Revisão Sistemática da Literatura em Engenharia de Software: Teoria e Prática

Questão 7: Quais as diferenças entre busca automática e manual?

Questão 7: Quais as diferenças entre busca automática e

manual?

Uma busca automática é realizada com apoio computacional em bases bibliográficas. O pesquisador apenas fornece dados de entrada como parâmetros para a busca, porém, não exerce um papel ativo na execução da mesma. A busca utilizando string de busca, quando executada pelas bases bibliográficas de

forma transparente ao usuário, é considerada automática (DELUCA et al., 2008).

Uma busca manual é ativamente executada pelo pesquisador. Consiste em realizar uma sucessão de

buscas menores em diferentes meios que indexam publicações bibliográficas (DELUCA, 2008;

CHOONG, 2014). As buscas podem ser executadas em acervos, por exemplo, localizados na Internet, anais de congressos ou buscadores da Internet, visando localizar estudos primários relevantes. Para iniciar uma busca manual, o pesquisador deve primeiramente determinar quais tipos de estudo pretende localizar e delinear os melhores locais para encontrar os estudos relevantes. Feito isso, deverá coletar os

estudos primários encontrados, documentando o processo. Segundo Zhang e Babar (2010), uma busca manual é conduzida avaliando os estudos, um a um, nas fontes selecionadas pelo pesquisador.

Existe uma série de desafios que tornam a busca manual suscetível a problemas. Ao realizá-la, o pesquisador deve ter em mente que é muito complicado avaliar a abrangência da pesquisa, ou seja, é possível que muitos estudos relevantes sejam ignorados por não estarem acessíveis nos meios

pesquisados (DELUCA, 2008). Um dos principais objetivos da RS é assegurar que todo o processo seja

replicável (KITCHENHAM & CHARTERS, 2007). Ao realizar uma busca manual, o pesquisador deve levar em consideração que a estratégia empregada precisa estar o mais próximo possível de um método

sistemático e procedimental para uma estratégia adequada (DELUCA, 2008). Independentemente do pesquisador que execute a busca, ao realizar o procedimento de busca como descrito e documentado por outro pesquisador, um resultado equivalente deve ser encontrado.

Para buscas automáticas é relativamente mais simples documentar o processo, sendo necessário relatar

os dados de entrada (BIOLCHINI et al., 2005; KITCHENHAM, 2004), que na maioria dos casos é a própria string de busca. A atualização desse tipo de busca também é muito mais simples, sendo necessário apenas reexecutar as consultas nas bases bibliográficas e reavaliar os resultados. Para buscas

manuais, basicamente, todas devem ser refeitas manualmente (CHOONG et al., 2014).

Nota-se que, independentemente do tipo de busca realizada, vieses sempre poderão ocorrer. No caso da manual, a habilidade do pesquisador em executar o processo de busca pode influenciar nos resultados obtidos. A busca é um processo basicamente manual e sem diretrizes claras. Apesar de diversos problemas existentes em buscas manuais, existem indícios de que são benéficas e também mais efetivas

para encontrar estudos primários relevantes (KITCHENHAM & BRERETON, 2013). No caso das buscas automáticas, conforme discutido na Questão 5, a escolha das bases equivocadamente pode prejudicar os resultados. O conhecimento do pesquisador dos termos a serem utilizados na busca também pode comprometer a qualidade desse tipo de busca.

Buscas manuais podem complementar os resultados da automática (DELUCA et al., 2008). Seguindo as

diretrizes para a execução de RSs em ES (KITCHENHAM & CHARTERS, 2007), o objetivo central é identificar toda pesquisa relevante existente para um tópico de interesse. Com base nessa prerrogativa, encontrar o máximo de estudos relevantes é vital para a execução adequada de RSs.

Segundo Zhang e Babar (2010), diversos pesquisadores combinam buscas automáticas com manuais. Muitas vezes, eles optam por iniciar suas pesquisas com buscas manuais na tentativa de mapear a literatura e as pesquisas existentes. Essas permitem que eles encontrem um conjunto inicial de estudos primários que posteriormente serão utilizados para construir uma estratégia de busca automática. Uma vez que o pesquisador detém conhecimento prévio sobre o tópico de pesquisa, uma estratégia de busca automática é construída e aplicada. Como resultado dessa estratégia, estudos relevantes são encontrados

(BOOTH, 2008). Uma excelente alternativa é aplicar novamente uma busca manual para avaliar se os resultados são abrangentes o suficiente para conter os resultados obtidos por buscas manuais. Não conter os resultados das buscas manuais sobre o mesmo tema pode significar problemas na estratégia automática

e cabe ao pesquisador avaliar o que os novos resultados representam. Kitchenham e Brereton (2013) recomendam utilizar em RSs uma combinação da busca manual com automática. Utilizar apenas uma única estratégia de busca é aceitar o risco de inserir viés na pesquisa. Em contrapartida, utilizar mais estratégias demanda maiores esforços e tempo.