Revisão Sistemática da Literatura em Engenharia de Software: Teoria e Prática

Questão 10: Por que é necessário documentar o processo de busca?

Questão 10: Por que é necessário documentar o processo

de busca?

Assim como as demais atividades do processo de execução de RS, a atividade de busca deve ser documentada apropriadamente para garantir transparência e permitir que os leitores possam verificar a

sua completude e abrangência (BIOLCHINI et al., 2005; KITCHENHAM, 2004). Não somente os resultados finais devem ser registrados, mas também os intermediários, como, por exemplo, estudos primários que não foram selecionados para compor o conjunto final e a aplicação e interpretação dos critérios de exclusão utilizados.

A documentação do processo de busca viabiliza dois requisitos fundamentais de uma RS (BIOLCHINI

et al., 2005; KITCHENHAM, 2004; FERRARI & MALDONADO, 2008): auditabilidade e reprodutibilidade. Espera-se que tanto o processo quanto os resultados possam ser auditados para

verificação da exatidão e imparcialidade na seleção de estudos e síntese de resultados (KITCHENHAM,

2004). Além disso, espera-se que uma RS possa ser reproduzida por outros (ou até os mesmos) pesquisadores, com o intuito de comparar se os resultados corroboram os iniciais ou de estender a RS original com novas evidências. Claramente, a esperada similaridade de resultados de ambas as revisões é fortemente dependente da objetividade observada na descrição dos critérios de inclusão e exclusão de estudos, na definição adequada da estratégia de busca e na clareza dos procedimentos de extração e síntese de dados.

De acordo com Kitchenham e Charters (2007), os seguintes itens de informação devem compor a

documentação do processo de busca: as fontes de informação pesquisadas, que incluem desde as bases bibliográficas quanto os nomes dos especialistas consultados; a string de busca e suas adaptações para bases bibliográficas específicas; a data em que a busca foi realizada; o período considerado (por exemplo, ano de publicação dos estudos primários); e informações básicas de cada estudo primário recuperado com a busca (por exemplo, título, veículo de publicação, autores e palavras-chave). Esses itens de informação serão fundamentais para que, a qualquer momento, revisões e refinamentos do processo de busca e de fases posteriores da RS sejam realizados. Para armazenar tais informações, os pesquisadores podem utilizar planilhas eletrônicas convencionais, ferramentas de gerenciamento de

referências (por exemplo, 8 9 EndNote e Mendeley) ou ferramentas específicas para apoiar o processo de

RS como, por exemplo, a 10 StArt.

A documentação do processo de busca também ajuda a registrar lições aprendidas como, por exemplo,

o uso efetivo de bases bibliográficas e a definição dos termos que compõem a string de busca. Um fato

comumente observado ao se utilizar motores de busca (Tabela 3.1) é a sobreposição de resultados por eles gerados, pois estes recuperam estudos fornecidos por variadas bases indexadas. Outro fato recorrente refere-se à inclusão de siglas na string de busca, sendo que algumas podem referenciar-se a conceitos diferentes, causando substancial aumento na quantidade de estudos a serem analisados na

seleção. Como exemplo, cita-se a decisão de Oliveira et al. (2012) de não incluir a sigla SoC, que para o tópico pesquisado pelos autores, significa Service-Oriented Computing. Porém, a mesma sigla é também empregada para os conceitos State of Charge, Stochastic Optimal Control, System-on-chip e Society.