Petronio
Petronio
Ao chegar ao pateo eis o que eu vi. Ursus dominava Croton vergado sobre um joelho, apertando-lhe, com uma das mãos, o pescoço. O gladiadôr tinha um estertôr na garganta, os olhos sahiam-lhe das orbitas! Ao vêr-me, Ursus, applicou sobre o peito de Croton um murro tal que este rolou pelo chão, de bôcca aberta, jorrando sangue. Estava morto!
PETRONIO
Por Hercules, que esse homem merece uma estatua.
MARCOS
De chofre, voltou-se para mim, agarrou-me este braço e partiu-m'o.
PETRONIO
Depois?
MARCOS
Não me lembra senão d'uma voz, feita de todos os sons das citharas, dizer: Ursus, não mates! Quando acordei estava n'uma cama e vigiava-me uma pobre viuva, um filho e... ella!
PETRONIO
E foi ella quem te tractou?
MARCOS
Tratou-me um medico; mas salvou-me, ella! Que cuidados, que dedicação, dias e noites! Contando mesmo as horas dolorosas da doença, passei, alli, os melhores dias da minha vida. O apostolo, contava toda a vida e morte de Cristo, seus milagres e douctrina. Vi os mais bellos exemplos de caridade, de amôr e de perdão! Se tu o ouvisses!