Sonetos Completos

Antero de Quental · Capítulo 28 de 72

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Sonetos Completos

Amaritudo

 

 

Só por ti, astro ainda e sempre occulto,

Sombra do Amor e sonho da Verdade,

Divago eu pelo mundo e em anciedade

Meu proprio coração em mim sepulto.

De templo em templo, em vão, levo o meu culto, Levo as flores d'uma intima piedade.

Vejo os votos da minha mocidade

Receberem sómente escarneo e insulto.

Á beira do caminho me assentei…

Escutarei passar o agreste vento,

Exclamando: assim passe quando amei!—

Oh minh'alma, que creste na virtude!

O que será velhice e desalento,

Se isto se chama aurora e juventude?