Petronio

Marcelino Mesquita · Capítulo 67 de 137

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Petronio

Marcos

Hoje, senhôr, a virtude e a sabedoria teem tão pouco valôr, que um pobre filosofo se vê forçado a lançar mão de todos os meios de existencia!

MARCOS

Quaes são os teus?

CHILON

Saber tudo o que se passa e offerecer os meus serviços a quem preciza d'elles.

PETRONIO

E pagas-te?

CHILON

Conforme os meus meritos. Que remedio!

MARCOS

Não devem ser grandes porque te não deram ainda para um manto.

CHILON

Sou modesto, senhôr. O que é pequeno não é o meu merito é a gratidão dos homens. Quando se esconde um escravo de preço quem o descobre? Quem indica os culpados dos pasquins em louvôr de Poppêa, a divina? Quem descobre nas livrarias os versos contra Cezar? Quem leva as cartas que se não podem confiar aos escravos? Quem faz fallar os barbeiros, os alfaiates, os taberneiros e capta a confiança dos escravos a saber tudo o que se passa n'uma casa, do atrio ao jardim? Quem conhece todas as ruas, praças, bêcos, alfurjas, da cidade? Quem sabe o que se diz, nas thermas, no circo...