Sonetos Completos

Antero de Quental · Capítulo 21 de 72

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Sonetos Completos

Amor Vivo

 

Amar! mas d'um amor que tenha vida…

Não sejam sempre timidos harpejos,

Não sejam só delirios e desejos

D'uma douda cabeça escandecida…

Amor que vive e brilhe! luz fundida

Que penetre o meu ser—e não só beijos

Dados no ar—delirios e desejos—

Mas amor… dos amores que têm vida…

Sim, vivo e quente! e já a luz do dia

Não virá dissipal-o nos meus braços

Como nevoa da vaga phantasia…

Nem murchará do sol á chama erguida… Pois que podem os astros dos espaços

Contra debeis amores… se têm vida?