Petronio

Marcelino Mesquita · Capítulo 46 de 137

Páginas do PDF

Petronio

LUCANO, com Nigidia no colo

Não ames nunca um filosofo, Nigidia! Ama os poetas. A filosofia é uma adega cheia de ôdres... os filosofos. Quanto mais ôccos, maiores são. Disse-o não sei se Epicteto.

NIGIDIA

Nunca disse isso, Epicteto.

LUCANO

Não? Pois podia dizel-o; porque disse tolices muito maiores. Então, digo-o eu.

SENÉCION

Não, Roma não morre! Teriamos de morrer todos! Nunca mais beber vinho! (chora sobre o colo de uma bachante.)

BACHANTE

Não chores, imbecil... que te fazes feio. Dorme antes. (empurra-o levemente. Elle cahe debaixo d'uma meza e fica.)

LUCANO, enrolando-se na hera d'uma amphora

Eh! lá, Bachantes, aqui está um Fauno!

NÉRO

Pitágoras, vem cá! (a Petronio) conheces alguma coisa mais bella? (beija as mãos do éphebo) Hei-de cazar comtigo! Mãos tão bellas, nunca vi. Vi... já... quando? (lugubre) Eram de... minha mãe! (pausa e espanto) Eram de minha mãe... Sim, d'Agrippina! (baixo) Dizem que pelas noites de luar pelas aguas da Baïa... vagueia como que á procura... não se sabe de quê! Se encontra uma barca desapparece; mas o pescadôr que a viu, morre!