Sonetos Completos

Antero de Quental · Capítulo 49 de 72

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Sonetos Completos

Mors-Amor

 

 

(A Luiz de Magalhães)

 

Esse negro corcel, cujas passadas

Escuto em sonhos, quando a sombra desce, E, passando a galope, me apparece

Da noite nas phantasticas estradas.

D'onde vem elle? Que regiões sagradas

E terriveis cruzou, que assim parece

Tenebroso e sublime, e lhe estremece

Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavalleiro de expressão potente,

Formidavel, mas placido, no porte,

Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera extranha sem temor.

E o corcel negro diz: «Eu sou a Morte!»

Responde o cavalleiro: «Eu sou o Amor!»