver com partilhando todos estes sentim entos reconheça o esforço que eu fiz.
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Milo é m uito estranho quando corre. Suas pernas parecem delicados galhos costurando abaixo da sua barriga redonda e peluda. Mas ele raram ente corre para qualquer lugar que sej a; ele evita até andar sem pre que possível. Ele parece um a alm ofada de apoio fazendo teste para ser cachorro.
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Hoj e, fom os a um a pequena feira que estava acontecendo no m aior parque de Florença durante a Páscoa. Era um pequeno, esfarrapado e altam ente ilegal parque de diversões: com figuras dos personagens de Walt Disney, em bora as m ãos m ágicas e sensíveis aos seus direitos legais da corporação Walt Disney certam ente j am ais se aproxim aram . Anna, que havia triunfado sobre a Torre do Terror na Disney lândia de Paris, ficou petrificada com a roda gigante antiga. Subim os nas alturas, sentados em um a pequena cabine com laterais vazadas e nenhum cinto de segurança, e Anna enfiou sua cabeça no colo e gem eu, “Isto não é seguro! Eu não traria a m inha filha neste brinquedo!” Eu a ignorei, apreciando o sorriso de Thom as O’Malley, o Matinhos dos Aristogatos no dossel acim a da m inha cabeça enquanto subíam os para o céu azul, balançando suavem ente.
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Um a agradável m em ória de Páscoa registrada ontem : senhoras andando para a igrej a com tigelas enroladas em panos de prato de linho com laços de tafetá na parte de cim a. Dentro, havia ovos cozidos, a cam inho da m issa para serem abençoados pelo padre. Trouxem os os nossos para casa e os fatiam os, por tradição pascal, para fazer um caldo caseiro, o que criou um a sopa ensolarada e abençoada.
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Hoj e, todos estam os de ressaca de chocolate. Prim eiro, o Coelhinho da Páscoa apareceu, depois a Nonna deu às crianças ovos de trinta centím etros de altura cobertos com enfeites de papel alum ínio. Mais tarde, parentes com eçaram a chegar – tam bém trazendo ovos. A m esa da sala de estar agora está cheia deles, com o se alguém estivesse cultivando enorm es rabanetes com cham ativas term inações de papel alum ínio.
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Estam os organizando um a festa de aniversário para a querida tia de Alessandro, Giuliana, a viúva do seu tio paterno, a quem ela conheceu graças à relação fam iliar que tem com o pai dele – depois que o tio supracitado divorciou-se da prim eira esposa. O j antar, que será em seu restaurante preferido, inclui parentes de am bos os lados da fam ília, m uitos dos quais m antém relações hostis. Acabam os de fazer o m apa de assentos, que levou várias horas e é um m ilagre de elegância estratégica e diplom ática, na esperança de evitar fagulhas italianas.
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Se você visitar a Itália, não deixe de ir em um dos m ercados da cadeia Esselunga. Eles frequentem ente oferecem m acacões feitos pela em presa francesa Petit Bateau, com pequenas ilustrações adoráveis na frente. Eu sem pre com pro alguns de presente de últim a hora, m as só depois de m orar em Paris percebi que eles, na verdade, são m ais baratos na Itália do que em solo nativo.
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A festa de aniversário para Giuliana aconteceu sem qualquer contratem po. As crianças tiveram todas as razões do m undo para ficarem com portadas durante o j antar, j á que a m inha am eaça de evisceração acom panhou um a perm issão para levarem livros e iPods Touch. Por cinco horas e seis pratos, ele fizeram um trabalho bom em fingirem ser educados e obedientes. Mas quando o bolo de aniversário foi servido, Anna desapareceu de repente. Quando m e dei conta, ela estava no colo de Giuliana, abrindo o seu sorriso m ais charm oso enquanto um a floresta de câm eras em itia flashes e Giuliana apagava as velas no seu bolo.
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Ao lado de nossa m esa, acontecia outra com em oração de aniversário. O centro das atenções era um a m ulher m agra feito vara e elegante com cabelo loiro oxigenado, saltos fabulosos e um curto vestido azul. Ela destacava-se dentre os m em bros de sua fam ília com o um poodle de exposição sentado em cim a de um grupos de bassês alegres e carinhosos. Meu m om ento preferido foi quando alguém de sua fam ília a presenteou com um a bolsa carteiro m urcha adornada com um grande Snoopy. Ela charm osam ente a pendurou no om bro – pela últim a vez, aposto o m eu prim ogênito.
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Saí para um a corrida com Alessandro e depois trotei 108 degraus até o sexto andar, caí porta adentro e atirei-m e no tapete da sala de estar para m e recuperar. Milo levantou-se da sua alm ofada de veludo e veio ver o que estava acontecendo. Para o prazer de todos, ele alinhou seu corpinho gordo ao lado do m eu e rolou sobre as suas costas para que pudéssem os ofegar j untos.
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Os m om entos preferidos da vida de Anna acontecem quando Luca se digna a brincar com ela. Esta tarde, Luca era o rei, esparram ado em um a cadeira, enquanto Anna dançava em volta dele, balançando a sua varinha de condão. Anna, com o talvez j á se tenha deduzido, é viciada em Harry Potter, enquanto Luca prefere a Idade Média. Do outro côm odo, escuto “Avada Kedavra!” (a m aldição da m orte), seguida pelo grito de um adolescente de quinze anos: “O que você quer dizer? Você m atou o poeta da m inha corte?”
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Hoj e, as crianças e eu fom os ao Parco Della Cascine, um a enorm e propriedade residencial que agora serve de parque público, sem analm ente abrigando o m aior m ercado ao ar livre de Florença, com estandes vendendo de tudo desde latas de lixo a cestas de vegetais a vestidos por um euro ou dois. É um lugar particularm ente bom para achar longas cortinas translúcidas, bordadas com flores ou flores-de-lis, o em blem a da cidade de Florença.
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Graças a um cabeleireiro italiano, m eus cabelos loiros ficaram laranj as. Alessandro sorriu e observou: “Está bastante diferente”. Minha autoim agem ferida foi confortada por Luca, que disse, “Uau, nenhum a m ãe tem cabelos assim nos subúrbios”. Em um a dem onstração de planej am ento realm ente lam entável, esta sem ana Alessandro e eu vam os para Veneza, onde eu devo lecionar um a aula para professores universitários de Shakespeare. Eu posso garantir que nenhum deles terá cabelos que Ronald McDonald invej aria.
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Ontem , peram bulei por Florença e fui parar em um a fabulosa loj a de sorvetes, Gelateria dei Neri, na Via dei Neri, atrás da Piazza dela Signoria. Se você algum dia vier para Florença, prove o doce e levem ente acastanhado sabor de ricota e figo.
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Em Veneza para a conferência, a prim eira coisa que fiz depois de sair do hotel foi visitar o Caffè Florian na Piazza San Marco. Quando Alessandro e eu éram os alunos de pós-graduação pobres com o ratos de igrej a, dividim os um pequeno bule de chá aqui por 7.000,00 liras (US$3,50 na época – um a pequena fortuna). Agora, tínham os um bule de chá para cada um e escutávam os um quarteto de
j azz tocar “ 31 And I think to myself, what a wonderful world” Nossa conta som ou trinta euros, ou aproxim adam ente US$44,00, um conto furado com parado à alegria de estarm os lá j untos, com as finanças em dia e felizes.
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Hoj e, fizem os um passeio no quarteirão j udaico de Veneza. É o gueto m ais antigo no m undo (datando do início do século XVI) – um a pequena ilha onde todos os j udeus eram forçados a viver, sendo assim , eles construíram casas com oito andares, sem elevadores. As sinagogas são lindas, assim com o o m em orial ilustrando o trem que transportava pessoas aos cam pos de concentração. De centenas de j udeus venezianos, apenas oito voltaram . É desolador.
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Veneza é com o um sonho de um com prador com pulsivo que dorm e – as pequenas e espetaculares pontes sobem no ar e descem em m ais ruas com vitrines brilhando com ouro, veludo e vidro. As ruas confundem -se e a sensação que se tem é de andar em círculos, sem pre presenteado com m ais o que desej ar, m ais o que com prar.
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Hoj e, deparei-m e com um a grande placa rosa do Museu Fortuny. Pensei vagam ente em seda e decidi investigar. Mariano Fortuny (nascido em 1871) foi um estilista de m oda brilhante que trabalhava com seda finam ente plissada e veludo lustroso. Não perca este m useu: é um pouco som brio por dentro, m as há um sofá de veludo para descansar as pernas e ler o catálogo do m useu.
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Veneza é grande, labiríntica e cheia de escadas. Seu sistem a de endereços é obscuro ao ponto da im penetrabilidade, e porque não há ruas, não se pode sim plesm ente entrar em um táxi, que é a m inha resposta para quando estou perdida em outras cidades. Hoj e, m e perdi m as m e encontrei no Restaurante do Grand Canal, no Hotel Monaco. Eu cedi à ostentação com um exorbitante alm oço no terraço, sozinha. Com i salada de polvo grelhado e sopa de peixe profumo di zafferano, ou perfum e de açafrão, acom panhados de um a taça de cham panhe. Meu garçom m e considerou louca por tom ar um a taça de cham panhe sozinha enquanto lia um livro. Mas àquela altura, eu estava cansada de beleza, e um rom ance que se passa em um planeta alienígena protagonizado por um herói com ares de cowboy era exatam ente do que eu precisava.
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O m om ento de que m enos gostei na conferência acadêm ica para a qual viaj ei à Veneza: um ator extrem am ente talentoso interpretando um a cena com o um charlatão, ou um golpista da Renascença. Ele sacudiu sua m inúscula garrafa de “Orvalho de Vênus” na direção dos m eus cabelos laranj as e disse, “Para senhoras que estão ficando grisalhas, isto trará de volta suas m echas ruivas.” Eu ri, m as pensei coisas am argas sobre o cabeleireiro italiano que prom etera restaurar m eus cabelos loiros de volta ao seu tom ruivo norm al.
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Ao voltarm os para Florença, Marina anunciou triunfante que, enquanto estávam os em Veneza, ela achara um bom veterinário, nada com o aquele rapaz zom bador que fez piadas sobre a cintura de Milo. Este novo veterinário alegadam ente disse que não era culpa de Marina que Milo havia se tornado um Chihuahua de doze quilos – era nossa culpa porque o castram os. “Cachorros castrados são todos obesos”, Marina m e inform ou. Em vão, protestam os que os Estados Unidos são um a nação de cachorros com peso controlado e saudáveis, ainda que lhes faltassem algum as de suas partes. Voltam os para Paris am anhã, o que provavelm ente é bom em term os de harm onia fam iliar.
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Anna chegou em casa e disse, “Dom itilla e eu agora som os m elhores am igas!” Isto realm ente era um a notícia interessante. “Com o isto aconteceu?”, eu perguntei. “Dom itilla foi expulsa da aula m ais um a vez e eu perguntei se poderia ir ao banheiro. Então, fui ao corredor e lhe dei m eu pequeno ham ster rosa, e agora” – Anna disse, confiante – “ela m e am a”. Tem o que lições ruins estej am sendo ensinadas pela base transacional desta nova relação, m as eu não pude achar um a form a de expressar a m inha intuição sem parecer negativa.
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Enquanto eu avanço no livro de m em órias de Claude sobre Paris, estou com eçando a achar que eu provavelm ente não teria gostado m uito dele. Ele achava que um “senso de hum or espontâneo” era raro em um a m ulher. Ainda pior, ele declara que o charm e fem inino não é nada m ais do que isca: há “m olas de aço por debaixo”. Dr. Freud teria m uito a dizer sobre estas “m olas de aço por debaixo”.
30 N.T. Kitten heels são saltos finos e baixos, de 3.5 a 4.75cm , popularizados por Audrey Hepburn.
31 N.T. Trecho da m úsica “What a Wonderful World”, escrita por Bob Thiele (com o “George Douglas”) e George David Weiss, popularizada na interpretação de Louis Arm strong. O trecho citado acim a, traduzido para Português, é: “E penso com igo m esm o, que m undo m aravilhoso.”