Petronio

Marcelino Mesquita · Capítulo 49 de 137

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Petronio

LYGIA, recuando aflicta

Para mim! Ha quanto te quero! Um dia em caza dos Plaucios, vi-te no banho... núa! Não o sabias? Como és bella! Sahias da agua como a Vénus das espumas... Um sonho! Pedi-te a Cezar que te mandou buscar... Amanhã vaes para minha caza... Dá-me os teus labios! (força para beijal-a) Dá-mos, já, agora.

LYGIA, recuando aflicta

Marcos, não te conheço... tem piedade!... não, nunca...!

MARCOS

Piedade? não; amôr! És minha, quero beijar-te... quero a tua bôcca! Dá-m'a! (agarrando-lhe brutalmente a cabeça) Ó dá-m'a, por Jupiter! ou...

O escravo Ursus agarra-o pela cinta e atira-o sobre o leito.

LYGIA

Es tu? (atira-se-lhe ao colo e fica suspensa)

URSUS

Não tenha mêdo... sou eu! (leva-a a colo)

MARCOS, levantando-se tonto

Lygia! Lygia! (vai a querer seguil-a, e cambaleia) Por Hercules! (ampara-se a uma assyria que bebe) Que é? que foi?

ASSYRIA, dando-lhe a taça

Um sonho! Bebe!

Marcos bebe e cahe sobre o leito.