Seguindo a Correnteza

Agatha Christie · Capítulo 13 de 35

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Seguindo a Correnteza

Capítulo 12

 

Quando Rowley deixou o Stag, seus passos voltaram-se automaticamente na direção de casa, mas, após caminhar algumas centenas de metros, ele estacou de repente e refez o trajeto.

Sua mente absorveu as coisas devagar, e só agora o espanto inicial causado pelas revelações de Beatrice estava começando a dar espaço a uma verdadeira apreciação do significado de tudo. Se a versão do que ela tinha ouvido estava correta, e ele não tinha dúvida de que na essência estava, havia surgido uma situação que interessava intimamente a cada membro da família Cloade. A pessoa mais adequada para lidar com isso sem dúvida era Jeremy, tio de Rowley. Como advogado, Jeremy Cloade saberia qual o melhor uso a ser feito dessa informação surpreendente e quais exatamente os passos a serem dados.

Embora Rowley tivesse gostado de agir por si, percebeu um tanto relutante que seria muito melhor apresentar o caso a um advogado sagaz e experiente. Quanto antes Jeremy estivesse de posse da informação, melhor, e com isso Rowley dirigiu seus passos direto para a casa de Jeremy, na High Street.

A jovem empregada que abriu a porta informou que o sr. e a sra. Cloade ainda estavam à mesa de jantar. Ela quis levá-lo até lá, mas Rowley recusou e disse que esperaria no gabinete de Jeremy até eles acabarem. Ele particularmente não gostaria de incluir Frances no colóquio. De fato, quanto menos gente soubesse, melhor, até eles terem estabelecido um curso definido de ação.

Ele perambulou, agitado, de um lado para outro no gabinete de Jeremy. Na mesa de tampo plano havia uma pequena pasta de documentos rotulada Sir William Jessamy (Falecido). As estantes continham uma coleção de volumes de Direito. Havia uma antiga foto de Frances em vestido de baile e uma do pai dela, lorde Edward Trenton, em traje de montaria. Sobre a mesa, havia a fotografia de um rapaz de uniforme, Antony, filho de Jeremy, morto na guerra.

Rowley estremeceu e deu as costas. Sentou-se em uma cadeira e fitou lorde Edward Trenton.

Na sala de jantar, Frances comentou com o marido:

– Fico pensando o que Rowley quer.

Jeremy disse com ar fatigado:

– Provavelmente infringiu alguma regulamentação do governo. Nenhum fazendeiro entende mais do que a quarta parte dos formulários que precisa preencher. Rowley é um camarada escrupuloso. Ele fica preocupado.

– Ele é bom – disse Frances –, mas terrivelmente lerdo. Sabe, tenho a sensação de que as coisas entre ele e Lynn não estão indo muito bem.

Jeremy murmurou de modo vago:

– Lynn... oh, sim, claro. Perdão, eu... eu não pareço capaz de me concentrar. A tensão...

Frances disse depressa:

– Não pense nisso. Vai ficar tudo bem, estou dizendo.

– Às vezes você me assusta, Frances. Você é tão terrivelmente despreocupada. Você não percebe...

– Percebo tudo. Não estou com medo. Sabe, Jeremy, realmente estou me divertindo...

– Isso, minha cara – disse Jeremy –, é exatamente o que me causa tanta ansiedade.

Ela sorriu.

– Venha – disse ela. – Você não deve deixar o jovem bucólico esperar demais. Vá ajudá-lo a preencher o formulário 1.199 ou o que quer que seja.

Porém, quando saíram da sala de jantar, a porta da frente foi fechada com estrondo. Edna veio informá-los que o sr. Rowley havia dito que não esperaria e que não era nada que de fato importasse.