Petronio

Marcelino Mesquita · Capítulo 39 de 137

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Petronio

NÉRO, recitando

Sim, é bella; mas tu és cem vezes mais! Bebe um golo, para que eu ponha os meus labios no sitio dos teus! (Offerece-lhe a taça, que Lygia recusa)

Faz-se silencio profundo. Musonio, o poeta, encosta-se a uma cadeira e

adormece, emquanto Nero recita. Este vê-o.

NÉRO, recitando

Embalde pretendi deixar a escravidão,

Que nos impôe o amôr!

A Deusa luminosa

Que accende, em Chypre, o facho da paixão

Por sobre a humanidade; altiva, desdenhosa

Arrancou-me do peito o coração,

E foi depôl-o aos pés, da mais formosa

Das Romanas, Poppêa, a minha amada!

Da Vénus Aphrodite a incandescente lava

Passou pela minh'alma!

As intimas ternuras,

Só pode soluçar a minha lyra escrava

Do seu divino olhar, das calidas alvuras

Do seu colo de neve, da bôcca onde os Prazeres

Moram em ninho rubro entre desejos...

Uma lyra que chora a pedir beijos!

Vem, amada Poppêa, e escuta a Deusa:

Sê como ella, de quem tens a fórma,

Caritativa e dôce!

Abre o teu leito

Aos segrêdos do amôr, ao eterno gozo!

Eu sou um Deus! que troca a divindade,

Do mundo o senhorio, a magestade,

Pelo logar do esposo!

TODOS

Ó poeta divino! Salve!