Paris Apaixonada
Outono parisiense
Passam os o verão na Itália, então alugam os um carro e fom os para Paris. Eu im aginei este percurso com o um “bom m om ento”, um início fascinante de um ano de liberdade criativa. Mas o que aconteceu foi que as crianças transform aram a viagem na chance de colocar em dia os program as que perderam na televisão, agora am plam ente disponível, graças à internet. “Prestem atenção, crianças”, eu gritei do assento da frente. “Tem um m aravilhoso castelo à direita!” A única resposta foi a risada exagerada inspirada por piadas de Family Guy sobre Ronald Reagan. Eles ainda não tinham nascido quando ele foi presidente.
ONTEM PASSAMOS A noite com am igos que têm um pom ar de kiwi em Cigliano, no norte da Itália, um bosque escuro e nebuloso com árvores frutíferas, repletas de frutas, intercaladas por árvores infrutíferas. A casa da fazenda tinha ganchos sobre as cam as para pendurar ervas secas e salsichas. Mostrando que não tinha qualquer respeito à tradição, Luca ficou apavorado com os “ganchos de carne” e im plorou para dorm ir no carro. Nós conseguim os esconder dos nossos am igos sua crença de que a am ada casa deles era na verdade um a casa m ortuária.
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De volta ao carro para a etapa final da nossa viagem para Paris, Anna passou horas colocando barulho de pum para tocar em seu iPod Touch. Tentei ignorar que a m inha filha de dez anos estava agindo com o se tivesse m etade de sua idade, e fiquei olhando pela j anela. A autoestrada francesa era delim itada por pequenos tubos verticais dos quais brotavam sam am baias. As partes crespas davam a im pressão de que os bonecos Troll da m inha infância estavam escondidos nos tubos – talvez esperando um a chance para pedir carona, caso a fam ília certa aparecesse.
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Nosso apartam ento parisiense é elegante com o um casaco Chanel encontrado em um baú em um sótão: tem os arrem ates gastos pelo tem po, m as um design m aravilhoso. A construção é dos anos 1750, e os assoalhos de m adeira são todos originais. A cozinha e o banheiro ficam no fim de um longo corredor que dá para um canto do pátio do edifício – assim os cheiros (e os em pregados) ficariam isolados.
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Nossa guardienne, ao contrário do que esperávam os, não é francesa m as portuguesa, tem um rosto redondo e é sorridente. Alessandro desceu com ela e ficou por lá durante um a hora inteira; parece que eles discutiram preço de verduras todo o tem po. Ele contou que os donos das loj as na rue Cadet, a rua com ercial duas quadras acim a, são todos ladrões. Cientes disso, e seguindo obedientem ente as instruções, partim os para um m ercado coberto, Marché Saint-Quentin, onde as verduras são m ais baratas e os vendedores são honestos. Encontram os um a variedade incrível de frutas, incluindo quatro variedades de uvas: pequenas, roxas escuras brilhantes, grandes e violetas, verdes com um adocicado selvagem , e verdes pequenas com sem entes am argas.
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Acabam os de passar três horas para abrir um a conta bancária. Pensei que nosso eloquente gerente não pararia de falar nunca m ais. À m edida que ele prosseguia, eu m e sentia cada vez m ais am ericana. Ele nos deu até um núm ero de telefone para aconselham ento diététique. As m ulheres francesas não deveriam ser universalm ente conhecidas pela m agreza se precisam de conselhos de dieta de seu banco.
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Há um pequeno hotel do outro lado da rua do nosso edifício, e outro à nossa direita. Descendo, na m etade da rua tem um a enorm e igrej a gótica cham ada Saint-Eugène-Sainte-Cécile. Soube que Cecilia é a santa protetora da m úsica; o conservatório fica na porta ao lado. Estar na igrej a é com o estar dentro de um a caixa de tesouro esm altada na qual um artesão enlouquecido trabalhou com o escravo por anos. Cada superfície – pilares, paredes, tetos – é coberta com ornam entos, a m aioria em padrões diferentes. Ficam os lá boquiabertos até serm os expulsos, pois a m issa estava acontecendo. Me senti um pouco hum ilhada por não entender sequer um a palavra, achando que a causa fosse o m eu francês precário, m as, na verdade, a m issa era inteiram ente em latim . Com o alternativa, iríam os tentar a igrej a católica am ericana.
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Em um forte ím peto durante a preparação para o nono ano, Luca acabou de alisar seus adoráveis cachos italianos. Agora ele parece um adolescente francês de quinze anos, m as com um nariz italiano.
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Hoj e, participam os de um evento de patinação: m ilhares de parisienses estilosos deslizavam velozm ente sobre um a ponte m edieval enquanto o sol brilhava sobre o Sena. Até que eu trom bei com um estranho e cai sentada. Um organizador da com petição m e disse m uito educadam ente com um forte sotaque que “isso é m uito difficile”. Com o eles dizem , era isso. Fom os descansar nas cadeiras de um
café e, enquanto tom ávam os Oranginas 4, observávam os o m ovim ento de Paris. Então, voltam os devagar, treinando nossas freadas.
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Nesta m anhã, vi um a francesa chique no m etrô... usando um a boina. Com o isto é possível? Eu pareceria extrem am ente “encantadora”, com o um dos esquilos de Alvim e os Esquilos, cantando Cantando na Chuva.
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Anna odeia Paris. Ela odeia a m udança, ter deixado seus am igos, a nova escola, ela odeia tudo. Eu sou a única m ãe na França que arrasta pela rua um a criança com o nariz enfiado em um livro, para não correr o risco de ver nada que sej a parisiense.
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Nosso apartam ento tem um a escadaria e vitrais que dão para o pátio interno – e um m inúsculo e lento elevador construído nos anos 1960. Meu m arido e eu só cabem os de lado e encolhendo nossas barrigas. Algum as vezes, as com pras de superm ercado tam bém cabem . As crianças têm que subir de escadas. Geralm ente quando chego lá em cim a, encontro Anna deitada em um dos últim os degraus, ofegante, com um a m ão estendida em direção à porta (fechada), fazendo um a ótim a im itação de um a pessoa m orrendo no deserto diante de um a m iragem .
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O açougueiro da rua com eçou a flertar com igo! Sinto com o se estivesse em um film e. Ele tam bém m e deu um desconto de um euro nas salsichas que com prei. Na avaliação nada rom ântica de Alessandro, o açougueiro é um excelente com erciante. O que é verdade. Agora sou um a cliente para a vida toda.
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Alessandro nasceu e cresceu em Florença, Itália, com um a paixão por aprender línguas (inglês e latim no colégio, francês, alem ão, russo e grego antigo posteriorm ente). Quando o conheci, ele tinha um sotaque charm oso que abandonou depois de ter sido, com o ele próprio diz, seduzido para a dom esticidade. Atualm ente, ele é professor de literatura italiana na Universidade de Rutgers, e foi condecorado pelo governo italiano por suas obscuras contribuições intelectuais para a República. De qualquer form a, Alessandro resolveu não desperdiçar a oportunidade de tornar o seu francês tão bom quanto o seu inglês, e para isso colocou um anúncio na internet oferecendo um a hora de conversação de francês em troca de um a hora de conversação de italiano. Ele está recebendo um a enxurrada de respostas, a m aioria tratando o anúncio dele com o a possibilidade de um encontro às escuras. A m inha favorita foi a de Danielle (“m as alguns m e cham am de Dasha; você escolhe”), que escreveu dizendo que tinha um ingresso extra para O Quebra-Nozes, e que eles se divertiriam m uito falando francês, especialm ente depois de beber m uito cham panhe.
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Esta m anhã, o restaurante tailandês no início da nossa rua explodiu, causando nuvens de fum aça branca e um cheiro terrível de borracha queim ada. A guardienne veio até o quarto andar para nos dizer que achava que os proprietários estavam fazendo algum a coisa ilegal em seu porão.
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A m ulher que trabalha na m ercearia italiana da nossa rua, no final das contas, é conterrânea de Alessandro. Descoberto este fato interessante, ela assum iu as suas com pras, deixando de lado o azeite (inferior), substituindo a m ozarela de búfala (por um a m ais fresca do que a escolhida por ele) e cortando presunto de Parm a em vez de San Daniele. Ocorreu-m e que a florentina esperta extraiu alguns euros a m ais da carteira de Alessandro alegando parentesco, m as sua crem osa e delicada m ozarela vale cada centavo.
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É noite, após um dia de chuva... as j anelas estão abertas e notas de um a fabulosa ópera vindas do Conservatório espalham -se pela rua.
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Com o qualquer cidade grande, Paris tem m oradores de rua. Mas eu nunca tinha visto antes um a m ulher varrer cuidadosam ente a soleira da porta onde ela, seu filho e seu m arido dorm em . Alguns parisienses desabrigados possuem pequenas tendas para duas pessoas, que em um sim ples giro se abrem ; m uitos têm gatos e cães bem cuidados em coleiras.
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Mirabile dictu! Anna descobriu duas coisas de que gosta em Paris. A prim eira é o chocolate, e a segunda é a loj a do rateiro, onde tem quatro grandes ratos pendurados de cabeça para baixo em ratoeiras. Nós desviam os do nosso cam inho para olhá-los estarrecidas, antes de fazer com pras.
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Típica cena francesa: dois m eninos brincando na rua com baquetes fingindo não que elas eram espadas, com o supus inicialm ente, m as pênis gigantes.
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Grande em oção! Acabam os de receber a visita de um lim pa-cham inés desonesto, supostam ente enviado pela com panhia de seguros do senhorio. O hom em com eçou a trabalhar, m as Alessandro decidiu checar inform ações sobre ele. Era tudo um a farsa para nos fazer pagar por um a lim peza desnecessária. O lim pador de cham inés foi expulso com suas escovas, varas e tudo m ais, com m uitos franceses protestando e gritando, após a lim peza de duas cham inés. Pareceu m uito dickensiano.
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Anna acabou de m e avisar sobre m inha m orte. Ela recriou a nossa fam ília no j ogo de com putador “The Sim s”, e eu m orri depois de m e recusar a parar de ler para m e alim entar. “Da próxim a vez”, disse ela, “vou fazer de você um a estrela do rock, então, você não vai se im portar de sair de casa”.
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No m eu país, a carne vem envolta em plástico brilhante e devidam ente lacrado; e a sim ples im agem m e faz lem brar que a carne verm elha tem sido associada ao câncer. Aqui, cada carne parece m ais fresca do que a outra. O açougueiro retira as últim as penas de um belo e gordo ganso ao colocá-lo na sua frente. Os prim eiros pom bos m e lem braram de m inha j anela no escritório em Nova York; agora, eu vej o pequenas galinhas deliciosas. O pom bo “bio” – quer dizer, totalm ente natural – é particularm ente tentador.
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Um a plataform a de m adeira está descendo silenciosam ente próxim a à j anela do m eu escritório, vinda do andar de cim a e carregando um a m obília extraordinária: cadeiras incríveis, um a m esa de biblioteca, um a escrivaninha antiga. Este espetáculo é terrível para m eu planej am ento de escrita, j á que de quinze em quinze m inutos eu pulo da m inha cadeira para cobiçar.
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A escola italiana Leonardo da Vinci tem um a portaria discreta, m as é facilm ente identificável pela aglom eração de mammas italianas em pé na calçada, reclam ando da dificuldade de encontrar boa m assa em Paris. Luca voltou para casa depois do seu prim eiro dia de aula com um a expressão de choque. Esperam que ele curse “desenho arquitetônico” (sej a lá o que isto for), tradução de latim para italiano, e um tipo de m atem ática que ele não sabe identificar m uito bem . Acham os que deve ser geom etria avançada.
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A igrej a Católica Am ericana de Paris, no final das contas, é na avenue Hoche, um a boa cam inhada do nosso apartam ento. A m issa é com o um a doce cápsula do tem po dos m eus dias de acam pam ento de Bíblia Luterana nos anos 1970: m uitos violões, m ãos dadas, cantando “Só precisa de um a faísca para com eçar
um a fogueira...”5
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Entre seis e m eia e sete horas da noite, quase todo m undo na rua carrega um a baguete com prida parcialm ente em brulhada em um papel branco. De repente, o m undo fica repleto de pães com cascas crocantes.
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Há algum tem po tínham os um Chihuahua obeso cham ado Milo, que viaj ava regularm ente entre os Estados Unidos e a Itália, até um fatídico agosto quando a Air France o considerou gordo dem ais para voar em seu avião. Desde então, ele vive em Florença com a m ãe de Alessandro, Marina, cuj a cozinha deve ter tido um efeito ainda m ais desastroso em sua silhueta. Hoj e, Marina ligou para dizer que o estresse tem feito Milo ganhar m ais alguns quilos (apesar de o veterinário ter antipaticam ente sugerido que o ganho de peso foi o resultado de um excesso de prosciutto). A fonte de estresse de Milo é difícil de ser identificada; entre outras indulgências, ele literalm ente dorm e sobre um a alm ofada de veludo, com o o gato de um im perador em um conto de fadas. Mas Marina alega que a m era presença de outros cães na rua (e, consequentem ente, no m undo) é m uito perturbadora para ele.
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Na correria louca desta m anhã, não com i nada para levar Anna para a escola a tem po. Voltando para casa, no m etrô, tirei m eu casaco – e som ente então m e dei conta de que ainda estava de pij am a. Fiquei de pé no m eio de passageiros bem vestidos por oito estações, m orrendo de vergonha, sem espaço para colocar m eu casaco de novo, fingindo não estar vestida com um pij am a de flanela felpuda listrada de verde e am arelo.
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Nos Estados Unidos, m eus filhos frequentavam um a escola Quaker6, que era especializada em prom over conversas am igáveis com o form a de disciplina, m as aqui os instrutores gritam com as crianças e os fazem ficar de pé contra a parede. Pior do que isto, depois de apenas alguns dias de aula, Luca e Anna perceberam que eles estão atrasados em relação às suas respectivas séries. A fam ília está toda com um desanim ador sentim ento de que escola antiga deles, tão am ada, lhes ensinou a serem pessoas m uito boas, m as talvez não tenha tido tanto sucesso na área acadêm ica.
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Onze horas da m anhã de dom ingo: um quarteto de m etais ocupou a esquina da nossa rua e tocou m elodias de My Fair Lady. Todos nós fom os para a j anela, e eles nos m andaram beij os e pediram que j ogássem os dinheiro. As crianças deleitaram -se ao fazer exatam ente o que lhes foi pedido.
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Quando chegou da escola, Anna escancarou a porta do apartam ento, : “Mam ãe! Fui agredida hoj e!” “O que aconteceu?”, perguntei. “Um a garota cham ada Dom itilla m e deu um tapa!” Anna respondeu, com os olhos arregalados. “Ela disse que eu estava gritando em seu ouvido”. Escolhem os a antiga escola de Anna, em Nova Jersey, j ustam ente preocupados com esse tipo de conflito: eles dedicavam grande parte do tem po para ensinar aos alunos a rej eitar a violência, estudando Mohandas Gandhi e Martin Luther King, e praticando soluções de conflitos. Esperançosam ente, perguntei com o Anna respondeu ao seu prim eiro teste real de agressão no parquinho de diversão. “Bati nela de volta, na hora”, explicou m inha filha. “Minha m ão sim plesm ente reagiu sozinha.”
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Entrei em um salão de beleza ontem e pedi que fizessem m eus habituais reflexos verm elhos; o coiffeur retrucou abruptam ente: “Não! Para você, dourado. Verm elho não é chique.” O bom é que nosso apartam ento está equipado com lâm padas de baixa potência e do tipo econôm ico, pois um a luz forte m e transform a em um a calêndula.
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Alessandro foi convidado a integrar o conselho da escola Leonardo da Vinci. Ele reclam ou, lam entando-se de que estava em período sabático e não deveria trabalhar em nenhum com itê, m as, no final, acabou concordando em participar. Hoj e houve um a reunião de boas-vindas, durante a qual a professora de italiano de Anna deu a entender que sua classe é m uito indisciplinada, o que pode ser um desafio para ensiná-los. A m ãe de um a aluna levantou-se e disse que sua filha – vam os cham á-la de Beatrice – queixou-se de que m andaram que ela ficasse calada. “Você não pode dizer para m inha filha ficar em silêncio”, repreendeu a m ãe de Beatrice. “Ela vai ficar traum atizada por a m andarem ficar calada. Eu a criei para falar livrem ente o que pensa”. Eu pensava que este tipo de obsessão em defender a liberdade de expressão na infância fosse um a característica am ericana. É bastante gratificante perceber que eu estava erroneam ente difam ando m eu país.
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Descobri pelo m enos um segredo das m ulheres francesas m agras. Estávam os em um restaurante na noite passada, e havia um a fam ília m uito elegante sentada à m esa ao lado. O pão chegou, e um a adolescente m agra estendeu a m ão na direção dele. Sem perder a classe, maman pegou a cesta e guardou-a na estante ao lado da m esa. Eu com i m ais do m eu pão em solidariedade.
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Alessandro chegou em casa vindo das com pras e disse: “Eu ia lhe com prar flores por causa da discussão que tivem os ontem ”. Olhei para suas m ãos vazias. Ele encolheu os om bros. “Havia m uitas opções”.
4 N.T. um a espécie de bebida cítrica gaseificada feita de laranj a, lim ão, tangerina ou toranj a, m uito popular na Europa.
5 N.T. No original, “It only takes a spark to get a fire going...”, da canção cristã Pass it on, de Kurt Kaiser.
6 N.T. Quaker: m em bro da Sociedade Religiosa dos Am igos, um a seita cristã fundada pelo líder religioso inglês George Fox (1624-1691).