Petronio

Marcelino Mesquita · Capítulo 2 de 137

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Petronio

Petronio

Oh!

MARCOS grave

Salve, Petronio!

PETRONIO

Salve. Sê bem vindo em Roma. Que o repouso te seja grato depois da guerra.

MARCOS

Que os Deuses te sejam propicios, sobre tudo Asclépias e Cypris.

PETRONIO

Que o tal Asclépias me perdôe; não tenho fé n'elle. Um Deus cuja mãi se ignora! Sabe-se lá se é filho de Arsinoé ou de Corónida? Que fará do pai! Quem, por estes tempos que correm, pode ter a certeza de ser filho... do pai? (Marcos, ri contrafeito) Estás preocupado?

MARCOS

... Não.

PETRONIO

Dos Asclepiades já tive de me servir, o anno passado... para a bexiga. Sabia que eram charlatães; mas o mundo repousa sobre o charlatanismo e a vida mesmo não é senão uma illusão! O que é precizo é saber distinguir as bôas illusões das más. Eu mando aquecer a minha estufa com madeira de cedro, pulverisada com ambar, porque prefiro os perfumes aos máus cheiros. Quanto a Cypris, a quem me recomendaste, devo-lhe o ter coxeado, amorosamente, dois mezes; mas, emfim, é uma bôa deusa a quem espero sacrificarás, em breve, as brancas pombas.