Revisão Sistemática da Literatura em Engenharia de Software: Teoria e Prática

Questão 3: Como conduzir uma RS e quais são as diretrizes existentes?

Questão 3: Como conduzir uma RS e quais são as diretrizes

existentes?

Uma RS é conduzida por meio de um processo que envolve três fases (BIOLCHINI et al., 2005;

BRERETON et al., 2007; KITCHENHAM, 2004; MAFRA & TRAVASSOS, 2006): Planejamento, Condução e Publicação dos resultados. Essas fases, bem como as respectivas atividades, apresentadas

na Figura 1.1, podem ser conduzidas de modo iterativo. A seguir, as três fases são apresentadas em mais detalhes.

 

FIGURA 1.1 Fases e atividades do processo de RS.

 

A fase de planejamento tem como objetivo identificar a real necessidade, ou seja, a motivação para a

execução de uma RS. No entanto, antes de iniciar o planejamento da revisão, é fundamental identificar se já existem estudos secundários no mesmo tema. Essa identificação pode ser feita por meio de uma Revisão Terciária, ou seja, uma revisão cujos estudos considerados são secundários (RSs e MSs)

(KITCHENHAM & CHARTERS, 2007). Revisões terciárias podem ser executadas utilizando o mesmo processo adotado para uma RS. Bons exemplos de revisões terciárias na área de ES podem ser

encontrados no trabalho de Kitchenham et al. (2010), Verner et al. (2012) e Imtiaz et al. (2013). Caso não haja um estudo secundário sobre o tema e esse tema seja de relevância para a comunidade científica da área, justifica-se a realização da RS.

Logo após identificar a necessidade da realização de uma RS, é definido o protocolo da revisão que é o elemento essencial para sua execução. O protocolo visa minimizar vieses que possam vir a ser

cometidos pelo pesquisador (KITCHENHAM & CHARTERS, 2007; BRERETON et al. 2007). O protocolo especifica as questões de pesquisa, a estratégia que será utilizada para conduzir a RS, as fontes consideradas para busca, os critérios para a seleção e definição de qualidade dos estudos, como os dados serão extraídos dos estudos e, em seguida, como serão sintetizados.

Vale destacar que a qualidade do protocolo impacta diretamente a da RS. Dessa forma, o protocolo

deve ser avaliado antes que se prossiga com a revisão (KITCHENHAM & CHARTERS, 2007). Essa avaliação deve ser realizada por meio do teste do protocolo, também chamado de teste piloto, cujo objetivo é verificar a viabilidade de execução da revisão, permitindo também, com base nos resultados do teste, identificar modificações que sejam necessárias. É essencial que, para o sucesso do teste piloto, se tenha disponível um grupo de controle, ou seja, um conjunto de estudos primários que devem ser retornados a partir da condução da revisão. Esse grupo pode ser criado por meio de uma revisão informal, realizada antes da RS, e/ou por meio da sugestão de especialistas da área. Detalhes sobre a

criação e avaliação do protocolo de RS são apresentados no Capítulo 2.

Em função da natureza iterativa do processo de RS (FABBRI et al., 2013), os itens que compõem o

protocolo podem ser refinados. Por exemplo, como é possível observar na Figura 1.1, durante a seleção dos estudos, novos termos não inicialmente considerados na string de busca podem ser identificados, levando ao refinamento desta e, posteriormente, uma nova execução das buscas por estudos primários.

Após a avaliação do protocolo, inicia-se a fase de condução da RS. Durante essa fase, os estudos são identificados utilizando-se uma estratégia de busca ampla, que seja capaz de identificar todos os estudos primários disponíveis e relacionados com o tema de pesquisa em questão. Detalhes sobre a busca por

estudos são apresentados no Capítulo 3.

Uma vez identificados, os estudos precisam ser selecionados por meio da aplicação de critérios de seleção (que são os critérios de inclusão e de exclusão) e podem ser avaliados pelos critérios de qualidade. Os critérios de seleção devem especificar as principais características e/ou conteúdos que os estudos devem ter para serem incluídos ou excluídos. Já os critérios de qualidade têm como objetivo avaliar aspectos metodológicos dos estudos, ou seja, podem ser considerados aspectos como a relevância do tema de pesquisa e o uso de métodos que conduzam aos objetivos propostos no estudo. Os critérios de seleção e de qualidade devem estar definidos no protocolo da revisão; porém, podem ser

refinados durante a atividade de seleção dos estudos (KITCHENHAM & CHARTERS, 2007). No

Capítulo 4 são apresentados detalhes da atividade de seleção dos estudos.

Após a atividade de seleção, os dados contidos nos estudos incluídos devem ser extraídos e sintetizados. Formulários de extração de dados são utilizados para coletar os dados que sejam necessários para responder às questões de pesquisa da revisão e para facilitar, posteriormente, as análises e síntese dos resultados.

A última fase do processo de RS está relacionada com a escrita dos resultados da RS, que devem ser

divulgados aos potenciais interessados (KITCHENHAM & CHARTERS, 2007). Esses resultados podem ser divulgados por meio de relatórios técnicos, artigos de revistas ou conferências, em capítulos de livros ou como uma seção de um trabalho de conclusão de curso (tipicamente uma dissertação de mestrado ou uma tese de doutorado). Os resultados apresentados em artigos de periódicos e conferências, bem como em trabalhos de conclusão de curso passam, geralmente, por uma avaliação de revisores considerados especialistas no tópico de pesquisa. Porém, os relatórios técnicos geralmente não são submetidos a uma avaliação independente. Detalhes sobre como sintetizar e apresentar os resultados de

uma RS são apresentados no Capítulo 5.