Petronio

Marcelino Mesquita · Capítulo 55 de 137

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Petronio

Petronio

Está doido! Vamos ter carnificina. Repugnam-me os talhos. Vale. (sahe)

MARCOS, postrado, senta-se

Mas quem poderia roubar-ma? Quem? Plaucio? Ai d'elle, se o foi! Ai d'elle!... Pedirei a Cezar a sua morte!... E, se foi Cezar? Pelas furias! se foi Néro n'uma das suas nocturnas «pescas de Perolas,» como elle lhes chama?! E, quem podia ser senão, elle, Néro? Quem ousaria oppôr-se á sua vontade? Viu-a hontem, apeteceu-lhe... roubou-ma! Cezar diverte-se comigo! Por Écate, por Érebo, por vós ó Deuses do lar, (toma terra n'um vaso e espalha-a pelo o chão) juro que quem quer que foi, escravo ou imperadôr, mendigo ou Cezar, mato o! (ao introductor, que apparece) O meu manto.

O INTRODUCTOR

Actêa deseja fallar-vos.

MARCOS

Actêa? Em bôa hora. Venha. (A Actêa, que entra, agarrando-lhes as mãos) Onde está Lygia?

ACTÊA

Vinha perguntar-t'o.

MARCOS

Não sei; roubaram-ma no caminho. (junto do rosto d'Actêa, com os dentes cerrados) Actêa, se tens amôr á vida, se não queres ser causa de desgraças, cujo alcance nem podes conhecer, diz-me a verdade: foi Cezar quem m'a robou?