Seguindo a Correnteza

Agatha Christie · Capítulo 24 de 35

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Seguindo a Correnteza

Capítulo 6

 

Poirot deixou a delegacia de polícia com um semblante carrancudo. Seus passos ficaram mais lentos à medida que avançava. Na praça do mercado ele parou, olhando ao redor. Havia a casa do dr. Cloade, com sua placa de bronze batida pelo tempo, e logo depois o posto do correio. Do outro lado ficava a casa de Jeremy Cloade. Diante de Poirot, um pouco recuada, estava a Igreja Católica Romana da Assunção, uma coisinha modesta, uma violeta retraída em comparação com a agressividade de Santa Maria, arrogantemente situada no meio da praça, de frente para Cornmarket, proclamando o predomínio da religião protestante.

Movido por um impulso, Poirot cruzou o portão e o caminho até a porta do prédio católico romano. Tirou o chapéu, fez a genuflexão diante do altar e ajoelhou-se atrás de um dos bancos. Suas preces foram interrompidas pelo som de soluços abafados.

Ele virou a cabeça. Do outro lado do corredor, uma mulher de vestido escuro estava ajoelhada com a cabeça enterrada entre as mãos. Em seguida levantou-se e, com a respiração ainda entrecortada por soluços, rumou para a porta. Poirot, de olhos arregalados pelo interesse, levantou-se e a seguiu. Havia reconhecido Rosaleen Cloade.

Ela ficou parada no pórtico, lutando para se controlar, e ali Poirot falou com ela de forma muito gentil:

– Madame, posso ajudá-la?

Ela não exibiu sinais de surpresa, mas respondeu com a singeleza de uma criança infeliz.

– Não – disse ela. – Ninguém pode me ajudar.

– A senhora está em uma tremenda enrascada. É isso, não é?

Ela disse:

– Levaram David embora... Estou completamente sozinha. Dizem que ele matou... Mas ele não matou! Não matou!

Ela olhou para Poirot e falou:

– O senhor estava lá hoje? No inquérito. Eu vi o senhor!

– Sim. Se eu puder ajudá-la, madame, ficarei muito feliz em fazê-lo.

– Estou assustada. David disse que eu estaria a salvo enquanto ele estivesse aqui para cuidar de mim. Mas agora levaram-no embora... Estou com medo. Ele disse que... todos me querem morta. Isso é uma coisa horrível de se dizer. Mas talvez seja verdade.

– Deixe-me ajudá-la, madame.

Rosaleen sacudiu a cabeça.

– Não – disse ela. – Ninguém pode me ajudar. Não posso sequer me confessar. Tenho de carregar o peso de minha maldade sozinha. Estou excluída da misericórdia de Deus.

– Ninguém – disse Hercule Poirot – é excluído da misericórdia de Deus. Você sabe bem disso, minha filha.

Ela olhou para ele outra vez. Um olhar desvairado e infeliz.

– Eu teria de confessar meus pecados. Confessar. Se eu pudesse confessar...

– Não pode se confessar? Você veio à igreja para isso, não foi?

– Vim em busca de conforto. Conforto. Mas que conforto existe para mim? Sou uma pecadora.

– Todos nós somos pecadores.

– Mas a pessoa deve se arrepender. Eu teria de dizer... que contar... – Ela levou as mãos ao rosto. – Oh, as mentiras que eu contei... as mentiras que eu contei!

– A senhora contou uma mentira sobre seu marido? Sobre Robert Underhay? Foi Robert Underhay quem foi morto aqui, não foi?

Ela virou-se bruscamente para ele. Os olhos estavam desconfiados, cautelosos. Ela gritou de modo ríspido:

– Garanto que não foi meu marido. Não tinha nada a ver com ele!

– O morto não tinha nada a ver com seu marido?

– Não – disse ela desafiadora.

– Conte-me – disse Poirot –, como era seu marido?

Ela cravou os olhos nele. Então seu rosto enrijeceu-se de susto. Os olhos ficaram sombrios de medo. Ela gritou:

– Não vou falar mais nada com o senhor!

Passando veloz por ele, Rosaleen correu pelo caminho e cruzou o portão para a praça do mercado.

Poirot não tentou segui-la. Em vez disso, balançou a cabeça muito satisfeito.

– Ah – disse ele. – Então é isso!

Caminhou lentamente para a praça.

Depois de uma hesitação momentânea, seguiu pela High Street até chegar ao Stag, que era o último prédio antes da zona rural.

Na porta do Stag, encontrou Rowley Cloade e Lynn Marchmont.

Poirot olhou com interesse para a garota. Uma moça bonita, ele pensou, e inteligente também. Não do tipo que ele admirasse. Ele preferia algo mais delicado, mais feminino. Lynn Marchmont, ele pensou, era essencialmente um tipo moderno. Embora se pudesse dizer, com igual exatidão, um tipo elizabetano. Mulheres que pensam por si, que falam com liberdade e que admiram iniciativa e audácia nos homens.

– Somos muito gratos ao senhor, monsieur Poirot – disse Rowley. – Por Deus, realmente foi como um passe de mágica!

E era exatamente o que havia sido, refletiu Poirot. Feita uma pergunta para a qual você conhece a resposta, não existe qualquer dificuldade em realizar um truque com as devidas firulas. Ele apreciava muito que, para o simplório Rowley, o surgimento do major Porter do nada, por assim dizer, tivesse sido tão empolgante quanto coelhos tirados da cartola de um mágico.

– O modo como o senhor trata dessas coisas me deixa bobo – disse Rowley.

Poirot não esclareceu a ele. Afinal de contas, ele era apenas humano. Um mágico não conta para a plateia como o truque foi feito.

– Em todo caso, Lynn e eu somos muito gratos – prosseguiu Rowley.

Lynn Marchmont, pensou Poirot, não parecia especialmente grata. Havia linhas de tensão em torno dos olhos dela, seus dedos exibiam um tique nervoso de se torcerem e entrelaçarem.

– Fará uma grande diferença para nossa futura vida de casados – disse Rowley.

Lynn disse de modo brusco:

– Como é que você sabe? Há todo tipo de formalidades e coisas, tenho certeza.

– Vocês vão se casar quando? – perguntou Poirot, bem-educado.

– Junho.

– E estão noivos desde quando?

– Quase seis anos – disse Rowley. – Lynn acaba de voltar do Wrens.

– E é proibido casar-se no Wrens?

Lynn disse sucintamente:

– Estive no exterior.

Poirot notou uma carranca fugaz de Rowley. Ele disse em tom seco:

– Vamos, Lynn. Temos de ir andando. Creio que monsieur Poirot quer voltar para a cidade.

Poirot disse, sorridente:

– Mas não estou voltando para a cidade.

– O quê?

Rowley estacou no lugar, o que provocou um efeito bizarro.

– Mas... mas por quê?

– C’est un beau paysage – disse Poirot de um jeito sereno.

Rowley falou, hesitante:

– Sim, claro... Mas o senhor não está... bem, quero dizer, ocupado?

– Fiz minhas economias – disse Poirot sorrindo. – Não preciso me ocupar em excesso. Não, posso desfrutar de meu lazer e passar o tempo onde os caprichos me levarem. E meu capricho inclina-se para Warmsley Vale.

Ele viu Lynn Marchmont erguer a cabeça e olhar atentamente para ele. Rowley, pensou Poirot, estava ligeiramente aborrecido.

– Imagino que jogue golfe – disse ele. – Há um hotel muito melhor em Warmsley Heath. Este lugar aqui é muito insignificante.

– Meus interesses – disse Poirot – jazem por completo em Warmsley Vale.

Lynn disse:

– Venha, Rowley.

Um tanto relutante, Rowley acompanhou-a. Na porta, Lynn deu uma parada e então voltou depressa. Falou com Poirot em voz baixa e calma.

– Prenderam David após o inquérito. O senhor... o senhor acha que estão certos?

– Eles não tinham alternativa, mademoiselle, depois do veredito.

– Quero dizer... o senhor acha que ele fez aquilo?

– A senhorita acha? – perguntou Poirot.

Mas Rowley estava de volta ao lado dela. O rosto dela enrijeceu-se, impassível como uma máscara. Ela disse:

– Adeus, monsieur Poirot. Eu... eu espero encontrá-lo outra vez.

– E agora essa – disse Poirot consigo mesmo.

Em seguida, após arranjar um quarto com Beatrice Lippincott, ele saiu de novo. Seus passos o levaram à casa do dr. Lionel Cloade.

– Oh! – disse tia Kathie, que abriu a porta, dando um ou dois passos para trás. – Monsieur Poirot!

– A seu dispor, madame. – Poirot curvou-se. – Vim saudá-la.

– Bem, isso é muito gentil de sua parte, tenho certeza. Sim. Bem... creio que seja melhor entrar. Sente-se... vou tirar o livro de madame Blavatsky. E quem sabe uma xícara de chá... só que o bolo está terrivelmente velho. Queria ir a Peacocks buscar um, eles às vezes têm rocambole na quarta-feira... mas um inquérito acaba com a rotina de uma casa, não acha?

Poirot disse que achava inteiramente compreensível.

Ele havia imaginado que Rowley Cloade tivesse se aborrecido com o anúncio de sua permanência em Warmsley Vale. O comportamento de tia Kathie, sem dúvida, estava longe de ser acolhedor. Ela olhava para ele com algo muito próximo da consternação. Inclinando-se à frente e falando num sussurro conspiratório rouco, ela disse:

– O senhor não contará a meu marido, não é, que fui consultá-lo sobre... bem, sobre aquilo?

– Meus lábios estão selados.

– Quero dizer... claro que na ocasião eu não fazia ideia... de que Robert Underhay, pobre homem, tão trágico... de fato estivesse em Warmsley Vale. Isso ainda me parece a mais extraordinária coincidência!

– Teria sido mais simples – concordou Poirot – se o tabuleiro ouija a tivesse conduzido direto ao Stag.

Tia Kathie alegrou-se um pouco com a menção do tabuleiro ouija.

– O modo como as coisas acontecem no mundo espiritual parece deveras imprevisível – disse ela. – Mas sinto que existe um propósito em tudo, monsieur Poirot. O senhor não sente isso na vida? Que sempre existe um propósito?

– Sim, de fato, madame. Até mesmo para eu estar sentado aqui, agora, em sua sala de visitas, existe um propósito.

– Oh, existe? – a sra. Cloade pareceu um tanto confusa. – Existe realmente? Sim, suponho que sim... O senhor está a caminho de Londres, é claro.

– Não de momento. Vou ficar uns dias no Stag.

– No Stag? Oh... no Stag! Mas foi onde... oh, monsieur Poirot, o senhor acha que isso é sensato?

– Fui guiado ao Stag – disse Poirot, solene.

– Guiado? Como assim?

– Guiado pela senhora.

– Oh, mas nunca pretendi... quer dizer, eu não fazia ideia. É tudo tão medonho, não acha?

Poirot sacudiu a cabeça pesarosamente e disse:

– Estive falando com o sr. Rowley Cloade e a srta. Marchmont. Ouvi dizer que vão se casar em breve.

Tia Kathie distraiu-se na mesma hora.

– Querida Lynn, ela é uma moça tão doce. E tão boa em números. Pois bem, eu não tenho cabeça para números... cabeça nenhuma. Ter Lynn em casa é uma bênção absoluta. Se me meto em alguma trapalhada terrível, ela sempre endireita as coisas para mim. Menina querida, espero que seja feliz. Rowley é uma pessoa esplêndida, claro, mas possivelmente... bem, um pouco insípido. Digo, insípido para uma moça que viu tanto do mundo quanto Lynn. Rowley, você entende, ficou aqui na fazenda dele durante toda guerra. Oh, muito acertadamente, claro... quero dizer, o governo quis que ele ficasse... Por esse lado está muito certo. Nada de pluma branca ou coisas como as que fizeram na Guerra Boer. Mas o que quero dizer é que isso o deixou bastante limitado em suas ideias.

– Seis anos de noivado é um bom teste para o afeto.

– Oh, é! Mas acho que essas garotas, quando vêm para casa, ficam um tanto inquietas. E se há algum outro por perto... alguém que tenha levado uma vida aventureira, quem sabe...

– Como David Hunter?

– Não há nada entre eles – disse tia Kathie, ansiosa. – Absolutamente nada. Tenho plena certeza disso. Teria sido horrível se houvesse, não seria, com ele revelando-se um assassino? Seu próprio cunhado ainda por cima! Oh, não, monsieur Poirot, por favor, não se vá daqui com a ideia de que existe algum tipo de relacionamento entre Lynn e David. Na verdade parecia que eles discutiam mais do que qualquer outra coisa toda vez que se encontravam. O que eu sinto é que... oh, meu caro, creio que meu marido esteja chegando. O senhor está lembrado, não está, monsieur Poirot, nenhuma palavra sobre nosso primeiro encontro. Meu pobre e querido marido ficará tão aborrecido se pensar que... Oh, meu caro Lionel, aqui está monsieur Poirot, que tão habilmente trouxe aquele major Porter para ver o corpo.

O dr. Cloade parecia cansado e desfigurado. Seus olhos azul-claros com pupilas minúsculas vagaram a esmo pela sala.

– Como vai, monsieur Poirot; voltando para a cidade?

“Mon Dieu, outro que quer me mandar de volta para Londres!”, pensou Poirot. Em voz alta, ele disse pacientemente:

– Não, permanecerei no Stag por um dia ou mais.

– No Stag?– Lionel Cloade franziu o cenho. – É? A polícia quer mantê-lo aqui mais um pouco?

– Não. É uma decisão pessoal.

– De fato? – de repente o doutor teve um lampejo de olhar inteligente. – Então o senhor não está satisfeito?

– Por que o senhor pensaria isso, dr. Cloade?

– Vamos, homem, é verdade, não é?

Alvoroçada por causa do chá, a sra. Cloade deixou a sala. O doutor continuou:

– O senhor tem uma sensação, não tem, de que há alguma coisa errada?

Poirot ficou atônito.

– É estranho que você diga isso. Então o senhor sente isso?

Cloade hesitou.

– N-n-não. Não é bem isso... Talvez seja apenas uma sensação de irrealidade. Nos livros o chantagista leva chumbo. Será assim na vida real? Aparentemente a resposta é sim, mas parece antinatural.

– Houve algo de insatisfatório quanto ao aspecto médico do caso? Pergunto de modo extraoficial, é claro.

O dr. Cloade disse pensativo:

– Não, não creio.

– Sim, há alguma coisa. Posso ver que há alguma coisa.

Quando Poirot queria, sua voz podia assumir uma qualidade quase hipnótica. O dr. Cloade franziu um pouco a testa e então falou, hesitante:

– Não tenho experiência em casos de polícia, claro. E, de qualquer forma, evidência médica não é o negócio rigoroso e inflexível que leigos e romancistas parecem pensar. Somos falíveis. A ciência médica é falível. O que é o diagnóstico? Um palpite baseado em um conhecimento muito pequeno e algumas pistas imprecisas que apontam para mais de uma direção. Sou muito bom em diagnosticar sarampo, talvez porque tenha visto centenas de casos de sarampo em minha vida e conheço uma extraordinária e ampla variedade de sinais e sintomas. O médico quase nunca se depara com o que um livro diz que é um “caso típico” de sarampo. Mas vi algumas coisas bizarras em minha carreira. Vi uma mulher praticamente na mesa de operação para ter o apêndice extirpado ser diagnosticada com paratifoide a tempo! Vi uma criança com problema de pele identificado como um caso grave de falta de vitamina por um jovem médico cuidadoso e consciencioso, e o veterinário local chega e menciona para a mãe que o gato que o filho está abraçando tem porrigem e a criança contraiu o fungo! Médicos, como todo mundo, são vítimas de ideias preconcebidas. Eis um homem, obviamente assassinado, caído com um par de pinças de lareira manchadas de sangue ao seu lado. Seria bobagem dizer que ele foi atingido com qualquer outra coisa, contudo, falando com completa inexperiência a respeito de gente que teve a cabeça esmigalhada, eu teria suspeitado de algo bem diferente, algo não tão liso e redondo. Algo... não sei, algo com uma ponta mais cortante. Um tijolo, algo assim.

– O senhor não disse isso no inquérito?

– Não. Porque realmente não sei. Jenkins, o legista da polícia, ficou satisfeito, e ele é o cara que conta. Mas existe a ideia preconcebida, a arma ao lado do corpo. O ferimento poderia ter sido infligido com aquilo? Sim, poderia. Mas se lhe mostrassem o ferimento e perguntassem o que o fez... bem, não sei se o senhor diria isso, porque realmente não faz sentido... Quer dizer, se houvesse dois sujeitos, um golpeando com um tijolo e outro com as pinças... – O doutor parou, sacudiu a cabeça de modo insatisfeito. – Não faz sentido, faz? – perguntou a Poirot.

– Ele poderia ter caído sobre um objeto pontiagudo?

O dr. Cloade balançou a cabeça.

– Ele estava caído de cara no meio do chão. Sobre um bom e velho tapete Axminster espesso.

Ele cortou o assunto quando a esposa entrou na sala.

– Aí vem Kathie com o chá aguado – comentou.

Tia Kathie equilibrava uma bandeja coberta de louça de cerâmica, com a metade de um pão e uma geleia de aspecto deprimente no fundo de um pote de um quilo.

– Acho que a chaleira estava fervendo – ela comentou em dúvida enquanto levantava a tampa do bule e espiava.

O dr. Cloade bufou de novo e resmungou:

– Chá aguado! – e com essas palavras explosivas deixou a sala.

– Pobre Lionel, os nervos dele estão em um estado terrível desde a guerra. Ele trabalhou duríssimo. Tantos médicos partiram. Ele não se permitiu descansar. Na rua de manhã, ao meio-dia e à noite. Me espanto de que não tenha se esgotado por completo. Claro que estava ansioso para se aposentar assim que houvesse paz. Estava tudo acertado com Gordon. O hobby dele, o senhor sabe, é botânica, com ênfase especial em ervas medicinais da Idade Média. Está escrevendo um livro a respeito. Estava ansioso por uma vida sossegada e para fazer as pesquisas necessárias. Mas então Gordon morreu daquele jeito. Bem, o senhor sabe como estão as coisas hoje em dia, monsieur Poirot. Impostos e tudo mais. Ele não pode se dar ao luxo de se aposentar e isso o deixa muito amargo. E realmente parece injusto. Gordon morrer daquele jeito, sem um testamento... bem, isso realmente abalou a minha fé. Quer dizer, eu realmente não conseguia ver o propósito disso. Não pude deixar de sentir que parecia um engano.

Ela suspirou, então animou-se um pouco.

– Mas obtive adoráveis garantias lá do outro lado. “Coragem e paciência, e um caminho será encontrado.” E realmente, quando aquele distinto major Porter apresentou-se hoje e disse de modo tão firme e másculo que o pobre assassinado era Robert Underhay... bem, eu vi que um caminho havia sido encontrado! É maravilhoso, não é, monsieur Poirot, como as coisas saem pelo melhor?

– Até mesmo um assassinato – disse Hercule Poirot.