Paris Apaixonada

Eloisa James · Capítulo 16 de 21

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Paris Apaixonada

Um pedaço do verão parisiense

Um pedaço do

verão parisiense

 

Nesta m anhã, despachei a fam ília para a Itália; pelas próxim as duas sem anas, Alessandro vai ficar na Itália enquanto as crianças estarão no acam pam ento de tênis. Eu ficarei em Paris para escrever, escrever, escrever. Quando eu entrei novam ente no apartam ento, m e dei conta de que nunca havia sido a pessoa a ficar para trás; geralm ente, sou a pessoa que viaj a. O silêncio encheu o apartam ento até que batucou nos m eus ouvidos. Mas agora a chuva está caindo forte nas j anelas e em breve eu levarei o m eu guarda-chuva de bolinhas para um passeio pelas ruas da cidade. Silêncio, com chuva, é um barulho am igável.

 

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Sty lePixie Salon acabou sendo a resposta para as m inhas preces. Desde o m om ento em que entrei e vi um a pilha de revistas fem ininas inglesas, fiquei feliz. E depois que Victoria, dona do salão, avaliou a horrenda situação na m inha cabeça e delicadam ente colocou dois ou três tons para abrandar o laranj a e a m áscara platinada, fui para o paraíso.

 

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O sem teto partiu. Ele guardou sua barraca e desapareceu em m eio à noite. Espero que ele tenha ido para algum lugar verde; gostaria de im aginá-lo m editando na gram a em vez de no concreto. Parei onde sua barraca costum ava ficar e percebi que ela estava posicionada em cim a de um a poderosa ventilação de aquecedor. Não é de se adm irar que ele parecesse tão confortável, m esm o no inverno rigoroso.

 

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Estou escrevendo um livro sobre os pequenos teatros londrinos durante a época de Shakespeare e esbarrei com um a adorável referência: em 1555, um hom em m uito poderoso cham ado Sir Thom as Cawarden, que era proprietário de grande parte da popular área de Londres cham ada Blackfriars, escreveu um contrato de aluguel para um a Elizabeth Foster. O contrato concedia o direito de aloj á-la “até o fim de sua vida, por aluguel anual, 3 Flores arom áticas”. Em com paração, outras pessoas pagavam m ais de trinta libras esterlinas por ano, um m ontante enorm e para a época. Meu lado de escritora de livros rom ânticos acha este contrato intrigante e agradável.

 

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Fui visitar um a am iga no 16o arrondissement hoj e. Ela andou com igo até a estação do m etrô, Porte Dauphine, e apontou para a cobertura de vidro sobre a entrada que parece um grande rabo de pavão sem cor. Aparentem ente, é um a das únicas entradas de Art Nouveau originais que ainda existem na cidade. Todo aquele vidro transparente arqueando-se sobre a porta parecia quase conflitante, com o se afirm ando que aquela não era a porta para o Subm undo; Cérbero não aguarda no subsolo.

 

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Notas divulgadas! Tem íam os que Luca pudesse ficar retido para duas sem anas de cursos corretivos destinados àqueles com notas baixas. Mas não! Ele trabalhou m uito duro neste ano para dom inar as traduções de latim para italiano, geom etria explicada em italiano e interrogazione sobre História (reclam ação recorrente do professor: “os fatos estão corretos, m as suas frases não são com plexas o suficiente”). Não só ele passou de ano, com o tam bém se saiu m uito bem em algum as m atérias! Ele parece ter um dom para análise literária.

 

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Acordei no silêncio e saí para um a corrida. Paris é triste, fria e vazia nas prim eiras horas da m anhã. A cam inho de casa, encontrei vendedores de frutas arrum ando engenhosas m ontanhas de m açãs, kiwis e abacaxis, com o esquilos ansiosos (m as artísticos) em pilhando castanhas para um longo inverno.

 

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Term inei o livro de m em órias de Claude, que é concluído com um a entrevista im aginária bastante estranha com o escritor Anatole France. Os paralelos entre m eu tio-avô e eu são im pressionantes. Nós dois estudam os em Harvard (preciso reverenciar a tradição de adm issões por legado aqui), m oram os em Paris, escrevem os livros de m em órias, ficam os em ocionados com a luz da França e escrevem os rom ances que não foram apreciados pela instituição literária. Não só isto, com o tam bém escrevem os artigos de opinião para o The New York Times, em bora a dele fosse sobre política italianae a m inha sobre o term o bodice-ripper (rasgador de corpetes). E fizem os tudo isso com quase precisam ente cem anos de diferença. Liguei para Alessandro na Itália para inform á-lo que talvez eu estej a possuída pelo fantasm a de Claude C. Washburn, m as ele m eram ente bufou.

 

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Milo vai fazer um a viagem para em agrecer! Alessandro vai para as m ontanhas enquanto as crianças estão no acam pam ento e ele convenceu Marina a deixar Milo ir com ele. Marina fez as m alas de Milo com sua alm ofada de veludo verm elho, seus potes de com ida especiais, seu casaco especial, sua toalha especial e seu secador especial, e os despachou, aconselhando Alessandro a m antê-lo seco porque o veterinário diz que ele é m uito, m uito sensível e pode desenvolver reum atism o se não for m im ado.

 

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Passei o dia de ontem na frente do com putador, ocasionalm ente m e inclinando para saborear pedaços do sapato de chocolate que Alessandro e Luca m e deram : um toque de baunilha, um a insinuação de cacau, um gosto residual instável. Silêncio, sem adolescentes contrariados e carentes crianças de 11 anos – e um sapato inteiro para com er!

 

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Falei com Anna, que ligou do acam pam ento. Ela m e disse, num tom de virtude piedosa, “Todas as crianças usam palavrões em cada frase que falam . Não posso lhe dizer m ais nada porque estaria caguetando”. Em seguida, com um a pausa, ela adicionou: “Sabe o que Luca anda fazendo? Ele está ensinando ao seu grupo palavrões em inglês am ericano – aqueles m uito, m uito baixos!” Meu garoto... Aproveitando cada oportunidade para expressar os aspectos m ais refinados da cultura am ericana para os seus colegas ao redor do m undo.

 

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Ontem encontrei um a fila na frente de um a loj a que vendia roupas britânicas – com 75% de desconto. Naturalm ente, eu entrei na fila. Na porta, m e entregaram um a enorm e sacola; no interior da loj a, as pessoas enchiam suas sacolas com roupas com o pom bos fam intos atrás de m igalhas. No fim das contas, não consegui encarar a fila do caixa e, além do m ais, eu havia perdido um a disputa por um casaco de chuva rosa claro com um a francesa feroz. Esgueirei-m e para a saída, oferecendo um sorriso fraco para as m ulheres que ainda esperavam na fila do lado de fora.

 

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Hoj e Luca ligou do acam pam ento. Seu grupo tem cinco m eninos de 16 anos e nenhum a m enina da sua idade; a m enina m ais velha tem 13 anos. Chegarão m ais seis adolescentes am anhã: cinco m eninos e um a m enina; que ele espera que tenha 15 ou 16 anos. “Sou o m ais alto”, Luca m e disse, “e faço m ais pontos do que qualquer um em handball.” Apesar destes potentes fatores, percebo que ele está incerto de ganhar A Garota. Só espero que ela estej a realm ente interessada em garotos.

 

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Depois de m uito farej ar, decidi qual é o m eu sabonete francês preferido. É produzido por um a em presa cham ada Resonances e vendido na Galeries Lafay ette Maison em grandes blocos que se pode cortar ao m eio. É arom atizado com verbena, que eu precisei pesquisar; é um a flor selvagem tam bém conhecida com o “erva da graça”. Este arom a m e lem bra lim ões e roupa seca ao ar livre.

 

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Estive ansiosa para conferir a cena de loj as de roupas de segunda m ão em Paris, então fui para Réciproque, que tem loj as separadas para hom ens, roupas fem ininas de festa, roupas fem ininas de grife e presentes. Experim entei diversos ternos da Dior (todos caros dem ais, m as divertidos de usar, ainda que por apenas um m om ento), e depois decidi que poderia com prar um a blusa de seda azul clara e florida da Dior. Pendurada no m eu arm ário, ela parece um pavão entre um a porção de galinhas.

 

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Andando pelo 7o arrondissement hoj e de m anhã, olhei para o alto para ver a Torre Eiffel no fim da rua. A cidade estava tão nublada que as nuvens cobriram com pletam ente a parte de baixo da torre; o que estava visível acim a da neblina parecia a torre de controle de um subm arino com plicado e m uito perigoso em ergindo do m ar enevoado. Na verdade, quando a Torre Eiffel foi erguida, em 1889, havia um a preocupação geral sobre com o ela poderia afetar o clim a e trazer tem pestades elétricas para a cidade. Subitam ente entendo o m edo.