Revisão Sistemática da Literatura em Engenharia de Software: Teoria e Prática
Questão 8: Uma RS precisa ser atualizada?
Após reportar e disseminar uma RS, é importante estar ciente que seu conteúdo precisará ser atualizado futuramente, pois revisões que não são atualizadas tendem a se tornar obsoletas e levar leitores a
conclusões equivocadas (HIGGINS & GREEN, 2011). A manutenção de uma RS pode ocorrer por dois
motivos principais (HIGGINS & GREEN, 2011): (i) melhoria do relatório da revisão; e (ii) atualização de conteúdo.
Uma RS precisa de melhorias quando existe a necessidade de alterar o relatório da revisão para, por exemplo, corrigir inconsistências ou reduzir possíveis ameaças à validade dos resultados. Tais melhorias não requerem a recondução da RS, mas podem demandar desde modificações pontuais a esforços consideráveis.
Atualizações de conteúdo envolvem, necessariamente, a busca por novas evidências que possam ser
agregadas às existentes em uma RS que já foi concluída (MOHER & TSERTSVADZE, 2006). A atualização de conteúdo de uma RS pode envolver outras modificações, como a inclusão ou alteração de questões de pesquisa e critérios de seleção que sejam considerados mais adequados à nova versão da RS. Caso modificações sejam realizadas no protocolo, a busca por estudos deverá ser executada não somente para cobrir o período posterior à última atualização da RS, mas também o contemplado desde a
primeira condução (HIGGINS & GREEN, 2011). Se o protocolo não for alterado, a busca por estudos pode resultar na inclusão de novas evidências ou não. Mesmo que não sejam encontrados novos estudos primários, é importante alterar a documentação da RS para registrar informações como a data de
realização da última busca e a lista de estudos avaliados (HIGGINS & GREEN, 2011). Atualizações de conteúdo que resultem na inclusão de novas evidências devem realizar uma nova síntese dos dados, sumarizá-los e, se necessário, rever as conclusões relacionadas com as respostas de cada uma das questões de pesquisa.
Embora não existam evidências científicas substanciais que permitam determinar de forma eficiente e razoável a necessidade de atualizações em RSs, na área de Medicina há um entendimento de que esse
tipo de estudo secundário deve ser revisitado a cada dois anos (HIGGINS & GREEN, 2011). Já na de ES, não há um consenso sobre quando realizar uma atualização. Contudo, mudanças substanciais na área de pesquisa e avanços tecnológicos relevantes podem ser considerados indicadores de que uma RS precisa ser atualizada. É importante, então, que os envolvidos na revisão observem as características da área de pesquisa investigada e indiquem uma estimativa de prazo para tais atualizações. RSs que, por algum motivo, não necessitem de atualização devem indicar os motivos para tal decisão. Como exemplos
das que sofreram atualizações, podem-se citar a de Oliveira et al. (2012), inicialmente conduzida em
2012 e atualizada em 2015 (OLIVEIRA, 2015), e a de Ferrari e Maldonado (2008), atualizada entre os anos de 2006 e 2008, a cada 13 meses.
Ainda que atualizações de RSs seja vitais para manter uma visão realista e atualizada sobre um tópico
de pesquisa, há poucos trabalhos na ES destinados a apoiar essa atividade. Ferrari e Maldonado (2008)
propõem uma alteração no processo descrito por Biolchini et al. (2005) para nortear a realização de
múltiplas iterações de atualização de uma RS. Dieste et al. (2008) complementam o conjunto de
atividades para a execução de RSs propostas inicialmente por Kitchenham (2004), dando atenção especial às atividades relacionadas com a extração, a sumarização e a agregação de evidências
encontradas nos estudos primários identificados durante a atualização. Felizardo et al. (2014) propõem uma abordagem baseada em análise visual de texto para auxiliar na seleção de novos estudos primários durante a atualização de RSs. A utilização das diretrizes propostas nesses três trabalhos pode servir como um ponto de partida para quem pretende revisitar suas RSs.